O decreto presidencial 70/2023, divulgado esta manhã, através de uma nota informativa, anuncia a dissolução do parlamento, decisão sustentada pela alegada tentativa de golpe de estado que ocorreu em 30 de novembro e 1 de dezembro.
recorte da nota informativa onde se anuncia a dissolução do parlamento guineense
Tudo começou quando dois membros do Governo foram detidos, sob acusações de má gestão do erário público e a Guarda Nacional decidiu invadir as instalações prisionais e libertar os detidos.
Durante algumas horas ouviram-se tiros nas ruas da capital guineense e, ao fim do dia 1 de dezembro contaram-se seis mortos, devido a confrontos entre a Guarda Nacional e a Guarda Presidencial.
O Presidente Umaro Sissoco Embaló sustenta que a Assembleia Nacional Popular “em vez de pugnar pela aplicação rigorosa da Lei de Execução Orçamental e exercer o seu papel de fiscalização dos atos do Governo, preferiu sair em defesa dos membros do executivo suspeitos de envolvimento na prática de atos de corrupção”.
O decreto presidencial não define qual a data para a realização de novas eleições.
É evidente que os regimes árabes e islâmicos perderam credibilidade perante as suas próprias populações, pela ausência de respostas ao que Israel está a fazer em Gaza.
Depois de quase 2 meses de mortandade, de sucessivos atos genocidas que aniquilam o povo da Palestina, depois de 6 ou 7 mil crianças mortas (não importa o número certo), depois da destruição massiva de infraestruturas, de modo a impossibilitar o retorno dos sobreviventes às zonas destruídas, o conjunto de países islâmicos limita-se a declarações verbais de condenação. Preferem o mercantilismo e desprezam a solidariedade. Frouxos, venais.
E os defensores da democracia e dos direitos humanos, no ocidente tão humanista, compactuam com a “única democracia do Médio Oriente”, confundindo multipartidarismo com democracia. Aceitam a carnificina, vocalizam baixinho lamúrias de sacristia, mas não dão um murro na mesa para parar o exercício de tiro ao alvo que os israelitas executam na Faixa de Gaza. Na verdade, se não o fizeram nos últimos 50 anos, por que razão haveriam de o fazer, agora? Hipócritas, cínicos.
Nesta crítica ficam de fora o Iémen, único Estado árabe a agir militarmente em apoio ao combate dos palestinianos e a Espanha, com o primeiro-ministro Pedro Sanchéz a dizer que embora Israel tenha direito a autodefesa, deveria exercê-lo dentro do direito internacional e que a Espanha reconhece o Estado da Palestina, quer a União Europeia ou os EUA gostem ou não.
Um enorme buraco na rua, fruto das recentes chuvas fortes, obrigou a obras de reparação que ainda decorrem, e alertou muitas pessoas que se dizem receosas com o que ainda pode acontecer. Na memória, os acontecimentos do ano passado, em que as fortíssimas chuvas fizeram uma vítima mortal e vários estragos avultados.
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Aos poucos, foram-se juntando várias pessoas, algumas com cartazes feitos à mão. Uma mulher que passava perto e observou a ainda modesta quantidade de pessoas fez o comentário de que eram “meia dúzia de caga tacos” (estou a citar). O tempo provou a esta cidadã, quiçá desiludida da participação cívica, que nem por isso. Em meia hora, duas estações televisivas foram fazer reportagem, e juntou-se mais de meia centena de pessoas, enquanto seis agentes da PSP ao longe faziam a sua discreta vigilância.
Uma das primeiras intervenientes, Helena Abreu, invocou a morte da cidadã que residia numa das caves inundadas, classificando-a de “uma morte perfeitamente estúpida”, e questionou o que fazia a Protecção Civil.
