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Cristina Ferreira abriu a guerra na TVI

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A pulverização do capital da TVI vai arrasar o sucesso de Nuno Santos na conquista da liderança das audiências. Serão muitos a querer mandar e percebem pouco dos meandros da televisão, cada vez mais complexos e dispendiosos.

Tony Carreira e Pedro Abrunhosa e mais uma mão cheia de artistas estão na calha para serem donos em conjunto da TVI. São pessoas muitos sensíveis pela natureza do seu trabalho e por isso adivinham-se grandes gritarias e enormes confusões. A TVI já foi da Igreja Católica. Mas nunca se imaginou uma televisão na mão de músicos cantores e artistas.

A TVI poderá então repor o célebre cartaz «A emissão segue dentro de momentos», muito utilizado pela RTP nos anos 60 e 70 do século passado. Quando Nuno Santos atender 10 accionistas ao mesmo tempo, vai de certeza ter negros na emissão. Ele talvez mantenha a calma e lucidez de sempre, mas e o resto da estrutura? Vai entrar em parafuso.

O ambiente em televisão foi sempre tenso, por inerência do meio. E também pelo tempo contado em segundos. Mas agora com a pulverização artística do capital da TVI as decisões e acontecimentos serão faiscantes.

Quem viveu nas redacções das televisões, assistiu a cenaças de algumas vedetas que nunca sonharam ser accionistas. Era pessoas risonhas e tranquilas no écran, mas histéricas, agressivas e chocantes no dia-a-dia. Agora, imaginem se tiverem o pau na mão. Vai ser bonito, vão ser muitos a gritar e a macaquear. Todos vão querer mandar.

Se não houver travão, a importância social das televisões generalistas irá pelo cano. E sem a admiração do público e a escassez dramática de publicidade, vão ganhar o computador e o telemóvel.

 A TVI teve um início abençoado pela Igreja, com Aníbal Cavaco Silva. De seguida meteu-se em aventuras como a Rede Independente de Transmissão (Reti). Foi salva dessa aflição por Guterres. E os bispos perceberam finalmente que era muito caro falar 10 minutos em televisão. Queriam poupar nas instalações mas era impossível fazer uma TV num anexo da Igreja de Fátima em Lisboa.

Vieram os estrangeiros e foram e voltaram a vir. Alegadamente circulou assim muito dinheiro. A TVI chamou-se 4 e tinha uma cruz. Só vingou com José Eduardo Moniz, que é um príncipe da Televisão em Portugal. Rangel na SIC disputou-lhe de forma renhida o título.

O tira-teimas foi o “Big Brother”, cuja verdadeira história nunca se saberá. Rangel queria o BB? Como é que Moniz ficou com o programa? A TVI passou para o primeiro lugar nas audiências. Foi um choque. O lixo vendia. Cristina Ferreira singrou neste cenário. Subiu a catedrática na escola de Teresa Guilherme. Saiu da TVI e voltou.

As televisões transformaram-se num carrossel onde se acena com dinheiro que não se pode pagar. Até há pouco parecia um jogo de poker. Mas a Prisa sentiu o excesso de bluff, baixou o preço e pronto… o carrossel tornou-se um circo. Todos puxaram das notas, para ter um canal de televisão. E chegámos à fase mais temível: a pulverização do poder.

Nuno Santos reúne o melhor de Moniz e Rangel. Foi pupilo dos dois. Já fez o pleno das televisões. Foi a África e voltou para montar o Canal 11 da Federação Portuguesa de Futebol. Irá Nuno Santos sobreviver ao turbilhão das vaidades que se anuncia? Se a tempestade for grande… adeus TVI.  A guerra já começou no canal que já foi dos padres e artistas não faltam.  Cristina Ferreira não tem medo. 

No sofá, cá estaremos para ver a nova novela ao vivo e a cores. Em breve na TVI.

Possacos, aldeia velha

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fotografia do site da Câmara Municipal de Valpaços

Fazer férias em Portugal não é só concordar com os apelos para ajudar o turismo nacional. É conhecer os lugares e os recantos, as gentes e as paisagens do país onde vivemos.

Este ano fui desde Sintra até Possacos, uma pequena aldeia de Valpaços. Fui matar saudades das vinhas a perder de vista, dos velhos e das velhas de caras enrugadas e mãos grossas, de olhar longínquo.

