A CENSURA

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A guerra tem múltiplas frentes de batalha e uma das mais importantes é a opinião pública. Os soldados são sacrificados sem remorso. Com maior ou menor dificuldade há sempre mais um para substituir o que morre. Controlar a opinião pública é uma preocupação maior.

Nos regimes políticos multipartidários, onde o futuro dos líderes se decide em eleições, a opinião pública tem, no dia do voto, um papel fundamental. Para que se “vote bem”, os partidos e as lideranças políticas precisam de orientar convenientemente o pensamento da população.

Em tempo de guerras declaradas, como as que decorrem hoje, por exemplo, no Iémen, na Ucrânia, na Palestina, assistimos a essa ânsia de controlar a informação. Por vezes basta que os media não noticiem os acontecimentos.

Se não passar na televisão, não existe. É o que acontece com a guerra no Iémen, de onde apenas chegam ecos ténues das atrocidades cometidas pela Arábia Saudita.

Quando estalou a guerra na Ucrânia, a Europa e a América tentaram silenciar os media russos, proibiram as emissões no cabo dos canais televisivos russos, bloquearam o acesso na internet aos sites com domínio .ru e fortaleceram a censura nas redes sociais.

Com a Palestina, o caminho mais fácil foi decidir que Israel tem o direito a se defender, negando esse direito aos palestinianos e aceitar sem penalizações políticas a matança que está em curso na Faixa de Gaza.

Para que tudo isto funcione sobre rodas, os media institucionais estão cada vez mais oficiosos, de um modo geral, e as empresas que detêm as principais redes sociais implementaram uma série de regras que se resumem a uma palavra: censura.

notícia do jornal online Observador em 20/10/2023

O que se passou com o boicote à Web Summit diz tudo sobre como Israel consegue influenciar globalmente a opinião publicada nos media. Através das grandes empresas globais de comunicação e IT, quase todas controladas por judeus, e do sistema bancário mundial, em boa parte controlado por judeus, do governo dos EUA igualmente dominado por judeus, compram o silêncio do resto do mundo e quando não conseguem comprar, isolam o atrevido, matam-no à fome se não puderem matá-lo de modo mais expedito. Foi o que aconteceu com Paddy Cosgrave.

Na Meta (Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp) foi criado um centro de operações especiais com profissionais fluentes em hebraico e árabe, para monitorizar as publicações. A Meta diz que é para “manter as nossas plataformas seguras, tomar medidas em relação a conteúdos que violem as nossas políticas ou a legislação local e limitar a propagação de desinformação”, segundo divulgou em comunicado. Mais uma vez, interesses particulares da empresa podem sobrepor-se ao interesse público, ninguém controla os censores da Meta.

Mensagem tipo que o Facebook envia aos utilizadores censurados.

Na mensagem que envia aos utilizadores censurados, normalmente acompanhada de ameaças de encerramento compulsivo da respetiva conta, o Facebook não especifica as razões do bloqueio, mantendo o “critério” secreto. Censurar porque o vídeo “pode conter” elementos que violem as regras da empresa é uma evidência da arbitrariedade. Tanto “pode conter” como não, mas não há nenhuma indemnização ou reparação, sequer um pedido de desculpas, para suavizar o prejuízo.

No TikTok (China), a plataforma usa algoritmos e outros filtros, ocupa 40 mil profissionais para moderar a plataforma e aumentou os “recursos dedicados para ajudar a prevenir conteúdo violento, odioso ou enganoso na plataforma”, segundo anunciado pela empresa. Os critérios são os da empresa, o que significa que conteúdos semelhantes podem ser apreciados de forma diferente, dependendo da fonte que o disseminou. Por exemplo, na Turquia o Tik Tok censura conteúdos relacionados com a luta dos curdos e em Espanha censura críticas ao rei… e noutros casos censura tudo o que possa ser prejudicial aos interesses geopolíticos da China.

As críticas ao Tik Tok tiveram um pico quando políticos dos EUA sugeriram que esta rede social deveria ser proibida. Mas, na verdade, as outras não fazem melhor nem diferente. Apenas são mais úteis para os interesses ocidentais.

publicado em Duas Linhas em 16 de março de 2023

No YouTube, propriedade da Google, há milhares de vídeos a serem colocados com restrições de idade, o que dificulta o seu visionamento. Também aqui, as políticas da empresa são a bitola para a censura, que em muitos casos não se coíbe de remover “milhares de vídeos prejudiciais”, não se sabendo bem quem são os prejudicados, para além dos autores. A experiência diz-nos que conteúdos desalinhados com os discursos oficiais são frequentemente censurados.

vídeo publicado no YouTube associado a https://duaslinhas.pt/2023/10/ursula-alvo-de-criticas-ferozes/

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