Pedro Fonseca, morador em Miraflores, tomou o microfone para criticar o empreendimento Parque dos Cisnes em Miraflores, que considera estar com muitas irregularidades. Afirmou ainda que alertou o município, dado que entende que o projecto vai contra diversas regras camarárias. Segundo ele, projectos como este podem ser a causa para o aparecimento de crateras como aquela que está agora a ser reparada. O caneiro que contém a ribeira, lembrou, tem cerca de 70 anos, ao longo dos quais se construiu na zona, e defendeu que até o caneiro estar arranjado não se deveria permitir mais construção. Apelou ao refrear da impermeabilização do solo, opinando que as medidas paliativas não vão ser suficientes. Pediu ainda a que fosse dada visibilidade de todas as formas possíveis a esta questão, para chamar a atenção às entidades competentes: a Agência Portuguesa do Ambiente, a autarquia e o Governo.
A seguir desfilaram mais intervenientes (incluindo representantes de um partido político e de movimentos cívicos, bem como um engenheiro hidráulico), que sublinharam ser este um problema crónico. Não faltaram críticas a alguns episódios ocorridos em assembleias municipais em que os membros da autarquia terão reagido de forma menos cordial quando questionados sobre vários aspectos desta problemática. Foi dito, ainda, que é necessário passar à ação concreta a longo prazo bem como mais iniciativas como esta concentração, para evitar a repetição de situações como as cheias de Dezembro de 2022. Chegou a ser mencionado o envio de propostas alternativas à autarquia. Em linguagem futebolística, a bola está agora do lado da Câmara Municipal de Oeiras.
Naturalia II, exposição da pintora Clotilde Fava, nas salas da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa.
O exotismo e a sensualidade, as cores quentes, porventura a revelar memórias felizes de Angola, onde Clotilde viveu durante muitos anos.
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Uma vintena de quadros, alguns de grande dimensão, todos com uma estética única que caracteriza a expressão artística de Clotilde Fava.
Das cores quentes (vermelhos, amarelos, rosas), às cores frias (azul, verde, cinza), as formas que nos sugerem flores, plantas, folhas, sementes, uma panóplia de estímulos para os sentidos.
No dia 29 de Junho de 2017, a Universidade do Porto deu um passo decisivo e oficial para passar a declaração de óbito ao TUP, instituição fundada em 1948 e com atividade permanente desde então, sendo por isso o grupo teatral mais antigo da cidade do Porto.
Nesse dia o Diário da República publicou o anúncio de um concurso público da venda ou concessão do antigo colégio Almeida Garrett, localizado na Praça Coronel Pacheco, pela Universidade do Porto, por um preço base de 4,768 milhões de euros. De há muito que se sabia que a Reitoria da Universidade do Porto tinha uma visão exclusivamente economicista em relação a este tentador espaço que faz salivar qualquer empreendedor imobiliário. Também se sabe que a Reitoria se estava nas tintas para o facto de nesse espaço existir o mais antigo grupo de teatro da cidade.
“O procedimento visa a celebração de contrato de compra e venda do espaço denominado ‘ex-colégio Almeida Garrett’, ou a celebração do contrato referente à cedência em direito de superfície por um período máximo de 30 anos”, especifica o anúncio. Localizado na freguesia do centro histórico do Porto, o imóvel tem entrada pela praça Coronel Pacheco e está inserido num terreno com uma área total de 8.520 metros
“O TUP, habituado que está a saltar de um lado para o outro e a nunca ter uma casa mesmo sua, voltará certamente a fazer as malinhas. O TUP, para os que não sabem, tem património e tem gente lá dentro. Património e gente que não cabem numa ou duas salinhas. O TUP, para os que não sabem, voltou a fazer do antigo auditório da ACE Escola de Artes um auditório de teatro (obviamente com o acordo da ACE). Um auditório onde os senhores da reitoria nunca põem os pés. Um edifício onde os senhores da reitoria nunca põem os pés, habitado por um grupo de teatro universitário onde os senhores da reitoria nunca põem os pés, que faz teatro que os senhores da reitoria nunca vão ver, que acolhe a comunidade universitária e não só e que lhe dá a oportunidade de fazer um teatro de que os senhores da reitoria não querem mesmo saber”, desabafou na altura Nuno Matos, um “TUPniano” que se recusa a pactuar com o domínio do lucro sobre a arte e a cultura.
