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Descobrirpress despede mais 48

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Os 48 trabalhadores recentemente despedidos da Descobrirpress (nova designação da Impala Editores) vão impugnar o despedimento em tribunal.

Trata-se de um despedimento coletivo acionado em maio e formalizado em agosto. Até final de setembro todos os 48 despedidos já estarão afastados da empresa, mas com salários em atraso e indemnizações por receber. Jacques Rodrigues não se contenta em despedir, gosta de sangrar as suas vítimas.

Curiosamente, a Impala deve ter o recorde nacional de casos perdidos em tribunal. Assim de memória, lembro-me da indemnização de 730 mil euros decretada em 2013 pelo tribunal a favor de Pedro Santana Lopes por danos morais e patrimoniais causados por difamação publicada na revista Nova Gente. Lembro-me dos casos de Rita Blanco e Nicolau Breyner que ganharam uma causa contra a Impala, igualmente por danos morais. E lembro-me, ainda, da vitória de Manuela Moura Guedes em tribunal contra a empresa do Jacques Rodrigues. Mas houve muito mais casos, ao longo dos anos. Acontece que a empresa não cumpre com as decisões judiciais e muitas destas indemnizações nunca foram pagas e, assim, somam-se às dívidas a outros credores.

Nos últimos tempos, a sorte virou. Os conteúdos da Impala perderam impacto junto do público. A administração da empresa revelou-se incompetente para navegar nas novas plataformas de comunicação. Jacques Rodrigues “perdeu a mão” para o negócio. Quase sempre tudo lhe correu bem, desde as primeiras revistas pornográficas que publicou e distribuiu até às piroseiras da revista Maria.

Hoje, a gerência da Descobrirpress governa, entre outras, as revistas Nova Gente, Maria, TV7Dias ou VIP, além de várias publicações dedicadas à culinária e gastronomia. A empresa  justificou a decisão de despedir 48 pessoas com os efeitos da crise de saúde pública. Mas os trabalhadores falam em gestão danosa, falam em ganância que se concretiza na substituição de trabalhadores mais velhos por jovens muito mal pagos, precários, subalugados, sem direitos laborais. E falam em segundos negócios que se perfilam, estando a empresa já a adaptar os espaços onde dantes estavam as redações para outros fins comerciais.

Aparentemente, a  administração da Descobrirpress não pretende respeitar os direitos dos trabalhadores que despediu, nomeadamente quanto ao pagamento dos créditos laborais e das compensações previstas na lei. E por isso eles vão impugnar o despedimento em tribunal.

Trata-se de um plano orquestrado com tempo e algum detalhe. A Descobrirpress, fez em março ou abril um pedido para entrar em regime de layoff simplificado, mas o pedido foi recusado pelo Governo por a empresa ter um Processo Especial de Revitalização (PER) na Segurança Social desde 2017, logo, não pode ser abrangida por este regime de redução de pessoal uma vez que não ter dívidas à Segurança Social é um dos requisitos para ser aceite. Recusado o layoff, Jacques Rodrigues deu a ordem para executarem os despedimentos. É o que está a acontecer, neste momento. Em agosto, o grupo liderado por Jacques Rodrigues também foi excluído do plano de apoio aos media implementado pelo Governo. Finalmente, em 4 de julho, a empresa mete um novo pedido de PER que será decidido pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste.

Se o esquema for aprovado pelo tribunal, confere proteção contra credores, sejam eles empresas ou trabalhadores. Uma injustiça, do ponto de vista de quem tem dinheiro a receber das empresas de Jacques Rodrigues. As dívidas DescobrirPress (aka Impala) ascendem a mais de 50 milhões de euros. Boa parte da dívida é a empresas gráficas, mas a lista de credores tem 351 nomes. Mais de dois quintos dos credores (81,4%) são funcionários ou antigos trabalhadores que têm a receber 6,5 milhões de euros, segundo contas publicadas anteriormente neste site e em diversos órgãos de comunicação social.

