Enquanto o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, dizia que que as escolas do país terão “necessariamente” de ser “sítios seguros” face à pandemia da covid-19, porque é “absolutamente fundamental” a retoma das atividades letivas presenciais, fui à escola para a reunião de encarregados de educação com a diretora de turma do meu filho mais novo.
Enquanto o ministro se mostrava ufano pelo início do ano letivo com atividades letivas presenciais, a professora confessava aos pais e encarregados de educação que as salas de aula não tinham aumentado nem em tamanho nem em número e que as crianças da turma eram as mesmas 28 do ano passado. Isto é, as crianças continuarão sentadas em carteiras duplas.
O ministro garante que as escolas são o sítio mais seguro onde o meu filho pode estar, mas a professora diz ser impossível cumprir com o distanciamento mínimo exigido pela Direção Geral de Saúde, dentro da sala de aula. E é na sala de aula que as crianças vão passar os dias, com aulas mais longas e intervalos reduzidos a 5 minutos onde nem à casa de banho poderão ir para evitar ajuntamentos.
Ao lado do ministro voluntarioso, o Presidente da República sentiu-se na obrigação de nos enviar uma mensagem de fé: “todos estamos interessados em que o ano letivo corra bem, é uma missão nacional, não é a missão de um governo, de um partido, de um sindicato, de um patronato, de responsáveis de escolas, de pais, de alunos ou de autoridades sanitárias, é uma missão de todos”. À minha frente, a professora explicava que a turma vai funcionar como uma “bolha”, é suposto que as crianças não brinquem com elementos de outras turmas a não ser aquela a que pertencem e não foi capaz de explicar como vão ser servidas refeições a mil e tal alunos num refeitório com 1/3 da capacidade normal. Se antes já era um pandemónio, como querem que seja este ano?
Sobre o ano letivo que “vai ser difícil”, o Chefe de Estado teimou que, dentro das suas dificuldades, vai ter de correr “o melhor possível” porque, se assim não for, é o país, as crianças e jovens, os pais, os professores, os auxiliares e os autarcas que perdem o ano. “E isso não é possível, não é concebível e não vai acontecer”, falou Marcelo. No final da reunião, a professora do meu filho encolheu os ombros e disse: “nas primeiras semanas não vai haver aulas de ginástica, o professor faz parte de um grupo de risco e vai meter baixa”.
imagem de capa do artigo “E quando a serra de Sintra arder, de quem será a culpa?”
Mas como não nos podem tocar, quem foram eles chatear? Um cidadão que nem tem nada a ver com o artigo, autor de um dos muitos comentários que proliferam nas redes sociais sobre o assunto em questão. Comentário que foi escolhido por mero acaso, podia ter sido outro qualquer.
O cidadão em causa foi tão incomodado que enviou-nos um email a pedir para tirarmos o seu nome (visível na imagem recortada).
É evidente que acatámos o pedido deste senhor, mas não deixamos de lamentar que as pessoas se continuem a dobrar às prepotências de quem acha que tudo pode, tudo quer e em todos manda. É claro que se trata de uma minudência, mas não deixa de ser representativa da relação de prepotência que existe entre o poder e a população que reclama.
E será que todos os outros autores de comentários sobre o mesmo tema foram igualmente importunados ou foi só o autor do comentário que escolhemos para integrar o artigo? Não resistimos em experimentar e, assim, vamos partilhar aqui mais uma dúzia de comentários retirados de diferentes páginas do Facebook que publicaram as fotografias do Alexandre Cibrão ou o artigo do Duas Linhas.
São apenas alguns exemplos da opinião dos sintrenses sobre este assunto. Não nos obriguem a publicar mais 150 comentários. Claro que se alguém quiser borrar a cara ou tapar o nome, avisem-nos que o pedido será imediatamente satisfeito.
Um Muro no Meio do Caminho, de Julieta Monginho (Porto Editora, 2017)
Náufragos – I
«O mal começa na rejeição do outro.»
Dormem na estrada, com a cabeça no alcatrão, a face contra o lancil da berma. São crianças. Centenas de crianças sem abrigo, estendidas no meio de sacos, sapatos, trouxas. A União Europeia chama-lhes menores não acompanhados e eu, sentada na beira do meu sofá, corrijo as notícias em voz alta: «São crianças, crianças órfãs.» Enfurece-me a asseptização do discurso, o branqueamento da realidade, a maneira como os poderes políticos se servem da linguagem para criar distância entre nós e os outros, escolhendo palavras desprovidas de carga afectiva, palavras que não fazem parte do nosso léxico sentimental. Menores não acompanhados: imagino um balcão da TAP com uma hospedeira sorridente acolhendo uma criança que vai viajar sozinha de avião pela primeira vez. Ouço menores não acompanhados, mas o que vejo na televisão são crianças que a Europa abandonou a meio de uma estrada. As noites sucedem-se e ninguém lhes dá abrigo. Dormem ao relento. Moria, a panela de pressão, explodiu. Os refugiados revoltaram-se, as chamas devoraram o campo. Ao inferno de Moria, infecto, contaminado, sucede um inferno ainda pior, sem tendas, sem refeições, sem água corrente, sem assistência.
