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GAZA, ajuda humanitária e bombas

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Mortos palestinianos na Faixa de Gaza já são mais de 31 mil, a maioria mulheres e crianças. O exército israelita parece concentrado em testar a eficácia de novos métodos para matar palestinianos. Um deles, será o que os meios palestinianos estão, agora, a denunciar.

Primeiro, os aviões autorizados a sobrevoar o espaço aérea de Gaza lançam pacotes com ajuda humanitária. Depois, a artilharia israelita bombardeia a mesma zona.

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Um terceiro vídeo divulgado pelos meios palestinianos, mostra o efeito devastador de um bombardeamento israelita que destruiu um centro de distribuição de ajuda humanitária. No caso, o centro do campo de Al-Nuseirat, em Gaza. Aqui morreram 8 pessoas e dezenas ficaram feridas.

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Humano conversa com um robô!

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Fui à página da companhia na Internet e a proposta de contacto mais adequada que me sugeria era o chat (que toda a gente sabe o que é). Fui nessa. E aí vai o teor da conversa – de 14 m e 59 s! – que pacientemente mantive (H) com o robô (R) que me atendeu.

H – Tenho a placa identificativa cuja imagem vai em anexo. Poderá, porventura, por ser antiga, embora não esteja em muito bom estado, interessar para o espólio museológico da empresa. O meu amigo que a achou e me perguntou que destino ela poderia ter acabou por a encaixilhar e entregou-ma quando eu lhe disse que seria eventual pela museológica.

R – Este canal não suporta o envio de documentos neste momento da conversa. Escreva RECOMEÇAR para voltar ao início.

H – RECOMEÇAR

R – Olá, bem vindo à Fidelidade! 😃Podemos ajudar em algum destes assuntos? (Dica : escreva o nome da opção que pretende. Ex.: Carta Verde). 1 – Simulação; 2 – Alteração; 3 – Anulação; 4 – Pagamentos; 5 – Sinistros; 6 – Carta Verde; 7 – Pedir Assistência; 8 – Documentos.

H – A mensagem partiu inesperadamente e com uma gralha: é ‘peça museológica’ o que eu queria escrever. Sou Fulano e o meu nº de telemóvel é XXX XX XX XX.

R – Lamento, mas não encontrei resposta para a sua pergunta. Quer falar com um assistente? 1 – Sim; 2 – Não.

H – Sim

R – Tratamento Dados Pessoais. Queremos dar-lhe todas as garantias de que necessita para se sentir tranquilo ao utilizar o nosso serviço. Os dados recolhidos podem ser utilizados para celebração ou execução do contrato. Pode encontrar mais informação sobre a forma como tratamos os dados em http:// etc e tal. Aguarde um momento, um dos nossos assistentes irá responder assim que possível. [Pausa]. Boa tarde, está a falar com Sicrana. [Pausa]. Devido à ausência de resposta, daremos a conversação por terminada. Obrigado. [Pausa] A sua conversa com o assistente foi terminada. Classifique por favor, numa escala de 0 a 10. Como recomendaria o nosso chat a familiares e amigos?

H – Acontece que a Sicrana não falou comigo. Portanto, a minha classificação é 0.

R – Muito obrigado pelo seu contacto. [Pausa] 1 – Menu inicial.

H –  Se houvesse um e-mail, era preferível, porque a mensagem não se enquadra nos parâmetros algorítmicos programados. O meu e-mail é fk4ótg&@

R – Lamento, mas não encontrei resposta para a sua pergunta. Quer falar com um assistente? 1 – Sim; 2 – Não.

H – Sim.

R – Por favor escreva a pergunta de forma diferente. (Dica: Para voltar ao início escreva recomeçar).

H – É o que eu digo: o algoritmo está programado para assuntos que não é este.

R – Qual é o seu nome?

H – [Dei o nome].

R – Tratamento Dados Pessoais [etc. como está atrás. …]. Aguarde um momento, um dos nossos assistentes irá responder assim que possível.

H – Acho bem, porque o assunto é para ser tratado de pessoa para pessoa e não com um autómato.