A nova vida da TVI

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“A raiz é o que nos prende. É sempre o que nos prende. É aqui que reside a verdade das coisas e das pessoas, desbravando caminho. A liberdade é a recompensa da verdade. Acrescentamos-lhe compromisso. E inquietação”.

Fiquei esmagado -ficámos todos, presumo- com a profundidade do texto promocional da nova dupla de apresentadores do “Jornal das 8” da TVI, José Carvalho e Pedro Mourinho. Não é só a profundidade. É, também, a poesia da coisa. Já para não falar no cenário. E no desempenho dos actores.

Pois é isso, a representação, que se dispensa nos pivôs de apresentação dos noticiários. Daí ter muita dificuldade em compreender a decisão da TVI de desterrar Pedro Pinto, em minha opinião o melhor apresentador de informação da TV portuguesa, para a apresentação do jornal da hora de almoço. Trocam Pedro Pinto, o pivô mais natural do panorama televisivo, que recusa poses de plástico, por Pedro Mourinho, alguém carregado de poses artificiais. Pedro Mourinho é o “pés-ao-alto”. É, com os pés, o equivalente ao “esfrega-as-mãos” da RTP, Adelino Faria.

Ninguém me tira da cabeça que a decisão de trocar Pedro Pinto por Pedro Mourinho pertenceu a Nuno Santos. É director-geral, pode fazê-lo. Mas não deve tomar decisões com base em critérios de amizade. O que as administrações das empresas esperam dos seus funcionários, em especial dos seus quadros dirigentes, são decisões racionais, baseadas em critérios de competência e mérito.

Quando encarada a sério, a apresentação de um noticiário de hora e meia não é tarefa fácil. Começa de manhã e acaba à noite. Ora, sendo Pedro Mourinho sub-director de Informação, interrogo-me como conseguirá ele levar a cabo as duas tarefas. Alguma coisa há-de sair prejudicada, mesmo que execute ambas as tarefas a meio tempo…

Esta nova fase da vida da TVI suscita muita curiosidade. E não é só na informação, onde de passam coisas estranhas – li, algures, que João Fernando Ramos, responsável editorial no Porto (sub-director), fica na dependência directa de Nuno Santos e não do director de Informação. Na área da programação, a relação Nuno Santos/Cristina Ferreira há-de ser coisa muito interessante de acompanhar. No papel, é ele que manda. Carece de confirmação.

Sócrates tinha razão

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É chocante a notícia do cheque de 6,8 milhões de euros por dia, que a Europa nos vai dar a fundo perdido. Foi necessário a Alemanha precisar de dinheiro fresco, para o Banco Central Europeu desatar a oferecer dinheiro a todos os países da União. E a custo zero.

Ou seja, dinheiro não tem preço fixo, navega ao sabor dos interesses. José Sócrates tinha razão quando se riu da dívida impagável do País. E com tanta certeza do valor fictício do dinheiro que exagerou nos fatos e nos restaurantes.

Veio então Passos Coelho para repor uma ordem não necessária. E os portugueses pediram mil desculpas por terem comprado um plasma, uma varinha eléctrica e umas jantes para o automóvel velho parecer “racing”. Na contabilidade de Passos Coelho tínhamos de empobrecer e voltar a emigrar de mala de cartão. Tudo para nada. Ou melhor para dar liquidez aos Bancos que rogaram, à porta de cada partido, pelo resgate. Lembram-se? “Os pobres que paguem a crise” era a receita de Passos Coelho que até vendeu a estrangeiros os lucrativos CTT. Ainda hoje se ouvem laudas à suposta proeza de termos evitado um segundo resgate.

Razão tinha também Yanis Varoufakis, quando escreveu para a sua filha o livro “Quando a Desigualdade põe em risco o futuro”. São 186 páginas que se devoram num ápice. Ficamos a perceber que os mais-ricos querem ser mais ricos à conta de artifícios financeiros. Não estão preocupados com a economia. Não querem produzir bens úteis e acessíveis a todos e dar conforto aos povos. Querem apenas ser ricos e ter torneiras de ouro.