Em Possacos quase só há velhos. Uso a palavra com todo o respeito. Velho é quem sabe mais do que os outros, é quem viveu um tempo que nós nem sonhamos que existiu. Velho é quem nos pode ensinar alguma coisa sobre a vida. Só têm a 4ªclasse mas sabem tudo sobre a terra, o cultivo, só de olhar sabem quando vai chover e quando a ovelha vai parir. Também gostava de chegar a velho.

A revitalização do Interior parece esconder-se à medida que se caminha por entre as ruas apertadas de uma aldeia quase deserta. A estatística oficial diz que a aldeia tem 446 habitantes mas nem no verão são assim tantos.

fotografia de Rafael Baptista

Noutros tempos, Possacos era um sítio relativamente importante. Os vestígios históricos e até pré-históricos falam de uma presença humana permanente desde há milénios. A aldeia fica numa das curvas do rio Rabaçal e foi local escolhido por fidalgos e outros patrões para ali terem casa, terras e gente que trabalhasse para eles.  

Hoje já sobra pouco da riqueza de outrora. Ainda assim, somando todos os esforços das pessoas que vivem espalhadas por aqueles montes, a produção de azeite, vinho e castanha não é de desprezar. Ainda é o que segura algumas pessoas à terra ou já teriam abalado todos à procura de vida noutras paragens.

Os que foram, voltam de férias quase todos os anos. Este ano foi um pouco diferente, como sabemos. Vieram menos, mas ainda assim era fácil ouvir os miúdos a falar francês pelas vielas da aldeia. A maioria jamais regressará definitivamente, Possacos tem pouco para oferecer em termos económicos. E paz de espírito ainda não é coisa a que se dê valor monetário.

(texto de Carlos Narciso/Rafael Baptista)

Covid-19: três mortes e nova “fase crítica”

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Portugal contabiliza hoje mais três mortos e 249 novos casos de infeção relacionados com a pandemia de covid-19, indicou a Direção-Geral da Saúde.

As três mortes foram registadas na região de Lisboa e Vale do Tejo que contabiliza 686 mortos desde o início da pandemia.

O número de internados subiu para 381 (mais 27) e o de doentes em internamento nas Unidades de Cuidados Intensivos diminui para 49 (menos seis).

Nova “fase crítica”

Esta tarde, à entrada para a reunião com peritos em epidemiologia, parceiros sociais, Presidente da República e outros dirigentes políticos, o primeiro-ministro alertou que o país vai entrar “numa fase crítica” devido à mudança de estação, início do ano letivo e recomeço de muitas atividades, apelando ao cumprimento das regras para controlar a pandemia.

“É um bom momento para relembrarmos a todas e a todos que, até haver uma vacina, a pandemia não passou e é essencial manter todos os cuidados, desde uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social”, referiu.

O primeiro-ministro lembrou que se todos cumprirem as regras consegue-se controlar o aumento substancial da pandemia, o que é essencial para que não haja uma sobrecarga excessiva dos serviços hospitalares de modo a manter a operacionalidade do SNS.

O primeiro-ministro disse ainda que o país não pode a voltar a parar, tal como aconteceu nos meses de março e abril, porque do ponto de vista social e económico não é sustentável.

Porteiro do SIS apanhado a dormir em serviço

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A venda de milhares de imóveis do Novo Banco ao desbarato  é um caso para os serviços secretos portugueses. O SIS nasceu com uma mãozinha do MI-5 inglês e da Mossad israelita e é uma agência muito considerada internacionalmente.

O negócio do Novo Banco é um escândalo para centenas de milhar de portugueses que não conseguem pagar as rendas ou as prestações das suas casas. E também não conseguem perceber o rasto internacional do dinheiro.

Até agora o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse pouco ou nada sobre o assunto. E a ministra da Justiça Francisca Van Dunem fez o mesmo.

A mim, explicaram-me ter sido necessário vender ao deus-dará os imóveis do Novo Banco para libertar uma espécie de paridades. E todos rimos. Eu e quem me contou.

O sector bancário tornou-se opaco. Tem custado rios de trabalho aos portugueses a troco de umas tiras de papel. Trabalha-se mais horas e paga-se mais impostos para tapar buracos.

O património do Novo Banco foi vendido, segundo consta, a um accionista… do Novo Banco (um fundo de pensões americano) que pediu crédito ao… Novo Banco.

Champalimaud terá feito o mesmo quando regressou ao leme do Banco Pinto e Sotto Mayor, que já desapareceu.