R – Especifique o âmbito da sua questão, por favor. (ex: Sinistro Automóvel, Sinistro de Acidente de trabalho, Sinistro de Acidentes Pessoais, Sinistro Habitação, Sinistro Responsabilidade Civil, Pagamento da Apólice,  Condições Particulares da Apólice, Simulação de Seguro, Anulação do Seguro, Carta Verde, AdvanceCare etc…).

H – Nenhum desses! Lamento que, afinal, o dito assistente seja mesmo um autómato programado. Tentarei outros meios, que este não leva a sítio nenhum.

R – A sua conversa com o assistente foi terminada. Classifique por favor, numa escala de 0 a 10. Como recomendaria o nosso chat a familiares e amigos?

H – 0. Não recomendaria.

R – Obrigado pela sua colaboração! Como podemos melhorar a sua experiência?

H – Telefonando-me ou contactando por email [forneci os dados].

R – Muito obrigado pelo seu contacto. 1 – Menu inicial

Desliguei a chamada. Haviam passado 14 m e 59 s!

De tarde, refeito após a sesta, descobri um número de telefone. Atendeu-me uma assistente de carne e osso. O assunto parece encaminhado.

A placa encaixilhada e pronta para seguir para o museu. Assim haja museu para ela.

ESPIÕES AMERICANOS ATUAM NA CHINA

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A meio do seu mandato presidencial, em 2019 Donald Trump autorizou a CIA a lançar uma campanha clandestina nas redes sociais chinesas, com o objetivo de virar a opinião pública chinesa contra o governo. A notícia é da agência Reuters, datada de 14 de março de 2024.

Três ex-funcionários da CIA disseram à Reuters que a agência de espionagem criou uma pequena equipe de agentes, que usaram identidades falsas na internet, para espalhar narrativas negativas sobre o governo de Xi Jinping, enquanto disseminavam informações falsas para meios de comunicação estrangeiros. Por exemplo, equipa da CIA espalhou fakenews sobre atos de corrupção de membros do Partido Comunista chinês

Segundo a Reuters, confrontados com as declarações recolhidas pela agência, as autoridades dos EUA confirmaram a operação, mas disseram que a CIA só disseminou informações verdadeiras, embora através de falsas identidades. A agência de espiões norte-americana pretendia fomentar a desconfiança entre os principais líderes locais chineses, para forçar o governo a gastar recursos perseguindo fantasmas.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse que as notícias sobre a iniciativa da CIA mostram que o governo dos EUA usa o “espaço de opinião pública e plataformas de media como armas para espalhar informações falsas e manipular a opinião pública internacional”.

Esta fuga informativa surge no momento em que o Governo dos EUA pretende forçar a empresa chinesa Bytedance, que detém o Tik Tok, a vender a rede social a empresários americanos. A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos já aprovou por esmagadora maioria um projeto de lei que dá à ByteDance seis meses para alienar a rede social Tik Tok ou enfrentar uma proibição.

O TikTok tem 170 milhões utilizadores nos EUA. Ou seja, mais de metade da população do país. Além de ser um negócio fabuloso em venda de publicidade, pode ser uma ferramenta muito útil para quem quiser manipular a opinião pública do país.

O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, confirmou a vontade de acabar com a propriedade chinesa do TikTok. “Queremos que o TikTok, como plataforma, seja propriedade de uma empresa americana ou da China? Queremos que os dados do TikTok – dados de crianças, dados de adultos – fiquem aqui nos Estados Unidos ou que vão para a China?”, questionou.

Programas de manipulação das opiniões públicas, não são novidade. O candidato independente às presidenciais, Robert F. Kennedy Jr diz que há programas ainda em atividade, desde o tempo da Guerra fria, como será o caso da “Operação Mockingbird”.

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MATARAM MARIELLE HÁ 6 ANOS

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Ronnie Lessa, fotografia de 1990

Marielle Franco foi uma ativista política na defesa dos direitos humanos, feminista e homossexual. Era muito popular e a sua carreira política prometia uma ascensão rápida, que foi travada a tiro na noite de 14 de março de 2018.

O autor material do assassinato está encontrado. É um antigo agente da Polícia Militar, Ronnie Lessa, membro de um esquadrão da morte, grupo criado para matar sumariamente alegados criminosos. Outro antigo polícia, Élcio Queiroz, foi associado à execução do crime.

