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Novo coronavírus junta-se ao velho “vírus” fascista no corpo de Ventura

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André Ventura diz que está contaminado com o novo coronavírus. Toda a gente sabe que ele foi contaminado, mas com o velho “vírus” salazarista, responsável por uma ditadura bem mais perniciosa que esta pandemia. Foram 48 anos de atraso cultural e industrial, três guerras coloniais com 10 mil mortos e centenas de milhar de feridos e incapacitados física e psicologicamente e só estamos a contar com o sacrifício dos soldados portugueses. Dos mortos africanos ninguém se maçou a contá-los…

Mas, enfim, sem outras considerações, se Ventura está mesmo contaminado com covid-19, não se pode queixar. Ventura andou meses a tentar fintar a sorte, menosprezando o perigo da pandemia, permitindo que o seu partido organizasse concentrações de pessoas que, pelas fotografias e imagens divulgadas, não cumpriam com as regras definidas pela Direção Geral de Saúde, num claro desafio às orientações do Governo. Foi uma atitude política, não deixando de ser uma desobediência, pela qual, de resto, Ventura e outros responsáveis do seu partido já foram acusados pelo Ministério Público.

Ventura terá sido infetado pelo novo coronavírus na passada sexta-feira, dia em que participou numa manifestação no Porto, precisamente contra o certificado de vacinação e as medidas decretadas pelo Governo para conter a pandemia. Ironias do destino. Nunca se quis vacinar e, agora, está obrigado a confinamento.

Terá de adiar todos os compromissos públicos agendados para os próximos dias. O dirigente da extrema-direita já fez, entretanto, dois testes e ambos deram positivo. Tem férias marcadas para os próximos dias e é bem possível que não possa viajar nestas circunstâncias.

Ventura tinha dito publicamente que seria “o último português a tomar a vacina”, atitude que terá encorajado outras pessoas a imitá-lo e a recusar a vacinação. Aliás, são públicas as ligações de vários militantes do Partido Chega a movimentos negacionistas.

Os duendes dos parques cascalenses

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Trata-se de uma assaz curiosa – e até inesperada! – publicação da Divisão de Arquivo, Bibliotecas e Património Histórico da Câmara Municipal de Cascais, excelente pretexto para aliciar a demorada visita a cinco parques cascalenses: o Parque Marechal Carmona, onde se assistirá à festa do rei Glei; o Parque Palmela, onde se falará de dragões e dragoeiros; o Parque da Ribeira dos Mochos, onde se irá à descoberta de outra terra; o parque da Quinta da Alagoa, de misteriosas esculturas; e, finalmente, o jardim do Museu Verdades de Faria, para aí escutar a alma da música.

Tudo, diga-se desde já, entremeado de deliciosos desenhos a cores – que Carolina Branco soube, às mil maravilhas, captar o verdadeiro sentido de tudo e mui sabiamente acompanhar a narrativa. Despretensiosamente (parece!…), verdadeiras obras de arte!

Por isso, cumpre vivamente congratularmo-nos com a feliz iniciativa.

A realidade

Tudo não passa de fantasia, claro! Mas é uma saborosa fantasia essa de imaginarmos esses magníficos espaços povoados de minúsculos seres, que, afinal, poderão estar por detrás dos troncos, das minúsculas flores, das folhas mais pequeninas, a espreitar, a convidar-nos para não andarmos assim tão depressa!…

É, porém, uma fantasia baseada na realidade e esse aspecto deve ser devidamente valorizado. Assim, no final de cada capítulo há um apêndice com fotografias do parque real e a explicação do que os duendes nos mostraram. Pergunta-se: «Que verdade liga a…?». Ou seja: amigos, o que é que, em concreto, está por detrás desta história?

Do Parque Marechal Carmona, nada é descurado na fantasiada descrição:

– a ribeira que vai desaguar na praia (o Canal-de-Água), nessa ânsia de comerciar e partir para outros horizontes;

– aquele estranho castelo (castelo será? Na história é Gruta-Castelo-de-Rei!…);

– e, sobretudo, a descoberta dos frutos necessários para a festa do rei: bolotas, castanhas, figos, amoras (ai, amoras, que o rei adorava!), verdadeira lição para todos…

Do Parque Palmela, ‘antigo espaço de recreio dos Duques de Palmela’, ressalta-se o pinheiro das Canárias «classificado como de interesse público, que, em 2006, tinha 24,5 metros de altura» (e quantos não terá agora?!) e, sobretudo «a fabulosa mata de dragoeiros».

