Início Site Página 511

Queremos é pechinchas!

0

No Dafundo, na Avenida Marginal está o retrato dos nossos últimos 50 anos de desenvolvimento económico: meia dúzia de ricos encavalitados nos milhões de portugueses.

Por ali passam milhares de carros e passageiros da Linha de Cascais, todos os dias, mas indiferentes…

A ambivalência fez-nos reivindicar uma vida melhor e, ao mesmo tempo, comprar melão importado da Argentina ou camarão do Vietname. Tornámos o Continente e o Pingo Doce no 5º e 6º maiores importadores nacionais e que exportam… zero!

Engordámos os que pagam a pêra rocha ao agricultor a 30 cêntimos e depois a metem à venda a mais de 1.30 €

Afogamo-nos em casas na periferia construídas a 700 euros/m2 e que pagamos a 1500… uma pechincha, com lareira e aspiração central, no cimo de um cabeço qualquer.

Produzimos apenas o trigo para duas semanas do ano. Mas o que queremos é futebol, porque nunca leremos o “Ensaio sobre a Cegueira”.

A burocracia não faz luto

0

Quando faleceu um familiar muito próximo, fiquei logo com a sensação de que antes de poder começar a fazer o luto, iria precisar de enfrentar o Adamastor das pendências burocráticas vigentes. Só não sabia que esse Adamastor mais parece uma Hidra de Lerna com um sem-fim de cabeças pronto a sugar toda a energia positiva (e algum bem-estar psicológico, já para não falar do dinheiro) de alguém que já tem o que enfrentar. Acontece que, para informação dos leitores, há um sem-fim de regras a seguir para cumprir com o que popularmente se chama “dar baixa do número de contribuinte”.

Tendo o óbito ocorrido nos fins de Maio, consegui o milagre aparente de ir à repartição de Finanças da minha área de residência em meados de Junho. Recordo que a lei é clara: existe um prazo de 90 dias a contar da data do óbito para se fazer isto, sob pena de serem aplicadas coimas. Avisei a empresa onde estou a trabalhar, porque apesar de estar em tele-trabalho, é conveniente não abusar da sorte sobretudo quando se é uma trabalhadora temporária que não sabe se vai ter emprego no ano que vem. Preparei alguns documentos aconselhada por uma advogada e mesmo com a marcação de dia e hora certos ainda tive de esperar. Que documentos exige o Código do Imposto de Selo? Certidão de óbito e cartão de cidadão da pessoa falecida, cartão de cidadão do (s) herdeiros (s), certidão de registo predial de bens imóveis que a pessoa falecida tenha deixado, documentos a atestar a existência de bens móveis, documentos que atestam a existência de contas bancárias e de depósitos a prazo (caso haja), para dar alguns exemplos. Chego lá e surpresa! A caderneta bancária e os extractos dos movimentos 60 dias antes do óbito, obtidos via internet, não eram aceites “porque era a lei”. A funcionária atendeu-me a despachar, tanto era o trabalho que ela teria… ou não. Ou seja, eu tive de ir ao banco pedir a declaração a mostrar tudo isso. Assim o fiz. A declaração custou-me 76 euros. No banco do Estado. Levei duas semanas para que ma dessem e ainda tive de abdicar de uma hora de almoço para a ir buscar, porque a agência em causa tinha no máximo dez por cento do pessoal. Para uma operação (assinaturas digitais, pagamento em dinheiro, confirmação do pedido, etc.) que nem dez minutos levou, tive de esperar quase quarenta minutos. Quando eu falei isso à funcionária que me obrigou a esperar esse tempo todo e que não queria retomar o horário de trabalho atrasada, ela disse que o problema era meu. Esqueceu-se de que o (mau) funcionamento dessa agência bancária tinha tornado meu um problema que à partida nem o deveria ser.