Tiro da estante o meu exemplar de Um Muro no Meio do Caminho de Julieta Monginho e, guiando-me pelos cantos dobrados, releio parágrafos inteiros. A história repete-se, feita de impotência e desespero: «É preciso que ponham fogo a um campo para provar que ali existem pessoas encalhadas no pesado tempo que lhes coube? […] O fogo foi posto, mais do que uma vez, e nada aconteceu». As palavras fogo posto são repetidas nos noticiários, como se a possibilidade de ter sido um grupo de refugiados a atear as chamas ilibasse a Europa da criação destes campos que se assemelham ao Purgatório, campos onde, aos poucos e discretamente, os refugiados são votados ao esquecimento. Refugiados encerra a ideia de refúgio, mas não é um porto de abrigo que espera estas levas de sírios e afegãos que encalham nas ilhas gregas. «Fugir da morte certa e encontrar o quê?», pergunta Monginho. «Muros, insultos, fronteiras», «os passos em volta de uma jaula».
Neste romance que ganhou o Grande Prémio da APE, a autora dá voz aos refugiados e corpo às mulheres. «É no corpo delas que começa a dor. São elas a parir e a ver partir os seus meninos – os soldados, os mortos. São elas que escondem a vergonha, limpam e ordenam, calam e renunciam. Seguindo os homens, a sua fúria, a sua loucura, a sua ousadia. […] São elas quem sofre sem poder levantar a voz contra a fome de poder. Elas, que conhecem a fome primordial, o sangue primordial, nada podem contra a voracidade que avassala os machos, e os leva a prolongar o corpo nas armas de matar e de morrer.»
Vítimas da violência dos adultos, as crianças de Moria dormem na estrada, à espera que alguém as recolha, acolha, lhes dê um futuro. O livro de Julieta Monginho abala-me e, como um náufrago, agarro-me a duas linhas de esperança: «São duras, as fronteiras», diz a autora. «Mas as palavras são mais fortes, as mãos dadas, os pés prontos para dançar e caminhar.»
Appunti per un naufragio, de Davide Enia (Sellerio Editore, 2017)
Náufragos – II
«E eu? Existe um porto para mim?»
«Sabes o que se obtém fechando demasiadas pessoas num espaço tão reduzido?», pergunta uma das vozes de Appunti per un naufragio, referindo-se a um centro sobrelotado que acolhe migrantes em Lampedusa.«Raiva. É assim que se criam bestas. E, de facto, rebentou uma revolta, com colchões a arder e uma ala incendiada.» A literatura não tem de ser militante, engagée, mas gosto cada vez mais de livros que me falem de temas incómodos e me desassosseguem. Uns dias depois de eu ter recomendado Um Muro no Meio do Caminho a uma amiga italiana, ela enviou-me o livro de Davide Enia, que ainda não foi publicado em Portugal. «Quando cheguei ao fim, chorei», confessou-me ela. Eu também.
Durante três anos, o dramaturgo e encenador italiano viajou para Lampedusa, a ilha mais ao sul da Europa, para recolher as histórias dos vários naufrágios e salvamentos, dos muitos socorristas e inúmeros migrantes, histórias de vida e morte no mar. O resultado é um texto profundamente poético e comovente. Lampedusa pertence às Pelágias, arquipélago simbólico que «representa o ponto de encontro entre dois continentes, África e Europa». Ao contrário das suas irmãs, Linosa e Lampione, «não tem origem vulcânica, porque faz parte da placa tectónica africana». E são africanos os migrantes que diariamente as autoridades italianas resgatam ao largo de Lampedusa. «O que está a acontecer agora no Mediterrâneo pode ser visto como uma antecipação do futuro», explica uma das personagens, «aquilo que se separou [as placas tectónicas] está a unir-se. O movimento, o deslocamento, a migração fazem parte da própria vida do planeta. Migram os pássaros e migram os peixes, movem-se os mares e deslocam-se as manadas e os continentes. Acontecerá. Já está a acontecer. África aproximar-se-á e instalar-se-á em cima da Europa e do que resta dela.»
Enia dá voz aos homens que todos os dias respondem a pedidos de socorro e desafiam a morte para resgatar desconhecidos que, no mar, não têm cor, etnia ou religião. Com invulgar empatia, conta-nos fragmentos de vidas, ciente, porém, de que «as nossas palavras não conseguem captar plenamente a verdade» dos migrantes. «A história da migração serão eles próprios a contá-la, os que partiram e que, pagando um preço inimaginável, chegaram a estas praias. […] Eles empregarão as palavras exactas para descrever o que significa alcançar terra firme, depois de escapar da guerra e da miséria […]. E serão eles que nos explicarão em que se transformou a Europa e nos mostrarão, como um espelho, no que nos transformámos nós próprios.»