Secretas seguem negócios de empresas

Têm-se afirmado que não se sabe quem são os verdadeiros accionistas do tal fundo americano.

Em boa verdade, não há governo que tome decisões sobre Bancos sem ouvir o seu conselho de segurança. Em Portugal nessa mesa sentam-se GNR, Polícia Judiciária, PSP, SEF e obviamente o SIEDM (Serviço de Informações Estratégicas e Defesa) e o SIS (Serviço de Informações e Segurança).

Os serviços secretos podem não ter abordado o assunto com clareza na reunião, mas Adélio Neiva da Cruz (director do SIS) já terá esclarecido muito claramente o primeiro-ministro.

Os serviços secretos não toleram sequer a prática comum dos double-x, agentes duplos, sempre muito úteis. Leia-se John Le Carré, em “O Espião que veio do frio”. Terá sido o caso de Frederico Carvalhão Gil que se tramou ao enfiar-se numa marosca com os russos.

Os israelitas e os ingleses têm estado presentes, ao que consta, na venda e compra de empresas portuguesas a estrangeiros. Mantêm o cordão umbilical, importantíssimo para a nossa inteligência.

As escutas estão centradas no Echelon

As relações económicas são, desde há muito, o verdadeiro objectivo das secretas em todo o mundo. Paulo Portas foi até mais longe. Pediu aos diplomatas para serem “antenas” de Portugal em qualquer país onde pusessem os pés.

Não existe nada que tenha acontecido, aconteça ou vá acontecer sem conhecimento da comunidade. A economia escapou ao controle político em todo o mundo, mas não escapa ao controle da comunidade das secretas.

O mundo está todo sobre escuta. Nos telefones, sms e internet. O gigantesco big-wacth tem um dos vértices no projecto Echelon. Uma rede de vigilância global operada pelos signatários do Tratado de Segurança UK-USA. A BBC confirmou a existência do projecto e das sofisticadas instalações, há 21 anos. E há 10 anos o eurodeputado Carlos Pimenta fez perguntas sobre o Echelon. Sem resposta.

Eles sabem tudo, escutam todos. Eles conhecem os contornos do negócio dos imóveis vendidos a granel com prejuízo para o Novo Banco. Sabem os nomes dos que se escondem no arbusto. E se disserem que não sabem, a culpa será então do porteiro do SIS, apanhado a dormir em serviço.

Poderemos estar perante uma operação de auto-financiamento de secretas internacionais. É uma tese de conspiração. Mas a realidade ultrapassa sempre a ficção.

Covid-19: americanos fazem projeção alarmante

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A Universidade de Washington, nos Estados Unidos, divulgou uma projeção sobre a evolução da pandemia no Mundo e o que lá vem sobre Portugal é alarmante.

Segundo o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, Portugal poderá vir a ter um pico pandémico de segunda vaga a atingir os 80 mil casos diários e cerca de 80 mortes a cada 24 horas. Um pico que se deverá registar por volta do dia 3 de dezembro, diz o estudo.

Segundo esta projeção, tudo depende das medidas de prevenção adoptadas como, por exemplo, o uso de máscaras, confinamento preventivo (que inclui novamente o fecho de escolas e de serviços não essenciais).

O estudo prevê ainda problemas nos hospitais, onde poderão ser necessárias 1754 camas de cuidados intensivos para doentes com covid-19 e 1600 ventiladores, necessidades acima da linha de capacidade instalada no país neste momento.

Hoje, o governo reune na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto com peritos multidisciplinares e, certamente, abordarão todos os cenários possíveis dentro do quadro da pandemia covid-19. O encontro começa às 15h e o programa inclui apresentações sobre a situação epidemiológica o estudo de caso-controlo (em que um dos objetivos era perceber o efeito dos transportes públicos), a app StayAway Covid e uma futura vacina. Uma segunda parte será dedicada à covid-19 nas crianças e ao desafio do regresso às aulas. Segundo a última análise do Instituto Ricardo Jorge, a epidemia regista uma tendência crescente. Na última semana de agosto, o RT situou-se em 1,14.

A nível global, esta projeção do IHME da Universidade de Washington prevê que a epidemia de covid-19 possa causar um total de 2,8 milhões de mortes até ao fim do ano, estimando  que o uso universal de máscaras reduziria o impacto em 30%, para dois milhões de mortes.

