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Querem destruir a mesquita que está debaixo da Sé Catedral

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A Sé Catedral de Lisboa foi construída em cima de uma mesquita que ali existia em 1147 quando a cidade foi conquistada aos povos islâmicos que aqui viviam.

Os primeiros vestígios da existência da mesquita foram descobertos há mais de 20 anos e agora, mais recentemente, foram identificadas outras estruturas do que foi a Mesquita principal de Lisboa no século XII.

Escavaram no relvado que existia na zona central dos claustros e essas estruturas foram postas a nu. Os trabalhos devem-se à necessidade de solidificar e recuperar os claustros da Sé de Lisboa. A descoberta da existência da mesquita em vez de trazer alegria e felicidade aos amantes da cultura e da História, provocou uma polémica entre a Direção Geral do Património Cultural e o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia.

Em causa está a intenção de desmontar as estruturas da antiga mesquita, alegadamente para garantir a estabilidade do edifício, diz a Direção Geral do património Cultural. Os arqueólogos não estão convencidos e dizem que “não se pode destruir um elemento patrimonial tão importante, do ponto de vista histórico, patrimonial, da cidade de Lisboa; é impossível aceitar uma coisa dessas, principalmente no âmbito de um projeto que o visa valorizar. É uma contradição absoluta e inaceitável”.

A arqueóloga Jacinta Bugalhão diz que tem de haver “uma alternativa ao projeto arquitetónico, de modo a preservar todo o complexo”, que está debaixo da Sé Patriarcal e que, segundo ela, se estende por três pisos de profundidade ao longo da encosta onde está localizada.

Para apimentar este conflito, está em marcha uma petição pública dirigida ao presidente da Assembleia da República, para que seja evitada a destruição da mesquita que existe debaixo da Sé Catedral.

 A Sé de Lisboa é um dos mais antigos monumentos da arquitetura medieval de Lisboa e a sua construção foi iniciada imediatamente a seguir à conquista da cidade aos muçulmanos, em 1147. No mesmo local arqueológico existem outros vestígios, para além do período islâmico. As escavações arqueológicas já realizadas no claustro revelaram vestígios neolíticos, fenícios, romanos, visigodos, islâmicos e medievais, abrangendo 2.700 anos de História da cidade.

Covid-19 sempre a subir

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Números da pandemia covid-19 continuam a subir, em Portugal. Nas últimas 24 horas foram contabilizados oito mortes e 884 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

O número relativo ao total de mortes provocadas pelo covid-19 aproxima-se dos 2 mil, hoje o total atingiu as 1.944 mortes.

A Direção Geral de Saúde indica que seis das mortes foram registadas na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde também se verifica o maior número de infeções, um óbito ocorreu na região norte e o outro no centro do país.

No entanto, o número de internamentos baixou nas últimas 24 horas, registando-se menos nove pessoas, num total de 615 doentes internados com covid-19, assim como os doentes colocados nas unidades de cuidados intensivos, que segundo os últimos números são 85, ou seja, menos um.

Na região de Lisboa e Vale do Tejo foram notificados mais 472 novos casos de infeção, equivalente a 53,3% do total de casos registados hoje.

Uma morte desnecessária

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O baleamento mortal de uma jovem que roubava carros foi completamente desnecessário e é um novo embaraço para a PSP.

Todos anos, agentes da PSP sucumbem à  pressão e puxam com rapidez o gatilho, ignorando os regulamentos e o bom senso. E matam, feitos justiceiros.

A PSP tem hoje a melhor arma do mercado, a Glock 9 mm. É uma arma à prova de qualquer imprudência. Só dispara quando é accionado o duplo gatilho. E também tem um travamento adicional que foi encomendado apenas por Portugal, talvez para reduzir ao máximo a vontade de dar tiros.

O agente da PSP de S. João da Madeira matou uma jovem de 23 anos que podia ser sua irmã, filha ou familiar, dele ou nossa. Seria uma miúda desnorteada e com uma envolvência problemática. Mas não passava disso. Se fosse um banqueiro burlão, um empresário fraudulento ou um futebolista criminoso? O gatilho era puxado da mesma forma?