O texto de Davide Enia relembra-nos quem somos, remete-nos para a nossa humanidade. «Das zonas de guerra não se foge de avião», escreve. «Foge-se a pé e sem visto, pela simples razão de que não se emitem vistos. Quando a terra acaba, é preciso subir para dentro de um barco. Começo, assim, pela origem, já que é só uma, a fonte da qual emana a água que nos mata a sede. No fundo, é sempre a mesma história que se repete. Uma jovem fenícia foge da cidade de Tiro, atravessando o deserto até ao fim, até os pés não poderem seguir em frente, porque em frente está o mar. Encontra, então, um touro branco, que se agacha e a acolhe no seu dorso, transformando-se em barco e sulcando o mar, até chegar a Creta. A rapariga chama-se Europa. Esta é a nossa origem. Somos filhos de uma travessia de barco.»
O medo de ter opinião está a entranhar-se na sociedade portuguesa por culpa da Justiça. Quem pode beneficiar com isso são aqueles que preferem viver sem crítica e sem escrutínio popular.
Vejamos o caso do primeiro-ministro António Costa que, de repente, pode ficar com a sua vida política feita num oito. Deixou-se seduzir pela síndrome de Marcelo -que a todos acode e a todos perdoa- e meteu-se na lista de apoio a Luís Filipe Vieira no Benfica.
O jornalista José Gomes Ferreira saiu a terreiro e zurziu Costa numa intervenção na SIC. O vídeo foi partilhado e eu coloquei-o no meu mural. Passadas 5 horas fiquei impressionado. Nenhum dos meus quase 5 mil amigos de Facebook tinha deixado qualquer marca de crítica positiva ou negativa. Ou de simples leitura.
No vídeo, José Gomes Ferreira explica – com argumentos claros – a incongruência de António Costa fazer parte de uma Comissão de Honra de um homem que está pejado de processos e dívidas. Naqueles poucos minutos, ficamos a par de pormenores inauditos. Até parece uma teoria da conspiração. Mas não é.
Os casos judiciais são cada vez mais complexos e já só faltam alusões à Turquia, ao molho tártaro, ao cozido à portuguesa ou coisa assim. Tudo pega em tudo. E a Justiça arrasta-se pelos processos que implicam alguns senhores. A dada altura, nas suas intervenções, José Gomes Ferreira já parece um vidente. Quando não é.
A Justiça portuguesa tem sofrido enormes reveses e tem-se desforrado de quem denuncia a má Justiça. Por exemplo, um juiz de família pode dizer uma coisa em Tribunal e sentenciar exactamente em contrário. E não lhe acontece nada.
Um juiz pode pedir favores a presidentes do Tribunal da Relação e não serem divulgados os nomes dos juízes coniventes. Os serviços secretos podem ter escutas e provas sobre traficâncias, mas nunca servirão para nada, porque a escuta não foi pedida por um… juiz!
Este caso de António Costa revela uma ingenuidade assustadora. E é incrível como envolve o inventor da “geringonça”, o mágico Costa livrou-nos de Passos mas cai agora numa enorme esparrela.
O exercício da causa pública, a política, transformou-se num exercício semelhante ao futebol. E o resultado está à vista. Misturaram-se de forma, diria, escandalosa. Diria. Mas não digo. Porque também estou a ficar intimidado pelo facto de todos terem fingido que não viram a minha partilha sobre José Gomes Ferreira. Já senti este incómodo noutras ocasiões.
Quando coloquei um vídeo sobre os refugiados sírios. Ou outro sobre miúdos levados sozinhos a Tribunal, porque entraram sem ninguém e de forma ilegal nos EUA. Ou até sobre Afonso Dhlakama, morto na Gorongoza porque se tornou incómodo.
Eu pûs. Mas ninguém disse nada. E os posts ficaram como marcos num deserto imaginado erradamente por Mário Lino. Lembram-se? Mas se eu colocar um pôr-do-sol. Ou uma garrafa de vinho. Ou a foto do meu labrador… chovem likes e comentários.
Eu julgava estar a viver num País livre. Mas afinal estamos numa cidadania de precaução. Já premonitou Batista Bastos, o jornalista de má-língua, que tanta falta nos faz. Estamos todos a enterrar a cabeça na areia. A matar a liberdade. E a maravilha de podermos falar, criticar e ouvir.
A culpa é dos Tribunais com o peso da corporação e do Centro de Estudos Judiciários (CEJ). Os processos dos ricos e dos poderosos arrastam-se anos e permitem que um homem sob suspeitas graves concorra à presidência de um clube, arrastando um primeiro-ministro. E António Costa lá vai. Ingénuo ou talvez não.
Um conselheiro tipo Marcelo deve-lhe ter dito: só há um País, isto é um barco e o único que não rema é Paulo Morais. Reme senhor Primeiro Ministro.
Os restaurantes portugueses estão à beira da falência. 60 por cento irão fechar as portas em Janeiro, se houver segundo round de Covid-19 este Outono.
