Início Site Página 496

Covid-19: novas regras a partir de 1/7

0

Convém não esquecer que é já a partir de amanhã, 1 de julho, que entram em vigor as novas regras definidas pelo governo no combate à pandemia.

Dezanove freguesias dos concelhos de Lisboa, Sintra, Amadora, Odivelas e Loures entram na quarta-feira numa situação de calamidade, com regras mais restritivas, ao contrário do que acontece no resto do país.

Portugal Continental entra em julho com três diferentes velocidades de restrições devido à pandemia da covid-19: a generalidade do continente passa de uma situação de calamidade para uma situação de alerta, o nível mais baixo previsto, e a Área Metropolitana de Lisboa (AML) passa de calamidade para uma situação de contingência, à qual se impõe mais limites do que à situação de alerta.

No entanto, 19 freguesias dos concelhos de Lisboa, Sintra, Amadora, Odivelas e Loures, onde se registam atualmente maior número de casos, permanecem numa situação de calamidade, mas com medidas ainda mais restritivas do que as que se verificaram no resto do país nas últimas semanas.

Essa situação vai manter-se, pelo menos, até 14 de julho, altura em que as medidas serão revistas.

Nestas 19 freguesias estão impostas medidas especiais de confinamento, como o dever cívico de recolhimento domiciliário, o que significa que os habitantes destas freguesias só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.

Os ajuntamentos nestas localidades ficam limitados a cinco pessoas e estão proibidas as feiras e os mercados.

Tal como no resto do país, os doentes infetados com covid-19 ou as pessoas sujeitas a vigilância ativa estão em confinamento obrigatório domiciliário ou hospitalar, mas nestas freguesias será reforçada a vigilância dos confinamentos obrigatórios por equipas conjuntas da Proteção Civil, Segurança Social e Saúde Comunitária.

Na Área Metropolitana de Lisboa, incluindo as freguesias com medidas especiais, a generalidade dos estabelecimentos comerciais tem de encerrar às 20:00, mas os restaurantes,  hipermercados e supermercados podem permanecer abertos até 22:00, embora não possam vender bebidas alcoólicas depois das 20:00.

As áreas de serviço e postos de combustível podem abrir 24 horas, mas só para abastecimento de combustível, sendo proibida a venda de bebidas alcoólicas.

Não é imposto um horário de encerramento a farmácias, funerárias, equipamentos desportivos, clínicas, consultórios e veterinários.

Em todo o país é proibido o consumo de bebidas alcoólicas na via pública e continuam a vigorar regras de distanciamento físico, o uso de máscara, a lotação de transportes públicos e estabelecimentos comerciais e regras de higienização.

Para quem não respeite estas regras, as coimas podem ir dos 100 aos 500 euros para pessoas singulares e de 1.000 a 5.000 euros para entidades coletivas.

Covid-19: Lisboa ultrapassa 3.500 casos e Amadora-Sintra sem capacidade para mais

0

Nas últimas 24 horas, morreram mais 8 doentes infetados com covid-19. O número de novas infeções é de 229.

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região com mais novos episódios de infeção pelo novo coronavírus, com 188 das 229 novas infeções (82,1%).

Por concelhos, os dados da DGS continuam a dizer que algumas autarquias da IC-19 são das mais massacradas pela pandemia:

  1. Lisboa tem 3.502 (+49 que ontem)
  2. Sintra  tem 2.668 (+54)
  3. Loures tem 1.827 (+15)
  4. Amadora tem 1.697 (+31)
  5. Vila Nova de Gaia tem 1.650 (+1)

O aumento dos contágios já saturou a capacidade de acolhimento do hospital Amadora-Sintra.

Há doentes que estão a ser transferidos para outros hospitais. O diretor clínico do Amadora-Sintra confirmou que o hospital pediu a transferência de oito pacientes, mas só conseguiu ainda a transferência de quatro que foram enviados para o hospital de Santarém.

Subsídio pago a 100%

O subsídio de doença às pessoas infetadas com covid-19 vai ser pago a 100 por cento, na sequência de um acordo do governo com o Bloco de Esquerda, nas negociações para aprovação do orçamento suplementar.

Catarina Martins disse tratar-se de um acordo “importante”. A dirigente bloquista lembrou que, atualmente, o isolamento profilático, quando as pessoas estão a aguardar a confirmação se estão doentes ou não, é pago a 100 por cento, mas a baixa médica não é.