A utilização da arma do polícia só é permitida para defesa própria ou de terceiros, em caso de perigo de vida. Não é para “caçar” os “meliantes” ou “bandidos”. Não estamos num País de bons e maus cowboys, mas de cidadãos cumpridores e não cumpridores. E as armas não são instrumento de Justiça. Nem existe pena de morte.

 50 milhões gastos sem necessidade em armas

As armas quando disparadas põe em perigo o alvo humano e quem passa por perto. Quando faço as provas obrigatórias de tiro, como atleta de tiro de precisão, se desvio dois milímetros à saída do cano da arma, isso representa uma diferença de meio metro ao fim de 5 metros de distância.

Há 5 anos o País gastou perdulariamente 50 milhões de euros a comprar Glocks 9 milímetros. E a pergunta era, os polícias vão treinar tiro? Ou ainda, os polícias sabem as regras de utilização de armas de fogo? Mais, vão utilizar pistolas 9 milímetros para quê? Aguentam o “coice” da arma? Conseguem alinhar o segundo disparo? Não seria melhor o calibre 7.65, que tem menos “coice”?

E, já agora, onde foram despejadas as milhares Walther, Beretta ou Star, armas excelentes? Para o lixo? É evidente que o cidadão mais impulsivo gosta de ver polícias carregados de apetrechos, tipo robot-cops, e de arma leve, porque julga estar mais seguro.  Mas ele saberá que um projéctil de 9 milímetros atravessa a chapa de um automóvel e continua, acabando por atingir quem passa no local errado na hora errada? É bom lembrar a Polícia Judiciária. Actua em cenários de grande perigo mas ao longo dos anos tem tido uma taxa de acidentes próxima do zero. O que não acontece com a PSP ou a GNR.

Não somos ladroes, somos policias

Ainda me lembro de uma reportagem sobre uma criança de 14 anos, morta a tiro pelas costas por um GNR, no Bairro do Pica-Pau Amarelo, na Caparica. Alegaram que roubara, com um amigo, uma farmácia. Mas o nome da farmácia nunca foi revelado e o miúdo e o companheiro não tinham armas.

Também recordo o cerco de 600 polícias da PSP ao bairro do fim de pista do Aeroporto de Lisboa. As portas foram todas arrombadas, os homens e mulheres algemados no chão, com guitas de plástico e os miúdos escoltados em autocarros a caminho da escola.

Uma senhora de 85 anos disse-me. “Ouvi barulhão e pensei. São  os meus vizinhos a discutir às 7 da manhã. E pum! Uns malteses armados com umas pistolas deitaram-me a porta abaixo. Ó senhores ladrões! Não me façam mal, que eu sou pobre e velha! E eles responderam: Chui! Cale-se! Nós não somos ladrões! Nós somos da polícia! Partiram tudo e agora?”

A história e o depoimento da senhora passaram na TV. No rasto da operação policial ficaram dezenas de garrafas de cerveja vazias no café. E todas as gaiolas do senhor Joaquim foram abertas.

Aprofundando a questão do uso das armas por forças policiais, recordemos a criança cigana morta a tiro por um GNR, quando acompanhava o pai no roubo de 100 euros de cobre num armazém. Um tiro para quê? 100 euros? E se fossem os 4500 milhões de euros do BES? Era a Guerra dos Cem anos?

A PSP já teve à frente um juiz, Mário Morgado. Agora tem Magina da Silva, um ex-GOE (Grupo de Operações Especiais). O GOE tem sido, desde a sua formação em 1979, com o auxílio da SAS britânica, um suprassumo das polícias europeias. Distinguido pelo rigor, eficiência e acção em conformidade com a Lei e o Civismo. Pode ser que o gatilhanço termine.