Mas isso não preocupa os ricos-que-vivem-de-negócios-opacos. Eles nunca comeram a 5 euros o prato. Ou compraram bolos a 80 cêntimos. Como é o caso de Ricardo Salgado, cujo processo soma milhões e milhões de prejuízo pago pelos portugueses.
Mas a catástrofe-anunciada vai dar um empurrão ao Partido Chega. E porquê?
A maioria dos restaurantes são pequenos negócios, um ganha-pão para milhares de famílias.
Já os grandes negócios são diferentes. Empanturram alguns penetras da economia-difusa e meia dúzia de famílias, clãs que até repartiam comissões ilegais de submarinos.
No início de 2021, mais de metade dos restaurantes fecharão as portas.
Mas o mesmo não acontecerá aos grandes negócios. Às auto-estradas ou à electricidade, por exemplo. Porque estão protegidos por uma “graça” chamada «renda». Quer dizer, se derem prejuízo os portugueses pagam. Se derem lucros, os donos arrecadam.
Com estas “graças” e com a ajuda do covid-19, vamos desgraçando as nossas vidas e empurrado o País para os braços da extrema-direita.
O desespero de quem quer trabalhar está em todo o lado. Vê-se na Baixa Pombalina, a sala de visitas de Lisboa. E nos bairros populares. Sumiram-se as pessoas. Os restaurantes estão vazios. As lojas sem ninguém. Regrediu-se 50 anos. Nem moradores existem, porque o presidente Medina deixou varrer os residentes, deslumbrado com turismo da mochila.
Já os ricos-que-vivem-de-negócios-opacos não têm estas mal-aventuranças. Acomodam-se satisfeitos na Quinta da Marinha, Restelo, Aroeira, Montachique, Ulgueira ou Montemor-o-Novo. Estão tranquilos, porque a «geringonça» é afinal mais meiga que o governo trauliteiro de Passos Coelho. Passos era agoirento. E afinal, Costa governa na mesma mas de sorriso.
Nos restaurantes, há anos, engordavamos ilusões com a «geringonça». E os ricos diziam cobras e lagartos do oportunista António Costa.
Mas a direita descobriu que, afinal, comunistas e bloquistas não mudam as coisas assim tanto. Ou mudam, na medida em que os 750 mil desempregados inibem-se de protestar porque o governo é de esquerda.
Deixem as pessoas passar fome. Continuem a pingar nas auto-estradas. Encham os bolsos aos chineses. Atafulhem os deputados de mordomias. Deitem abaixo o Serviço Nacional de Saúde. Arranjem mais rendas. E vamos ver onde é que isso nos leva. Teremos um Bolsonaro de barba mal aparada. Um Fidel ao contrário. Seremos um Brasil em ponto pequeno, onde não falta a poderosa IURD.
Levem o senhor André Ventura ao colo e vamos assistir à Europa civilizada a rir. Não da Bielorrússia mas de nós.
A população de Sintra não está a levar a bem as medidas da Câmara Municipal para proteção da serra de Sintra, em caso de alerta de perigo de incêndio emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Este texto está a ser escrito precisamente num desses periodos, fim-de-semana de 12 e 13 de setembro.
Como se vê no mapa do IPMA, por estes dias no distrito de Lisboa o alerta é de “muito elevado” e engloba o concelho de Sintra. Nestas circunstâncias, a Câmara Municipal corta todos os acessos ao Parque Natural Sintra-Cascais e, ainda, a outros pontos fora do parque.
Ninguém tem autorização de entrar nessas áreas, excepto residentes, transportes públicos e autocarros de turismo de algumas empresas.
Aqui começam os problemas. Outros operadores turísticos preteridos queixam-se de estarem a ser injustamente prejudicados. Tuk-tuks, UBER e outras pequenas empresas que há anos ganham a vida a transportar turistas pelos percursos turísticos de Sintra e Cascais estão à beira da falência. Durante todo o verão foram autorizados a trabalhar uma dúzia de dias. Do outro lado, apenas imposição, ausência de diálogo, nenhum apoio, zero de empatia.
Independentemente dos prejuízos que a arbitrariedade da Câmara Municipal causa aos operadores turísticos, a Lei que regula os alertas da Proteção Civil parece não estar a ser respeitada. O Decreto Lei 124/2006 – SDFCI (Sistema de Defesa da Floresta contra-incêndios), diz que em caso de “risco elevado de incêndio florestal”, nenhum veículo motorizado pode passar, excepto os de serviço público de transporte para assegurar a mobilidade de residentes e trabalhadores. Portanto, qualquer veículo que transporte turistas não pode passar. Em caso de alerta de “risco de incêndio muito elevado”, não é permitido aceder nem circular pelas estradas, caminhos florestais ou rurais, nem mesmo a pé, nem permanecer no interior das referidas áreas. E no entanto, os turistas passam e visitam a serra e passeiam-se por ali, eventualmente fumam um cigarro na frescura frondosa de um pinheiro enquanto admiram a paisagem. Esperemos que apaguem bem as pontas de cigarro com a biqueira da sandália. Achamos estranho que os editais da Câmara Municipal se sobreponham às leis da República.
