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São estátuas, senhor, são estátuas

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Tenho para mim que uma estátua erigida a alguém em particular é uma glorificação da sua conduta pessoal, enquanto que as anónimas ou puramente simbólicas, e os monumentos, já têm em si uma ideia de evocação ou memória patrimonial. Não sentindo, pois, a indignação generalizada perante uma destruição de uma estátua mais ou menos polémica, não significa que aprove sem reservas a vandalização do património, precisamente por uma questão de respeito e tolerância face a posturas que possam não convergir com as minhas.

Pessoalmente, fui sempre fã da estética greco-romana, por exemplo, e as estátuas que enchem certos monumentos e ruas de Itália, nomeadamente, são de uma beleza sem fim. Os nossos padrões estéticos são variados e uma estátua pode ser apenas isso também, memória e arte, sem a veneração automática de um período ou de uma figura por ela assinalada.

Posto isto, que dizer da erradicação de certas estátuas, como temos vindo a assistir no rescaldo da morte do americano George Floyd? Digo que passamos bem sem uma estátua do Edward Colson, que não recorda nada de positivo e que nem a eventual atração turística da mesma a justifica localmente. Não faz falta, na medida em que o destaque foi apenas pelo comércio e tráfico de escravos.

Honrar figuras com nome através de uma estátua é reconhecer mérito a essa pessoa, no presente ou no passado. Então estamos presente uma situação em que se trata de um mérito relativo, se não até já perfeitamente esventrado, chegados ao tempo atual. Assim sendo, não me surpeende que a carga negativa a faça tombar. Mas isto tem também um lado perverso. E quando as estátuas são de pessoas que não foram nem completamente boas nem completamente más? Aliás, existirão pessoas com rasto na história imaculadas em todos os aspetos da sua vida? Quais os critérios que presidem ao nosso julgamento? E onde encontramos a real verdade, se vista de duas perspetivas diferentes? Este é o perigo do derrube de estátuas do passado ou contemporâneas.

A perspetiva pessoal ou nacional face à admiração de uma figura é decerto influenciada pelo meio, pela noção do impacto ou do bem que essa figura terá feito por nós por contraposição ao que outros veem como símbolo de opressão ou do mal. Como classificar uma figura como Cristóvão Colombo? Um homem temerário que nos deu um Novo Mundo? Cuja descoberta teria consequências terríveis para os povos nativos das Américas? Estamos perante um heroi das descobrimentos ou um carrasco dos indigenas? E Afonso Henriques? Devemos celebra-lo como o fundador audacioso de um país ou denegri-lo como um sanguinário filho desnaturado? Como ficam, aos nossos olhos atuais, Julio César, Alexandre Magno e tantos outros? Têm conquistas à força, subjugação de vários povos e mortes nas mãos.

Acredito que não se pode apagar a história, não é possível ir lá atrás corrigir absolutamente nada e que a temos de ler como instrumento de compreensão do presente. Os monumentos deste mundo estão aí como lembrança do bom e do mau, dependendo das lunetas geográficas e até ideológicas. O mesmo se passa com a maioria das estátuas, acredito. Ambos devem ser contextualizados, de várias formas, e são-no, é certo, muitas vezes. E muitas vezes são reinterpretados conforme o regime vigente. O presidente turco, por exemplo, está neste momento a propor que a Basílica de Santa Sofia em Istambul passe de novo a mesquita.

Deste modo, esta via da contextualização e da reinterpretação e até dos ajustes com a história tem duas direções. Com as estátuas, e numa posição meramente pessoal, a erradicação de umas é-me indiferente enquanto talvez a de outras já me possa causar menos adesão. Provavelmente o problema é este. O nosso discernimento e apreciação de figuras em vida ou eternizadas são feitas de relatividade e o subjetivo pode ser uma faca de dois gumes. Ontem, hoje e amanhã. Como é a nossa tolerância ao arranque de uma flor de um jardim que é nosso ou não.

S. António, Tenente-coronel do Exército Português!

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A procissão cascalense em honra de S. António nasceu em 1959, por iniciativa de Joaquim Miguel de Serra e Moura, presidente da Junta de Turismo da Costa do Sol. Santo António era o orago da paróquia do Estoril, na Cidadela de Cascais venerava-se uma imagem de grande tradição e, por conseguinte, tínhamos aí ingredientes para uma celebração religiosa rodeada de pompa, suscetível de ser proveitosa para o turismo da região.