A PSP somou agora mais uma vítima. Tinha 23 anos. Não roubou um banco, nem milhões euros dos portugueses. Tentava roubar um carro. Mas não iria longe.  De um lado Portugal tem o mar, do outro precisava de andar 600 quilómetros para chegar a Madrid. Pelo ar não sairia, não há aviões.  A jovem que podia ser nossa irmã, filha ou amiga não fugiria do País. Mas o tiro estúpido do agente, fê-la sair do mundo. Que tristeza.

Polícias não gostam das novas regras

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As novas regras de aprumo, apresentação e uso de uniforme na PSP não agradam a alguns agentes e já há sindicatos a fazerem pressão sobre o Ministério da Administração Interna e sobre a Direção Nacional da PSP, na tentativa de fazer recuar a diretiva do Diretor Nacional da PSP.

Os queixosos lamentam-se que as novas regras “impedem de forma grosseira direitos, liberdades e garantias dos cidadãos civis que escolheram a profissão de polícia”. O sindicato Sinapol divulgou a intenção de ir apresentar queixa na Procuradoria-Geral da República e de ir protestar junto da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O que dizem as novas regras é que os polícias que tenham tatuagens com símbolos, palavras ou desenhos de natureza partidária, extremista, racista ou que incentivem à violência têm seis meses para as remover.

As novas regras dizem que, futuramente, serão excluídos os candidatos ao concurso de admissão da PSP que tenham tatuagens proibidas, exceto aqueles que manifestem intenção de as remover até ao final do concurso.

Há ainda outras normas, talvez menos contestadas, que dizem respeito ao corte e cores de cabelo, barba e bigode, uso de maquilhagem, adornos como brincos, fios, pulseiras. Sim, porque muitos agentes da polícia são mulheres. No caso das unhas das mulheres polícia, por exemplo, estas devem ser pintadas de cor uniforme e não exceder três milímetros de comprimento e a maquilhagem deve ser discreta. Já os homens polícias têm de usar o cabelo cortado acima do colarinho da camisa, sem tapar qualquer parte da orelha e as patilhas devem ser aparadas em linha reta, não ultrapassando o limite da orelha.

Se os polícias acham que são a única classe profissional com regras de aprumo e apresentação, estão enganados. Há muitas profissões que obrigam a respeitar normas idênticas como, por exemplo, o pessoal de cabine das companhias de aviação. Ou os juízes e procuradores. Ou os militares das Forças Armadas. Ou os porteiros e rececionistas de hotéis. Exemplos não faltam, mas estes bastam para se perceber a questão.

O problema não é obrigar os agentes da polícia a terem boa apresentação (excetuando os casos dos agentes infiltrados no bas fond criminal…). Eles podem tapar as suásticas ou raspar os bonecos de cavaleiros medievais de armadura em cima de cavalos. Podem aparar a barba e cortar o cabelo. Podem tomar banho e não cheirar mal. Mas como vão eles tirar a “cruz gamada” da alma, é a questão que fica em suspenso.

fotomontagem

Ana Gomes e Paulo Pedroso

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transcrição da vídeo-crónica

A campanha para a eleição do Presidente da República de Ana Gomes vai ser coordenada por Paulo Pedroso. Caíu o Carmo e a Trindade, as beatas e os sonsos benzeram-se e vieram logo publicar comentários nas redes sociais: ai, eu não! Com o meu voto não conta! Já fostes! E coisas assim do género. Na verdade eu acho que essas pessoas nunca iriam votar na Ana Gomes, e agora estão apenas a fazer um número e um jeitinho ao partido.

O motivo de tanto repúdio é Paulo Pedroso ter sido acusado de  abuso sexual de menores no caso Casa Pia, o mesmo caso que condenou Carlos Cruz. Sobre Carlos Cruz pode ser que venha a falar noutra altura, mas sobre Paulo Pedroso falo já…

Primeiro, o homem não foi condenado por nada do que esteve acusado. Nem sequer foi a julgamento, porque o juíz de instrução criminal não encontrou evidências que sustentassem uma acusação em tribunal.

