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Mestres da culinária…

Vem escrito nos jornais e redes sociais, o primeiro-ministro despediu pelo telefone o presidente do Tribunal de Contas. Publicamente, António Costa justificou-se com o princípio da não revogação de mandatos em organismos públicos.

Caíu o “Carmo e a Trindade” porque, como se sabe, Portugal vai receber triliões de euros nos próximos anos e já toda aquela gente aguça os dentes da corrupção.

Os crentes em Costa lembram que o senhor despedido, Vítor Caldeira, foi nomeado na anterior legislatura pelo mesmo António Costa que, agora, o mandou embora. Os não crentes na bondade de Costa lembram os engulhos sofridos por projetos contratualizados com o Estado por dúvidas e questões interpostas pelo Tribunal de Contas enquanto foi dirigido por Vítor Caldeira. Quem não se lembra do adágio socialista “quem se mete com o PS, leva”?

O cartoon de Hélder Dias:

Mestres da Culinária, by Hélder Dias

Nasceu uma AD dos pequeninos

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Há um novo ator político que pretende mostrar-se nas próximas eleições autárquicas. Chama-se AD mas não é a “velha” Aliança Democrática do PSD e CDS. Este AD significa Alternativa Democrática e é uma coligação de pequenos partidos e movimentos cívicos.

A coligação foi apresentada ontem e reúne três partidos políticos, a saber, Nós-Cidadãos, Partido Democrático Republicano (PDR) e Reagir Incluir Reciclar  (RIR) — e dois movimentos — Democracia 21 e Mais Cidadãos Independentes.

Unidos serão mais fortes, deve ter sido o que pensaram os mentores da coligação e daí até assinarem o acordo que os une foi um passo. Unir forças para contrariar a falta de visibilidade que têm tido nos media e, assim, conseguir fazer passar a mensagem política com que pretendem angariar votos para chegarem ao poder.

Este acordo é o resultado de diversas conversas ao longo dos últimos meses, e poderá vir a incluir a participação de pelo menos mais três forças políticas, que concorreram igualmente sem sucesso às últimas eleições legislativas, pelo que só então será feito o pedido de aprovação ao Tribunal Constitucional.

Bruno Fialho, presidente do PDR, disse que o acordo assinado ontem  tem como objetivo “assegurar uma maior participação dos cidadãos na vida política” e a “mudança política em Portugal”.

O primeiro objetivo declarado é concorreram ao maior número possível de concelhos nas próximas eleições autárquicas.

Manifestação contra o estado a que isto chegou

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Foi uma manifestação pacífica mas que deu algum trabalho à PSP. O problema não foram distúrbios nem atos de violência, apenas um corte simbólico do trânsito automóvel durante cerca de uma hora, até que os agentes da polícia decidiram a arrastá-los para o passeio um por um. De resto, era feriado e havia pouco trânsito.

Os ativistas da Climáximo pretenderam realizar uma acção pacífica de desobediência civi, intitulada “Nós Somos os Anti-Corpos”, durante a qual apresentaram três reivindicações de emergência:

1. Neutralidade Carbónica em 2030

2. Serviços Básicos Incondicionais

3. Limite Máximo ao Rendimento

Os ativistas são contra a maximização do lucro e de todos os sistemas sociais que alimentam a discriminação entre e dentro dos povos, lutam pela justiça climática e a justiça social, e prometem voltar à rua no próximo dia 17 deste mês.

Fiquem com as fotografias do acontecimento:

Hospital assombrado em Lisboa

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O Hospital de Arroios está ao Deus-dará há 27 anos, abandonado pela Câmara Municipal de Lisboa.  Foi um importante convento do Colégio dos Jesuítas Missionários da Índia. Erguido em 1705, resistiu ao terramoto de 1755, mas sucumbiu ao desleixo dos governantes de Lisboa. Está assombrado. Diz quem por lá passa, à noite.

O gigantesco edifício foi desde sempre local de grande sofrimento. Primeiro por culpa do Marquês de Pombal. Um homem tão visionário como cruel. Mandou matar à marretada todos os Távoras, homens mulheres e crianças. E quis exterminar todos os padres, frades e freiras. Dizia-se, à boca escondida, que era o maçon mais estúpido à face da Terra. As freiras substituíram os jesuítas torturados nos corredores. Os sobreviventes foram enfiados em naus e jogados mar-a-dentro. A última freira morreu em 1890. Oito anos depois, o edifício recebeu o nome pomposo de Hospital Rainha Dona Amélia e foi destinado para tratar e prevenir a tuberculose.