(para os que acham que tudo é fake news, e que a Terra é plana, aqui fica o link para a projeção da Universidade de Washington)

O Impacto das lideranças

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Um bom líder faz toda a diferença. As capacidades de liderança podem levar indivíduos, grupos de pessoas e nações a vitorias gloriosas. No caso contrário, quando aceitamos líderes fracos, podem acontecer desastres trágicos. Isto são evidências que todos reconhecemos e, ainda assim, muitas vezes elegemos gente completamente incapaz, só porque encantam meia dúzia de inaptos com bitaites que parecem verdades inabaláveis.

Isto que estou para aqui a dizer é válido em tudo na vida, nota-se mais em algumas áreas que noutras, como é o caso do desporto, por exemplo. Uma equipa desportiva sem liderança jamais ganhará alguma coisa que se veja.

Na qualidade de modesto praticante desportivo e ocasional Vereador do Desporto na autarquia de Leiria, tenho noções concretas sobre o conceito de liderança desportiva e de como essa liderança pode influenciar o carácter dos indivíduos e até moldar comportamentos sociais. Dada a sua crescente importância económica, e influência cultural e social, qualquer liderança na área do desporto deverá observar os códigos da ética que, nem sempre em linha reta, o avanço civilizacional tem vindo a implementar. Sem constituir uma exceção, pois o espírito competitivo faz parte da própria matriz humana, ressalta da prática desportiva que o objetivo central é fazer mais e melhor do que os outros: um desejo de vencer que, não raro, conduz a paixões exacerbadas e a comportamentos deploráveis.

O desporto é, contudo, como nenhuma outra atividade humana, um espaço de liberdade e de igualdade, a “praia” onde todos gozamos de reais oportunidades e a escola ideal para “treinar” o respeito pelos adversários em são convívio e no cumprimento das regras mais elementares. Por isso, qualquer liderança que se foque na vitória a qualquer preço, e que não observe os valores que nos deverão reger a todos, sem exceção, acaba fatalmente por promover efeitos nefastos na personalidade humana e, não raro, conduz a consequências desastrosas em equipas, e mesmo em coletividades, onde o “vale-tudo” se torna regra. O desporto não é necessariamente um fator de promoção humana, podendo a sua prática promover comportamentos desajustados que comprometem o rendimento individual e o de toda a equipa.

Assim, para além da necessidade de observação escrupulosa da ética desportiva, sabe-se que qualquer plantel “adoece” se for vítima de falhas grosseiras de compromissos ou se assistir a guerras intestinas, desorientação diretiva ou quaisquer outros atos indignos, sem consequências. Mas, para além destes aspetos negativos, incontestáveis, há que ter em conta a crescente exigência de conhecimentos técnicos e também uma atenção muito especial pela motivação pessoal e do coletivo, aspetos hoje decisivos na qualidade.

Um líder em sociedades como as desportivas, em que é o mérito, e não a cunha ou o compadrio, a causa primeira do sucesso e da promoção na carreira, tem de ser alguém que, para além de conhecimentos técnicos em constante desenvolvimento, deverá saber ganhar a confiança e o respeito de todos os demais envolvidos, seja diretor, treinador ou simplesmente “capitão-de-equipa”. Um líder tem que ser um amigo. Dificilmente, alguém que não goste dos outros, e não seja um amigo, poderá liderar com sucesso, e por muito tempo, qualquer projeto coletivo, seja em que área for.

No desporto e na vida, a pressão ou o medo nunca poderão ser as “armas” mais indicadas para, logo pela manhã motivar alguém, atleta ou cidadão, a fazer mais e melhor quando se vê ao espelho.

Aceitam-se apostas

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Ser ou não ser, é o dilema com que se debate Ana Gomes. Ser candidata à Presidência da República é o desafio que a ex-eurodeputada vai decidir se enfrenta.

Ana Gomes, no seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias ao domingo, remeteu a decisão sobre uma possível candidatura a Belém para os próximos dias.

“Não passará desta semana”, garantiu. Não se sabe se o anúncio será antes ou depois da apresentação de Marisa Matias como candidata do Bloco de Esquerda, marcado para a próxima quarta-feira.

Ana Gomes disse que se trata de uma decisão solitária, mesmo se tem escutado a opinião de muitas pessoas sobre este assunto. Apesar de ser militante do PS, não deverá contar com o apoio do partido.

 “Estou no fim da minha reflexão”, disse Ana Gomes. Aceitam-se apostas.