Covid-19 na cadeia

A pandemia entrou mesmo nas cadeias. Depois de vários casos de funcionários e guardas prisionais infetados, nas cadeias de Caxias e Carregueira, há agora um recluso do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa, em Paços de Ferreira, que testou positivo para a covid-19.

Este é o primeiro caso confirmado da doença num recluso das cadeias portuguesas. O homem infetado, que não saía da prisão desde maio – mas que, depois de fazer o teste, foi colocado numa ala com cerca de 100 reclusos –, está agora isolado, mas será transferido para os serviços clínicos do Estabelecimento Prisional do Porto. Outros reclusos e funcionários do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa também estão a ser testados.

Passageiros de navios não desembarcam

O governo prolongou a interdição do desembarque de passageiros e tripulações dos navios de cruzeiro nos portos nacionais.

O despacho foi publicado em suplemento do Diário da República para produzir efeitos a partir das 00:00 horas de quarta-feira.

A proibição do desembarque de passageiros de navios cruzeiros foi, pela primeira vez, imposta em 13 de março e tem vindo a ser sucessivamente prolongada pelo Governo.

Tal como tem acontecido desde 13 de março, a interdição dos navios de cruzeiro nos portos nacionais não se aplica aos cidadãos nacionais ou aos titulares de autorização de residência em Portugal.

Os navios de cruzeiro também continuam a estar autorizados a atracar nos portos nacionais para abastecimento, manutenção e reparação naval.

O prolongamento da interdição também “não prejudica o desembarque em casos excecionais ou urgentes, mediante autorização da autoridade de saúde, nomeadamente por razões humanitárias, de saúde ou para repatriamento imediato”, garante o texto do diploma governamental.

A TAP “é nossa” outra vez

0
O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, fala durante a sua audição perante a Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República, em Lisboa, 29 de abril de 2020. JOÃO RELVAS/LUSA

Poucos anos depois de ter sido privatizada à pressa, o Estado prepara-se para recuperar a posse da maior transportadora nacional que está falida e corre o risco de desaparecer.

Caso a TAP não seja salva, mais de 10 mil postos de trabalho diretos vão desaparecer e muitos milhares de outros de empresas que prestam serviços à TAP, correm o mesmo risco.

A crise provocada pelo covid-19 veio dar cabo do pouco que restava da empresa e, agora, só uma enormíssima injeção de capital, precisamente 1.200 milhões de euros, pode evitar o encerramento da TAP.

A TAP não é só importante pelo número de trabalhadores que tem, nem só pela riqueza que cria ao contratar serviços externos, mas principalmente porque é a TAP que traz para Portugal metade dos 20 milhões de turistas que costumam visitar o país anualmente e porque é um elo de ligação com a diáspora portuguesa e com as comunidades lusófonas no Mundo inteiro.

Por tudo isto, o governo não quer deixar cair a TAP, mas não está disposto a dar 1.200 milhões sem que passe a controlar a gestão da empresa.

 O ministro das Infraestruturas disse hoje que se os privados não aceitarem as condições do Estado para o empréstimo, a TAP terá de ser nacionalizada.

“Se o privado não aceitar as condições do Estado português, nós teremos de intervencionar a empresa, nacionalizar a empresa, sim, ou quer que nós deixemos a empresa cair?”, respondeu o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, perante os deputados da comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, na Assembleia da República.

A proposta do Estado com as condições para um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP foi chumbada na segunda-feira, 29 de junho, pelo Conselho de Administração.

O governo vai, ainda, submeter a proposta de contrato para o empréstimo ao sócio privado, a Atlantic Gateway, dos empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, cujos representantes se abstiveram na votação no Conselho de Administração.

Nessa reunião do Conselho de Administração, órgão liderado por Miguel Frasquilho, a proposta do Estado teve os votos a favor dos administradores do Estado e as abstenções do privado, o que resultou no seu chumbo. Para ser aprovada, a proposta teria de ter maioria qualificada no Conselho de Administração, composto por 12 elementos – seis do Estado e seis do privado.

Covid-19: nova vaga de… computadores para todas as crianças

0

É uma promessa impactante: dar um computador a todos os alunos, a começar pelos 300 mil jovens de famílias carenciadas.