Agora a Câmara deixou-o à mercê de privados para o transformarem em hotel. O problema foi o IPPAR que se atravessou no caminho, exigindo a manutenção de todo o edificado, à exceção dos acrescentos dos anos 40 e 50 do século passado. Esta imposição desmotivou os investidores e transformou o convento-hospital, num parque de estacionamento, com uma enorme e lindíssima igreja.

Muitos dizem ouvir de noite “ais” soprados por ventos, vindos das catacumbas labirínticas do convento. Mas serão “ais” muito fraquinhos, porque não chegam aos ouvidos de Fernando Medina. Aliás, o presidente da Câmara de Lisboa nunca terá experimentado pedalar na novel ciclovia da Avenida Almirante Reis, que começa mesmo às portas do Hospital de Arroios. Os “ais” não os ouve. E o triste espetáculo de abandono, também teima em não ver.

Covid-19 na reunião do Conselho de Estado

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A notícia chega de Bruxelas e diz que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von de Leyen, vai estar em isolamento até terça-feira de manhã, por ter estado, na semana passada, em contacto com uma pessoa infetada, na reunião do Conselho de Estado, que decorreu em Cascais.

“Fui informada que participei numa reunião, na terça-feira passada, onde estava uma pessoa que ontem [no domingo] testou positivo para a covid-19. De acordo com os regulamentos adotados, estarei em auto isolamento até amanhã [terça-feira] de manhã”, escreveu a líder do executivo comunitário na sua conta na rede social Twitter.

twitt da presidenta da Comissão Europeia

Ursula von der Leyen fez um teste na quinta-feira, com resultado negativo, e fará outro ainda hoje.

No domingo à noite, a Presidência da República foi informada de que o conselheiro de Estado António Lobo Xavier está infetado com o vírus que provoca a covid-19.

A questão que se coloca é quem mais se dispôs a ficar em confinamento preventivo, uma vez que a presidente da Comissão Europeia não esteve sozinha com António lobo Xavier. Na mesma reunião participaram Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Ferro Rodrigues, Leonor Beleza, Carlos César, Rui Rio, Francisco Louçã, Pinto Balsemão, Cavaco Silva, Ramalho Eanes, entre outros.

É também possível que alguns membros do Conselho de Estado não tenham participado presencialmente na reunião, mas essa informação não foi divulgada. No entanto, o local escolhido para a reunião foi o Palácio da Cidadela, em Cascais, para “assegurar o devido distanciamento físico “conforme as regras estabelecidas, referia uma nota divulgada pela Presidência da República na altura.

Entretanto, foi já divulgado que alguns dos participantes na reunião realizaram testes ao covid-19 com resultado negativo, entre eles, o Presidnete da república e o primeiro-ministro, mas que outros ainda não foram testados como, por exemplo, Rui Rio e Ramalho Eanes.

Para já, como consequência desta situação, os conselheiros que não foram testados não poderão participar nas cerimónias do 5 de outubro.

Um outro olhar sobre a cidadania

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Esta disciplina faz parte dos curricula do 2º e 3º ciclos de escolaridade. O conhecimento que tenho dela é como docente de uma língua estrangeira e como encarregada de educação. A primeira nota é que veio substituir de alguma forma uma outra de alguns anos atrás, a Formação Cívica, que era essencialmente um tempo por semana com os alunos e dada pelo Diretor de Turma.

Estive dez anos sem ensino regular e, quando regressei, há dois, foi-me atribuída uma hora de Cidadania e Desenvolvimento, vulgo CIDES, por ser diretora de turma de uma turma do 8º ano. A atribuição não veio a ser concretizada, o que pessoalmente me aliviou, pois seria mais um nível para preparar e a minha formação é de Inglês e é Inglês que sei e quero lecionar.