Far-se-ia, pois, cortejo alegórico da Cidadela até à igreja de Santo António; o santo passaria aí a noite e regressaria no dia seguinte. E a alegoria estava ligada ao facto de, na batalha do Buçaco, por ocasião da 3ª invasão francesa, a 27 de setembro de 1810, quando, no duro da refrega, parecia que tudo estava já perdido, «de repente, vê-se descer do alto montanhoso, como que impelido por uma força gigantesca e admirável, um regimento de infantaria. É o bravo 19. Carrega sobre os invasores duma forma extraordinária. […] E quem era o soldado misterioso que, à frente do 19, carrega sobre os Franceses? Santo António!»

Descrição entusiasmada de Ataíde de Oliveira, que Ferreira da Andrade transcreveu no seu Cascais Vila da Corte.

O citado 19 era o Regimento de Infantaria nº 19, aquartelado em Cascais, em cuja capela de Nossa Senhora da Vitória a imagem do Santo se venerava. Por isso, no cortejo, o Santo, montado em mula branca, devidamente ajaezada, era escoltado por soldados fardados à moda da época.

Ficou acordado que os festejos se fariam um ano em Cascais, no outro em Pádua, cidade que, como se sabe, reivindica a designação «Santo António de Pádua».  E assim todos se contentavam. Ficaram suspensas essas manifestações de 1968 a 1981, ano em que se retomam por iniciativa da Sociedade Propaganda de Cascais.

Em virtude desse comportamento do heroico Santo – «a feliz intercessão do mesmo Santo tem concorrido para tão felizes resultados» –, o Príncipe Regente D. João decreta, a 26 de Junho de 1814, no Rio de Janeiro, que «se eleve ao posto de tenente-coronel de Infantaria e com ele haverá o respectivo soldo, que lhe será pago na forma das minhas ordens […] e o soldo se assentará nos livros a que pertencer, para lhe ser pago em seus devidos tempos».

Longa história teve, como é de supor, esse soldo. E pode consultar-se na Biblioteca Digital de Cascais o livrinho de 78 páginas, publicado pela Imprensa Nacional em 1906, sobre a «Iniciativa Patriótica da Instituição Memorativa do Regimento de Infantaria nº 19 de Cascaes…», que previa o seu destino, mostrando, aliás, grande preocupação em alojar, condigna e até gratuitamente, em colónias de casas económicas, a população necessitada. Uma história digna de se contar!

Voltando, porém, ao ‘nosso’ tenente-coronel, importa dizer que, por D. João ter feito o decreto de promoção no Brasil, ele aí teria de vigorar. Anota, por conseguinte, Ferreira de Andrade, que, em 1889, aquando da proclamação da República, o Governo brasileiro suprimiu o soldo, o qual, a rogo dos Franciscanos, continuou, no entanto, até 1904, altura do seguinte despacho da Presidência do Conselho:

«O Coronel António de Pádua vai quase em três séculos de serviço. Nomeio-o general e ponho-o na reserva».

«Desde então», comenta Ferreira de Andrade, «Santo António figura no Anuário Brasileiro como oficial de reserva».

As voltas que, neste mundo, até um Santo taumaturgo dá!…

Os arraiais e as sardinhadas (recordação em vídeo)

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Os Santos Populares são, provavelmente, as festas mais esperadas pela população de todas as cidades e lugares de Portugal. Normalmente, o problema dos foliões é escolher onde ir para a farra, que bailarico escolher, que bairro de Lisboa preferir, mas este ano esses problemas estão resolvidos. Não há festas para ninguém.

Mátria, de Alfredo Cunha

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Alfredo Cunha é considerado um dos maiores repórteres fotográficos portugueses, tem um curriculum invejável construído ao longo de 50 anos de carreira profissional. Tudo começou em 1971 no jornal Notícias da Amadora, até hoje em que tem uma exposição patente na Galeria Santa Maria Maior, em Lisboa.

A exposição intitula-se “Mátria” e, tal como diz o nome, é um conjunto de imagens de mulheres captadas por Alfredo Cunha. São 23 retratos de mulheres portuguesas e 6 fotografias de reportagem sobre o quotidiano da mulher no mundo. Diz quem já viu que é uma exposição imperdível. Tem até 18 de junho para verificar se assim é.