Entretanto, descobri uma coisa: fica mais fácil tirar uma selfie com o nosso Presidente da República do que marcar uma ida às Finanças. Mesmo indo ao site da Autoridade Tributária, dias houve em que só na Amadora, ou em Sintra, ou mesmo em Mafra se conseguiria uma marcação. O que estava fora de mão e fora de questão para mim. Lá consegui marcar para dia 23 de Julho a ida a uma repartição, desta feita em Lisboa, e preparei-me como se fosse para um exame de Direito Fiscal.  Lá chegada mais cedo do que a hora aprazada, não fosse o azar da descoordenação dos transportes públicos tecê-las, revi os documentos enquanto esperava a abertura da dita repartição; acabei por entrar, desinfectei as mãos a pedido da funcionária, e depois de quinze minutos a trocar impressões com outra senhora contribuinte que estava à espera de vez para tratar de outro assunto, chamaram-me. Desta vez, no meio do azar, tive sorte: a funcionária foi afável e compreensiva. Explicou mesmo que não valia a pena preencher os quatro formulários respeitantes a este procedimento uma vez que ela própria ia inserir os dados no sistema informático (dados esses constantes nos documentos que por lei é obrigatório entregar) – algo que nem todos os funcionários explicam, como aprendi à minha custa. Entre assinaturas de vários documentos (que eram enfiados a custo debaixo do espaço milimétrico entre o tampo da secretária e a placa de acrílico, obrigatória nestes tempos) e o tirar de várias dúvidas, voltei a fazer novas descobertas: que a dificuldade de obter marcação na repartição de Finanças na nossa área de residência “são outros quinhentos” e que até nova ordem, o livro amarelo para fazermos reclamação de entidades do Estado está suspenso. Ou seja, o direito de reclamar se nos sentirmos mal atendidos ou prejudicados numa das muitas repartições ou departamentos da Administração Pública ficou “de molho”. Ainda bem que, na semana anterior, sem querer acreditar na kafkiana dificuldade em arranjar marcação para uma repartição de Finanças perto de casa, enviei um email ao gabinete do Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Fiscais a relatar a situação; ao que sei, esse email foi reencaminhado para a Autoridade Tributária e Aduaneira, onde aguarda resposta.

Em resumo, temos de estar preparados para estas questões como se fôssemos para uma guerra e ainda temos de ser mais papistas do que o Papa. Tudo indica que isso de fazer o luto “é para meninos”, uma vez que a máquina do Estado não pode parar… de obter dividendos dos costumeiros contribuintes. Porque há uns que são mais contribuintes do que outros.

Às vezes penso, e digo: Kafka era português. Só pode. Leiam o livro O Processo e terão uma noção.

Frasquilho de Veneno

Os investigadores do Ministério Público acusam o chairman da TAP de ter recebido pagamentos provenientes do “saco azul” do BES/GES. Há comprovativos de pagamentos em nome do próprio Miguel Frasquilho mas, também, em nome de vários familiares dele: o pai (sr. Fernando), a mãe (dona Suzete) e o irmão (Filipe).

Os fundos foram transferidos através de cheques emitidos pelo BES em Lisboa e de transferências bancárias a partir de contas da ES Enterprises (e da sua sucessora, a Enterprises Management Services) e correspondem ao pagamento de um prémio anual a Miguel Frasquilho.

Claro que nada disto está provado, a procissão ainda só agora vai no adro, mas o julgamento dirá se os Procuradores têm razão para duvidar da honestidade de Frasquilho.

Entretanto, o Duas Linhas tem o prazer de lhe oferecer um “frasquilho de veneno” pelo traço do cartoonista Hélder Dias.

Frasquilho de Veneno

Covid-19: três mortes e alguma incompetência

0

Nas últimas 24 horas, Portugal registou mais três mortes e 229 novos casos de infeção por covid-19 em relação a quarta-feira, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde.

Lisboa e Vale do Tejo é a região onde o aumento dos casos continua a ser mais significativo, contabilizando 75% dos novos casos, com 172 dos 229 contabilizados. Na zona de Lisboa ocorreram dois dos três casos mortais registados nas últimas 24 horas. O outro óbito registou-se na região Norte.

Nas últimas 24 horas, o número de pessoas internadas diminuiu para as 431 (menos oito) e nos cuidados intensivos continuam 59 pessoas.

Em relação à informação sobre os casos por concelho, a DGS recorda que apenas é atualizada às segundas-feiras, pelo que os três concelhos com mais casos confirmados indicados no boletim continuam a ser Lisboa, Sintra e Loures.

