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Covid-19 entrou na cadeia de Caxias

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Duas cozinheiras e uma outra funcionária do Hospital Prisional de S. João de Deus, em Caxias, estão infetadas com covid-19.

O Sindicato do Corpo da Guarda Prisional diz-se alarmado com a notícia e receia que os guardas prisionais de serviço naquele estabelecimento prisional, assim como os reclusos, possam estar ou vir a ser contaminados.

As funcionárias infetadas foram afastadas do serviço e, no interior da cadeia, os que tiveram contacto com elas estão em isolamento profilático.

Este caso surge na altura em que o governo está a pensar reabrir 42 prisões às visitas de familiares de reclusos. Há oito dias, o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional decidiu enviar um ofício ao secretário de Estado e Adjunto da Justiça, Mário Belo Morgado, a pedir que não sejam retomadas as visitas aos reclusos em cadeias na área da Grande Lisboa.

O problema, para o sindicato, não reside no eventual contacto de familiares com o recluso porque esse contacto não vai possível, uma vez que a visita será feita num parlatório com uma divisória de acrílico a separar os visitantes do visitado. O problema reside na revista que terá de ser feita à entrada dos visitantes, onde o contacto com os guardas prisionais é inevitável.

“Muitos dos espaços de controlo das visitas não têm mais de dois metros, é preciso fazer registo e controlo com toque direto caso o pórtico apite, a revista deve ser feita com apalpação e com a pessoa virada de costas. O risco é grande” – lê na seção de notícias do site do sindicato.

Em março, no mesmo estabelecimento prisional houve três outros casos de contágio, nomeadamente com uma reclusa que já estava doente quando chegou à prisão e com uma auxiliar de ação médica como revelou, na altura, o Sindicato Independente dos Médicos.

Proteção a famílias carenciadas

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As empresas distribuidoras de água, eletricidade e gás não podem cortar o abastecimento por falta de pagamento, desde que o utente envie para essas empresas uma declaração a atestar quebra de rendimentos.

Trata-se de uma medida aprovada na Assembleia da República já em abril e que, agora, foi prorrogada até 30 de setembro. O que está decidido é que basta essa declaração sob compromisso de honra para impedir o corte de abastecimentos, embora as empresas possam posteriormente solicitar ao utente comprovativos dessa quebra de rendimentos.

Não pagar agora não significa não pagar nunca, como será bom de perceber. Trata-se apenas de uma possibilidade do utente acumular uma dívida que, tarde ou cedo, terá de ser paga.

Esta medida destina-se a proteger famílias carenciadas que tenham visto a sua situação económica agravar-se devido às medidas de combate ao covid-19 que estão a bloquear a economia.

Mudar de (estilo) de vida

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No início da pandemia, quando nos foi dito que o novo coronavírus era proveniente de animais selvagens que estavam a ser consumidos pelo homem, no caso morcegos que fazem parte da dieta mais exótica dos chineses, foi-nos dito, também, que tínhamos de mudar de estilo de vida, passar a consumir menos, respeitar mais a natureza, e tudo isso soou bem aos nossos ouvidos e ficámos à espera de ver o que os políticos decidem…

Mas até agora, e a pandemia começou já em janeiro, passados 7 meses, em que a economia paralisou durante três meses, não vimos acontecer nada…  passou pouco tempo, talvez, para adaptar o sistema produtivo, a indústria mundial, o comércio internacional, a um novo modelo mais amigo da natureza leva tempo e não se faz em 3 meses, dirão vocês…

E eu digo que sim, não se consegue mudar grande coisa em três meses, mas o problema é que o discurso político não indicia vontade alguma de mudar seja o que for… o discurso político fala em retoma da produtividade, dos níveis de consumo, recuperação económica… havia pressa em reabrir as catedrais do consumo, em retomar a produção industrial e assim foi feito, na China ou aqui, tudo está a voltar ao antigo normal… o novo normal resume-se a usar máscara onde é obrigatório usar, pouco mais…