Para visitar a exposição, tenha em atenção que devido às regras impostas pelo combate contra o covid-19, só podem estar em simultâneo 4 pessoas dentro da galeria e de máscara posta. O horário é de 2ªfeira a sábado, das 15h00 às 20h00.

Para os que em 25 de abril de 1974 já tinham idade para hoje se recordarem desse dia, Alfredo Cunha foi um dos que melhor fotografou a revolução que nos libertou do salazarismo, da PIDE e do atraso endémico que o país viveu ao longo de 48 anos de regime ditatorial.

Nani: na Amadora ele é o maior

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Os futebolistas que ganham muito dinheiro são, por norma, pessoas generosas. Muitas vezes é uma generosidade com intuitos propagandísticos, atos de quem quer ficar bem na fotografia. Outras vezes, é generosidade pura, vontade de ajudar.

Há uns dias, Nani mandou comprar e entregar na escola onde estudou 50 computadores portáteis, de modo a suprir algumas dificuldades que as crianças têm sentido desde que as escolas fecharam e passaram a ter aulas online.

É assim que o agrupamento de escolas Cardoso Lopes, na Amadora, ficou mais apetrechado para suprir dificuldades de alunos mais carenciados.

Não é a primeira vez que Nani “regressa às origens” e ajuda quem vive nas condições em que ele já viveu, nos locais onde ele cresceu. No Natal costuma entregar cabazes a todas as famílias que vivem na Estrada do Bairro Militar, na freguesia da Mina.

Agora, Nani joga nos Estados Unidos, na equipa do Orlando City. Longe da vista mas perto do coração.

Sporting: “incentivos” aos futebolistas

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O futebol não é para meninos, deve ser o mote das claques que não se cansam de pressionar jogadores, treinadores e dirigentes para a obtenção de resultados positivos e que não aceitam a derrota como uma consequência natural de um jogo.

A Academia do Sporting, onde treina a equipa profissional de futebol, depois de ter sido alvo de uma invasão e de agressões a jogadores num triste episódio ocorrido quase no final da época de 2017/18, continua a ser alvo de peregrinações inflamadas e, à falta de fé, vale o bullying sobre jogadores e treinador, principalmente.

De cada vez que há uma movimentação deste género, vem à memória as cenas de violência, os encapuzados, o balneário destruído, a fuga de jogadores que rescindiram por justa causa, um presidente destituído e as derrotas inevitáveis em ambientes deste género. Mas será que alguém acredita que uma equipa de futebol joga melhor quando se sente ameaçada fisicamente por adeptos?

Hoje, a claque Directivo Ultras XXI deixou várias “mensagens”, avisos porventura, ou conselhos, ao plantel do Sporting, que esta noite defronta o Paços de Ferreira na 26.ª jornada da I Liga, no jogo que marca o regresso dos leões a Alvalade.

Não é garantido que os jogadores tenham visto as faixas porque mal foram colocadas foram retiradas por funcionários do Sporting.

Meia lata de tinta barata chega

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Esta noite os muros do Conselho Português para os Refugiados, na Bobadela (em Loures) foram vandalizados com frases racista, de ódio e sobretudo imbecis!

Não há memória de uma situação anterior semelhante naquele espaço. O que vale é que meia lata de tinta barata chega para limpar a parede.

Será que a polícia conseguirá descobrir o “escritor” de tamanhas barbaridades? Talvez pela caligrafia… ou haverá câmaras de vigilância vídeo no local?

O Santo Casamenteiro

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A tradição dos casamentos de Santo António tem origem numa lenda… tanto pode ser verdade, como não. Mas, mesmo não sendo verdade, a lenda tem uma vertente humanista bastante interessante.

Curiosamente, o primeiro casamento patrocinado pelo Santo António terá resultado num “desvio” de fundos da “caixinha das esmolas” da igreja…

Mudar as estátuas, manter a História

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Agora anda toda gente empolgada por causa do derrube de estátuas que glorificam passados históricos pouco dignificantes… a primeira a cair foi em Inglaterra, a estátua de um esclavagista glorificado pela História do Império britânico e, agora, pretendem retirar a estátua de Cecil Rhodes, um colonizador ao serviço de sua majestade que amealhou em proveito próprio uma fortuna imensa e teve direito a dar o nome a uma província britânica, a Rodésia.