Desta vez, o Banco Central enviará, sem custos, todos os meses, 204 milhões de euros para Portugal. E muito mais para a Alemanha, França e Itália. A economia não pode parar, para não faltar comida e trabalho aos europeus, a começar pelos alemães, que são uns grandes comilões. Depois logo se verá. Porque a verdadeira questão é a sustentabilidade dos recursos do planeta e em especial, para nós, do espaço europeu.

Daqui a 12 meses terão chegado ao nosso País 2450 milhões de euros em tiras papel ou por números no computador.

Afinal quando Passos Coelho e Cavaco Silva zurziam os portugueses, era tão só uma casmurrice do homem que “raramente se enganava e nunca tinha dúvidas”. Andámos chocalhados. E a ouvir os impropérios de comissários europeus que nos acusavam de gostarmos de gastar dinheiro em meninas e vinho tinto. Fomos enganados, espremidos e alguns soltaram dolorosos “ais” de fome.

Fernando Ulrich, o banqueiro que veio do Expresso, ficou célebre com a sua crueldade. “Ai aguentam, aguentam”. E afinal aguentámos o quê? A recapitalização dos bancos, que durante anos compraram tudo, de seguradoras a agências de viagens. E agora? Agora riem-se. Um deles não sabe de 4 500 milhões de euros. O outro vendeu o Banco aos Catalães. O outro foi juntar-se ao Partido Comunista Chinês.

E nós?

Os muito-ricos continuam com os negócios de família.  Os assim-assim do apartamento na Lapa ou em Odivelas tornaram-se ferozes capitalistas.  Os restantes nem dão por nada, porque vivem para o trabalho, com o coração no futebol e as esperanças em Fátima.

Afinal mais-zero-menos-zero tanto faz. Importante é não parar a Economia. Que depois transvasa nas Finanças. Para depois alimentar os Mercados, que têm por detrás a mão dos muito-podres-de-rico. Daqui a 12 meses vamos ver se José Sócrates não volta a rir. Tal qual o José Berardo na Assembleia da República.

Os pobres que paguem as crises. 

Manifesto de mulheres contra o Chega

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Circula pela net em busca de assinaturas. Foi escrito pelo Movimento de Mulheres Ciganas , que repudiam o que foi dito durante a convenção do Chega. As assinaturas são recolhidas através do email  racismonao2020@protonmail.com ou na página do Facebook do movimento pelo que, quem quiser juntar o seu nome ao de muitas outras mulheres e homens indignados, basta contactar através de uma dessas vias.

O documento é o seguinte:

“O SNS está a ser comido pelos privados”, dizia António Arnaut

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132 euros é quanto custa no Serviço Nacional de Saúde, uma endo-colonoscopia com sedação sugerida pelo próprio SNS. 20 euros para isto, 10 para aquilo, mais 30 para outra coisa e mais 60 para análise dos pólipos retirados. Não sei quantas famílias portuguesas poderão fazer este exame essencial depois dos 50 anos de idade. Mas, disseram-me, se o utente conseguir provar ser indigente, então não paga nada. O SNS imaginado pelo advogado António Arnaut não é este. O seu financiamento devia ter origem exclusiva nos impostos que todos pagamos.

Nos últimos anos, ouvi de António Arnaut repetidas queixas, quando lhe dava boleia para o Hotel Excelsior, junto ao Largo Marquês de Pombal. António vinha a Lisboa de comboio, duas vezes por semana, comandar o Grande Oriente Lusitano e sentia-se cansado. Não chegou a bisar o cargo de Grão-mestre como muitos desejavam. Contou-me que conseguiu fazer aprovar o SNS sem ninguém perceber. Levou o assunto a discussão e votação na Assembleia da República e no meio da confusão dos primeiros anos da Democracia, a coisa passou sem se saber qual o impacto nas finanças públicas.