‘Enteado’ da Universidade do Porto, para quem o Teatro e toda a sua envolvência social e cultural é descartável, o Teatro Universitário do Porto (TUP) é o grupo de teatro mais antigo ainda em actividade do Porto e está, como o próprio nome indica, de alguma forma ligado à Universidade do Porto. No TUP nasceram, ou passaram, muitos dos nomes mais sonantes desta nobre arte.
O carácter não profissional e universitário do TUP é, porventura, a sua mais-valia. Há espaço para rasgar com as convenções – às vezes tão presas como raízes – que o panorama teatral da cidade do Porto ainda teima em acarinhar, há amor na vontade de fazer como o TUP sabe e quer fazer. Assim o deixem. Para além de encenações colectivas e da apresentação de textos dramáticos de autores inéditos em Portugal, gostam de criar a partir do que está lá dentro – da casa, deles, de quem está com eles. É, continua a ser, acima de tudo, uma questão de verdade e da verdade – porque o Teatro não tem de ser mentira.
Hoje, continuam a apostar na formação, porque querem ver o TUP crescer; querem gente interessante de ver, que encha a casa do que tem para dar, que goste de dar mesmo quando faz ferida – que fique. E que, como disse o Mestre José Rodrigues, escultor e antigo cenógrafo do TUP: «Alertar, não deixar ninguém esquecer. Lembrar, lembrar constantemente. E não perder a memória. Compete ao TUP ser uma espécie de despertador. Não agredir, despertar. Mostrar às pessoas que ser curioso é fundamental».
A importância do TUP no teatro português, em especial no teatro do Porto, não se mede, nunca se poderia medir, em estatísticas desapaixonadas, acontecimentos pontuais e recortes de jornais. Um grupo de teatro assim é parte do património cultural da cidade e do país. Devia ser amparado, acarinhado, se isto fosse um país a sério.
E nós ‘passamos’ amiúde por um dos mais conhecidos retratos de Miguel Torga, admiramos-lhe a boina basca, imaginamo-lo pensativo de costas voltadas pró mar – e nem reparamos na assinatura. É de Isolino Vaz esse quadro, carvão sobre papel, 1961.
retrato de Torga, Isolino Vaz
Conhecemos e admiramos a obra de Siza Vieira e nem nos perguntamos – ou raramente nos ocorre perguntar: «Quem foram os seus professores?». Um deles, Isolino Vaz.
De resto, no catálogo da exposição comemorativa do centenário do pintor, exposição que esteve patente no Museu Municipal de Faro de Novembro de 2022 a 21 de Maio passado, há um texto de Siza Vieira em que ele conta como foi uma lição a simples ida à praia de Leça com o mestre:
«Não se falou em desenho. Jogámos à bola e corremos contra o vento, até ao limite do fôlego. […] Provavelmente este exercício preparava uma nova aprendizagem: como fixar o carvão, que sempre ameaçava seguir a brisa sobre o Rio Douro».
Em muito boa hora se fez a exposição. E aqui, na capital algarvia, porque longo tempo passou o pintor, de férias, na sua casinha duma Ilha do Farol então quase deserta. Em muito boa hora, o Município farense, após ter patrocinado a exposição, houve por bem editar o respectivo catálogo, com a colaboração de entidades algarvias e da própria Associação Mestre Isolino Vaz. Aí se analisa a obra do artista, uma análise meticulosa gizada pelo historiador de Arte Daniel Santana; aí se transcrevem mui oportunos testemunhos, entre os quais o de sua filha Elsa Vaz:
«No Núcleo familiar eram incentivados e cultivados hábitos já herdados e que ficaram para a vida. Sobretudo o da leitura e de tempo na Natureza. Muitas vezes acompanhei o meu pai em visitas de estudo, exposições e viagens. Tive uma infância feliz entre livros, obras de arte e viagens».