Quando a Câmara Municipal manda fechar todos os portões que isolam a serra de Sintra, os residentes perdem o direito de passear pelo espaço público. Os turistas ingleses ou alemães podem ir, desde que paguem o bilhete pelo passeio organizado por uma das empresas autorizadas. Os cidadãos nacionais, os munícipes de Sintra, não podem. A não ser, é claro, que queiram integrar algum grupo de estrangeiros e pagar o que eles pagam para passear pela mata, admirar os palácios, perder o olhar na paisagem.
Os protestos ardem livremente pelas redes sociais. Da parte da Câmara Municipal não parece haver nenhuma intenção de apagar esse fogo.
Na página do Facebook de Alexandre Cibrão estão publicados vídeos e fotografias chocantes. Este cidadão decidiu passar pelas cancelas fechadas, subir a serra a pé e fotografar. E as imagens que ele trouxe são indícios de desleixo, exemplos de maus tratos à floresta, do verdadeiro perigo que ameaça a região.
Pilhas e pilhas de lenha seca, de troncos cortados, amontoam-se um pouco por todo o lado, à beira dos caminhos. Desbastaram algumas árvores, não recolheram a lenha. Parece um convite a que algum maluco chegue um fósforo acesso e uma dessas piras de madeira. Seria um espetáculo grandioso pelo qual a Câmara Municipal poderia cobrar um extra a turistas sedentos de emoções fortes.
fotos de Alexandre Cibrão
exemplo dos comentários que grassam pelas redes sociais sobre este assunto.
Ainda não aconteceu, mas as condições estão criadas e, segundo Alexandre Cibrão, durante a sua caminhada fotográfica de alguns quilómetros pela serra desde Azóia até à Peninha, não viu um único bombeiro de prevenção, nenhum polícia municipal de serviço.
O desleixo também é evidente na falta de manutenção das pequenas estruturas que ajudam a dar indicações aos visitantes.
Acreditamos que a situação carece de regulação superior, parece-nos evidente que alguma coisa não funciona na ação da autarquia, os sinais são preocupantes. Por isso decidimos contribuir para dar eco a esta questão, mais uma vez. Pode ser que, alguma vez, alguém oiça.
Há dias em que não se pode sair de casa, porque até as fardas dos melhores generais correm o risco de ir parar à lavandaria.
Vem este lugar comum a propósito do Infarmed e da nossa DGS, que, esta semana, foram alvo de críticas que ofendem a honra dessas entidades e ferem a consciência nacional. E para que equívocos não subsistam, peço que não confundam esta DGS com a outra, a PIDE, prestimosa Instituição que até já nem é para aqui chamada, porque há muito mereceu altas distinções e uma cuidadosa reciclagem, por parte de quem de direito.
Quem não se sente não é filho de boa gente. A “férrea” atoarda de que a DGS e o Infarmed “nada aprenderam com os erros do passado”, ainda por cima proferida à sorrelfa e por um alto responsável da nossa prestigiada República, só podia cair mal nos portugueses bem informados e de boa vontade: uma esmagadora maioria, que não se revê em “rodriguinhos” malévolos e traiçoeiros, nas “costas” de tantos que tanto se esforça pelo nosso bem.
Repondo a verdade e a justiça, urge reparar a honra dessas Instituições, que têm demonstrado notáveis desempenhos técnicos e científicos no combate à atual pandemia. A que acresce o preito de um tremendo esforço na aplicação de centenas de orientações tendentes a salvar um SNS que, por culpa dos profissionais e dos doentes, se encontra em “cuidados intensivos” e “coma induzido”, desde há meses.
Se outras pertinentes razões não existissem, só estes factos bastariam para, em devido tempo, terem sido suspensos os inúteis encontros semanais de trabalho, um péssimo hábito que também só alimentava a confusão no povo e agendas populistas.
Sucesso indesmentível, mas que rói as más consciências por até furar os olhos, também toda a coordenação tem sido exemplar: ainda esta semana a Ministra da Saúde censurava autarcas pato-bravos que sugeriam o uso obrigatório de máscara, “por acaso” a primeira medida recomendada pelo Primeiro-Ministro, no dia seguinte; enquanto isso, o PR, o exemplo maior de coerência no cumprimento de regras sanitárias desde o início da pandemia, atirava as culpas para o povo… que, como sempre, faz parte do problema e de vez em quando abusa, obrigando-o a entrar em confinamento.
