Uma cirurgia de reconstrução levou Rita a um hospital particular com o voucher do Serviço Nacional de Saúde (SNS), por força da urgência na dita intervenção. Numa primeira abordagem, o médico nem deu tempo para explicações. Interrompeu a paciente dizendo que já tinham passado os 15 minutos para a atender. Marcou a cirurgia e, no dia aprazado, sem qualquer explicação, lá procedeu ‘ao acto’, conforme afirmou.
No dia seguinte, pese embora a acompanhante dissesse que a paciente não estava, de todo, orientada, afirmou que não tinha importância porque ao fim da tarde, já estaria.
Resultado desta cirurgia, Rita foi, durante uma semana, todos os dias à urgência: ou dreno estava mal colocado, ou as dores eram intensas, etc. Ao fim de cinco semanas com dreno e uma semana depois deste ser retirado, deram alta à paciente, ainda com pontos a serem expelidos e sem a cicatrização total.
Um ano depois, as consequências fizeram-se sentir. Teve de fazer nova cirurgia, desta feita num hospital público. Tudo correu bem, sem sobressaltos, com uma equipa médica fantástica e pessoal de enfermagem competente, afável e simpático. No dia em que teve alta, o médico ainda acrescentou: ‘qualquer problema que surja, não hesite em vir ter connosco’.
Bendito SNS. Temos mesmo de nos esforçar para o manter!
Outra história passa-se com Maria que saiu do seu país em busca de uma vida melhor. Para trás, deixou duas crianças que deseja que se juntem a si.
Assim, inscreve-se no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Mandam-lhe uma carta para ir trabalhar numa empresa de limpezas. Vai ganhar 500 euros por mês, que se resumirão a 450, feitos os descontos. E pedem que ligue para um número, da dita empresa, a dizer se aceita ou não. Facto: ninguém atende daquele número.
Aceita, então, um emprego numa fábrica, com contrato. Avisam que trabalhará por turnos, a comunicar quais serão os horários. Resultado: são tão aleatórios que Maria tem meses de receber 350 euros.
Finalmente, aparece um trabalho de prestação de serviços com o Estado. É o ordenado mínimo nacional. O problema é que, feitos os descontos a que tem de proceder, restam-lhe pouco mais de 700 euros.
Facto: um quarto na Reboleira custa 650 euros. Facto: Casas com uma renda moderada (a tal de 2300 euros) como se pagam?
E como pode trazer as crianças? Se nem um quarto consegue pagar, nem alimentar-se convenientemente, o que pode fazer?
Teresa e Paulo acabaram os respectivos cursos. Fizeram o mês mestrado e tentaram entrar no mercado de trabalho. O recurso último foram os call-center. Ainda assim, ambos com o ordenado mínimo, não chegava para pagar a renda. Durante um tempo estiveram em casa dos pais dela. Seguiram para casa dos pais dele, esta mais pequena. Não podiam ficar ali muito tempo. Teresa ficou grávida. Resultado, foram viver para fora, a convite de uns amigos que já tinham abandonado Portugal há três anos…
O neto nasceu fora do País. Registaram a criança no consulado. Passaram sete meses e o registo do bebé ainda não está feito.
Ouvindo o primeiro-ministro a falar, ou o seu companheiro Hugo Soares, ou os seus ministros, ou os amigos do CDS, pergunto-me: em que país vive esta gente?