Vejamos. Esta disciplina é ministrada por um professor de qualquer área, não havendo formação específica para a mesma. Ninguém se formou em CIDES e as suas áreas temáticas são transversais. Independentemente da sua relevância ou não, e da valorização da mesma por uns e detração por outros, este é o primeiro ponto. Enquanto que na disciplina de Educação Moral Religiosa e Católica, aka EMRC, temos um docente formado nessa área, pois penso já não existirem padres a fazê-lo, em Cidadania a abordagem dos temas não é feita com conhecimento alicerçado numa formação específica.

A aposta nesta disciplina, a querer-se que ela seja realmente válida e valorizada, tem de passar por aí primeiramente. As loas que lhe têm sido feitas não encontraram, pela minha parte, nenhum eco na prática. Como mãe, aliás, esse eco tem sido nulo. Tenho visto esta disciplina na mancha horária  como mais um exemplo de boa vontade e amadorismo, brioso ou não, por parte de quem é chamado ao serviço.

Não conheço totalmente o programa, não pesquisei, mas, enquanto professora na escola, temas como os direitos humanos, afetos e violência nas relações, prevenção rodoviária e outros (a)parecem referenciados como dados na prática. Muitos destes temas, especialmente o dos afetos e violência no namoro, por exemplo, são também dados em EMRC. A área da sexualidade também, assim como nas Ciências Naturais, embora seguramente de outra forma.

A questão que levanta celeuma é manifestamente, creio, a da sexualidade e sobretudo a da identidade ou igualdade de género. E aqui também há exageros nas reações, porque se tem encarado esta discussão, com frequência, como uma questão ideológica divisória entre pensamento progressista ou depravado de esquerda e pensamento conservador ou medieval de direita. No entanto, também aqui há nuances e os rótulos não constroem nem deixam espaço para o diálogo, como quase nunca em tantas circunstâncias.

Há uma leitura que corroboro nos que defendem estas abordagens nas escolas, aquela que diz que beneficiam os miúdos mais desfavorecidos culturalmente. Sem dúvida que sim. Estes e todos os outros temas e matérias que significam conhecimento, discussão, visão, espírito crítico (e este também daria um bom mote para discussão, já agora) e liberdade. No entanto, reconheço, tal como em EMRC, que possa haver direito à escolha, ou seja, que possa ser uma disciplina opcional. Ou seja, que os pais, mal ou bem, possam decidir sobre a mesma não me perturba minimamente. Porque a questão de fundo não é a que se coloca nas outras disciplinas de caráter obrigatório com professores formados cientificamente na área.

Digo mais. Foi-me dito em setembro, a mim e a outros, no ensino secundário, ou seja onde não existe a disciplina de CIDES, e falando dos cursos profissionais, que temos de dar obrigatoriamente as temáticas da sexualidade e da identidade género, com um mínimo de horas por turma. Temos, logo à partida, de preencher a grelha de acordo com as temáticas da nossa disciplina e abordar estes assuntos, sem formação específica para os mesmos. Claro que damos, fazemos  milagres, há bom senso e boa vontade e se não houver há na mesma.

A grande questão e a que me perturba realmente é esta – a de que a tutela quer ser moderna, inclusiva e acompanhar o progresso dos outros países europeus mas que a forma que usa para fazer aplicar estas diretrizes é desastrada, incompetente e mentirosa. Conta com os agentes de sempre a quem tudo se pede e que tudo conseguem, até porque a fotografia vem primeiro e a eficácia depois se vê. Quem ousa recusar ser conivente com tais exigências da tutela?

Já agora, quem dá Cidadania ao meu filho é o seu diretor de turma, professor de EMRC. Querem seriedade na escola e na educação, dos miúdos ou dos filhos? Centrem a vossa atenção sobre a maneira atabalhoada e inapta como a tutela conduz o processo de ensino-aprendizagem e nesta matéria em particular. Exijam qualidade, verdade e concordância no terreno com aquilo que a mesma apregoa e pretende.

O segredo das grandes famílias portuguesas

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 A economia mundial está em queda, segundo Warrent Buffett, o investidor e multimilionário ‘guru’ das bolsas. Mas nós portugueses continuamos a achar que somos ricos.