A promessa tem data de concretização: o início do próximo ano letivo. A ideia já tinha sido avançada pelo primeiro-ministro no auge da pandemia e foi agora reafirmada pela ministra da Coesão, Ana Abrunhosa, que disse haver 70 milhões de euros da reprogramação dos fundos europeus geridos pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional para esse fim.

De acordo com Ana Abrunhosa, os computadores serão comprados mediante as necessidades do ciclo de ensino em causa. As câmaras que já compraram computadores para distribuir por alunos, no período de ensino a distância, serão reembolsadas através dos fundos europeus.

A promessa já tinha sido lançada por António Costa e não se limita aos escalões A e B de abono de família. Mas, segundo a ministra afirmou agora, os primeiros serão os jovens de famílias carenciadas, depois os outros.

Em plena pandemia, as desigualdades no ensino a distância foram um tema recorrente, depois das escolas terem sido encerradas pelo governo. Logo no início de março, um estudo revelou que 20% dos alunos estavam excluídos das aulas à distância por não terem um computador em casa.

Algumas autarquias avançaram com doações ou empréstimos de computadores às escolas para serem distribuidos pelos alunos que mais necessitavam, mas a maioria nada fez para minimizar este problema.

Lembrar o “Magalhães”

Não é a primeira vez que o Estado se preocupa com o e-learning. Já em 2008, no governo de José Sócrates, foi lançado o projeto de distribuir o computador “Magalhães” por todas as crianças entre os seis e os dez anos.

Tratava-se de um portátil de baixo custo, montado em Portugal. Era baseado na segunda versão do portátil Classmate PC da Intel.

A montagem deste computador em Portugal, sob o âmbito do programa e-escolinha, resultou de um protocolo, anunciado em 31 de Julho de 2008, entre o Governo da República Portuguesa e a Intel para a criação de um consórcio com capitais maioritariamente portugueses formado pelas empresas J.P. Sá Couto, Prológica e a Intel.

Quando Sócrates perdeu as eleições, o projeto não teve continuação nos governos subsequentes.

Agora, a ideia é repescada pelo atual governo, na perspetiva de que o futuro é incerto, devido à pandemia covid-19, não se sabendo ainda se as escolas vão continuar com todas as aulas presenciais ou se o novo modelo de ensino irá comtemplar aulas à distância via net, no próximo ano letivo.

Covid-19: “milagre” português era mentira

0

Três mortes e mais 457 infetados, é o saldo pandémico das últimas 24 horas.

Dos novos infetados, mais de 85% vivem e trabalham num dos municípios da região de Lisboa e Vale do Tejo.

Por municípios, os quatro mais infetados são da Área Metropolitana de Lisboa, Vila Nova de Gaia foi ultrapassada em grande velocidade pela Amadora.

O top-5 está assim estabelecido:

  1. Lisboa 3423 (+76)
  2. Sintra 2564 (+65)
  3. Loures 1791 (+35)
  4. Amadora 1645 (+44)
  5. V.N.Gaia 1640 (+6)
quadro publicado no site da Direção Geral de Saúde

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, diz que “houve um excesso de otimismo e uma incapacidade de antecipar as medidas preventivas necessárias em função da evolução da pandemia”.

O “milagre português” está, assim, à beira do fracasso e é bem possível que governo, Presidente da República e Direção Geral de Saúde tenham “pecado” pela soberba.

Oremos

Perante o problema ainda insolúvel, o Cardeal Patriarca de Lisboa rezou missa pelas vítimas da pandemia.

Na Capela do Rato, Dom Manuel Clemente rezou por todos aqueles que “faleceram na solidão, longe dos seus familiares” e pelas famílias em luto.

De acordo com a agência Ecclesia, a missa foi transmitida online, certamente para evitar concentração de fiéis num local pouco amplo, como é a Capela do Rato.

Vírus mau à casa volta

Na China, onde tudo começou, parece que tudo está a voltar ao início, embora agora as autoridades sanitárias chinesas estejam mais reativas que no final de 2019 quando surgiu a pandemia.

O governo chinês decretou hoje o confinamento de cerca de um milhão e meio de pessoas numa zona próxima da capital, Pequim, atingida por um novo surto de infeções de covid-19, que as autoridades descrevem com “sério e complexo”.

