Os vegetais na natureza necessitam de 200 a 350º C. para inflamar, para arderem em cadeia (incêndio) são necessários cerca 400º no ambiente onde estão inseridas, 300º se o índice de humidade for quase nulo. Todos sabemos que perto dos 150º, a planta desidrata, perde a sua humidade residual e a 200º graus começa a pirólise. Aqui a celulose da planta liberta gases que são combustíveis. Com o oxigénio da atmosfera, os gases entram em combustão e as plantas vão desidratando, entram em combustão, o ar circundante aquece, as plantas seguintes aquecem, e as seguintes igualmente, vão sucessivamente libertando gases, entram em combustão e… etc., etc., etc. O incêndio está “montado” e a progredir, rapidamente ou não, dependendo do nível de humidade atmosférico e do “ataque” para se extinguir, de que for alvo.
Agora, as matas deviam estar limpas, os quintais que lhe são adjacentes também e até as áreas de trabalho na agricultura ou áreas a descoberto, deviam estar limpas. Com isso diminui-se o risco de progressão do incêndio no terreno.
As matas, eucaliptais, pinhais, são praticamente de privados que herdarem esse património, mais ou menos extenso, mas quase sempre pequeno e que têm vindo, ao longo de décadas a empobrecer, ou no mínimo, outra perspectiva de leitura social, incapazes de tratar esse património como gostariam. Ora, limpar matas, ordenar matas, não pode a esmagadora maioria dos proprietários fazê-lo. Só para limpar, parcialmente um terreno com 800m2, o preço varia entre 1000 e 2000 euros. O Estado tem de ajudar, através das autarquias, para isso elas existem, para servir o povo, não para serem feudos à espreita de aplicar uma “multita” aqui, outra acolá.
Teremos algumas pessoas no nosso povo, tão incultas, tão desprovidas de cérebro, tão maldosas, tão vingativas, tão imbecis, que tenham prazer em destruir a própria casa, o seu património, o dos outros e fazerem pagar, a todos, o remediar destas situações, pois é do erário público que se vai pagar: uma cultura, um pinhal, uma casa. Temos esse tipo de gente entre nós?
Será que temos também alguém tão conhecedor do comportamento da flora, das leis da física, da química, da mecânica que engendre artifícios que funcionam repentinamente, com retardo, com circunstâncias especiais do tempo, que voem e larguem cargas incendiárias nos locais mais inacessíveis do nosso território, será que existe esse alguém? E agora, com a “guerra dos drones” podem estes “inginheiros” lograr mais uns bons dinheiros ao usarem a sua capacidade inventiva e de obediência a um patrão qualquer, mas agora na criação de modelos que resolvam problemas no dia-a-dia da sociedade e, já agora, que os magistrados deixem de imaginar que são todos, incendiários, doentes do foro psiquiátrico, “pobres coitados que não têm onde cair mortos”, e sentenciem, para que conste na jurisprudência e seja um acórdão mobilizador que ficam a dever à sociedade, descontado para o resto da vida no que recebem ou vierem a receber, 2, 3, 4% do salário ou rendimento como pena indemnizatória.
Não basta declarar aberta a “época balnear” e a “época dos fogos”.