Há dias uma amiga confidenciou-me, em tom de escárnio, ter descoberto o namorado a almoçar no Pingo Doce por 4 euros. Acabou-se o namoro. Jantávamos os dois. E o empregado sugeriu o vinho mais barato. A minha amiga ficou em estado de choque. Ficaria bastante pior, se soubesse que Warrent almoçou apenas uma sanduíche enquanto se desfazia das acções de bancos, para apostar na segunda maior empresa mundial de extracção de ouro.

Poderíamos pensar que a minha amiga é rica. Ou filha de uma família muito rica. Mas não. O nosso país tem apenas uma dúzia de famílias endinheiradas e são quase as mesmas do tempo do ditador Salazar: Mellos, Champallimaud, Pinto Basto, Ulrich, Queirós Pereira e poucas mais.

Os tiques da minha amiga, pessoa de recursos limitados, são suplantados pelas “postas de pescada” de um outro meu amigo: pratos de Vista Alegre, candelabros Baccarat, gira-discos retro de 3000 euros. E vinho de garrafa a 25 euros. Bom, ele vai a alugar a sua moradia no Parque das Nações e irá viver num um T1. No bairro da Lapa, evidentemente.

Todos nós somos filhos de “rapa-tachos Salazar”. Mas esquecemos. Tirámos um curso, arranjámos um emprego. Somos enfermeiros, médicos, professores, economistas, juristas, contabilistas, magistrados e por aí fora. Achamo-nos ricos e a viver num país rico. Um país quase sem agricultura, sem indústria, quase só pequeno comércio. Para ter maçadas?

Pior, ignoramos que 41,5 por cento dos 5.302.953 agregados declararam, no IRS de 2019, um rendimento anual bruto inferior a 10 mil euros.

E então? Então vai tudo correr mal quando estes 41,5 ficarem totalmente tesos. Não pagarão os serviços dos que se acham muito ricos.

E então? Então, teremos de vender por tuta-e-meia os anéis e os fios dos nossos avós aos “Warrent Buffett” portugueses. Este tem sido o segredo das grandes famílias portuguesas.

Não aguentamos mais? Ai aguentamos, aguentamos. Aguentamos mais 100 anos.

 

 

Cascais e a Revolução Republicana

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A luta de Republicanos e Democratas pela vitória nas próximas eleições presidenciais americanas tem ocupado amplamente os noticiários, mormente pelo estilo ímpar do candidato Ronald Trump. Essas designações do outro lado do Atlântico nada têm a ver, todavia, com palavras iguais do lado europeu, mesmo se tivermos em conta, por exemplo, a vizinha Espanha, onde Republicano significa nitidamente o que  se opõe ao regime vigente, que é a Realeza. No caso da América, a dialéctica é, no fundo, entre a Direita e a Esquerda, consubstanciando Trump a tendência conservadora e Joe Biden a perspectiva mais inovadora.

No que respeita a Portugal, o último quartel do século XIX foi deveras buliçoso e os sucessivos governos não logravam resolver as constantes dificuldades por que o Povo ia passando. E, como tudo na vida e já a Bíblia no-lo conta, no livro do Levítico (16: 1-23), havia que encontrar um bode expiatório.

Os Hebreus agarravam em dois bodes: sacrificavam um deles em holocausto, no Templo de Jerusalém, no Dia da Expiação; o outro, depois de o sacerdote, impondo-lhe as mãos, lhe ter confessado os pecados do seu povo, era largado, na expectativa de que um dos anjos maus o viesse buscar e, dessa forma, o Povo estaria liberto da carga negativa que porventura lhe oprimia o espírito.

Entre nós, as querelas desse final de século apontavam predominantemente numa direcção: «Se tivéssemos um regime republicano, o Povo decidia quem mandava e era tudo muito mais fácil». Assim, no caso do Ultimato Inglês – essa mais uma das patifarias que a História portuguesa deve aos seus «aliados» ingleses – a opinião pública culpou o Rei de ter deixado roubar-nos o território entre Angola e Moçambique, cortando, desta sorte, a meio o que orgulhosamente se designara de Mapa Cor-de-Rosa. Tivemos que ceder perante a força das armas, mas hoje – que, felizmente, o Hino Nacional se está a fazer ouvir mais vezes, mercê das vitórias dos nossos atletas – a proclamação «Às armas! Às armas! Contra os canhões marchar, marchar», recorda-nos que esses canhões eram os dos senhores britânicos…

Não cabe aqui a evocação do que foi a Revolução de 5 de Outubro, que determinou a rendição de el-rei D. Manuel II. Dir-se-á, contudo, que momento importante na história local foi a participação dos cascalenses.