Loures quer sair da calamidade

Entretanto, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, considerou estarem reunidas as condições para que as duas freguesias do concelho que têm medidas mais restritivas possam sair na próxima semana da situação de calamidade.

Embora os números por concelho não sejam divulgados, o autarca de Loures afirma que “se se confirmar a trajetória de descida, quer do número de casos ativos, quer do número de novos casos diários, eu julgo que estão criadas as condições para as nossas freguesias saírem do estado de calamidade”.

Em causa estão as Uniões de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, e de Sacavém e Prior Velho, duas das 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa que permanecem em estado de calamidade poir decisão do Governo e da DGS.

“Os últimos números apontam para uma média de 19 casos diários, muito abaixo dos 30, 40, 50 que tivemos noutras semanas. Portanto, a situação está bastante normalizada”, considera Bernardino Soares.

Ao dizer isto, o autarca assume que os dados referentes à evolução da pandemia por concelho continuam a ser comunicados aos responsáveis autárquicos, mas não à população.

Na próxima segunda-feira o Governo reúne-se com os presidentes dos cinco municípios com freguesias em estado de calamidade para discutir e decidir o prolongamento ou não desta medida.

Controlo de chegadas insuficiente e inábil

Por sua vez, a Câmara Municipal de Lisboa quer mais segurança na entrada de cidadãos no concelho. A autarquia aprovou hoje uma moção do CDS-PP, subscrita por PS e PSD, para a criação de um sistema eletrónico para o cartão de localização de passageiro, destinado a quem chega a Lisboa via marítima ou aérea, vindo do estrangeiro.

Assim, a Câmara Municipal de Lisboa vai recomendar ao Governo e à Direção-Geral da Saúde a “criação de um sistema eletrónico ou aplicação que permita o preenchimento e o envio desmaterializados do cartão de localização de passageiro”.

Além disto, a autarquia lisboeta defende a obrigatoriedade de teste negativo prévio à realização de viagem.

O chamado “cartão de localização” do passageiro já existe, consiste num formulário onde o viajante deve identificar o local onde vai permanecer em Portugal, mas esta iniciativa do CDS destapa a aparente ineficácia do sistema.

Quando a moção aprovada diz que “de nada servirá um formulário que, sendo distribuído, não é recolhido depois de preenchido”, estamos conversados sobre a inoperacionalidade de um esquema que é suposto contribuir para o controlo da pandemia covid-19 em Portugal.

Mistério envolve compra de prédios de Lisboa

3

Há um grande mistério em torno da construção de milhares de casas em Lisboa, que ninguém sabe para quem são.

Em breve vão brotar mais prédios na antiga Fábrica do Açúcar, em Alcântara.

O mesmo vai acontecer no enorme quarteirão da Cervejaria Portugália, onde a Câmara teima pôr um edifício de 16 andares. A zona de Braço de Prata segue o mesmo caminho.

A primeira pergunta é de onde vem tanto dinheiro para tamanhos investimentos. A segunda será, de onde virá o dinheiro para os comprar? 
Em tempos de crise mundial generalizada, com a economia parada e os mercados em pânico, com um covid-19 que persiste, Lisboa volta a ser um paraíso.

Afinal para quem são estes milhares de apartamentos?… Se a grande maioria dos Lisboetas de fora e de dentro nunca tiveram “massa” para luxos, depois foram despejados e agora estão “fritos” com os reflexos do Covid 19.

A República merece uma explicação clara sobre este mistério. Antes que as compras acabem nas mãos do juiz Carlos Alexandre.

Amália, 100 anos

0

Se fosse viva celebraria hoje 100 anos de idade, Amália da Piedade Rebordão Rodrigues. A grande diva do fado que deu voz ao “Povo que Lavas no Rio” ou à “Estranha forma de vida”, poemas cantados como só ela sabia fazer, juram os fãs.

A celebrar a data, chega ao mercado (que é o que realmente interessa), com o selo da discográfica Valentim de Carvalho, uma caixa com cinco discos que incluem gravações inéditas da fadista em Paris, no âmbito do projeto de edição da obra completa de Amália Rodrigues (1920-1999), liderado por Frederico Santiago.