E aqui as pessoas têm de decidir se acreditam ou não acreditam na justiça. Porque não podem dizer que acreditam e depois repudiar todas as decisões que vão contra as suas crenças… não podem bater palmas só porque alguém foi condenado e patear quando alguém não é condenado… isso não é acreditar na justiça é querer ser justiceiro, é gostar de participar em linchamentos, coisa completamente diferente. 

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado português a pagar 68.500 euros a Paulo Pedroso devido a irregularidades processuais como, por exemplo, ter sido detido preventivamente sem haver indícios suficientes para a tomada de tal medida e por lhe ter sido sonegado acesso ao processo durante os meses em que esteve detido. Ou seja, alguém na investigação deste caso meteu a pata na poça…

Agora, Paulo Pedroso não devia continuar a ser julgado na praça pública. As pessoas que o fazem são gente sem princípios éticos ou morais, e são uns tristes endrominados por campanhas de intoxicação e de política baixa, política abjeta.

Ninguém tem de gostar do homem, mas insistir numa condenação sem provas é de uma maldade e de um preconceito incomensuráveis.

Não acredito que Ana Gomes não soubesse no que se ia meter quando decidiu acolher Paulo Pedroso na estrutura organizativa da sua campanha. Acho que ela tem experiência política e experiência de vida suficientes para prever os efeitos e as consequências do que diz ou faz.

Mas o que ela diz é que considera Paulo Pedroso um tipo competente e sério, um homem de esquerda e, acima de tudo, um amigo.

Ora, quem diz isto dá o peito às balas. E quem dá o peito às balas, ou é suicida ou tem a certeza de que os que disparam contra ela são vesgos… que é como quem diz, neste caso, adeptos da politiquice rasteirinha.

Pista Nuno Alpiarça no Estádio Universitário de Lisboa (petição)

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Corre nas redes sociais uma petição para homenagear Nuno Alpiarça, o atleta lisboeta e sportinguista, professor de Educação Física e Treinador de Atletismo Adaptado, nas áreas da deficiência Visual e Intelectual.

Treinou atletas que se tornaram campeões do Mundo e era considerado um verdadeiro companheiro por todos os que com ele privaram.

A petição pretende que a pista de atletismo nº2 do Estádio Universitário passe a chamar-se pista Nuno Alpiarça.

Nada mais justo. Cabe ao Estádio Universitário de Lisboa, à Universidade de Lisboa, ao Instituto Português do Desporto e Juventude, à  Câmara Municipal de Lisboa, à Associação de Atletismo de Lisboa e à Federação Portuguesa de Atletismo decidirem em conformidade. Uma petição com muitas assinaturas irá facilitar-lhes o trabalho de decidir favoravelmente.

Assine aqui a PETIÇÃO.

Covid-19, estado de contingência e “tendência preocupante”

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O estado de contingência foi prolongado até 14 de outubro, por decisão do Conselho de Ministros de hoje.

A decisão do Governo será, no entanto, reavaliada pelo executivo dentro de duas semanas, então já com uma análise mais aprofundada sobre o impacto das primeiras semanas de aulas nas escolas.

Portugal em grupo de “tendência preocupante”

A decisão teve em conta o aumento paulatino dos índices da pandemia nas últimas cinco semanas. Os mesmos dados foram entendidos pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) que colocou Portugal num grupo de Estados com “tendência preocupante” de casos de COVID-19.

O ECDC reconhece que os casos positivos de infeção covid-19 aumentaram de forma sustentada em toda a União Europeia desde agosto, o que demonstra que “as medidas tomadas nem sempre foram suficientes para reduzir ou controlar a exposição”, advertindo que “é por isso crucial que os Estados-membros implementem todas as medidas necessárias aos primeiros sinais de novos surtos”.

Segundo o Centro, intervenções não farmacêuticas tais como distanciamento físico, higiene e uso de máscaras revelaram-se insuficientes para reduzir ou controlar a exposição ao coronavírus.

Ainda assim, a diretora do organismo, Andrea Ammon, afirmou que, “até haver uma vacina segura e eficaz disponível, estas medidas continuam a ser a principal ferramenta de saúde pública para controlar e gerir os surtos” de covid-19.