Lula assumiu a Presidência e colocou o caso como “questão de honra” – assim anunciou o Ministro da Justiça. Em fevereiro de 2023, por determinação do Governo, a Polícia Federal organizou um grupo de trabalho, em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro, para encontrar respostas para o crime político de maior repercussão nacional e internacional, desde a morte de Chico Mendes em 1988.

O ex-polícia Élcio Queiroz incriminou Ronnie como o autor dos disparos fatais. Élcio foi quem conduziu o carro na perseguição ao veículo onde seguia Marielle Franco. Élcio denunciou ainda um terceiro elemento, Simões Corrêa, que foi quem vigiou os passos e as rotinas de Marielle durante a preparação do atentado.

Domingos Brazão

Na cadeia, depois de muita resistência, o assassino Ronnie Lessa acaba por dar um nome à polícia, como tendo sido o mandante do crime: Domingos Inácio Brazão, deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

As investigações às atividades de Brazão indiciam ligações a vários grupos de marginais, nomeadamente a Milícia Rio das Pedras e o Escritório do Crime. Mas Brazão nega tudo e falta provar que está a mentir.

Seis anos depois, quem encomendou a morte de Marielle Franco continua a monte. As denúncias que incriminam Brazão ainda não foram validadas pelo Supremo Tribunal de Justiça brasileiro.

ISRAELITAS PODEM SER DETIDOS SE VIAJAREM PARA FORA DE ISRAEL

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A África do Sul anunciou que os militares judeus com cidadania sul-africana serão detidos quando regressarem ao país. O aviso foi feito pela própria ministra dos Negócios Estrangeiros sul-africana, Naledi Pandor.

“Já emiti uma declaração alertando os sul-africanos que estão a lutar ao lado ou na Força de Defesa de Israel. Estamos prontos. Quando voltarem para casa, vão ser detidos”, disse a ministra Pandor, quando falava numa conferência sobre a solidariedade da África do Sul com os palestinianos e a petição apresentada por Pretória contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça em Haia.

fonte jornal Haaretz

A África do Sul alertou os seus cidadãos que podem ser processados judicialmente, se houver suspeita de que violaram o direito internacional ao lutar integrados no exército israelita em Gaza.

A ministra apelou, ainda, para um boicote aos produtos e serviços israelitas, e deu o exemplo da companhia aérea nacional israelita El Al, que já estará a cancelar voos devido à escassez de passageiros.

A ministra Naledi Pandor explicou, depois, as razões da solidariedade da África do Sul com a luta do povo da Palestina.

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Esta questão da detenção de militares israelitas com dupla nacionalidade é muito delicada para Israel. Quando preparou a invasão de Gaza, depois do ataque do Hamas de 7 de outubro, Israel convocou 300 mil reservistas que vivem fora do país. São 300 mil pessoas que têm outras nacionalidades, mas que mantêm um vínculo sentimental, religioso, ideológico, com o Estado de Israel.

Foi noticiado pelo jornal israelita Haaretz que autoridades militares estão a fazer um levantamento de militares que sejam nacionais de países considerados problemáticos. Esses militares serão instruídos sobre o modo como devem agir quando quiserem regressar aos países onde vivem e trabalham. Segundo o Haaretz, esse contacto instrutório já foi feito com militares com cidadania russa, ucraniana, bielorrussa e letã.

O CASO DAS RELAÇÕES COM O BRASIL

O Presidente do Brasil sempre foi considerado amigo de Israel. Nas várias visitas que fez, durante os primeiros mandatos presidenciais, Lula foi recebido com prazer pelas autoridades israelitas. A recente declaração de Lula, quando comparou a guerra de Israel em Gaza com o extermínio de judeus durante a II Guerra Mundial, estragou a boa e antiga relação diplomática do Brasil com Israel.

“O que está a acontecer na Faixa de Gaza não é uma guerra. É genocídio”, disse Lula. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino quase nunca aconteceu em nenhum outro momento da história. Na verdade, isso aconteceu apenas uma vez, quando Hitler decidiu matar os judeus”, citamos. Caiu o “Carmo e a Trindade” em Telavive.