O país tinha conseguido conter a evolução dos contágios pelo novo coronavírus, mas a deteção de mais de 300 novos casos numa cidade em pouco mais de duas semanas alimentou receios de uma segunda vaga de contaminações.

Este novo surto teve origem em Pequim, mas alastrou para Anxin, a cerca de 60 quilómetros a sul da capital, na província de Hebei.

Trata-se de um confinamento compulsivo e rigoroso, apenas uma pessoa por família poderá sair uma vez por dia para comprar alimentos ou medicamentos.

Em Pequim, as autoridades lançaram uma vasta campanha de testes, encerraram escolas, pediram aos habitantes que fiquem na cidade, evitando deslocações para fora da capital, e confinaram vários milhares de pessoas em áreas residenciais consideradas de maior risco de contágio.

Na China também não há milagres.

Cascais máscaras Lda.

0

Dizer que uma crise pode ser uma oportunidade é uma frase batida, mas às vezes é verdade.

O município de Cascais, no início desta pandemia, teve a boa ideia de fabricar as máscaras que faltavam no mercado e que estavam a ser alvo da cobiça dos especuladores.

Assim, encomendou duas máquinas para produzir as máscaras, contratou algum pessoal, reativou um armazém velho e sem préstimo, e hoje Cascais é dos poucos municípios autossuficientes em máscaras cirúrgicas.

Foi um investimento de 500 mil euros, uma bagatela face aos benefícios evidentes que a iniciativa traz para a população. Cinco milhões de máscaras são, assim, produzidas mensalmente, servem para abastecedor os dispensadores que o município colocou na via pública onde por 1 euro se compram 4 máscaras e servem para abastecer gratuitamente IPSS locais e até para vender a outros municípios ou a empresas.

Para compensar as ofertas de máscaras e o preço baixo (abaixo do custo?) a que são vendidas ao público, as empresas do concelho de Cascais podem adquirir as máscaras por trinta cêntimos a unidade, enquanto outras autarquias e empresas fora do concelho podem fazê-lo pagando quarenta cêntimos.

De faca na capa

0

A propósito da capa da revista TV Guia desta semana, que tentarei descrever sem vomitar.

Ela dá destaque às exéquias fúnebres do ator Pedro Lima, falecido a 20 de Junho deste ano em consequência de um afogamento numa praia de Cascais, diz-se, por suicídio. O conhecido veterano das telenovelas da TVI, que começou a carreira como manequim e atleta de natação, estaria a enfrentar uma depressão há vários anos, com um infeliz desfecho. A capa em causa coloca ao centro uma foto onde se pode ver o filho primogénito, João Francisco, fruto de um primeiro casamento de Pedro Lima, a abraçar Anna Westerlund, segunda esposa do falecido, e dois dos filhos do ator com a ex-manequim. O semblante do rosto de todos é de óbvia tristeza.  Na lateral esquerda da capa, exibem-se as fotos de Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, e das atrizes Fernanda Serrano e Jéssica Athayde, ambas figuras da TVI, que marcaram presença no funeral. Além da foto do ator, no campo superior direito da capa, abaixo da foto da família, a frase em letras grandes “PEDRO LIMA. A VERDADE SOBRE A MORTE. INFERNO SECRETO”. Seguem-se as seguintes frases, em tamanho mais pequeno: “Quando e como começou a depressão”; “Gritos de ajuda”; “Os amigos ricos e a vida de luxos”; “Passado longe dos pais”; “O que vai ser dos filhos e o papel do mais velho”; “Todas as imagens do último adeus”. Suprema ironia, a revista oferece (por um preço extra) uma “faca de chef”.

Aviso já que não era fã do Pedro Lima mas como ser humano tinha-lhe respeito. Esta “publicação” só pode ter entrado em despique com o Correio da Manhã para ver quem desce mais baixo, e não é a primeira nem a segunda vez que faz destas. O assunto é demasiado doloroso e sério para se fazerem especulações e sensacionalismo perante o fim precoce e trágico de alguém que era estimado e acarinhado por muitos. Alguém que deixa cinco filhos, três deles menores, e uma companheira devastada pela perda do cônjuge de vinte anos e pai dos seus quatro filhos.