Dizia-me ele, “Achas que eu ia deixar as pessoas continuarem a morrer? Sem consultas, sem exames, sem medicamentos? Olha! Morreu, chegou a vez dele. Qual quê!” Com as devidas diferenças, António Arnaut teve um impulso semelhante a Marcelo Caetano, anos antes, quando alargou as reformas aos rurais. Os bem instalados protestaram, espernearam e aceitaram mal a entrada no sistema de quem nunca tinha descontado. Os principais a protestar foram os empregados das cidades e também os funcionários do Estado, que ainda hoje vão a uma consulta de especialidade por 4 euros, via ADSE.

Fechar urgências para beneficiar privados

Em Portugal, após 25 de Abril de 1974, nunca ninguém foi barrado à porta de um hospital, como acontece com os americanos. Mas um dia isso vai acontecer.

“É disso que tenho medo”, dizia-me António Arnaut, quando saíamos do Grande Oriente Lusitano a caminho do Hotel. António era um homem de ideias e ideais. Levou o seu projeto do SNS à Maçonaria de inspiração francesa para ali ser discutida. E foi. “Sabes? Se tivesse sido discutido no lado dos ingleses, seria um grande berbicacho, porque a saúde para eles depende do orçamento. Não é um abraço fraterno,” confessou Arnaut.

As preocupações de António estão hoje em cima da mesa, mas já são um muro. Os hospitais particulares prometeram ajudar o SNS. Para descongestionar. Mas não é verdade, afligia-se Arnaut. Na verdade, os grandes grupos económicos estão a comer o SNS.

O Hospital da Luz de Ricardo Salgado financiou-se com o fechar de porta, por exemplo, da ala pediátrica do Hospital São Francisco de Xavier. Depois das 19 horas, os pais e miúdos eram encaminhados para o Hospital da Luz. Apesar de existir um belíssimo edifício, bom equipamento e ótimos médicos e enfermeiros no Hospital São Francisco de Xavier. Foi também assim que Ricardo Salgado sacou dinheiro  ao Estado, ou melhor aos portugueses, para agora dizer não saber onde o meteu. No banquete até deitaram abaixo o mais moderno e recente quartel de bombeiros, para ampliar o Hospital da Luz. Já ninguém se lembra. Foi há meia dúzia de anos.

António Arnaut falava que “Há uma cambada de corruptos que fazem as vontades ao Salgado e amigos. Quando eu morrer, pá! Não deixes morrer o Serviço Nacional de Saúde. O Povo, os trabalhadores, os miúdos e os velhos quando não têm assistência na saúde morrem. Sabes?” E sobre a ADSE? “Nem me fales nisso, pá! São portugueses com duas caras. Protestam mas comem quando lhes interessa.” E depois dava uma gargalhada. “O Soares torceu o nariz, sabes? Mas disse-me: apoio, se achas que é bom. E apoiou!” Uma vez perguntou-me: “Achas que eles acabam com o SNS?” “Claro que não”, respondi eu.” “Mas um claro-que-não é um sim, pá!” E eu calava-me.

Saía e abraçávamo-nos. E ele entrava no Hotel Excelsior já curvado. “Não te cales”, acenava ele. Pois não! Paguei 132 euros no Hospital da Luz com uma requisição do Serviço Nacional de Saúde. E fiquei a pensar: e se eu fosse um dos 720 mil portugueses com salário mínimo e família para sustentar? O que fazia? Ficava calado? Ainda entreabri os lábios mas a menina do guichet foi clara: “eu sou funcionária, para reclamações tem o livro.”

O resto é paisagem..

Quando surgiu a pandemia, as escolas fecharam por serem locais de potencial desenvolvimento do contágio. Salas de aula lotadas, miúdos encavalitados uns nos outros em turmas enormes, escolas gigantes com milhares de crianças aglomeradas, professores envelhecidos e, em muitos casos, integrantes de grupos de risco em caso de contágio.

As escolas fecharam, o ano letivo cumpriu-se online. Houve meses para se preparar a reabertura, o desconfinamento, o distanciamento físico dentro das escolas. O governo prometeu segurança e investimentos em computadores para permitir novas técnicas de ensino.