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Por causa disto, o presidente brasileiro foi declarado persona non grata em Israel. Em seguida, o Brasil convocou o embaixador Meyer para consultas e, por sua vez, convocou o embaixador de Israel no Brasil para uma repreensão.

UM ANTISSEMITA DE ESQUERDA?

O presidente do Brasil não é de forma alguma um antissemita ou antissionista, como é evidenciado pela sua história pessoal e pelas políticas dos seus governos, desde sempre.

O primeiro encontro de Lula com o sionismo ocorreu durante o período da ditadura no Brasil, na década de 1970. Naquela época, encontrou refúgio entre os grupos de esquerda Hashomer Hatzair e Mapam, em São Paulo. Durante a década de 1980, rodeou-se de conselheiros e colegas judeus da comunidade judaica no Brasil. Alguns deles permanecem com Lula até hoje.

Lula visitou Israel três vezes, enquanto Presidente da República. Visitou Yad vashem, em Jerusalém, onde se perpetua a memória do Holocausto, visitou colonatos, celebrou acordos de cooperação com Israel. Desde 2002 até 2010,  dez ministérios brasileiros– incluindo educação, economia, agricultura, ciência e saúde – participaram em projetos conjuntos com Israel. Lula discursou no Knesset, o parlamento israelita e plantou uma árvore na “Floresta das Nações” do Fundo Nacional Judaico – símbolo do sionismo aos olhos do mundo – em Jerusalém. Durante uma visita ao Yad Vashem, passou longas horas nos arquivos do museu e encontrou o seu nome de família Silva entre as listas de vítimas do Holocausto, uma experiência que costuma dizer ter sido a mais comovente para ele.

Lula foi o primeiro presidente brasileiro que optou por se envolver ativamente na tentativa de resolver o conflito israelo-palestiniano e em apoio a uma solução política. Como parte desse esforço, durante outra visita a Israel, ele fez questão de depositar flores no túmulo de Rabin e fez o mesmo no túmulo de Yasser Arafat em Ramallah.

Lula não é antissemita, apenas falou a verdade. O que Israel está a fazer em Gaza é um genocídio.

CHINÊS OBRIGADO A FECHAR A LOJA

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A rede social Tik Tok pertence a uma empresa chinesa, a Bytedance. O Tik Tok é a rede social mais utilizada pelos jovens estadounidenses. O Governo dos EUA não gosta do Tik Tok. Os argumentos são a ausência de políticas para a defesa da comunidade e a probabilidade do Tik Tok poder ser utilizado pela China para espiar e influenciar a opinião pública americana.

Os americanos vão resolver estas questões, aprovando uma lei que obrigará a Bytedance a vender o Tik Tok a compradores americanos ou, caso a venda não se faça, a rede social será proibida nos EUA. Ambas as medidas não se encaixam nos canônes do capitalismo, mas encaixam-se no canibalismo capitalista.

Ontem, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos já aprovou por esmagadora maioria esse projeto de lei que dá à ByteDance seis meses para alienar a rede social ou enfrentar uma proibição. O projeto foi aprovado por 352 a 65, maioria obtida pelos votos de deputados dos partidos Democrático e Conservador.

Depois, para entrar em vigor, tem de passar antes no Senado. Muitos senadores não concordam com a medida. Na verdade, se tal medida fosse aplicada na China ou na Rússia contra empresas norte-americanas seria olhada como mais um escândalo “socialista”, mais um exemplo da falta de liberdade dos regimes “comunistas”.

O TikTok tem 170 milhões utilizadores nos EUA. É um negócio colossal. Se a empresa for proibida de exercer nos EUA, pode acontecer que as repercussões da proibição adquiram um significado político difícil de gerir para Biden. Adivinham-se protestos de grande dimensão na sociedade norte-americana.

Mas Biden disse na semana passada que assinaria a lei se passasse no Senado. O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, confirmou que o objetivo era acabar com a propriedade chinesa, não banir o TikTok.

“Queremos que o TikTok, como plataforma, seja propriedade de uma empresa americana ou da China? Queremos que os dados do TikTok – dados de crianças, dados de adultos – fiquem aqui nos Estados Unidos ou que vão para a China?”, questionou. Mas a verdadeira questão deverá ser outra e tem a ver com a dominância global.