O Mundo inteiro reza por uma vacina para o covid-19, essencialmente porque é preciso manter as multidões de consumidores a agir como manadas – para onde vai um vão todos – porque só assim se salvarão da falência as fábricas que exploram trabalhadores por esse mundo fora…

Mesmo crianças…

Quem explora não tem coração…

Mas como nada mudou, nada mudou e o covid-19 continua aí, está a renovar-se, contra-ataca novamente na China onde já há centenas de novos casos de infeção, isto sem falar nos números imensos de mortes e doentes em países governados por psicopatas…

Politicamente, a solução mais à mão é decretar confinamentos. A Europa comunitária prepara-se para aprovar um plano de reforço da vigilância nas fronteiras externas e na expulsão de migrantes ilegais, a Europa auto confina-se, rejeita os que a procuram mas não rejeita o vírus que vem da China ou da América. E depois há os confinamentos internos, países que não querem ser visitados por nacionais de outros países europeus. A maioria dos parceiros da comunidade europeia não quer receber portugueses, por exemplo, e depois temos os confinamentos ainda mais finos, em que achamos que a solução é confinar ciganos ou jamaicanos porque são pobres e não lavam as mãos, dizem os preconceituosos. E depois temos aqueles que querem confinar ruas, ou prédios, como é o caso do presidente da câmara de Sintra…

frame do vídeo com declarações de Basílio Horta

(excerto de declarações de Basílio Horta)

O caminho que parece ser mais fácil nem sempre é o que nos leva a bom destino…

PSP salva senhora incomodada por cobra

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Na página Facebook do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, vem a história curiosa de uma senhora que quando entrou no seu carro estacionado no parqueamento do Hospital Amadora-Sintra foi surpreendida por uma cobra.

Em pânico a senhora chamou a polícia. Foi socorrida por dois agentes que conseguiram levar a bom termo a captura da cobra, não se sabe se viva se morta.

A senhora agradeceu publicamente à PSP da reboleira e esse agradecimento foi partilhado na página do Comando metropolitano de Lisboa.

“Venho por este meio agradecer o trabalho maravilhoso que os agentes da PSP da Reboleira tiverem quando vieram tirar uma cobra da minha carrinha que estava no estacionamento do Hospital Amadora-Sintra. Além do profissionalismo, foram incansáveis e extremamente simpáticos, por vossa causa já não vou ter receio de ir à carrinha e posso dormir descansada. Muito obrigada e parabenizo Portugal por ter Agentes assim.”

agarra que é cobra

Na mesma publicação, a PSP partilha uma foto (que também partilhamos) da “operação”, onde é possível ver o capot do carro aberto e os agentes a retirar o réptil.

Covid-19: municípios de Lisboa e Sintra mais infetados

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Dois mortos e 292 novos infetados nas últimas 24 horas, segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde.

A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a ser o epicentro da pandemia em Portugal e registou 225 casos desde ontem, ou seja, 77% do total nacional.

Na distribuição dos casos infetados por concelhos:

  1. Lisboa tem 3.135 (+39)
  2. Sintra tem 2.253 (+26)
  3. Vila Nova de Gaia tem 1.611
  4. Loures tem 1.623 (+19)
  5. Amadora tem 1.428 (+23)

O município do Porto mantém 1.414 casos e sai do top-5 ultrapassado por Loures e Amadora.

Santuário infetado

O Santuário de Fátima tem 16 casos de colaboradores internos e externos infetados com covid-19, segundo informou hoje a instituição religiosa católica em comunicado.

Os 16 casos confirmados de covid-19 “integram o coro do Santuário e não estiveram em contacto direto com os peregrinos”, refere ainda a informação.

Se é português não entra

A quantidade de novos casos de covid-19 registados na última semana colocam Portugal com o segundo pior rácio de novas infeções por cada 100 mil habitantes entre os 10 países europeus com mais contágios. Pior que nós, só a Suécia.

Assim, Portugal evidenciou um rácio de 23,2 novos casos por cada 100 mil habitantes nos últimos sete dias, um desempenho apenas superado pelos 62,47 verificados na Suécia.