Há que pensar nos cães!…

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Nunca me pusera a questão; quando, porém, se fez a investigação para o livro Para uma História da Água no Concelho de Cascais (Guilherme Cardoso e José d’Encarnação, edição dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento de Cascais,1995), não hesitámos em dar relevo ao artigo que, em Julho de 1917, Ruy d’Athouguia Ferreira Pinto Basto, visconde de Atouguia, publicara no jornal A Nossa Terra acerca da caça em Cascais.

É que, para a caça, há caçadores e… há cães! E, portanto, há que pensar seriamente neles. Por isso, o visconde traça um completíssimo quadro do que, em relação à água, se poderia encontrar no concelho:

«Em quase todas as povoações», escreve, «há fontes junto às casas ou a pouca distância delas, sendo todas boas para beber; mas há grandes áreas de terreno onde as não há, sendo necessário levar água ou dar a volta por forma que não falte na ocasião necessária, tanto para nós como para os cães».

E traça bem sugestivo quadro do que poderia encontrar-se. Por exemplo:

«Na Marinha, desde a Guia até ao Cabo Raso, só há água no pinhal, onde passa em canos de chumbo, ou na fonte da Areia, que dista do povoado aproximadamente 1 km».

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Comuniquei, há dias, à Cascais Ambiente a minha preocupação quanto à sobrevivência de um ouriço-cacheiro que vive no meu bairro. Fiquei descansado com a resposta obtida:

«Os ouriços, entre outros pequenos mamíferos, têm a capacidade de se adaptar e conviver com o ser humano, sendo que, na maioria dos casos, não damos por isso. Neste caso em particular dos ouriços, estes pequenos mamíferos beneficiam dos nossos espaços verdes urbanos, onde conseguem capturar alimento como caracóis e lesmas, mais abundantes em zonas regadas.

A espécie não é ameaçada e é um bom indicador de qualidade ambiental. O facto de se deixar ver é porque está à vontade e confiante de que não lhe fazem mal, na certeza de que este já identificou os riscos existentes no local.

Recomenda-se assim que se deixem sempre estes animais nos seus locais onde sempre viveram e estão adaptados, conhecem os abrigos, pontos de água e alimento».

Não pude deixar de relacionar este caso do ouriço com a história dos cães de caça, porque a preocupação era a mesma: a de haver água.

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Preocupação bem antiga, essa, se pensarmos nos Romanos. No povoado dos Casais Velhos, entre a Areia e o Guincho, encontramos restos do aqueduto que o abastecia. O mesmo sucede na villa romana do Alto do Cidreira: identificámos complexo sistema de condutas de água. E, em relação à villa romana de Freiria, torna-se mais do que evidente que o sítio foi escolhido por Tito Curiácio Rufino, devido à existência de um permanente manancial de água cristalina a brotar da rocha. Aliás, não se esqueceu ele de mandar gravar agradecimento à divindade Triborunnis, o génio que protegia a nascente. E o amplo tanque das termas acabou por ser construído mesmo no leito do ribeiro, para todos se poderem banhar em… águas correntes!

Relanceando o olhar por outras paragens, recordar-se-á que o Aqueduto da Águas Livres, erguido ao tempo de D. João V, aproveita no início do seu percurso o que fora o aqueduto romano de Lisboa, a partir da barragem romana de Belas, no vale da ribeira de Carenque. A cidade romana de Conimbriga teve aqueduto que abundantemente a abastecia a partir de Alcabideque (nascente ainda hoje em plena actividade); a capital da Lusitânia romana, Mérida, faz gala do seu Aqueduto de los Milagros, cuja água vem da barragem de Prosérpina, também ela de origem romana. Há, em Évora, o Aqueduto dito de Sertório, que igualmente teve raiz no tempo dos Romanos. Elvas orgulha-se do seu aqueduto da Amoreira e, em Coimbra, há os «Arcos do Jardim», que é o aqueduto de S. Sebastião.

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Não é, por conseguinte, de admirar que, nas Memórias Paroquiais a que se referência na anterior crónica, a 23ª pergunta tenha sido: «Se há na terra, ou perto dela, alguma fonte ou lagoa célebre, e se as suas águas têm alguma especial virtude».

Bem circunstanciada se revela a resposta dada pelo prior de Cascais, que começa por afirmar que «toda a terra é mui falta de fontes e de águas» (daí se compreender, voltando ao começo desta crónica, as preocupações do visconde da Atouguia, 150 anos mais tarde…).