Diz o Código Deontológico dos Jornalistas, aprovado após o 4º Congresso da classe em 2017, no seu artigo 2: “O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo (…)”. Ora, começa logo aí mal. Qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento classificará de sensacionalismo a exibição de imagens obtidas da família do ator e das exéquias fúnebres que mostrem a dor manifestada; tudo indica que o funeral foi feito com discrição por vontade expressa dos envolvidos, porém, certa imprensa resolveu não ter isso em conta, como se pode constatar pelas fotos obtidas de longe. A última parte do artigo 8 do CDJ é clara: “(…) O jornalista deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor”.

Pelos vistos, os valores mais altos do sensacionalismo e do vamos-vender-capas-a-todo-o-custo foram mais fortes do que o respeito pela memória de uma figura pública que morreu de repente, bem como o respeito devido a uma família em choque e deprimida com a perda de um ente querido. E isso leva-nos ao artigo 10: “O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos exceto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade, dignidade e responsabilidade das pessoas envolvidas.” Como é que mostrar imagens do funeral do artista, obtidas, ao que tudo indica, à revelia da vontade dos familiares e amigos, é respeitar o interesse público? Onde é que se respeitou o direito a um luto digno e sereno de todos, a começar pela viúva e pelos filhos do ator, com fotos como aquela que a revista exibe de forma despudorada na capa? E que dizer do péssimo gosto da oferta da “faca de chef”, quando se falou de uma ferida (autoinfligida, ao que parece) na carótida do malogrado ator?!

Recordar ainda que a Organização Mundial de Saúde publicou, há exatos 20 anos atrás, um manual para jornalistas e órgãos de comunicação social visando a prevenção do suicídio. Parece que na “redação” da TV Guia, os “responsáveis” por esta cobertura se esqueceram de ler tal manual. Bem como não devem ter reparado num artigo de 2019 do site das Nações Unidas, onde diversos media da América Latina estão a dar um exemplo positivo de dar a volta ao texto (ironia de propósito) para ajudar a prevenir o suicídio, através de uma cobertura sincera e frontal, mas lúcida e visando sempre que quem tenha este tipo de pensamentos, pode e deve procurar ajuda.

Esta malta poderia ter optado por fazer algo decente. Ter a coragem de falar deste drama, entrevistar psicólogos e sociólogos, falar do trabalho das linhas de apoio que evitam suicídios. Dar voz aos estudiosos dos vários campos do conhecimento humano que estudam esta desgraça, que qualquer ser humano com o mínimo de dignidade quer ver combatida. Falar do desinvestimento crónico da Saúde Mental em Portugal, que por si só encheria páginas e páginas dessa “revista”. Falar da pressão absurda a que o mundo do espetáculo, descrito numa ocasião pela grande Simone de Oliveira como sendo “de uma falsidade absoluta”, obriga a uma imagem de perfeição e vida de luxo tanta vez precária e falsa. Mas não. O verdadeiro jornalismo dá trabalho. E esse não se matou: foi assassinado há muito tempo.

A todos os que estão a passar por um inferno secreto e acham que o suicídio é solução. NÃO É. Escolham lutar. Escolham viver.

Os Bairros Operários

0

Ao referir-se, em anterior apontamento, a criação da «Iniciativa Patriótica da Instituição Memorativa do Regimento de Infantaria nº 19 de Cascaes…», anotava-se ser «história digna de se contar» a grande preocupação manifestada em alojar a população necessitada, condigna e até gratuitamente, em colónias de casas económicas.

O documento, datado de 1906, em que se dá conta das diligências a fazer nesse sentido refere, dentro do espírito ‘racionalista’ vigente, «as nefandas condições de miséria e insalubridade das habitações cubiculares de centenas de locais de Lisboa, chamados ‘pátios’, onde habitam milhares de indivíduos de ambos os sexos, válidos, valetudinários e menores, da mais obscura, miseranda, e desprezada classe da população urbana». Para tais males remediar, a Iniciativa Patriótica propunha-se levar a cabo, com o apoio de todos, a «edificação de colónias prediais económicas, administrativamente zeladas, e intencionalmente beneficiadoras do proletariado embrutecido, e da vegetabilidade humana miseranda; moralizadoras da família, e educadoras da prole; luminosos vestíbulos da civilização, por onde o baixo povo entre seguramente na carreira do trabalho honroso e utilitário».