Optou-se por apelidar aqui, no catálogo, Isolino Vaz como um «homem diferente». E é ele mesmo que assim se retrata em palavras, depois de amiudadas vezes se ter querido autorretratar em desenho:
«Nasci pobre, com os pobres convivi. O povo anónimo, sofredor e humilde na sua vivência (e não no cenográfico pitoresco, anedota), no seu dramático realismo, sempre me emocionou. Pode dizer-se que toda a trajetória de quanto realizei tem por base a injustiça, a angústia do homem da rua, a sua luta sem esperança».
Quem se interessar por Arte e tiver curiosidade em conhecer quem foi e como foi o professor de Siza Vieira e também de Joana Vasconcelos tem neste catálogo, além dos seus dados biográficos, boa ocasião de aprendizagem e – ousarei dizê-lo – de não menor deleite, ao rever, em magníficas reproduções, algumas das mais significativas obras do pintor, cujo génio ficou espalhado por muitos lugares públicos de Portugal, em painéis e em vitrais: no Palácio da Justiça do Porto, no Santuário do Monte da Virgem (Vila Nova de Gaia), na igreja de Pinhovêlo (Macedo de Cavaleiros), na igreja de Santo Ildefonso (Porto), no Museu Nacional Soares dos Reis…
O que atrás se transcreveu acerca da sua maneira de pensar está bem patente na sua obra: Isolino Vaz fez do lápis e do pincel armas contra a desigualdade social; chamando a atenção para a realidade sua envolvente – como era apanágio da corrente neorrealista que perfilhou – contribuiu, sem dúvida, para que ela fosse vista com um olhar mais penetrante. A força que dimana desses corpos, desses rostos, desses gestos não pode deixar-nos indiferentes. É o Povo na sua vitalidade maior! Mesmo a rachar o tronco ressequido da árvore, de forte machado na mão, o casebre ao fundo a fumegar, descalços ele e a mulher, mesmo nesse instantâneo, não é o casal pobre que assim labuta por ter com que se aquecer e cozer um caldo, é todo um Povo a labutar. E apetece recordar Carlos de Oliveira: «Não há machado que corte / a raiz ao pensamento / Não há morte para o vento / Não há morte». Das obras de Isolino saltam pensamentos que nenhum machado ousará cortar.
O caso das gémeas brasileiras que receberam o tratamento mais caro do mundo, pago pelo SNS, está a ganhar contornos estranhos.
Na TVI, Sandra Felgueiras, jornalista que tem chefiado a equipa de repórteres que segue e investiga este caso, depois de explicar que existe uma carta inicial que a Presidência da República recebeu e de que tentou “apagar” o remetente”, eventualmente para que não se soubesse a origem do pedido, garantiu que “nós não vamos ceder a ameaças de ninguém e aqueles que nos estão a ouvir seguramente percebem para quem eu estou a falar”.
É… talvez Marcelo esteja a comer a sua própria vichyssoise.
Vejam um excerto das declarações de Sandra Felgueiras, no Primeiro Jornal da TVI de hoje:
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Relembrando o caso.
Há cerca de um mês, o Hospital de Santa Maria abriu uma auditoria para perceber como é que duas gémeas brasileiras que residem no Brasil fizeram um tratamento de quatro milhões de euros em Portugal, pago pelo SNS. Chegaram com consulta marcada e vários médicos foram contra. Há suspeitas de influência do Presidente da República, mas Marcelo nega. Contudo, apesar de um parecer desfavorável de todos os neuros pediatras do hospital, o tratamento avançou mesmo.