Estes números estão acima da fasquia de 20 novos casos por 100 mil habitantes, um limite adotado por alguns países e que ditou restrições ou proibições impostas por vários estados à entrada de cidadãos provenientes destas duas nações.

Entre os países europeus que estão a condicionar ou mesmo proibir a entrada de portugueses figuram Áustria, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Estónia, Grécia, Letónia, Lituânia e República Checa. A este lote somam-se também outras nações que não reabriram ainda as suas fronteiras, como, por exemplo, Noruega ou Finlândia.

Golfinhos no Tejo (vídeo)

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Já há uns anos que os golfinhos voltaram a subir o rio Tejo com frequência, mas nos últimos meses os avistamentos têm sido cada vez mais recorrentes e, na última semana, grupos de golfinhos têm sido vistos todos os dias.

Os golfinhos aproveitam quando a maré começa a subir para irem com a corrente, vão à procura de comida e se entram no rio é porque aqui há peixe para se alimentarem.

Os grupos que têm sido vistos são numerosos, há relatos de pessoas que contaram mais de 40 animais, mas é difícil ter a certeza, são animais muito ágeis e agora estamos a ver um à direita e logo a seguir ele aparece à esquerda e podemos julgar que são dois animais quando, na verdade é o mesmo.

Diz quem anda pelas margens do rio que as águas estão menos poluídas e que há menos barcos a navegar, ou seja, há mais sossego e os golfinhos apreciam isso também…

O regresso dos golfinhos pode ser uma consequência da diminuição da atividade humana… há menos navios de cruzeiro a subir o rio, há menos poluição… seria bom se estas condições ambientais pudessem ainda ser melhoradas, pelos golfinhos e por nós, pela preservação da natureza.

Por sistema

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O Ministério da Educação quer turmas mais pequenas para o próximo ano letivo, uma ironia fruto da pandemia que obriga os nossos dirigentes a adaptarem-se às circunstâncias.

O Primeiro-Ministro diz que a Final Eight do futebol europeu constitui um prémio de confiança aos profissionais de saúde e ao SNS, uma afirmação marcadamente infeliz, e até cínica, de um reconhecimento que veio também ele com a pandemia.

“O mundo tem as suas defesas”, diz-me o adolescente em casa, “e arranja maneiras de se defender”, acrescenta. A ideia é essa, a de se aprender alguma coisa na desgraça, retirando as lições que nos fazem ou deviam fazer viver melhor. Mas é uma ideia utópica, na verdade, pensar que o  mundo melhorará a partir de um susto que se apanhou e da reflexão a que o mesmo terá obrigado. Há a grande hipótese de não haver ainda reflexão absolutamente nenhuma e a conclusão de que, a haver mudanças em alguns setores, muitas delas já pedidas anteriormente, elas acontecerão por mera necessidade de contornar uma dificuldade maior e, tantas vezes, por puro oportunismo de quem ordena.

Ver a Covid 19 politizada é algo terrível, com as partes a acusarem-se ou a tentarem beneficiar do vírus, consoante a coisa corre mal ou bem, sem deixar sequer espaço para a independência de posição, como se esta não fosse nunca possível.

De repente, o país aplaudiu e elogia os enfermeiros e os médicos. Valorizam-nos, acreditam no seu trabalho e veem a sua importância. Eles estiveram sempre lá e, no entanto, muitas vezes foram sobejamente desvalorizados e criticados quando faziam exigências laborais.

Há uma inveja social muito evidente no nosso país, decorrente da frustração generalizada e não reconhecimento do trabalho que a maior parte da população sente. Qualquer ganho profissional ou financeiro de uma qualquer área são vistos como ameaça ao bem comum, sobretudo se a área for a pública, naturalmente. Ninguém quer contribuir com os seus impostos para mais (in)justiça laboral, sob pena dos fundos se esgotarem e nós perdermos o avião da prosperidade.

Tudo isto é resultado das más políticas que dividem para reinar e que duram já há décadas. E a população, ao invés de se unir e elevar a fasquia, divide-se e estagna no seu marasmo habitual, quer reivindicativo quer efetivo em termos de salários e de condições dignas de trabalho, que vão para além do pagamento no final do mês.