Com tamanhas garantias de qualidade, não admira que João Leão, o novel Ministro das Finanças, tenha tranquilamente afirmado, na sua primeira entrevista à TV, que, pesem algumas “incertezas”, como a recente interdição aérea, a “recessão já bateu no fundo”, o salário mínimo terá um “aumento significativo” em 2021, o “investimento público subirá 20%” e, esquecido o pagamento dos calotes a empresas e privados, mas a gozar de “estabilidade fiscal”, o Estado está em condições de promover “novas contratações na função pública, em que o aumento da massa salarial será… superior a 2%”. Um milagre porque este “leão”, nos dois meses que leva de mandato, já conseguiu mais e melhor que o treinador do Sporting: não só renovou todo o plantel, como ainda espera por novas contratações, não vá o outro António, o Costa e Silva, tecê-las…
Mas basta de tanto ironizar sobre este “país-do-faz-de-conta”, afinal o melhor remédio que encontro para manter a sanidade mental. Passemos às presidenciais em que, talvez devido ao confinamento, também esta semana se multiplicaram as “reflexões pessoais” sobre um sistema político que, alegado por todos, “pode ser mudado por dentro”.
Há quatro anos, quando me debrucei sobre este tema, resumi a três “dês” as barreiras que o novo PR teria de vencer: o distanciamento em relação ao povo, questão entretanto disfarçada com selfies erráticas, mas despidas de empenho na resolução consequente de qualquer causa, popular ou não; o despesismo do Estado, uma afronta ao contribuinte que até sofreu incremento; e, por fim, a dependência face aos poderes político-económicos dominantes, santuário onde a atual Presidência também comungou.
Daí que, patriota que se revê no socialismo humanista e democrático, não possa atribuir “nota positiva” a um Presidente que, embora hábil na gestão política, nem as desigualdades e tensões sociais conseguiu travar.
Sendo um dos piores presidentes desde 1910, o elogio que Ana Gomes lhe dirigiu, ao assumir-se “candidata do socialismo democrático”, só vem reforçar a minha noção sobre a inabilidade política da candidata. Na verdade, sendo alguém que prestou relevantes serviços e mereça distinção, nunca, ao longo da sua vida, a vi interessada em reflexões coletivas e soluções consertadas, dentro ou fora do PS. Daí, que a sua demorada “reflexão pessoal” se centrasse em excessivas fulanizações, pessoais e não só, sem nenhuma ideia sobre Portugal tivesse sido expressa. É mentira?
Hoje como ontem, e ao contrário do que Ana Gomes defende e todos os demais candidatos praticam, nenhum partido político, nem sequer uma geringonça, muito menos uma só pessoa, conseguirá “mudar o atual sistema por dentro”.
Sem dúvida que os partidos políticos são a pedra angular de qualquer democracia, mas, sem um forte incentivo à participação da sociedade civil na agenda do Presidente, e sem orientações políticas coerentes e claras, não há mudança possível para Portugal. Tal como aponta a nossa Constituição, a nossa democracia não se pode esgotar em Partidos que se revelam agências de interesses e se perdem em combates tribais, em que nenhum código de ética e de honra é respeitado.
Para reequilibrar a intervenção da sociedade na toma de decisões coletivas, há que reforçar a presença de outros atores de importância fundamental, como sejam as universidades e as associações de estudantes, as ordens profissionais, os sindicatos e organizações patronais, as ONG e outras agremiações que, desinteressadamente, se empenham na defesa da arte, da ciência, da cultura e do património, afinal o cerne de um povo que tem de se orgulhar da sua identidade e dos seus egrégios avós.
Esta é uma crónica especialmente dedicada aos que, pelos anos 40 e 50, andavam pela freguesia de Cascais. Complementarmente, para os eventuais curiosos da história local e das transformações que o território foi sofrendo. Todas as achegas serão bem-vindas para completar recordações e preencher lacunas.
De Cascais para norte, duas eram as estradas principais: a EN nº 9, que, como já houve oportunidade de contar (veja-se Arquivo de Cascais 14 2015 96-105), ia até Alenquer, e que é hoje a Avenida de Sintra; e a EN 9-1, vulgarmente conhecida como Estrada da Malveira. Desta praticamente nada diz o Guia de Portugal (1924), limitando-se, na pág. 566, a indicar que há, da Malveira, uma estrada que «vai directamente a – 17 km, Cascais, pela Aldeia de Juz».
Vejamos, então, como se de uma via-férrea se tratasse, as estações e apeadeiros a encontrar, nessa altura, de Cascais até à Malveira.
Começava junto à Marelina e ao Jardim Visconde da Luz. E se me permito aludir a uma casa comercial é porque se tratava de uma loja de referência, numa época em que as meninas aprendiam costura, as modistas eram profissão importante e na Marelina se encontrava tudo o que era necessário para esse efeito, desde os panos a tudo quanto à retrosaria diz respeito. Não só por isso. É que, na parede do edifício, estava a placa do Automóvel Clube de Portugal a dar a direcção para Malveira e Collares, uma placa que se perdeu aquando das obras de remodelação do edifício.
A estação seguinte era a Estrela do Norte, uma das drogarias mais frequentadas, sita no renque de casas imediatamente a sul do imóvel onde estão as Finanças. Aí começa agora a Avenida do Ultramar, seguramente a mais pequena avenida de Cascais e, creio poder afirmá-lo, do País inteiro, porque termina a escassos 200 metros (se tanto) mais acima, no cruzamento com a 25 de Abril. E a questão foi que a esse troço superior, a coincidir com o trajecto da antiga Estrada da Malveira, se optou, devido a motivações políticas, por deixar da mão o Ultramar e dar-se-lhe o nome do saudoso Engº Adelino Amaro da Costa.