O Memorial, recuperação de uma casa ligada ao processo de escravizar pessoas, conta a historia da escravatura africana, incluindo o tráfico negreiro (coisas diferentes, ambas horriveis), do inicio aos nossos dias.
Em 1444 chegaram a Lagos, e foram “recebidos” pelo Infante Dom Henrique que assistiu à sua venda, e que ficava com 60% do valor, os primeiros 235 escravos provenientes da África Ocidental.
Com a instalação, em grande número, dos portugueses em Cabo Verde e São Tomé, esse trafico intensifica-se e depois houve o Brasil, que antes e depois da independência (1825), recebeu milhões de escravos. Estima-se que cerca de 5 milhões.
O tráfico transatlântico intensifica-se a partir de 1500 e se, no inicio, os barcos partiam da localidade hoje conhecida como Cidade Velha na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, depois da construção do fortim do Cacheu em 1588, Cacheu passa a ser o ponto central desse trafico transatlântico. Até 1621, data da criação da Companhia Holandesa das Indias Ocidentais, Portugal tinha o exclusivo quase total do comércio de escravos africanos.
As feitorias e companhias monopolistas privadas, mas com a bênção da coroa, geriam o comércio dos produtos e os escravos eram tidos como um produto, e tratados como tal ou pior ainda. As pessoas eram apanhados, sequestradas, faziam longas marchas até ao litoral e esperavam – eram alimentados para ganhar peso e passavam óleos na pele para ficarem luzidios e renderem mais – eram batizados pelo Franciscanos que por aqui estavam, e por fim embarcavam rumo a outro continente.
As condições de vida eram infra-humanas. Eram marcados a fogo, como se faz ao gado, várias vezes desde a captura até ao último dono. O tráfico negreiro foi a maior migração forçada da história. Ironicamente, os barcos negreiros tinham nomes inocentes como “Feliz Ventura” ou “Amável Donzela”.
quadros explicativos sobre a escravatura e o tráfico de escravos expostos no Memórial do Cacheu
E se Marquês de Pombal aboliu a escravatura em Portugal continental em 1761, só em 1867 ou 1875 o negócio foi proibido em todo o espaço português. Mesmo depois disso, houve escravatura e tráfico disfarçado de trabalhos forçados, contratos e afins … um antecedente do que hoje acontece aos milhares, ou milhões – não sei os números- de africanos que embarcam pelo Atlântico e Mediterrâneo à procura de uma vida melhor.
quadros explicativos sobre a escravatura e o tráfico de escravos expostos no Memórial do Cacheu
Ouvir esta história em África, em Cacheu, no baluarte que aprisionou tantos escravos/as, pela boca de um jovem negro, teve um impacto muito grande em mim.
Muito fica por contar, mas acabo, tal como iniciei, com as palavras do Gino. Perguntei-lhe por que é importante conhecer o Memorial e vir a Cacheu, deu-me 6 razões:
1) conhecer a historia real da escravatura
2) conhecer a história da Guiné, Cacheu é a primeira semente da nação guineense
3) encontrar a história de varios grupos étnicos e varias actividades como o pano de pente que no sec XVI era dos mais caros do mundo
4) conhecer a primeira fortaleza da Guiné, que data de 1588
5) conhecer o cemitério dos ingleses, hoje o cemitério local
6) conhecer a primeira igreja na costa ocidental de África, dos Padres Franciscanos, que data de 1690
E eu acrescento mais uma;
7) conhecer o Gino Gomes
Gino Gomes, cicerone do Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro, Cacheu, Guiné-Bissau
No local estão agora as estátuas coloniais que foram retiradas de Bissau.
O Memorial foi desenvolvido pela ONG Ação e Desenvolvimento, num projecto em parceria com varias instituições, como a Fundaçao Mário Soares, a fundação EDP e o Camões. Foi inaugurado em 2016. Mas os apoios terminaram o ano passado. Se há projectos que devem ter apoio da cooperação portuguesa ao seu contínuo funcionamento, este é um deles. Portugal tem uma dívida impagável para com esta região e manter a funcionar, apoiar e dar visibilidade a este museu é nao deixar cair no completo esquecimento esta história triste e tentar evitar que ela se repita!
