SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO

A equipa de cinema prepara uma adaptação de Hamlet. Entre ensaios, filmagens e bastidores, acumulam-se tensões entre elenco, realizador e equipa técnica, enquanto as relações pessoais começam a contaminar o próprio processo criativo. Espectáculo a não perder!

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É conhecida a história que superiormente William Shakespeare põe em cena na universalmente conhecida tragédia Hamlet.
O fantasma do antigo rei diz a Hamlet que Cláudio o envenenou durante o sono e exige que o filho vingue a sua morte. Para despistar a corte, Hamlet começa a fingir-se de louco. Há, por isso, tensão no palácio real e a sua amada, Ofélia, acaba por dele se afastar. Recorre Hamlet a um estratagema, para testar a verdade: encena uma peça com uma morte semelhante à do pai. Cláudio, ao assistir, entra em pânico, o que o denuncia.

Durante uma discussão com a mãe, Hamlet mata Polónio, que estava escondido atrás de uma cortina. Esse acto leva Ofélia à loucura e, posteriormente, ao suicídio. Cláudio manipula Laertes, irmão de Ofélia, para matar Hamlet em duelo. O rei prepara uma espada envenenada e uma taça com vinho envenenado. Gertrudes bebe acidentalmente o vinho envenenado. No duelo, Hamlet e Laertes ferem-se de morte; mas, antes de morrer, Hamlet consegue matar Cláudio. Horácio, o melhor amigo de Hamlet, fica vivo para contar a verdadeira história.

Ora, na rodagem – magistralmente! – encenada por Marcos Medeiros, que a companhia de teatro Palco 13 apresenta no Auditório Fernando Lopes Graça (no Parque Palmela, em Cascais), a peça acontece na íntegra e serve de fio condutor para toda a acção. O pano de fundo é, todavia, a rodagem mesmo e, por isso, a movimentação dos actores implica que vivam e incarnem em simultâneo o drama shakespeariano, as preocupações da sua actuação como actores de cinema e, também, last but not the least, as suas ansiedades e vidas reais, num enleado entrechocar das maiores emoções, a despertar no espectador, sem dúvida, as mais díspares sensações.

Confesse-se que o projecto não é fácil. Exige de todos os intervenientes uma elasticidade grande, quer do ponto de vista físico, quer no domínio o mais perfeito possível das suas reacções e falas. Destaco, por isso, o enorme à-vontade como tudo – aparentemente – se passa, a envolver, de facto, o espectador.

E se aplaudo todas as interpretações, sem distinção (quiçá, aqui e além, a dicção possa vir a ser melhorada…), e a brilhante ideia de Marco Medeiros, permita-se-me um aplauso especial: à magnífica misteriosa figura do homem do acordeão (um achado técnico, cenográfico, artístico), que, no decurso de todo o espectáculo se desdobra em mil e um ingredientes sonoros, ali, à nossa vista, ao vivo, a um canto, como quem não quer a coisa, mas sabendo exactamente a que melodia ou ruído ou estranho som há-de lançar mão para realçar o que diante de nós se está a desenrolar. Parabéns!


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