A luta dos enfermeiros, por exemplo, que não é só de agora, assim como a luta dos professores, nunca tiveram a adesão do grosso da população portuguesa, muito pelo contrário. Ofensas como “vão trabalhar, malandros” eram lidas amiúde nos comentários que pululam online.

Compreensivelmente, cada um está virado para si e para os seus próprios interesses, mergulhado nas suas dificuldades e ambições diárias.

Mas “o planeta tem um plano”, ouvi também dizer no outro dia, por dois idosos que conversavam na fila do supermercado, e veio agora mostrar que ensinar sem professores é uma tarefa dos diabos e que um país sem saúde pública é um erro que pode ser trágico. Desta forma, muitas vozes que pouco ou nada quiseram saber dos enfermeiros até aqui, por exemplo, indignam-se, e bem, contra o prémio do evento futebolístico que o PM lhes dedicou. Resta saber se a indignação é mesmo genuína ou mero acaso ideológico, numa época de jogadas partidárias que acabam por nunca desenvolver o país de forma estrutural e sensata. Ou se persiste para lá da pandemia, quando a normalidade anterior se restabelecer.

Há dias, os miúdos confessavam que afinal não tinham aprendido quase nada, porque sem professores era “muito difícil”. Como mãe, corroboro esta análise. Vai daí que os docentes, tal como os médicos, por exemplo, fazem falta, afinal.

Com turmas mais pequenas, só há um caminho, que era reivindicado há muito – ao invés de se cortar nos recursos humanos, há que investir precisamente neles, na massa humana que sustenta um país sob o ponto de vista sistémico, permanente, e não apenas circunstancial e de urgência para tapar buracos ou salvar a face.

Por sistema, essa não estratégia só não tem falhado completamente, quer na saúde quer na educação, neste caso, por brio e esforço dos seus profissionais. Premie-se isso mesmo, mas de forma eficaz e justa.

PSP acaba com festa de mil pessoas em Carcavelos

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Não se sabe bem como foi que o ajuntamento se deu, mas a verdade é que à medida que foram sendo publicadas fotografias e vídeos nas redes sociais Facebook e Instagram, o número de pessoas cresceu.

Foi uma espécie de festa espontânea, desta vez vai ser mais difícil saber ao certo quem foi que organizou o evento (ao contrário do que se passou em Lagos, no Algarve), e a polícia que acabou por aparecer não fez nenhuma detenção nem terá identificado nenhum dos convivas.

Este tipo de evento estão “proibidos”, segundo dizem as autoridades sanitárias. Independentemente disso, talvez o bom senso pudesse ser bom conselheiro nesta época de pandemia, tanto mais que nos vídeos e fotografias colocados nas redes sociais vemos muita gente sem máscara e sem distanciamento entre eles.

A PSP acabou por dispersar a concentração de pessoas, daqui a uns dias veremos as consequências deste acto na estatística sobre a evolução da pandemia.

O alerta para a PSP foi dado pelas 00h30, a intervenção que decorreu de forma ordeira e sem incidentes, mas ainda durou cerca de 2 horas até que as pessoas dispersassem por completo.

A força policial teve de mobilizar para a praia de Carcavelos algumas dezenas de agentes, alguns armados de shotguns inclusivamente, dado o número de convivas desta “festa brasileira” que, no entanto, atraiu pessoas de diversas nacionalidades e proveniências. A maioria dos participantes eram, de resto, jovens, alguns menores de idade. Juntaram-se todos para ouvir música, dançar e beber alcóol no areal da praia.

Marcelo “sem abrigo” até de madrugada

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Na noite que passou, os sem abrigo de Lisboa voltaram a ter a visita de Marcelo Rebelo de Sousa. Mascarado e sem abracinhos e selfies, como manda a lei do distanciamento social, o Presidente da República voltou ao contacto com aqueles que nada têm e pouco recebem do Estado social.

Foi uma noite longa para Marcelo. O “passeio” começou por volta das 22h30 e só terminou de madrugada. Acompanhado por Henrique Joaquim, coordenador da Estratégia Nacional de Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, o Presidente encontrou os mesmos de sempre e novos “residentes” dos vãos de escada, novos sem abrigo que perderam o pouco que tinham com a crise provocada pela pandemia covid-19.