A imagem do apresentador Goucha anda a ser usada abusivamente em estranhos esquemas para atrair público para conteúdos não relacionados com ele.
Quem abre o computador tem uma página inicial da Microsoft onde surge uma panóplia de conteúdos noticiosos, meramente informativos e enganosos, com publicidade à mistura, numa salganhada inacreditável.
Neste enquadramento, a Microsoft oferece uma série de conteúdos onde aparece repetidamente a cara e o nome de Manuel Luís Goucha. A ideia é usar a popularidade do apresentador para levar as pessoas a clicar na “notícia”.
recorte de uma página da Microsoft, onde surgem vários conteúdos que utilizam a imagem e o nome de Manuel Luís Goucha, embora estejam identificados como publicidade, simulam ser notícia.
Só que surge outra coisa. Ou vai parar a páginas que fazem acionar todos os alertas de perigo para infeções virais ou vai parar a páginas com informação que não se relaciona com o “isco Goucha” utilizado. Na situação que estamos a reportar, o “isco Goucha” conduz a conteúdos da Flash que pertence à Cofina (Correio da Manhã).
O que nos aparece são declarações de Jorge Gabriel. Uma espécie de entrevista que tenta ser sensacionalista, mas que não passa de lixo.
Quando se tenta entrar na “notícia” sobre Goucha, o link abre uma notícia da Flash sobre Jorge Gabriel
Veja o vídeo:
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Duvidamos que estes procedimentos sejam legais. Legítimos não são. E duvidamos que a imagem de Goucha esteja a ser utilizada com a autorização dele. De qualquer modo, é uma coisa indigna. E estranhamos que este tipo de situações perdurem no tempo, sem que as empresas e as personalidades envolvidas nada façam para evitar isto.
O procedimento da Cofina é lamentável, deveria ser sancionado. Assim como a leviandade da Microsoft que cobra por exibir publicidade enganosa. Goucha, Gabriel, TVI, SIC e RTP deveriam perceber que ignorar o abandalhamento das suas imagens não é boa ideia.
Castelo dos Mouros, Sintra. Na bandeira, a palavra Sintra escrita em árabe.
Primeiro, porque boa parte dessas ‘coisas’ nem dos Mouros eram, mas da época pré-histórica ou romana; segundo, porque, em rigor, «mouro» é, literalmente, a pessoa natural da Mauritânia e nem mesmo os castelos de como o de Gondar ou o de Paderne os poderemos chamar de «mouros» e se prefere a designação, mais genérica, de «árabe».
Também o vocábulo «árabe» carece de explicação, porque, na linguagem corrente, não significa obrigatoriamente apenas quem veio da Arábia mas todos os grupos que perfilham da doutrina de Maomé.
Por esse motivo se fala de «civilização árabe», entendendo a expressão como indicativo desses povos do Próximo e Médio Oriente que entraram na Península Ibérica, após a batalha de Guadalete de 711; e se prefere, em contexto cultural, mormente religioso, a designação «islâmicos».
Quando, em pequenos, estudámos a História de Portugal, louvava-se a Reconquista Cristã: a batalha de Ourique «contra 5 reis mouros», a conquista de Lisboa com a ajuda dos Cruzados; mas não se esqueciam os benefícios que os Árabes nos haviam legado:
– a numeração, muito diferente da romana e já com a introdução do zero;
– as grandes inovações no domínio da rega através da cegonha ou picota e da nora;
– e, no aspecto da arquitectura, olhava-se para as chaminés rendilhadas e para as açoteias, esses terraços no cimo das casas algarvias para melhor aproveitamento da água proveniente das escassas chuvas.