Não conseguiu os seus intentos, mas a ideia das colónias manteve-se. Assim, em Cascais, mais tarde e por iniciativa do benemérito Conde de Monte Real, inauguraram-se, a 12 de Março de 1933, as primeiras 12 casas do Bairro Operário José Luís (Monte Real). Orgulhava-se a Comissão Administrativa municipal de terem «todas elas dois pequenos quintais, água encanada e casa de banho, devidamente apetrechada com W. C., tina e chuveiro». E escreve-se «as primeiras», porque o empreendimento – que se estenderia por todo o espaço hoje ocupado pela Pampilheira oriental (2160 x 100 metros) – previa mais de 200 fogos, com amplo largo a meio, uma escola, duas lavandarias, dois parques infantis, edifício de caldeiras, biblioteca e cooperativa. Desse bairro restam hoje 9 casas, à espera de demolição, entre o Hospital CUF Cascais e a Praça dos Bombeiros Voluntários.

Completamente demolido foi o Bairro de S. José da Bicuda, construído em 1944 por iniciativa do benemérito Joaquim Nunes Ereira («Ereira» porque viera da Ereira, aldeia do concelho do Cartaxo). Destinou-o aos trabalhadores da quinta, mas, para além dos requisitos próprios de uma habitação condigna e de estruturas comunitárias (a igreja, a escola, a casa da malta, o poço), cada família dispunha, de um jardim, à frente; no pinhal próximo, um espaço para capoeiras; e de um talhão de terreno para horta.

Compreendia-se quão importante era cada família poder gerir a sua auto-subsistência e continuar agarrada à produção agrícola, não apenas por uma questão meramente económica, mas porque se encarava a vida no seu todo e sabia-se que o contacto com a terra, a ocupação da mente com as culturas era uma forma de se viver melhor. Não foi também esse o objectivo fixado quando, nos primórdios da década de 80, se pensou, um pouco por toda a Europa e também em Lisboa e arredores, na criação de «hortas comunitárias»? Não foi essa, mais recentemente, a aspiração dos moradores do Bairro Chesol, na Aldeia de Juzo, ao pugnarem por esse espaço comunitário inaugurado, com pompa e circunstância, a 9 de Abril de 2016?

Confesso que o incentivo para trocarmos impressões sobre este tema me surgiu da humanitária intenção da Iniciativa Patriótica e também porque um colega teve a gentileza de me enviar o postal que ilustra esta crónica. Integra uma colecção de postais turísticos editada pela conhecida Casa Tomaz, Lda. A minha admiração prende-se com a escolha: poderíamos lá hoje pensar em considerar ‘turístico’, digno de ser plasmado em bilhete postal, o panorama que, seguramente do alto do Hospital dos Condes de Castro Guimarães, se via para norte, a mostrar o Bairro dos Pescadores e o Bairro das Caixas de Previdência, tendo, ao fundo, a Serra de Sintra com o seu habitual barrão estival?

Não estarei longe da verdade se apontar como razão o orgulho que a população tivera, nessa década de 50 – salvo o erro, me dirão se errei na data –, ao ver construído um bairro de casas térreas, especificamente destinado para as gentes ligadas à tradicional faina piscatória e, mais acima, lotes (estes já em altura) para os trabalhadores abrangidos pela Previdência!

Um bilhete postal que é um documento no que respeita à evolução urbanística da vila e, sobretudo, um documento do generalizado sentir da população. E estes dois bairros, ao contrário do sonho do Conde de Monte Real, foram levados a bom termo e continuam firmes, de pé, mau grado os vendavais. Não aquele vento forte de final da tarde que o barrão prenuncia, mas outros (muitos!…) a que, mui corajosamente, se continuará a resistir!…

A manifestação do Chega

0

Poucas centenas de pessoas participaram na manifestação do Chega.

Segundo os relatos dos jornalistas, os manifestantes eram cerca de 200 no início da caminhada… e à medida que o cortejo foi descendo a avenida juntaram-se mais alguns.

O intuito da manifestação era, alegadamente, demonstrar que não há racismo em Portugal… Bom, se todos os racistas estivessem estado na manifestação, então seria verdade, os racistas seriam tão poucos, realmente, que não teriam expressão na sociedade portuguesa.