As celebrações do centenário do nascimento da fadista começaram hoje às 09:30, com uma missa de ação de graças celebrada pelo cónego Ricardo Ferreira na Igreja de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

Às 11:00, no Panteão Nacional, onde se encontra sepultado o corpo da fadista desde 2001, tem lugar a cerimónia de apresentação da emissão de selos comemorativa do centenário, pelos CTT – Correios de Portugal, com a presença, entre outras individualidades, da ministra da Cultura, Graça Fonseca.

No Museu do Fado, às 21:30, o fadista Camané, acompanhado pelo pianista Mário Laginha, atua, num “tributo singular ao seu legado universal”, interpretando os “temas mais emblemáticos” de Amália e Alain Oulman (1928-1990), compositor que “desenvolveu uma relação criativa muito marcante com a artista, pontuada pelo encontro definitivo da poesia clássica e erudita com o universo fadista”, anunciou a instituição.

O concerto não tem público presencial, mas pode ser seguido no Facebook, nas páginas do Museu do Fado, da Câmara de Lisboa e da EGEAC.

Também à noite, pelas 22:00, na antiga residência de férias da fadista, no Brejão, concelho de Odemira, realiza-se o concerto “Bem-Vinda Sejas Amália”, com direção musical de Jorge Fernando, ex-músico da diva, e a componente artística coordenada pelo fadista e apresentador José Gonçalez.

O elenco é constituído por Jorge Fernando, Ricardo Ribeiro, Katia Guerreiro, José Gonçalez, Marco Rodrigues, Fábia Rebordão, Sara Correia e Filipa Cardoso. A ministra da Cultura assiste também a este espetáculo, que será transmitido pela RTP2.

As celebrações do centenário do nascimento da criadora do fado “Primavera”, por diversas entidades, prosseguem até 2021.

Há selvagens defensores dos animais

1

Quem me conhece sabe que sou e sempre serei um defensor dos animais.

Abomino touradas e morrerei feliz se, quando a minha hora chegar, já não existir essa barbárie, pelo menos em Portugal. Mas isso não significa que não me preocupe com as pessoas e com todos os problemas sociais que proliferam à nossa volta.

Nos últimos dias não me foi possível acompanhar a atualidade, mas estou a par da desgraça que aconteceu em dois canis – na zona norte do país – e tomei conhecimento de que a proprietária terá, alegadamente, impedido que dezenas de animais fossem resgatados com vida. No entanto, não deixo de achar chocante as imagens a que assisti nesta noite de 22 de julho de 2020.

Alegados defensores dos animais, impediram a dita proprietária do canil de levar consigo alguns animais que estavam no seu veículo. E para levarem a cabo os seus intentos, cercaram a viatura, partiram vidros a pontapé, espelhos retrovisores com as mãos e insultaram a senhora com tudo o que a imaginação lhes permitiu.

Eu consigo perceber a revolta. Juro que consigo. Mas não me é permitido compreender a violência que foi utilizada nem o stress que acabaram por provocar nos animais com tal atitude.

E jamais poderei compreender que a revolta e o sentimento de justiça transformem seres humanos em selvagens sem freio.

Se há coisa que os animais nos ensinam é a dar amor sem esperarem nada em troca. E para além disso, ensinam-nos a perdoar porque eles perdoam-nos tudo. Sempre!

A justiça faz-se nas instâncias legais. O tempo da justiça popular já lá vai. Enquanto defensor dos animais e ex-voluntário na causa animal, devo dizer que me senti profundamente envergonhado.

De cada vez que nos tornamos iguais ou piores do que aqueles que criticamos, aquilo que pretendíamos defender cai por terra. Mas ainda há selvagens que acreditam que para alcançar a paz é preciso criar a guerra.

Abandonado à porta do Parlamento

0

O desinteresse dos portugueses pelos atos eleitorais está justificado por um emblemático prédio abandonado, há muitos anos, a 50 metros da Assembleia da República, na Calçada da Estrela.

O prédio demonstra que o artigo 65 da Constituição Portuguesa é letra morta, mesmo depois de ter sido mantido na revisão de 2005. O que diz o artigo 65, devíamos todos saber de cor. O ponto 4 diz que “o Estado e as autarquias locais exercerão efectivo controlo do parque imobiliário, procederão à necessária nacionalização ou municipalização dos solos urbanos e definirão o respectivo direito de utilização.” Mas todo o artigo é interessante. Leiam aqui.