Portugal é colocado no subgrupo com tendência preocupante, onde estão incluídos a Áustria, Dinamarca, Estónia, França, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Eslováquia, Eslovénia e ainda o Reino Unido.

De acordo com a avaliação do ECDC, os Estados que apresentam atualmente um risco mais elevado são a Bulgária, Croácia, República Checa, Hungria, Malta, Roménia e Espanha.

A Europa acaba de ultrapassar o número de 5 milhões de pessoas infetadas.

Lisboa, as controversas políticas de urbanismo

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A autarquia de Lisboa avisou que queria diminuir o número de automóveis particulares a circular na cidade. Avisou que tinha um plano para revolucionar o modelo da mobilidade das pessoas dentro da cidade. Avisou que o plano passava pela mobilidade ciclável, pelo incremento dos transportes públicos. A pandemia atrapalhou bastante os planos, mas a autarquia não os abandonou. E os resultados estão à vista, as reações de protesto também.

As mudanças em perspetiva são radicais:

Exemplo 1: na Avenida da Liberdade a circulação automóvel será proibida na faixa central entre a Rua das Pretas e os Restauradores, onde a autarquia quer criar um novo Passeio Público, à semelhança do que existiu até ao século XIX. Os automobilistas poderão usar as vias laterais da avenida, onde vai ser eliminado cerca de 60% do estacionamento existente para ser possível a criação de uma ciclovia de cada lado.

Exemplo 2: a Rua Nova do Almada e a Rua Garrett vão passar a ser totalmente pedonais, a Rua da Prata e o Largo do Chiado também ficam sem carros e apenas com transportes públicos. Na Rua dos Fanqueiros e na Rua do Ouro vão ser criadas novas ciclovias através da eliminação de vias de trânsito automóvel. Estão ainda previstas intervenções de alargamento dos passeios na Rua da Misericórdia e no Largo do Calhariz.

Exemplo 3: na Av. Almirante Reis, suprimiu-se uma via de tráfego automóvel para a criação de uma ciclovia bidirecional.

Mas há muito mais do que três exemplos relativos às alterações em curso no urbanismo lisboeta. As criticas que circulam nas redes sociais e, ainda, também, nos media tradicionais, falam dos engarrafamentos intermináveis, das dificuldades de estacionamento, do tempo que se demora para ir do ponto A ao ponto B dentro da cidade, dos incómodos que as alterações provocam também na logística dos estabelecimentos comerciais e dos serviços.Os críticos não são meigos com as políticas de Medina e dizem que “o trânsito está assustador. Trotinetes nos passeios, abandonadas, ou a andarem a 40 km por hora. Bicicletas fora de mão, por cima  dos passeios, pelo meio dos carros. Tuk-tuks poluidores por toda a cidade, só alguns são eléctricos, motoristas da UBER que conduzem como domingueiros, motas da UBER que aparecem como abelhas nos semáforos.”

Dizem que as ciclovias são um erro, porque atrofiam as vias dedicadas ao tráfego automóvel sem benefício para os habitantes da cidade. O vereador Miguel Gaspar (vereador da mobilidade) não concorda e responde que “a bicicleta já faz parte do quotidiano da cidade de Lisboa”. Uma espécie de facto consumado. Aliás, a autarquia anda a subsidiar a compra de bicicletas pelos munícipes. Será, talvez, uma medida para “ficar bem na fotografia” no ano em que Lisboa é a “Capital Verde Europeia”.

Os críticos contra-atacam nas redes sociais, de onde retirámos este comentário: “Sr. Vereador, o que foi um erro, de todo, foi não terem feito os estudos necessários para saberem em que faixa deviam ter colocado a ciclovia. A Almirante Reis no sentido ascendente é onde tem mais supermercados, farmácias e diverso comércio. Quando os fornecedores querem fazer as entregas, o trânsito fica parado até descarregaram. No sentido descendente não criaria tantos problemas. Parece-me que este Sr. Vereador está em teletrabalho, fora da cidade da Lisboa. O trânsito está caótico, cheia de carros porque as pessoas têm receio de andar nos transportes públicos. O verdadeiro trabalho que esta  autarquia devia fazer, já que quer tanto acompanhar o que se faz pela Europa fora, era acabar de vez, com as cargas e descargas a qualquer hora do dia e não permitir o estacionamento em segunda fila.”

