O que aprendeste na escola hoje?

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Muitos professores voltaram à escola esta semana, para reuniões de avaliação e atendimento aos encarregados de educação com a respetiva entrega de notas. O uso de máscara foi obrigatório, o distanciamento social foi observado e as aulas do próximo ano letivo estão agendadas para setembro como habitualmente.

Entretanto, o ministério anunciou um ano escolar mais longo para 2020/2021, com menos dias de interrupção na Páscoa e aulas até dia 30 de junho na generalidade. Ou seja, depois de um ano em que o confinamento, especialmente no 3º período, arrasou alunos, famílias e docentes, eis que a solução encontrada para suprimir lacunas de matérias é carregar e exigir mais dos elementos que fazem girar a educação no essencial.

O Ministério da Educação tem um sério problema com a escola. Nunca a encarou como lugar de qualidade. Tudo passa pela quantidade, dos números, das contas, dos documentos, dos estudos, do que quer que seja que mantem os seus intervenientes quase que em permanente estado de alerta, inundados frequentemente em cima da hora com alterações legislativas complexas e difusas, que apenas fazem eco desse navegar à deriva em que se tornou o grande barco do ensino.

Perante esta abordagem substancialmente numérica, tanto quem ensina como quem aprende têm sido meras cobaias de experimentalismos vários, de decisões tomadas em cima do joelho, para dizer que se fez alguma coisa de diferente, nem que seja basicamente ter mudado a nomenclatura e te-la tornado mais hermética e sempre fértil em novidades documentais, que as escolas e colegas papistas logo tratam de executar.

Reflexão? Dizer que não, que não serve? Não há tempo, não há vontade, não há força. Poucos serão os diretores verdadeiramente honestos intelectualmente que ponham o interesse do real saber e do equilíbrio de trabalho à frente da fotografia e dos seus próprios números. Aos que o tentam, mesmo encontrando pela frente uma tutela surda e muda, reconheça-se o mérito e a coragem.

A redução do numero de alunos por turma vinha mesmo a calhar, a bem de todos. Tínhamos este ano, em plena pandemia, uma hipótese de ver reduzido o número de miúdos concentrados em salas por vezes demasiado pequenas sequer para o professor circular, alimentando a indisciplina e afetando a qualidade do ensino e das aprendizagens.

A decisão do parlamento, há sensivelmente duas semanas, foi a de chumbar a proposta do BE neste sentido, aprovada apenas com os votos deste partido, do PCP, do PAN e do PEV. Assim, regressaremos em setembro com as salas cheias e de máscara, porque não parece que a situação de contágio esteja completamente erradicada até lá. Até aqui tudo bem, desde que haja também funcionários para desinfetar (nesta quinta feira, havia muitas, no feminino, disponíveis e simpatiquíssimas, como sempre). Ora isto significa que tem de haver pessoal auxiliar suficiente nas escolas todas, o que não corresponde à realidade.

Por outro lado, como manter o distanciamento social já em setembro com as salas com 28 ou 30 alunos? Trabalhar por turnos é uma hipótese, já várias disciplinas funcionam assim nalgumas horas por semana e os ganhos são manifestamente muitos. Os próprios alunos reconhecem um foco diferente e uma aprendizagem mais eficaz dessa maneira. Haverá salas suficientes? E professores? O ministério anuncia mais docentes para o próximo ano letivo, possivelmente indo buscar aqueles que pôs fora neste últimos anos.

As voltas que tudo isto dá não deixam de ser supreendentes. Como prever o imprevisível? Esta pergunta encaixa também na interrogação que constitui o início das aulas em setembro nestas condições. Isto se voltarmos, já agora. Esperando que sim, a verdade é que podem não estar reunidos os requisitos para tal. Para continuar em saúde e segurança.

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