Pouco foi feito, muitas promessas ficaram por cumprir, muitas expectativas foram frustradas, como revela o cartoon de Hélder Dias que publicamos hoje.

cartoon de Hélder Dias

Denúncia sobre atropelos à Lei que protege a Serra de Sintra

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Os animadores turísticos da zona de Sintra e Cascais, através da associação ANCAT, denunciaram a forma como a Câmara Municipal de Sintra está a gerir o turismo no concelho.

A denúncia foi dirigida, em forma de carta aberta, a todos os portugueses, mas os subscritores chamam a atenção especialmente ao primeiro-ministro, à Provedoria de Justiça, Ministério Público, aos ministérios da Administração Interna e Economia, Direção Geral dos Recursos Florestais, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Instituto Português do Mar e Atmosfera, entre outras entidades e, também ao Comando Territorial de Lisboa da GNR e à Câmara Municipal de Sintra, mesmo se algumas destas entidades são as visadas pela denúncia.

Resumindo, a ANCAT diz que a Câmara Municipal de Sintra não cumpre a Lei, no que diz respeito à proteção da Serra de Sintra em períodos de alerta de risco de incêndio. A acusação não é nova, mas é a primeira vez que os animadores culturais avançam com denúncias por escrito, depois de terem tentado sensibilizar a autarquia com manifestações de protesto.

“Vimos solicitar que se dê cumprimento ao estabelecido no DL 124/2006 – SDFCI (Sistema de Defesa da Floresta contra-incêndios) para a prevenção e mitigação de incêndios rurais e tendo como objectivo a proteção da vida humana (de quem lá vive, trabalha e visita) e preservação da Serra de Sintra que é Paisagem Cultural e Património Mundial da UNESCO”, lê-se na carta.

extrato da carta aberta

Apesar de terem estado quase todo o verão sem conseguir trabalhar, tal como explicam no documento, o que estes profissionais do turismo exigem é que a Lei seja aplicada de modo igual a todos, sem discriminações nem favorecimentos.

A Câmara favorece a empresa Scotturb, através de um estratagema curioso. A carreira 434 integra o sistema de transportes públicos de Sintra mas é utilizada para transportar turistas que pagam, não a tarifa normal de passageiro mas a tarifa turística “Hop-On Circuito Pena”. Aliás, nesta carreira não são aceites outros títulos de transporte (passes sociais), segundo os denunciantes. Assim, quando apenas deveriam poder circular residentes ou trabalhadores, são turistas que enchem os autocarros muito para além dos limites convencionados pela Direção Geral de saúde em tempos de pandemia.

A ANCAT diz que apesar de em dias de alerta de risco de incêndios ninguém poder circular dentro do  perímetro a salvaguardar, os turistas vão alegremente visitar palácios e castelos, as matas e os jardins da Serra de Sintra. “Está a ser permitida e até incentivada a circulação a pé dentro das zonas criticas, a turistas nacionais e estrangeiros, quando a excepção se refere única e exclusivamente residentes e/ou trabalhadores. Em dias de risco de incêndio muito elevado, funciona a Carreira 433, que em S. Pedro tem um funcionário com farda da Scotturb que leva os turistas a meio da Calçada da Pena e os incentiva a continuar a pé até chegarem ao Palácio da Pena sem qualquer acompanhamento”, concretiza a ANCAT na denúncia que faz.

Ou seja, todos os operadores turísticos são prejudicados, excepto a Scotturb. As pequenas empresas, em 72 dias (desde dia 5 de Julho) puderam trabalhar apenas em 13 dias, tantos quantos os dias em que o concelho de Sintra não esteve sob alertas de incêndio emitidos pela Câmara Municipal de Sintra com base nos indicadores facultados pelo IPMA.

A denúncia da ANCAT engloba a solução para o problema. A primeira condição é instalar uma estação meteorológica na Serra de Sintra, área que beneficia de um microclima húmido, de céu muitas vezes nublado, que o actual sistema de previsão meteorológica do IPMA não contempla.