No site Duas Linhas, numa crónica de opinião publicada em 31 de julho, pode ler-se que “quando Medina corta as veias principais de Lisboa, ou as estrangula para fazer pistas de bicicleta, está a destruir o tecido urbano, a degenerar a cidade. Prejudica fortemente quem trabalha na rua, que faz distribuição, que tem de levar filhos à escola e ir buscá-los depois do emprego.”

O plano da câmara é retirar 40 mil veículos da Baixa com a introdução destas medidas. Não podendo proibir que as pessoas entrem de automóvel na cidade, criam obstáculos de modo a retirar essa vontade aos cidadãos. Tem um custo político, mas são políticas que agradam a muitos. Na contabilidade dos votos, Medina pode sair a ganhar, porque é possível que os que vivem dentro da cidade já não sintam tanta necessidade de utilizar automóveis. Os transportes públicos, nomeadamente o Metropolitano, não funcionam mal de todo se descontarmos os apertos das horas de ponta.

Há, ainda, projetos que colidem com este desígnio de uma Lisboa mais verde e despoluída, que são os projetos de construção de grandes infraestruturas de serviços em diferentes pontos da cidade, a começar pela própria Avenida Almirante Reis que corre o risco de ter um arranha-céus no lugar da velha Cervejaria Portugália ou as torres que foram desenhadas para o lugar da antiga Fábrica do Açúcar, em Alcântara. Quando se continuam a construir hotéis, hospitais e blocos de escritórios, locais onde trabalharão muitas centenas ou milhares de pessoas, não há como evitar que muitas delas venham dos subúrbios em carro próprio.

Frágil Lux

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Purpurinas pelo cabelo e ombros, toilete feita, peguei no saco. Ele apanhou-me à porta num Mercedes vermelho descapotável, bancos e volante brancos creme. Que charme! Chama-lhe a amante, só o conduz em ocasiões especiais. Esta era a ocasião.

Deitado por cima do edifício principal, a parte de baixo do corpo de uma mulher roliça, em tamanho XXL, deixava cair as pernas abertas para a entrada. Era pelo meio delas que se entrava, passando pelo porteiro inicial da casa que, divertido, nos recebia vestido com um fato em forma de preservativo. Originalidade em grande!

Entrei de braço dado com o Carlos, não podia estar em melhor companhia. Subimos a escadaria sem pressas, por segundos senti que caminhava para o altar com um vestido azul escuro acetinado, até aos pés, ombros desnudados, discreto e elegante. Podia ser só impressão minha, mas sentia-me bonita.

Passei num instante pela casa de banho, onde deixei o saco, e entreguei-me aos abraços e conversa com a enorme família que nunca perde um aniversário. É noite de reencontros, de matar saudades, de conversar e rir num contexto de copofonia, numa festa deliciosa com bar aberto.

Estava num sítio de dança, portanto fui dançar, a música é sempre estrondosa. E chegou a altura. Não via a minha funcionária preferida em lado nenhum, pensei rapidamente, subi para um banco. Três segundos depois apareceu um segurança a pedir-me para descer. “Olá, queria mesmo falar consigo. Pode pedir à D. Rosa para ir ter comigo à casa de banho? Ela sabe do que se trata”. Um pouco incrédulo lá pegou no walkie talk. Pela última vez o vestido azul escuro atravessou a sala, ela já me esperava com o saco e um sorriso malandro.

Vestido arrumado, voltei à pista de calças pretas e um top com brilho. Quando se dança em todos os sentidos, o vestido já não serve a ocasião. Como é habitual encerrámos o 1º piso, descemos à pista de dança pura e dura. Falámos menos, dançámos mais, até de madrugada!