Passava-se pelo Hospital dos Condes de Castro Guimarães, cuja entrada era a nascente e encontrava-se o cemitério, já fora do perímetro urbano, portanto. Esteve activo mesmo depois de, nos finais do século XIX, se ter construído o cemitério da Guia; mas foi definitivamente destruído para, por ocasião das comemorações do VI centenário da elevação de Cascais a vila, em 1964, ali se erguer o edifício dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento. Tinha portão alto, encimado por graciosa decoração em ferro forjado, a sustentar a cruz.
Bonito Velho era a designação (saída decerto de alguma divertida história…) do grupo de casinhas que se encontrava do lado direito de quem sobe. Todas juntinhas em torno da estância do Eugénio das Neves.
Vinha depois o depósito d’água. Deliberada a sua construção em sessão camarária de 6 de Julho de 1898, sendo presidente Jaime Artur da Costa Pinto, executou-a o construtor Manuel Mendes Correia, segundo projecto de Manuel Ferreira dos Santos. Consta esta informação na placa de mármore que, na Rua António Andrade Júnior, no Alto da Pampilheira, encima a porta do actual reservatório. Do antigo resta toda a estrutura poente, confinante com o Bairro da Assunção, tendo sido aproveitada a parte superior para implantar mui agradável recanto ajardinado. Direi que tanto o recanto como a construção poderão passar despercebidos para a maioria dos transeuntes e aposto que parte significativa dos moradores do bairro podem ter visto a construção, mas não têm a menor ideia do que ela representa. Ora, o depósito de água era, pela sua posição cimeira, um ponto de referência na passagem e no trajecto. Em torno dele, terrenos cerealíferos onde, no Verão, nos íamos abastecer de formigas de asa para as ratoeiras dos pássaros…
depósito de água
No vale para norte se ergueram as primeiras casas do Bairro Operário José Luís, havia a taberna do Peixoto e, acima, a Barraca de Pau, com o Bairro da Felicidade a nascente, um núcleo de casinhas, aconchegadas à padaria, cuja chaminé ainda subsiste. Felicidade era o nome da mulher do Zé Martins, o grande empreendedor desse aglomerado populacional, cuja taberna era ponto de encontro dos locais com alentejanos e algarvios que por ali se fixaram, por trabalharem nas pedreiras próximas. Ainda se mantém, a poente, boa parte das instalações que Zé Martins criou, com maquinaria (e uma bonita carroça antiga, por exemplo), a merecerem atenção.
Daí até às Quatro Estradas (actual cruzamento de Birre) era um troço bordejado de mulatas. E, claro, importa não esquecer que o piso era todo de macadame! Percorria-o, a princípio, a única carreira para essa zona, da Palhinha – Cooperativa Lisbonense de Chauffeurs, que ligava Cascais a Sintra, com desdobramento, em dias de mercado, até à Malveira.
Subsiste por aí um bem curioso microtopónimo – Almosquia – a recordar heranças árabes; mas Casal Queimado levava-lhe a palma, pela fama do comércio de flores, nomeadamente de rosas, dos Cartaxos, uma das grandes riquezas desta zona de Cascais, abastecedora do Mercado de Ribeira, em Lisboa.
O Mato Romão é hoje S. Gabriel, o padroeiro das telecomunicações, designação derivada de ali se haver instalado, com solene inauguração, a 28 de Junho de 1968, a Standard Eléctrica, fábrica de semicondutores e elementos electrónicos. Era, então, um mato esburacado pelas pedreiras.
De seguida, Aldeia de Juso (a que, como se disse, o Guia de Portugal se refere), Charneca (e os seus fornos de cal), Fartapão, Alcorvim de Baixo e Alcorvim de Cima e, finalmente, Malveira. Aí, novas placas do Automóvel Clube de Portugal (essas, felizmente, ainda se mantêm) indicam, para nascente, Barão e Lisboa (Barão era o nome do Linhó) e, para poente, Colares.
Na Malveira descansamos, embora aí já não haja, como se anota no Guia de Portugal, crianças a «saltar ao caminho com grandes ramos floridos, que oferecem a troco de algum dinheiro». Há, porém, outros atractivos: bons restaurantes, bons ares, e encosta acima até Janes, moradias de fino recorte arquitectónico. A vila de Cascais fica lá ao fundo, a… 17 km!
(actualização em 16/09/2020). Fernandinha Borges teve a gentileza de me chamar a atenção: a Estrela do Norte não era drogaria, mas mercearia; e uma amiga enviou-lhe o cartão que é meu privilégio partilhar com todos, até porque é justamente desta forma que se faz a história local. Quantos cartõezinhos deste género não serão habitualmente deitados fora, quando se vasculha numa gaveta e, afinal, são simples papelinhos destes que nos ajudam a ser mais rigorosos e a manter as nossas memórias!… Bem haja, Fernandinha!