Marcelo calcorreou a Avenida Almirante Reis, esteve em Santa Apolónia, foi ao Cais do Sodré e a Alcântara, no fim disse estar pouco esperançado que seja possível acabar com os sem abrigo em Lisboa até 2023, a meta temporal que ele próprio tinha proposto à sociedade e ao poder político. Porventura, uma meta irrealista, logo à partida, em que poucos acreditavam.   

“É com tristeza que verifico que uma nova crise vai significar ou pode significar o aumento dos sem-abrigo”, afirmou aos jornalistas, acrescentando: “Estar agora a dizer que a meta de 2023 vai ser cumprida era estar a mentir aos portugueses. Não posso dizer isto, é uma mentira, porque não sei, e muito provavelmente não pode, por muito que se faça”, disse o Presidente da República.

É certo que a Câmara Municipal de Lisboa tem em preparação a abertura de concurso público para a construção de habitação social, mas a medida será sempre insuficiente para as necessidades crescentes de cada vez mais gente que precisa de ajuda para ter uma vida digna.

No novo contexto de uma crise global devido à pandemia covid-19, Marcelo diz que o poder político e a sociedade em geral têm de fazer mais, a nova realidade, diz o Presidente “obriga a fazer um esforço maior”, e avançou com a promessa: “Até ao final do mandato, dia 09 de março às 10:00, é esse um empenho que eu tenho”. Em concreto, o que isto quer dizer, não sabemos dizer.

A visita de Marcelo aos sem abrigo aconteceu 5 dias depois de uma manifestação que reuniu dezenas de pessoas que vivem nas ruas que protestaram contra a falta de medidas concretas de auxílio. Nessa manifestação, os sem abrigo disseram que “não é só no Natal e quando há eleições que precisamos das vossas palavras de conforto. Continuamos invisíveis.”

“A rua não é uma escolha – Queremos casas” era uma das palavras de ordem dos manifestantes, escrita num enorme lençol atado às grades de segurança da escadaria da Assembleia da República montadas pelos agentes da PSP presentes no local.

O amor não mede esforços nem distâncias

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O texto, escrito pelo próprio, diz assim: “A Bola não é só Bola! O mundo da corrida uniu esforços e conseguiu 18 toneladas de alimentos. Quero agradecer ao Jornal A BOLA pela divulgação do nosso movimento. Quero agradecer a todos os que participaram, na criação de eventos pelo país, os que fizeram uma doação, os que fizeram quilómetros e acima de tudo, a todas as instituições e famílias que permitiram que pudéssemos pedir por eles. Obrigado.”

Quem falou assim foi o atleta Hélio Fumo e, depois de agradecer a todos, “esqueceu-se” de agradecer a si mesmo. Sim, porque foi ele o autor da ideia de correr no Campo Grande, em Lisboa, durante 12 horas para angariar alimentos para pessoas afetadas pela pandemia covid-19.

Doze horas a correr não é para todos. Hélio Fumo correu todas essas horas e fez 100 quilómetros nesse tempo. Esteve quase a desistir, mas aguentou. No final, ainda teve de “carregar” 18 toneladas de bens alimentares que foram distribuídos por 79 instituições e 89 famílias.

O atleta Hélio Fumo chamou à iniciativa “Alimenta esta Corrida”, o evento aconteceu já há uns dias, mas como não deu nas televisões a maioria não sabe que aconteceu. Quem sabe são os seus companheiros, às vezes adversários, de corridas, sabem os que se solidarizaram com ele, sabem os que receberam a ajuda angariada e sabem alguns leitores do jornal A Bola que leram a prosa que cita o atleta quando ele diz “Não consigo explicar o sucesso do ‘Alimenta esta Corrida’, mas adorava poder repetir, até porque o próprio Banco Alimentar já disse que os casos de necessidade triplicaram.”

Os que acabaram de ler este texto no Duas Linhas também já sabem.

Obrigado Hélio.