Relata Ferreira de Andrade que, na tarde de 5 de Outubro, vindo da Parede, com alguns correligionários e foguetes, chegou à vila o Sr. José João Dinis, que nessa mesma manhã fora nomeado administrador do concelho pelo Dr. Afonso Costa, em nome do Governo Provisório e na ausência do seu colega do Interior.

«Acompanhado das filarmónicas de Carcavelos e da Parede, percorreu no meio do maior entusiasmo as ruas da vila», como reza uma local do Diário de Notícias.

No edifício da Câmara, depois de tomar posse de todos os documentos da municipalidade, içou a bandeira republicana e pronunciou um discurso, aconselhando a maior prudência e ordem a todos aqueles que o tinham acompanhado da Parede.

Parede constituía, de facto, um dos mais fortes redutos das hostes republicanas. Teve o Dr. Jorge Miranda ocasião de, em penadas largas, dar conta do que foi esse «bastião republicano no concelho de Cascais», em artigo que publicou no Arquivo de Cascais, o então Boletim Cultural do Município, nº 12, 1996, pp. 81-87.

Das consequências dessa revolução em Cascais, cumpre destacar o elevado interesse pela instrução, uma das ‘bandeiras’ relevantes dos republicanos: urgia instruir o Povo, para que melhor soubesse defender os seus interesses e assumir o destino nas suas mãos: «Depois do pão, a instrução»! – proclamava-se.

É nesse plano que se enquadra a criação, na Parede, da Associação-Escola 31 de Janeiro, que teve como primeiro presidente da Direcção, a partir de 31 de Março de 1912, o paredense Abeillard Raul Fragoso de Vasconcelos, também ele presidente da primeira vereação republicana da Câmara Municipal de Cascais, que tomara posse a 13 de Outubro de 1910. A designação «31 de Janeiro» prende-se com 31 de Janeiro de 1891, data da revolta republicana fracassada, nascida no Porto em protesto contra a pusilanimidade manifestada pelo governo por ter cedido ao referido ultimato inglês.

É nesse âmbito que se insere igualmente a criação, a 8 de Janeiro de 1911, da Sociedade de Educação Social de S. João do Estoril (mais tarde, popularmente conhecida como «Escola de Verbena»), que – tal como a 31 de Janeiro, da Parede – ainda hoje existe. Já – infelizmente! – não existe como escola a que foi a Escola de Birre, resultante da transformação da Ermida de Santo Isidro, no quadro da laicização dos edifícios religiosos empreendida pelos republicanos. O núcleo principal da escola era justamente o corpo do templo, notando-se perfeitamente a separação para a zona do altar-mor.

Birre foi um grande centro republicano também, de que duas placas toponímicas ímpares – essas felizmente bem salvaguardadas – constituem documentos relevantes. Têm ambas a data de 23 de Abril de 1916. Homenageia, uma, Fausto de Figueiredo, presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Cascais «pelo grande incremento por ela dado ao fomento da instrução popular do concelho»; a outra, João da Câmara Pestana, como responsável pela Direcção Geral da Agricultura, «pelo valioso concurso por ela dado ao desenvolvimento da pecuária e da agricultura».

Situam-se os Paços do Concelho de Cascais na Praça 5 de Outubro, como acontece com inúmeros outros casos em Portugal. Nalguns, preferiu-se Praça da República. Reflexo da revolução e da nova ideologia na toponímia. Curiosamente, em Loures, há o Largo 4 de Outubro, porque foi nesse dia, um dia antes do que viria a acontecer no resto do País, que uma Junta Revolucionária decidiu tomar os Paços do Concelho e içar neles a bandeira republicana.

Como curiosidade toponímica, dir-se-á, a terminar, que existe, em Coruche, a Praça da Liberdade; antes, fora Praça 5 de Outubro e, no século XIX, quando por ali a burguesia deambulava nos seus negócios e o local regurgitava de gente, foi Praça do Comércio. 5 de Outubro, após a implantação da República; da Liberdade, após a Revolução de Abril. E o curioso está no facto de as três designações constarem na placa – a mostrar não apenas uma continuidade, mas, de modo muito perspicaz, a revelar que os responsáveis pelos serviços de toponímia da Câmara Municipal estão bem cientes do que é a tradição, a memória, as raízes, o património. O mais habitual é… destruir!