A TVI precisava de dinheiro fresco, à falta de um grande comprador decidiu vender-se às fatias… e é aqui que entra a sócia Cristina Ferreira.
Os novos acionistas da Media Capital, dona da TVI, tomam conta de cerca de 44% do capital da empresa, mas os espanhóis da Prisa ainda estão a vender o que sobra da parte deles ainda não se sabe a quem.
Pelo que li sobre isto, há de tudo nos novos acionistas da Media Capital, desde empresas de construção civil, hotelaria, comercialização de máquinas, importação e exportação, textil, por aí fora… a Cristina Ferreira, segundo as notícias, comprou um pouco mais de 2 milhões de ações, o que equivale a cerca de 3 por cento da Media Capital. É portanto uma pequena acionista.
Na verdade, a Prisa quer vender tudo o que tem, pulveriza as suas ações em fatias mais ou menos grossas consoante a vontade do cliente e diz adeus à TVI…
Agora, é provavel que o empresário Mário Ferreira seja o maior acionista da TVI… este empresário é dono de uma empresa de cruzeiros no rio Douro e já em maio passado tinha comprado 30% à Prisa.
De fora disto tudo ficou a Cofina.
Curiosamente, não é a primeira vez que acontece uma coisa semelhante na TVI… ou, melhor dizendo, não sendo semelhante, isto faz-me lembrar um estratagema usado pela TVI no ano 2000 quando à beira da falência a TVI decidiu arriscar tudo na compra do Big Brother, o reality show que mudou o panorama televisivo português.
Os direitos do Big Brother custavam 1 milhão de euros, foi oferecido primeiro à SIC, o Balsemão não quis gastar o dinheiro porque sabia que a TVI não tinha… pensou que não precisava de gastar 1 milhão para manter a SIC na liderança…
Acontece que na TVI trabalhava um diretor comercial chamado Rui Rodrigues que teve a brilhante ideia de reunir um sindicato de anunciantes do canal e propor-lhes a compra do produto, cada um entrava com 100 mil euros e, portanto, o Big Brother foi patrocinado por 10 desses anunciantes que juntos reuniram o milhão de euros necessário…
Este Rui Rodrigues foi depois, mais tarde, trabalhar para a RTP, agora não sei por onde andará, talvez tenha apanhado um avião para qualquer parte do Mundo…
O que interessa aqui realçar foi o efeito que o Big Brother provocou no mercado publicitário televisivo… a TVI passou para a frente e só agora, quase 20 anos depois, a SIC conseguiu reconquistar uma parte do mercado publicitário perdido… foram 20 anos a perder, custou-lhes muito mais do que 1 milhão de euros… e ainda dizem que o Balsemão é um grande gestor…
Agora a história repete-se, em parte… um grupo de acionistas, provavelmente já seriam anunciantes no canal, toma conta da empresa, gente de fora do meio mas que vêm dar um novo fôlego à TVI. A ver vamos porque não são eles que mandam nas questões editoriais do canal, mas certamente saberão escolher a administração certa, que saberá escolher os diretores certos, que são (em princípio) pessoas altamente especializadas, cada um na sua área, o diretor de programas, o diretor de informação, o diretor comercial, o diretor financeiro, convém que esses saibam da poda, que consigam gerir bem o dinheiro que os acionistas põem na empresa. Vamos ver se se repetem os efeitos ganhadores conseguidos pelo tal diretor comercial do ano 2000… e aí já tenho algumas dúvidas, mas vamos ver…
Cem mil computadores vão ser distribuidos já no 1º periodo letivo, no âmbito do programa Escola Digital que se destina a apoiar estudantes mais carenciados.
Numa nota à comunicação social, o Ministério da Educação refere que “a primeira fase do processo de universalização da escola digital está em curso”, contando, “já no 1.º período letivo, com a disponibilização dos primeiros cem mil computadores”.
Embora ainda sem data para o início da distribuição dos computadores, está definida a prioridade que é a de entregar esses computadores a alunos abrangidos por apoios da Ação Social Escolar.
O programa Escola Digital, que inclui a distribuição de computadores a alunos e professores, a capacitação de docentes e a disponibilização de “recursos pedagógicos digitais”, será cumprido “de forma faseada”, tendo como meta chegar a “todos os alunos e docentes das escolas públicas”, explica o Ministério da Educação.
O investimento estipulado para o programa, que visa a “universalização da escola digital”, é de 400 milhões de euros.
O ano escolar 2020/2021 arranca oficialmente, para os ensinos básico e secundário, entre 14 e 17 de setembro, retomando as aulas presenciais. Subsiste, no entanto, a hipótese de as escolas terem de avançar para o ensino misto ou mesmo à distância, dependendo estas medidas do eventual aparecimento de casos de infeção de covid-19 entre a comunidade escolar.
A Confederação Nacional das Associações de Pais defende que os equipamentos devem pertencer às escolas e estar disponíveis em caso de necessidade.