O artigo 65 é letra morta para os deputados que por ali passam diariamente de popó. Não vêem.

Na Calçada da Estrela há, aliás, um largo portefólio de edifícios abandonados. Alguns dos edifícios da Calçada da Estrela têm dezenas de anos de abandono. E o Povo fica a pensar.

Covid-19: cinco mortes e um balde de água fria

0

Portugal regista hoje mais cinco mortes (quatro em Lisboa e Vale do Tejo) e 252 novos casos (215 em Lisboa e Vale do Tejo) de infeção por covid-19 em relação a terça-feira, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim, desde o início da pandemia até hoje registam-se 49.150 casos de infeção confirmados e 1.702 mortes.

Em todo o território nacional, há 439 doentes internados, o mesmo número do que na terça-feira, e 59 em unidades de cuidados intensivos, menos três do que ontem.

Vacina não é para já

A Organização Mundial de Saúde avisou hoje que não haverá vacinas para a covid-19 antes da segunda metade de 2021, apesar de “sinais de esperança” nos testes clínicos a decorrer. Quando notícias recentes apontavam para a possibilidade de haver uma vacina aprovada até ao final deste ano, a OMS vem deitar um balde de água fria como essa pressa.

Apesar de haver já três projetos de vacina na fase de testes em humanos, a OMS prefere dizer que se trata de potenciais vacinas que ainda não fracassaram, mas que ainda falta um longo caminho até algum desses medicamentos estar disponível pata toda a gente no mercado.

Fundamental é garantir que as vacinas sejam seguras e eficazes e isso levará tempo, diz a OMS.

Neste momento, há três projetos na fase 3 de testagem, um russo, outro inglês e um chinês.

ACABAR COM A PORNOGRAFIA

0

A frase mais certeira pertence a David Justino: “É um negócio pornográfico”.

A mulher muda de estação de TV como quem bebe um copo de água. Aparentemente, relações profissionais e pessoais não contam para nada. Se é que existem. Manda o carcanhol e o poder fictício. Uma mudança celebrada com muita hipocrisia e cinismo. Tanto da própria como da SIC, com votos mútuos de felicidades futuras.

Estranha-se é como a TVI, que há bem pouco tempo reclamava apoios públicos e vai recebê-los (3 milhões 342 mil euros), derrete esse apoio em apenas um salário e em apenas um ano. Isto merecia uma petição pública, dirigida ao Governo, no sentido de se pôr cobro ao apoio de milhões de euros em publicidade institucional com que vamos brindar a TVI. Sim, vamos, que o dinheiro é nosso, de todos os contribuintes.

A TVI entrou com tudo – dinheiro, direcção, administração e capital social. Deslumbrada, a mulher ficou derretida, de papo cheio. Conta connosco. Comigo não, conta é com os telespectadores que a seguem. Que estiveram com ela na TVI e depois na SIC. Espera, agora, que a acompanhem no regresso à TVI. Conta com o apoio dos tansos. Sim, sem eles, está tramada. Estão tramadas. Ela e a TVI.

Tenho dúvidas, porém, de que a TVI tenha entrado mesmo com tudo. Nada impede a SIC de entrar com mais dinheiro, duas minas de lítio lá para o nordeste e ainda uns terrenos na lua. E aí, se calhar, teríamos a mulher a mudar de novo para a SIC. Convicta de que os tansos que estiveram com ela na TVI, depois na SIC e de novo na TVI, não deixariam de a acompanhar, outra vez, num segundo regresso à SIC. 

Depois dos votos de felicidades, a SIC reagiu com uma paródia à mulher. Não é má ideia. Se for coisa bem feita, 3 vezes ao dia, no mesmo período em que a mulher voltar a aparecer, mas a horas irregulares, a coisa pode tornar-se feia para a TVI. Nas circunstâncias presentes, pode ser legítimo o recurso ao “vale tudo”. Se é para a desbunda, então façam favor, desbundem a sério – o pagode agradece.

Bonito, bonito, seria, porém, vermos os espectadores a acabarem com a pornografia. Bastaria, para tanto, que dessem um uso correcto aos telecomandos.

(o autor publica a mesma crónica no Jornal de Barcelos)