Em 2020, o então presidente Donald Trump tentou banir o TikTok e o WeChat, ambos de propriedade chinesa, mas foi bloqueado pela Justiça.

A venda forçada do TikTok nos EUA é um desafio legal complicado. Se isso acontecer, é quase certo que a Bytedance irá recorrer para os tribunais. Em causa, questões relacionadas com a iniciativa privada e com as liberdades consagradas na Constituição.

O dia seguinte

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No momento em que escrevo este pequeno texto, ainda não são conhecidos os resultados dos votos da emigração. Admitindo que o histórico tem sido um empate entre PSD e PS, vou dar de barato que esta divisão de deputados a eleger se manterá. Contudo é bom frisar que nas eleições anteriores, em 2022, muito por culpa do PSD, a consulta popular no circulo da Europa teve de ser repetida, sendo o partido da S. Caetano penalizado por isso, com o PS a arrecadar a seu favor as duas vagas para deputado disponíveis por este circulo.

No ultimo domingo, o habitual festejo do vitorioso da noite, a seguir à contagem dos votos, ficou-se por um sorriso amarelo, com amargo de boca. Uma vitória de Pirro. Mas o melhor foi o exército de comentadores a pedir responsabilidade ao maior perdedor das eleições, o PS, eles que nunca exigiram essa reciprocidade caso o vencedor tivesse sido outro.

O PS de Pedro Nuno Santos perdeu. Muito por culpa do legado deixado pelo anterior primeiro-ministro, António Costa, que quis fazer um brilharete nas contas públicas. Fosse ele o deficit, fosse a dívida. Contas essas que afinal para a direita nada interessaram. Ou melhor, só interessam quando a retórica é malhar na esquerda por causa do suposto despesismo.

O resultado destas eleições serve para os dois maiores partidos refletirem. Sem arrogância e com sentido critico. Sem desculpas esfarrapadas. O povo não é assim tão néscio como muitas vezes nos querem fazer crer.

O PS, goste-se ou não dele, é o maior partido português. O único em 50 anos de democracia que sempre concorreu sozinho. Sem muletas. Em primeiro lugar os socialistas devem ponderar como foi possível perder em dois anos, meio milhão de eleitores.

Em segundo, o PSD também tem de fazer uma forte introspeção. De facto, olhando para os resultados eleitorais até ao momento, a manter-se esta diferença, não me recordo da AD ou PàF, ou qualquer outra coligação que integrasse PSD, CDS e PPM, ficar com números tão baixos numa eleição desta importância. Dito isto, o país ainda não se esqueceu de Passos Coelho como chefe de governo, nem de Luís Montenegro como seu líder parlamentar, apesar dos esforços deste por dar uma nova roupagem à direita liberal, com promessas que não convenceram os eleitores. Foi o Chega quem absorveu o descontentamento do eleitorado pela governação passada da PàF, bem na memória de alguns, tal como da maioria absoluta de Costa, obcecado com o deficit zero.

O Chega é um partido populista com raízes no mais profundo preconceito ideológico que o fascismo de braço dado com os sectores mais conservadores da igreja católica promoveram, em associação com uma elite que acha a democracia liberal um estorvo para os seus intentos. Um pouco como as cuzadas na Idade Média. O Chega explora como poucos o sentimento de abandono por parte dos poderes instituídos, daqueles que pelas mais variadas razões, muitas delas até de saúde, ficaram de fora das benesses do regime. O caso das policias é um bom exemplo. Tudo porque ao contrário da PJ, onde a maioria dos seus quadros tem formação académica superior, os governos continuam a achar a PSP, a GNR e Guardas Prisionais, uma espécie de sipaios coloniais, cuja função é manter o povão alinhado na praça publica.

Na prática o que o eleitorado nos disse foi que as contas têm de estar certas, sim, mas não à custa dos mesmos.

Declamando Sérgio Godinho:  

Aí
Só há liberdade a sério
Quando houver
A paz, o pão, habitação
Saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
Quando pertencer ao povo o que o povo produzir
E quando pertencer ao povo o que o povo produzir
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MONTENEGRO ENTALADO

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As agências internacionais de notícias não costumam ligar patavina a Portugal. Desta vez, as eleições portuguesas foram notícia.