A água assim acareada ia amiúde para cisternas que, embora o seu uso já viesse do tempo dos Romanos, foi com os Árabes que se generalizou no Algarve.
E, claro, salientava-se também que muitas palavras portuguesas começadas por al- (o artigo definido o, em árabe) eram de origem árabe. Temos, de facto, dos Árabes, no domínio linguístico, um legado riquíssimo, quer no que concerne aos topónimos (Aljezur, Alvide, Alcoitão…), quer, de modo especial, no que se prende com profissões (v. g., alfaiate, almocreve), frutos (ameixa, almecoque, alcagoita, azeitona, amêndoa…) e objectos concretos de uso comum: almeixar, alforje, aldraba, albarda…
Mas não se ia mais além. Do ponto de vista literário, por exemplo, pouco se ousara adiantar no estudo dos escritores de que se tinha notícia se haverem notabilizado no território hoje nacional. Do ponto de vista arqueológico, parece que existia algum pejo em encarar a possibilidade da existência de vestígios concretos da ocupação islâmica, até porque se partia do princípio de que tudo desaparecera com a Reconquista, o que viria a verificar-se não ser verdade. Por outro lado, os Mouros eram os «infiéis» contra os quais os Cristãos haviam lutado e o melhor era esquecê-los – assim o ditava o Regime.
Após o 25 de Abril de 1974, a situação alterou-se por completo, tanto no âmbito da Literatura como da Arqueologia. Começaram a surgir, nas universidades, cadeiras de Estudos Árabes; identificaram-se povoados árabes; o estudo da cerâmica árabe ganhou novo impulso… E o entusiasmo foi ao ponto de – se, até aí, a moda era dar a revistas de História o nome de cidades romanas (Conimbriga,Olisipo, Brigantia, Bracara Augusta…) – se optar, para as novas publicações, por palavras etimologicamente árabes: Xelb, em Silves, revista que começou a ser publicada em 1988 e que no primeiro número tratou das cerâmicas muçulmanas do castelo de Silves; Ibn Maruan, de Marvão, em 1991; Al-madan, em Almada (1983); al-‘ulyà, em Loulé (1992); Al-Rihana, em Aljezur (2005); Alacant, em Moura (2021).
O Campo Arqueológico de Mértola, criado, em 1978, por iniciativa de uma equipa liderada por Cláudio Torres, adoptou como logótipo a figura de um prato árabe e escolheu como principal programa da acção o estudo dos vestígios da civilização islâmica. Foi da iniciativa de dois dos seus mentores (Cláudio Torres e Santiago Macias) a coordenação da exposição, em 1998, no Museu Nacional de Arqueologia, intitulada «Portugal Islâmico – Os Últimos Sinais do Mediterrâneo», dotada de mui significativo catálogo com o mesmo título.
Helena Catarino, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, dedicou a essa temática a maior parte da sua investigação e traçou, na revista O Arqueólogo Português (nº 13/15, 1995/1997, p. 457-484), mui sintomática perspectiva do entusiasmado interesse que se registou pelos estudos islâmicos.
A leitura, publicada por Carmen Barceló, professora da Universidade de Valência, em 2013 (revista Conimbriga 52 p. 165-194), da inscrição árabe achada em Lisboa e que dá conta das obras levadas a efeito no castelo árabe da cidade, no ano de 985, constituiu também um ponto alto na investigação em curso, inclusive porque se estudara a inscrição funerária romana que fora gravada na parte superior da lápide mas inda se não lograra interpretar o texto árabe que, aproveitando o suporte, ali fora gravado.
Dir-se-ia haver aqui uma atitude sintomática a sublinhar: vendo uma inscrição romana, o árabe não hesitou em ‘casar’ com ela um texto árabe. Presságio duma aculturação, duma coexistência pacífica, que, dois milénios passados, ainda se almeja. Sem grandes esperanças, porém.