Acontece que a experiência de vida, os relatos das vítimas e dados recolhidos por observadores insuspeitos dizem precisamente o contrário, dizem que mais de 60 por cento dos portugueses são racistas…

Não sei se o Chega pode esfregar as mãos de contente, porque é natural que muitos destes racistas, embora portugueses, não sejam brancos… e, portanto, dificilmente cumprem todos os requisitos para serem militantes ou apoiantes do deputado Ventura.

O deputado Ventura acha que a História de Portugal é paradigma de sã convivência intercultural como se algum ato colonialista pudesse ser tal coisa.

Treze anos de guerra colonial não dizem nada a esta gente no que respeita a subjugação e repressão política.

Digamos que estes tipos vêm o Mundo com os seus próprios olhos – uma verdade de La Palisse – e portanto o que se pode esperar de fascistas e nazis senão o total desprezo por evidências que saltam à vista de qualquer um, mas que eles não conseguem ver…?

De braço esticado, o deputado Ventura vai dizer que era a saudação romana, dos soldados do Império romano… o que soa mais a desculpa por ter desobedecido ao mentor de muitos manifestantes, o sr. Mário Machado, dirigente de diversos movimentos nazis que foram proibidos por Lei e ilegalizados…

Outra motivação dos organizadores da manifestação seria mostrar apoio à polícia… coisa que qualquer polícia minimamente decente certamente rejeita, vindo de quem vem.

Covid-19: violência nos números e na dispersão de convívios (vídeo)

0

Em Portugal, 79% das novas infeções detetadas nas últimas 24 horas aconteceram na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo o relatório sobre o evoluir da pandemia divulgado hoje pela Direção Geral de Saúde.

De um total de 323 novos casos, a região de Lisboa tem 255. Tem, também, todas as seis mortes registadas.

São números pesados.

Por concelhos, a situação é a seguinte:

1- Lisboa com 3347 (+12 que ontem)

2- Sintra com 2499 (+22)

3- Loures com 1756 (+11)

4- V. N. Gaia com 1644 (+11)

5- Amadora com 1601 (+10)

Também na Área Metropolitana de Lisboa, Odivelas com 1.060, Oeiras com 718 e o Seixal com 573 (todos com mais seis casos). Cascais tem 870 casos (mais dois), Almada 568 (mais sete) e Vila Franca de Xira permanece com 731.

Ventiladores e aplicações para telemóveis

Desde o início da pandemia, Portugal recebeu 952 ventiladores, entre compras e doações, para os quais foram fretados 14 aviões, informa a DGS no seu site.

Segundo a informação, “os ventiladores encomendados pela ACSS (Administração Central dos Serviços de Saúde) já estão maioritariamente entregues. Nos últimos voos chegaram 560 ventiladores, que, à medida que vão sendo verificados e testados, são distribuídos pelos hospitais”.

Sobre a aplicação de rastreio para telemóveis, que já está a ser usada em alguns países, e citando a Ministra da Saúde, há uma App que em breve estará disponível para utilização experimental, sendo que a sua utilização é uma opção “voluntária e individual”.

Polícia usa violência para dispersar ajuntamento em Loures

A PSP divulgou uma informação sobre três ações policiais efetuadas para dispersar grupos distintos de pessoas na zona de Loures por se tratar de ajuntamentos com mais de 20 pessoas, proibidos devido à situação de pandemia covid-19.

De acordo com a PSP, as autoridades foram ainda alertadas para um estabelecimento no concelho da Amadora que se encontrava a funcionar além da hora permitida por lei, já que os cafés têm agora de fechar às 20:00.

A situação mais grave foi a que ocorreu em Loures, quando dispersavam um grupo de pessoas durante uma ação de fiscalização a um estabelecimento no bairro Prior Velho. Das agressões mútuas, resultaram três polícias ligeiramente feridos e dois cidadãos detidos, um deles teve de receber tratamento hospitalar.

Na Cova da Moura, também houve violência, a polícia não foi capaz de estabelecer diálogo com alguns residentes que se encontravam na via pública e o ambiente azedou, como se pode ver no vídeo. As imagens não mostram qualquer reação violenta por parte do homem de braços levantados que a polícia encostou a uma viatura estacionada, há discussão verbal, algumas agressões de polícias e o vídeo termina com vários agentes da polícia a agir com violência sobre o cidadão.

(informação atualizada às 18h50)