E explicita o reverendo Marçal da Silveira:

«Tinha, sim, uma copiosa fonte, de que todo o povo bebia; porém, esta, por umas minas que lhe deram na mãe para que melhor brotasse, a deitaram a perder, com que veio a faltar: comummente se seca desde Julho até Novembro e torna, então, a rebentar. E é perda grande, porque a água é a mais célebre que se podia excogitar».

Como sói dizer-se: quem tudo quer tudo perde!…

«E em remédio», continua o prior, «tem vários poços e noras; porém, sempre se padece muito com esta grande falta».

Havia, por conseguinte, que encontrar outros recursos e o rol pormenorizado não se faz esperar:

«Remedeia a cisterna da Cidadela a uns; a fonte de S. Clara, a outros. E os mais se remedeiam com os poços ou a mandam buscar à Guia e ao forte da Guia, à Torrezela e a outras partes vizinhas, no que padecem mui grandes incómodos».

Torrezela é a actual Atrozela, sita no vale da Ribeira da Penha Longa que, mais adiante, se junta à Ribeira de Porto Covo e, começando por ser Rio Marmeleiro, é depois a Ribeira das Vinhas, o maior curso de água do concelho de Cascais. Ainda hoje há na Atrozela uma captação de água. E não deixará de ser curioso lembrar que Atrozela está bem pertinho de Alcabideche, topónimo que equivale ao Alcabideque a que atrás se fez referência, fonte de abastecimento de Conímbriga. A etimologia é, na verdade, a mesma: da expressão latina «ad caput aquas», literalmente ‘à do manancial de águas». Há, na Sardenha, uma localidade que ainda mantém esse nome: Cabu d’Aquas ou Caput Aquas, justamente por estar próxima de uma nascente de água potável muito famosa e conhecida desde a época romana. Em Portugal, porventura por influência dos Árabes, deu Alcabideche e Alcabideque.

Uma nota final, como recorda o Pe. Marçal da Silveira:

«No convento dos Padres Carmelitas se descobriu de novo uma fonte de água que buscaram na cerca, com que se remedeiam, pois a que tinham, em uma nora antiga, era salobra; e da outra fazem caridade a muita vizinhança».

Com o abastecimento desse convento – onde está hoje o Centro Cultural de Cascais – se relaciona o aqueduto de que pode observar-se um bom trecho no Parque Urbano da Ribeira dos Mochos.

Covid-19: duas mortes e uma festa de enfermeiras em Mafra

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Portugal contabilizou hoje mais dois mortos e 315 novos casos de infeção relacionados com a pandemia de covid-19, indicou a Direção-Geral da Saúde.

De acordo com último boletim, desde o início da pandemia Portugal contabilizou 1.840 mortes e 60.258 casos de infeção.

Os maus exemplos vêm de onde menos de espera, por vezes.  Segundo o jornal Correio da Manhã, uma enfermeira testou positiva para covid-19 depois de ter participado numa festa com muitas(os) outras(os) colegas de serviço que decorreu na casa da(o) chefe da equipa, em Mafra. Trata-se de uma história só para assinantes da edição online ou para quem compra a edição impressa de hoje.

Vilaça vai longe no triatlo

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Amadorense e benfiquista, Vasco Vilaça é o vice-campeão do Mundo de Triatlo. A prova decorreu em Hamburgo, na Alemanha, Vilaça ficou a apenas 2 segundos do francês Vincent Luis, o vencedor.

Foi uma prova discutida metro a metro, palmo a palmo, primeiro Vilaça perdeu alguns segundos para o francês, recuperou na prova de bicicleta mas, na corrida, mesmo no “sprint” final, deixou-se ultrapassar de novo,  após uma aceleração do ‘veterano’ francês a poucos metros da linha da meta.

Para Vasco Vilaça, após Hamburgo segue-se a Taça do Mundo de Karlovy Vary, na República Checa, em 12 de setembro, num ano em que já tem como “muito difícil” a qualificação para os Jogos Olímpicos Tóquio2020, adiados para 2021 e cuja qualificação não integrou na fase inicial.

“Mas quero estar nos Jogos de 2024, e claro que o sonho é uma medalha olímpica”, sonha Vasco Vilaça.

Nascido em 21 de dezembro de 1999, o atleta do Benfica, natural da Amadora, vive atualmente em Linköping, na Suécia, acumulando o triatlo com os estudos universitários.