O senhor Rhodes foi um dos implementadores do apartheid, esse regime político que dava a primazia aos interesses da população branca e sonegava todos os direitos à população negra.

O senhor Rhodes não só era um esclavagista como dedicou a sua vida a tirar de África tudo o que lhe podia valer dinheiro. Foi assim que fundou a de Beers, que hoje é uma das principais companhias de lapidação e comércio de diamantes do Mundo.

Foi portanto um homem de grande sucesso… mas o que a História diz sobre ele depende da geografia onde se sentam alunos e professores. Se for em África, o Sr. Rhodes é um filho da mãe… se for em Londres, o Sr. Rhodes é um pilar do Império… embora o Império já tenha caído, tal qual a estátua do Sr. Rhodes vai cair também.

O Sr. Rhodes confessou, um dia, que gostaria de colonizar os planetas e as estrelas que via quando olhava para o céu em noites limpas, sem luar.

Por causa dos seus empreendimentos, que levaram ao confronto com muitos povos africanos, o Sr. Rhodes é considerado diretamente responsável pela morte de 60 milhões de pessoas. 60 milhões de africanos, pessoas que ele considerava confessadamente inferiores. Um genocídio ao nível do rei Leopoldo da Bélgica, vêm nos livros mas não se ouve falar deles…

Não posso deixar de vos contar uma outra história que vivi na primeira pessoa… estava em Mombaça na costa do Quénia e fui visitar o forte Jesus, uma construção militar portuguesa do século XVI que ainda lá está de pé e bem conservada, é um dos mais interessantes exemplos da arquitetura militar portuguesa em África.

À entrada do forte, além de comprar o bilhete de entrada, tinha a possibilidade de comprar também um pequeno livro, 20 ou 30 páginas, sobre a história do lugar. Também comprei o livro. A visita ao forte é muito interessante, aquilo foi português durante 300 anos e depois passou para as mãos dos ingleses, até à independência do Quénia.

Ler o livro foi ainda mais interessante, porque percebi como os quenianos entendem a História, aquilo a que nós chamamos descobrimentos, a expansão da fé, e a colonização dos territórios ultramarinos. Para eles é uma história de horror, séculos de batalhas e de morte para se livrarem de um inimigo que apenas estava ali para dominar, escravizar e explorar.

Ainda assim, o forte Jesus está lá, é património da Unesco, está bem conservado, rende algum dinheiro com os bilhetes cobrados aos visitantes, mas (para os quenianos)  mais importante porventura que o forte é o livro que conta a verdade (deles) sobre o lugar, o que ele significou durante séculos e o que sofreram as pessoas que defendiam e assaltavam aquelas muralhas. Os portugueses deixaram lá muito sangue, sem dúvida alguma. Um sacrifício estúpido para todos.

A História foi o que foi… os factos são imutáveis, mas temos de saber olhar para o passado com suficiente distanciamento emocional para entendermos o que representou o mal e o que foi bom para a Humanidade.

Sintra, capital covid-19

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Os principais focos de contaminação por covid-19 estão nos concelhos de Sintra, Lisboa, Loures, Odivelas e Amadora, nomeadamente nas freguesias de Santo António, Encosta do Sol, Queluz e Belas, Águas Livres, Agualva, Mira-Sintra, Mina d’Água e Rio de Mouro.

A situação levou o Governo a criar um Gabinete Regional de Intervenção para a Supressão da Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo.

A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a concentrar mais de 90% dos casos diários de infeção de covid-19, registando hoje 283 das 310 novas infeções reportadas, segundo a Direção-Geral da Saúde.

Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), Sintra tem mais 48 casos de doença rastreados e voltou a ultrapassar Lisboa na contagem diária de novas infeções. Sintra é, assim, a capital do covid-19 em Portugal, um título infeliz para vila tão bonita.

Em números totais, a situação está assim ordenada:

  1. Lisboa tem 2789
  2. Sintra tem 1802
  3. Vila Nova de Gaia tem 1592
  4. Porto tem 1414
  5. Loures tem 1352

Loures entra, assim, no top 5 dos concelhos com mais casos de covid-19 (+21 casos que ontem) porque ultrapassou Matosinhos.

Em comparação com os dados de quarta-feira, em que se registavam 1.497 mortes, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 0,46%. Já os casos e infeção subiram cerca de 0,9%

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, percentualmente, os 283 novos casos representam cerca de 2% de aumento, bem acima da média nacional.