                                                                    

Covid-19: 12 mortes, estádios vazios e hospitais cheios

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Portugal contabiliza hoje mais doze óbitos relacionados com a covid-19 e 963 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 1.995 mortes e 78.247 casos de infeção, estando hoje ativos 26.407 casos, mais do 465 que ontem.

A DGS indica que das 12 mortes registadas, seis ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde também se verifica o maior número de infeções, três na região Norte, duas na região Centro e uma no Alentejo.

Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim revela que nas últimas 24 horas há menos 14 internados em enfermarias e menos um nos cuidados intensivos relativamente a sexta-feira.

Estádios vazios

Apesar da pandemia estar a alastrar de novo, todos os setores da economia precisam de regressar à atividade sob pena de falirem as empresas e de não haver solução para a ocupação de mão-de-obra. O futebol profissional é um dos atores económicos que maior pressão têm feito para que o Governo autorize o regresso do público aos estádios.

Hoje, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto assumiu que o desporto não está à margem do resto da sociedade e que o Governo tem feito tudo para o regresso dos adeptos, mas lembrou que a segurança sanitária ”tem de estar acima de tudo”.

O governante lembrou que, além do jogo de hoje nos Açores, já foram anunciados mais dois jogos da II Liga com público, assim como o particular da seleção portuguesa com Espanha e o jogo com a Suécia, da Liga das Nações, ambos no Estádio José Alvalade.

“Nesta fase são jogos testes, são eventos piloto para que se possa avaliar e analisar o que depois pode acontecer”.

Hospitais cheios

Ainda sem público nos estádios, embora outros espetáculos já tenham público na assistência, já há hospitais que começam a estar pressionados com o aumento de internam,entos covid-19. É o caso do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, que terminou a semana no limite de capacidade dos cuidados intensivos para doentes com covid-19. O Hospital Amadora-Sintra e o Hospital Curry Cabral abriram novas enfermarias.

A pressão dos internamentos por covid-19 tem aumentado nos hospitais da grande Lisboa e sobe a preocupação com o que está para vir nas próximas semanas.

O mistério das casas devolutas em Lisboa

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A Câmara de Lisboa resolveu meter-se noutra espécie de EPUL para fazer concorrência aos privados. Há centenas de prédios em ruínas, desabitados e ao abandono em Lisboa. Basta olhar, com olhos de ver, quando se caminha na cidade. Mas a Câmara prefere investir em casas de renda acessível para supostos coitados.

A intervenção da Câmara pode ser considerada um fingimento, porque  baixar das rendas só se consegue com a introdução de mais casas no mercado. E com o cumprimento do que foi lavrado no acto da escritura da compra das casas. Se está escrito casa para habitação, essas casas tem de ser habitadas.

O que acontece em Lisboa é comprarem-se casas para habitação que são, em boa verdade, para investimento. Ficam a marinar até os proprietários as colocarem no mercado, por “bondade”. Também sucede essas casas serem utilizadas como activos, valorizados ou não ao sabor dos interesses das empresas.

A Câmara tem a função fiscalizadora do mercado da habitação. E deve aplicar a regra dos terços nos bairros. Um terço para habitação, um terço para comércio, um terço para serviços.

Não cabe à Câmara andar a construir ou a remodelar casas, como está a acontecer nas Avenidas Novas e em Entrecampos. Mas seria louvável, se essas reconstruções fossem feitas ao abrigo da Lei das Obras Coercivas, Regime jurídico da urbanização e edificação, Decreto-Lei n.º 555/99. E em especial do seu artigo 91: «Quando o proprietário não iniciar as obras que lhe sejam determinadas nos termos do artigo 89.º ou não as concluir dentro dos prazos que para o efeito lhe forem fixados, pode a câmara municipal tomar posse administrativa do imóvel para lhes dar execução imediata».

E isso acontece? Pois, não. É um mistério. Ninguém toca nos interesses dos ricos e poderosos que entopem Lisboa e estragam as nossas vidas.