“Na maior parte dos dias em que se verificou um Risco de Incêndio Elevado ou Muito Elevado, a Serra de Sintra encontrou-se coberta de densa neblina, com um elevado índice de humidade (onde a cacimba e chuviscos foram uma constante) com temperaturas máximas de 22 graus e vento fraco a moderado. Em comparação nos mesmo dias a zona de Cascais tinha temperaturas de 30 graus”, dizem os animadores turísticos.

Instalar uma estação meteorológica é fácil e barato. O IPMA tem a tecnologia para tal e a Câmara Municipal tem o dinheiro suficiente a criar bolor nas contas bancárias.

Depois de instalada a estação meteorológica, será necessário que a Câmara Municipal queira tratar todos os agentes económicos e turísticos do concelho por igual. Sem amiguismos.

Fiquei marfado!

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Não, não foi com o que li no 2º tomo da «Geografia histórica de todos os estados soberanos de Europa…», saído em 1736, da oficina de Joseph Antonio da Sylva, situada na Lisboa Occidental e da autoria de Luís Caetano de Lima.

Diz-se lá – e muito bem! – na p. 320, que, nessa 1ª metade do século XVIII, tinha Faro 8 paróquias, a saber: Conceição, Estoy, S. Braz de Alportel, S. João da Venda, Santa Barbara de Nexe, Olhão, Pexão e S. Sebastião de Quelfez.

Sobre S. Brás de Alportel, informa: «Está a 2 léguas de Faro e 1 de Estoy e tem 704 fogos, com 2552 almas» (p. 320-321).

Ficamos, assim, com uma ideia dos lugares de maior relevo na altura, pertencendo hoje, alguns deles, a concelhos diferentes, que de Faro se separaram: Olhão e S. Brás.

Por conseguinte, nada a opor.

O que me marfou foi um mapa consultável na Biblioteca Nacional Digital que amiga simpática, sabendo-me natural desse reino, fez questão de me remeter. Desencantara-o Andreia Fidalgo, no passado 19 de Agosto: «Um mapa do Reyno do Algarve nos finais do século XVIII». Busque-se «Mappa Geografico do Reyno do Algarve»ou http://purl.pt/29070/2/ e facilmente se acederá a esse mapa, bem minucioso, passível de ser ampliado, datado de 1791 e elaborado pelo Eng.º Baltazar de Azevedo Coutinho.

E que se lê por lá que me pôs os cabelos em pé? Então não é que marca o «Caminho de Faro para Lisboa» a passar por S. Bárbara e por Loulé em direcção ao Ameixial, este já no limite com o «Campo de Ourique»? Caminho de Faro para S. Brás não há; caminho de S. Brás para norte não há também! A povoação está na planura, guardada pelo Cerro de Guelhim e vigiada pelo Cerro de S. Miguel.

Pode lá ser? Agora que embandeiramos em arco com a E. N. 2, que estamos encantados com a Calçadinha, vem lá um tal de Baltazar pôr tábua rasa nisso tudo e esquecer-se que a palavra «Alportel» radica em «porta» e que era por aí, por essa «porta», que o povo se aventurava para norte, em demanda da capital!…

Temos mesmo que ver bem se o Sr. Engenheiro se não desviou de mais!…

                                                                       

(Publicado em Notícias de S. Braz [S. Brás de Alportel], 20-09-2020, p. 13.)

Um milhão de pessoas usa a aplicação no telemóvel

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Dados hoje divulgados indicam que a aplicação de rastreio StayAway Covid já foi descarregada por mais de um milhão de pessoas, dezanove dias após o seu lançamento.

Segundo afirmações do responsável pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, só na primeira semana o SNS 24 recebeu 20 mil chamadas de pessoas que, através da aplicação, foram informadas de que estiveram em contacto com alguém infetado.

A aplicação móvel permite rastrear, de forma rápida e anónima e através da proximidade física entre smartphones, as redes de contágio por covid-19, informando os utilizadores que estiveram, nos últimos 14 dias, no mesmo espaço de alguém infetado com o novo coronavírus.