A Reuters, por exemplo, noticiou que o país vai passar a viver no fio da navalha, politicamente falando, com um governo minoritário e sem apoios, quer à esquerda ou à direita.

Quando explica o que é o Chega, aos leitores de língua inglesa espalhados pelo mundo, diz que se trata de um partido que fez campanha agitando as bandeiras da corrupção e da imigração. Sobre Portugal, a Reuters diz que somos “no país mais pobre da Europa Ocidental.”

A agência norte-americana realça que o líder do Chega considera “uma humilhação” se o próximo primeiro-ministro não quiser negociar com ele apoios firmes que levem à participação do Chega no Governo.

O artigo inclui vários comentários de analistas políticos. Um deles, o professor da Universidade Católica, André Azevedo Alves, diz que “a fragilidade de um governo AD devido à sua dependência do PS ou do Chega para aprovar legislação torna improvável que dure vários anos.”

Por fim, a Reuters estabelece paralelismos entre o Chega de André Ventura e o VOX espanhol ou o Lega de Itália.

O sapateiro que foi muito além das botas!

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Habituei-me desde moço pequeno a ouvir falar dele: o sapateiro de Santa Susana, ali para as bandas de Alcácer do Sal, que fazia como ninguém as botas caneleiras de bom cabedal e cardadas a preceito e bem assim os sapatos com cabedal de vitela. O pessoal das pedreiras desta zona ocidental de Cascais era seu cliente fiel.

Meu pai não queria botas feitas por mais ninguém e praticamente todos os anos lhe encomendava um par. Confesso que não sei como se estabelecia o contacto, numa época – os anos 50 – em que nem sequer telefone não era de uso. Nunca cheguei a falar nisso a meu pai. Algum dos nossos conhecidos, de passagem para o Algarve ou para o Alentejo profundo, passaria por Santa Susana, levava as medidas e encomendava; a encomenda viria pelo correio ou trazida por outras ou pelas mesmas mãos. Não sei também como é que a fama do sapateiro chegara aqui. O certo é que era uma festa quando as botas vinham e meu pai ou eu próprio as ensebávamos a rigor, que era um gosto acariciar aquele cabedal e ouvir o bater das cardas nas pedras do caminho.

Um mistério para mim esse sapateiro bem afamado, cujo nome, creio, até ninguém sabia ao certo, era «o sapateiro de Santa Suasana», pronto!

Este ano, porém, deixei-me de delongas decidi-me investigar. Através da responsável pelo Museu de Alcácer, Dra. Marisol Ferreira, que foi minha aluna, vim a saber que sim, falara-se nesse sapateiro famoso, que já falecera, mas a família ainda vivia por Santa Susana.

Bati à porta da Junta da União de Freguesias de Alcácer do Sal e Santa Susana e expliquei ao que vinha. Recebi, a 15 de Fevereiro, mui simpática resposta, assinada por Ana Marques (assistente técnica):

«Venho pelo presente, por indicação do Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Arlindo de Passos, agradecer o reconhecimento pela arte e preceito das nossas gentes.

A habilidade do Sr. Franklin era conhecida na altura e ainda hoje permanece na memória, quer dos que tiveram o privilégio de o conhecer, quer dos que ouvem as histórias das vidas que por cá passaram.

Ainda que não possamos divulgar informações pessoais, informamo-lo que temos conhecimento que a sua única filha reside nesta freguesia».

Em resposta, deixei, pois, os meus contactos.

Daí a uns tempos, recebo a (in)esperada chamada. Era Edite Amador, de 69 anos, a filha de Franklim (obrigado depois a escrever Franquelim) Vitorino Amador.

D. Edite mostrou, desde logo, grande orgulho no pai que tivera. É que, nascido a 29 de Março de 1925 e falecido a 3 de Dezembro do ano 2000, seu pai, o «Sr. Amador da sapataria», fora muito além das botas caneleiras que de toda a parte, mesmo da Europa, lhe encomendavam. Era «muito evoluído para a época», garantiu-me, e acrescentou:

– Veja: a minha tia, irmã de meu pai, tem 96 anos, está num lar, mas ainda lê e, quando a vou visitar, conta-me o enredo dos livros de fio a pavio. Imagine que foi a primeira mulher cá do sítio a andar de bicicleta! Meu pai, por seu turno, era como que o assistente social da aldeia. Escrevia as cartas das pessoas que não sabiam ler, tratava-lhes da documentação, recebia as pensões… Foi correspondente, desde 1960, do Diário de Notícias e do Diário Popular e, por sinal, eu gostaria muito de recolher as notícias que ele enviava.

