Covid-19: três mortes e alguma incompetência

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Nas últimas 24 horas, Portugal registou mais três mortes e 229 novos casos de infeção por covid-19 em relação a quarta-feira, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde.

Lisboa e Vale do Tejo é a região onde o aumento dos casos continua a ser mais significativo, contabilizando 75% dos novos casos, com 172 dos 229 contabilizados. Na zona de Lisboa ocorreram dois dos três casos mortais registados nas últimas 24 horas. O outro óbito registou-se na região Norte.

Nas últimas 24 horas, o número de pessoas internadas diminuiu para as 431 (menos oito) e nos cuidados intensivos continuam 59 pessoas.

Em relação à informação sobre os casos por concelho, a DGS recorda que apenas é atualizada às segundas-feiras, pelo que os três concelhos com mais casos confirmados indicados no boletim continuam a ser Lisboa, Sintra e Loures.

Loures quer sair da calamidade

Entretanto, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, considerou estarem reunidas as condições para que as duas freguesias do concelho que têm medidas mais restritivas possam sair na próxima semana da situação de calamidade.

Embora os números por concelho não sejam divulgados, o autarca de Loures afirma que “se se confirmar a trajetória de descida, quer do número de casos ativos, quer do número de novos casos diários, eu julgo que estão criadas as condições para as nossas freguesias saírem do estado de calamidade”.

Em causa estão as Uniões de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, e de Sacavém e Prior Velho, duas das 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa que permanecem em estado de calamidade poir decisão do Governo e da DGS.

“Os últimos números apontam para uma média de 19 casos diários, muito abaixo dos 30, 40, 50 que tivemos noutras semanas. Portanto, a situação está bastante normalizada”, considera Bernardino Soares.

Ao dizer isto, o autarca assume que os dados referentes à evolução da pandemia por concelho continuam a ser comunicados aos responsáveis autárquicos, mas não à população.

Na próxima segunda-feira o Governo reúne-se com os presidentes dos cinco municípios com freguesias em estado de calamidade para discutir e decidir o prolongamento ou não desta medida.

Controlo de chegadas insuficiente e inábil

Por sua vez, a Câmara Municipal de Lisboa quer mais segurança na entrada de cidadãos no concelho. A autarquia aprovou hoje uma moção do CDS-PP, subscrita por PS e PSD, para a criação de um sistema eletrónico para o cartão de localização de passageiro, destinado a quem chega a Lisboa via marítima ou aérea, vindo do estrangeiro.

Assim, a Câmara Municipal de Lisboa vai recomendar ao Governo e à Direção-Geral da Saúde a “criação de um sistema eletrónico ou aplicação que permita o preenchimento e o envio desmaterializados do cartão de localização de passageiro”.

Além disto, a autarquia lisboeta defende a obrigatoriedade de teste negativo prévio à realização de viagem.

O chamado “cartão de localização” do passageiro já existe, consiste num formulário onde o viajante deve identificar o local onde vai permanecer em Portugal, mas esta iniciativa do CDS destapa a aparente ineficácia do sistema.

Quando a moção aprovada diz que “de nada servirá um formulário que, sendo distribuído, não é recolhido depois de preenchido”, estamos conversados sobre a inoperacionalidade de um esquema que é suposto contribuir para o controlo da pandemia covid-19 em Portugal.

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