Os responsáveis pela Direção geral de Saúde ainda não comentaram estes números e não se sabe que ilações tiraram. O rastreio funciona quando alguém que está infetado introduz no sistema essa informação.   O que está a criar alguma confusão é a questão de pessoas infetadas andarem a circular pelas ruas, quando seria suposto estarem em confinamento. Da mesma maneira, as pessoas não sabem quais as consequências de terem sido sinalizadas pelo sistema como tendo estado em contacto com alguém contaminado. Vão ser rastreadas? Vão ficar confinadas preventivamente? Que ações já foram despoletadas a partir deste sistema relativamente a pessoas que tenham tido contacto com infetados?

No dia do lançamento da aplicação, o primeiro-ministro, António Costa considerou que instalar nos telemóveis a aplicação Stayaway Covid é um “dever cívico” para travar a pandemia enquanto não existir uma vacina.

Contudo, a organização de defesa do consumidor Deco Proteste colocou reservas à instalação nos telemóveis desta aplicação, invocando a possibilidade de uso não-declarado e indevido de dados pessoais pela Google e Apple.

De volta à carteira da escola

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Esta semana deu-se o regresso dos alunos às escolas públicas. Como professora, senti uma alegria enorme em revê-los e, curiosamente, foi provavelmente o ano em que não senti nenhuma espécie de ansiedade. Foram dois dias muito bons, apesar das circunstâncias e das restrições por elas ditadas. A emoção do reencontro com os miúdos mais pequenos foi particularmente forte, embora sem nenhum abraço. De parte a parte. Muita vontade em poder faze-lo.

As indicações da DGS e da DGEST chegaram em pleno verão. Muitas direções não tiveram férias e o esforço para assegurarem um regresso em segurança da comunidade escolar foi notório- Essas indicações foram de caráter geral, embora claras, ou seja, cabia às escolas zelarem especificamente pela observação das mesmas tendo em conta o contexto escolar e os espaços de cada uma.

Nestes dois dias, apercebemo-nos de que não trabalharam todos da mesma forma, isto é, as medidas de contingência aplicadas variaram muito de agrupamento para agrupamento. Como habitualmente, quando as leis ou as recomendações são vagas, prestam-se a diferentes interpretações. E também sabemos que as chefias diferem na visão, estratégia e eficácia.

Muitos pais, desta forma, não estão contentes. Compreende-se que, até por comparação, desejem as condições ideais para a frequência das aulas com segurança e saúde. Compreende-se a sua preocupação, até angústia. No entanto, pessoalmente considero que se deve dar reforços de confiança, serenidade e positivismo a filhos e miúdos em geral, alunos, na perspetiva combinada de mãe e professora.

Os mais novos reagem bem às conversas francas, de esclarecimento no que nos é possível esclarecer, de informação e de tranquilização. Se pudermos acrescentar doses de humor, melhor. Brincar com a máscara, com o filme de ficção científica que estamos a viver, com a situação imprevisível, descontraindo a miudagem e nunca o contrário. Da mesma forma, não podemos desvalorizar o problema, considerar as medidas um exagero, e, pior, comparar as mesmas a viver numa prisão, como me apercebi que tem acontecido também.

Os miúdos estavam presos em casa, durante o confinamento. Se no início até soube bem a todos, fazendo-nos valorizar o nosso ambiente doméstico e estar mais atentos a coisas mais simples que também nos fazem em, a longo prazo o isolamento social que o lockdown comporta é, ele sim, altamente pernicioso. Os miúdos precisam da escola. Do convívio, do recreio, do ar livre, do desporto na escola, até das aulas chatas.

Interagir com o outro para além das máquinas é viver com mais intensidade. Traz riscos, porque lá fora há sempre risco, mas faz crescer, evoluir, ganhar defesas, seguir em frente. O real é sempre preferível ao virtual, a vida na diversidade é sempre preferível à bolha de sempre, a escola é sempre melhor do que qualquer telescola ou ensino totalmente à distância (misto, por exemplo, já é uma abordagem deveras interessante, e tal vai acontecer com as aulas de apoio, pelo menos na minha escola).

Posto isto, welcome back, c’est la rentrée, um bom ano letivo para todos, com responsabilidade, prevenção e esperança.