Setembro de 2020

Só tinha uma hora e meia, apanhei um táxi. “Há seis meses que ninguém me faz esse pedido”, disse o taxista. “Sim, precisamente seis meses”, murmurei.

Apenas o porteiro estava à entrada. Disse-me me logo que já não podia entrar, lotação de 150 pessoas, cadeiras com a distância obrigatória, máscaras… enfim.

Ao fim de seis meses, o Lux Frágil está entreaberto para promover espectáculos e eventos. Seja no terraço ou no 1º piso as rigorosas regras são idênticas. A equipa podia ter optado por servir refeições e abrir noutro contexto mas decidiu ser fiel à identidade da casa, aqui ninguém come caracóis.

Começou a ouvir-se o som do dj, consegui imaginá-lo a passar música para uma plateia sem ordem para dançar. Acendi um cigarro e fui escutando as mil regras a cumprir, a lei que vai sendo volátil, as expectativas em aberto. Continuámos a conversa séria, mas acabámos por passar para a divertida. Nunca falámos tanto.

Pelo meio explicava aos que iam chegando por que não podiam entrar: a lotação, os horários, etc. Sempre educado, contente pela reabertura, mas cauteloso com o desenrolar dos acontecimentos. Havia no porteiro um brilho nos olhos, sentia-se que tinha a “camisola vestida”, como sempre, aliás.

Seis meses é muito tempo, demasiado. Mas a equipa desdobrou-se logo em iniciativas desde o confinamento, manteve sempre a relação com o público, mesmo que virtual. Uma estratégia feita por pessoas para pessoas. Uma equipa que, mais do que ninguém, sente com certeza o silêncio pelos cantos da casa, a pista desligada, nua, sem vida.

Mas uma máscara não é uma mordaça, e o Lux vai continuar a desdobrar-se em eventos, iniciativas simples, sempre com conteúdo, espetáculos e tudo o mais que ocorrer a esta equipa que resiste desde o primeiro dia ao maldito vírus. Cumprindo escrupulosamente a lei, mesmo que frágil, o Lux voltou a abrir portas.

Despedi-me, agradeci o delicioso bocadinho. Graças ao porteiro, apesar de não ter entrado, estive lá dentro sem ter que me sentar e usar máscara.

Falta ainda algum tempo, talvez um ano ou mais, talvez menos. Ninguém sabe ao certo quando é que se volta a acender as luzes da pista de dança. Mas, nesse dia, acabam-se os beijos e os abraços proibidos. Começa a festa das liberdades, sem mordaças.

Vou levar umas calças e um top num saco, vou entrar à mesma no Lux com um vestido de gala, tal como fiz no 10º aniversário em 2009. Irei direitinha à varanda cumprimentar a Poderosa e a Vigorosa, habituées da casa desde o primeiro dia. Depois dos abraços e reencontros vou dançar até de madrugada. A ocasião assim o exige.

Covid-19: três mortes e a pandemia a acelerar

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Portugal contabiliza hoje mais três mortos e 802 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

O número de novas infeções volta a dar um salto, assim como o número de internamentos continuou a subir nas últimas 24 horas, registando-se mais 25, num total de 571 doentes internados com covid-19, tal como os internamentos nas unidades de cuidados intensivos também aumentaram, sendo agora 77, mais sete do que na terça-feira.

Todos os indicadores sobem

Embora o número de mortes se mantenha baixo, é expectável que dentro de dias possa aumentar significativamente, já que há sempre uns dias de intervalo entre a declaração da doença e a sua evolução para desfechos fatais.

A região de Lisboa e Vale do Tejo, com 437 novas infeções, regista mais de 54% do total de novos casos. Em termos de incidência de casos, a faixa etária entre os 30 e 39 anos é a mais atingida, contabilizando-se um total de 11.613 (+145 nas últimas 24 horas), embora o maior número de óbitos se registe entre as pessoas com mais de 80 anos, com 1.286 no total (+3 nas últimas 24 horas).