Entre a documentação fotográfica que teve a gentileza de partilhar, D. Edite não quis deixar de mostrar a 4 L:

– É o carrinho dele, que ainda possuo e dou as minhas voltinhas por Alcácer nele. Tem um valor sentimental para mim que não imagina. Era para transportar os sapatos e botas para os montes e aldeias do concelho e para ir comprar os cabedais e outros materiais a Évora e Setúbal. Antes, tivera uma moto e depois uma vespa que era como se deslocava.

Renault 4 L de Franquelim Amador

Recebemos também uma página de reportagem em que Franklin Amador mostra o seu trabalho e as ferramentas que usa; veio a foto duma das formas e a imagem destes «sapatinhos brancos, feitos pelo meu pai para mim, com os quais aprendi a andar»; a sua autenticação como correspondente do Diário de Notícias e do Diário Popular, e os atestados de participação em encontros de artesanato. Numa das páginas de publicação que acompanhava esses eventos, se escreve que, em Santa Susana, se fazem, «quase exclusivamente botas caneleiras e calçado ortopédico. por encomenda».

recortes de jornais com reportagens sobre a sapataria de Franquelim Amador

A «Sapataria do Sr. Amador» precisava de obras e, não havendo condições para continuar, Edite Amador acabou por a vender após a morte do pai. Hoje, restam, em Santa Susana e não só, as bem agradáveis memórias de um diligente mestre sapateiro que não teve receio de «ir além da chinela»!

Ao Sr. Presidente da Junta da União de Freguesias de Alcácer do Sal e Santa Susana, Arlindo José Paulino de Passos, aqui se deixa o apelo: perpetuem-nas, essas memórias, na placa toponímica duma das ruas de Santa Susana, Para que os seus vizinhos saibam que também um modesto, mas mui competente oficial sapateiro merece ser recordado e sintam orgulho nele!»

NINGUÉM VENCEU, perdemos todos

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Ainda não sabemos ao certo quem venceu as eleições. Será o PSD, se os círculos da Europa e Fora da Europa não quebrarem a ‘tradição’ de dividir os 4 deputados pelos dois maiores partidos. Mas, até lá, há uma incerteza.

Olhando para os resultados eleitorais já disponíveis, o PS continua a ser o partido político com mais votos. O que o gráfico da CNE nos diz é que o PS, sozinho, teve 1.759.998 votos. O PSD não concorreu em nome próprio, no continente inseriu-se na coligação AD e na Madeira foi coligado com o CDS. Mesmo dando de barato que os parceiros de coligação do PSD não valem muito, em termos eleitorais, alguma coisa hão de valer. A soma total das duas coligações em que o PSD se integrou deu 1.811.027 votos. Uma diferença de apenas 51.029 votos a mais que o PS.

O círculo eleitoral da Madeira vale 3 deputados, a coligação PSD/CDS elegeu os três. E são esses três que, por enquanto, dão uma maioria relativa no parlamento. Por enquanto o PS tem 77, o PSD-CDS-PPM têm 79.

Golpe de teatro fantástico seria, nos círculos Europa e Fora da Europa, o Chega roubar os dois deputados ao PSD e o PS eleger os dois habituais. Ficava tudo empatado a 79-79. A esta hora André Ventura estará ajoelhado a pedir aos santinhos todos da cristandade para lhe concederem mais um milagre.

O empate absoluto nos resultados eleitorais é a hipótese de Ventura chegar a vice-primeiro-ministro. A subida vertiginosa da extrema-direita não é uma boa notícia. Esse é o maior prejuízo deste resultado eleitoral.

Não sabemos quem venceu as eleições. Sabemos que perdemos tranquilidade, voltamos à incerteza que a insensibilidade social da direita provoca.