Do Parque da Ribeira dos Mochos:

– os mochos e o seu bem estranho nocturno viver, que, a dado momento, se encontram com os morcegos (e como eles têm pena que os morcegos estejam a desaparecer!…);

– o viveiro municipal de plantas e flores;

– o antigo aqueduto e é por ele que os duendes não hesitam em se aventurar…

No Parque da Quinta da Alagoa, conta-se como a lagoa nasceu do buraco deixado por uma pedreira, as rãs entram na história assim como essas figuras míticas dos dinossauros com que, mui felizmente, a topiária soube adornar o espaço. Topiária, a arte de fazer jardins!

Por fim, o jardim que rodeia a Casa-Museu Verdades de Faria, onde se guardam, entre muitas outras, as relíquias do magnífico labor dos músicos Fernando Lopes-Graça, Michel Giacometti e Álvaro Cassuto. O Museu da Música Tradicional Portuguesa.

Linguagem simples, deveras acessível. As situações retratadas são as do quotidiano, plenas de apontamentos pitorescos:

«Foram encontrar os gnomos músicos a chapinhar no tanque mágico»;

«Viram as gotinhas de água a sair de uma maquineta que andava à roda, enquanto molhavam tudo à sua volta».

Dá gosto ler, mesmo por um adulto que não se coíba de se deixar levar pela fantasia como num retorno à infância.

Além dos aspectos típicos de cada parque para que, ao correr da pena, se chama a atenção – e que, no final dos capítulos, como se disse, são realçados – há que assinalar-se o rigor técnico da terminologia usada. Veja-se, por exemplo, o cuidado em informar serem de crinas as cordas dos violinos; que a madeira de epícea e de ácer são as adequadas para fabricar partes dos instrumentos musicais; que este têm alma e esta se reveste da maior importância para a qualidade do som.

Enfim, lições as mais variadas, a determinar ser esta uma leitura que obriga a parar de vez em quando, para se consciencializarem essas peculiaridades.

Os dragoeiros menosprezados pela Câmara

No rol das árvores citadas neste livro, ocupam os dragoeiros lugar primacial:

«O guardião da Mata dos Dragões não nos deixa entrar sem o salvo-conduto do Rei. Infelizmente tem de ser assim. Aquelas árvores são demasiadamente preciosas para o nosso Reino. Não nos podemos esquecer que é nosso dever protegê-las! (p. 87).

Assim deveria ser.

Chamam-se dragoeiros porque a sua seiva tem a cor do sangue dum dragão (dizia-se antigamente), bem carmesim. Era, por isso, usada em tinturaria. Neste caso, os duendes carecem dela para dar, nomeadamente às caixas dos violinos, aquela cor vermelho-acastanhada que lhes é característica.

Depois, porque existe no Parque Palmela – significativamente chamado no livro de Mata dos Dragões, como vimos – uma pequena floresta de dragoeiros, classificada “de interesse público” pela Autoridade Nacional Florestal (Aviso n.º 5/2012, de 16 de Março). Pequena, sim, mas basto significativa, pois, ao que parece outra não há deste tamanho no nosso País. E o dragoeiro é árvore bem bonita, convenhamos; a sua floração, exuberante!

Escreve-se, no título deste apartado, que a Câmara Municipal tem menosprezado essa pequena floresta. Tem. E importa explicar porquê. É que existem, dois painéis publicitários que impedem ao transeunte a visão plena desta beleza. Um é institucional, como se diz, ou seja, serve a publicidade da Câmara; outro foi concessionado.

Ora acontece que, entre as medidas de gestão, designadamente para melhor usufruto dessa mata de espécies únicas, foi proposta a retirada desses painéis.

Iniciou-se, por isso, a 21 de Março de 2017, nos serviços camarários, por pronta intervenção da Cascais Ambiente, o processo que propunha a retirada de, pelo menos, o painel institucional gerido pela Câmara. Esse processo seguiu todos os trâmites necessários em tais situações, sempre angariando pareceres favoráveis, tendo culminado com a proposta de concordância, por parte do Director do Departamento de Gestão Territorial, Luís Campos Guerra, datada de 12 de Julho de 2017. Houve ocasião, a 1 de Junho de 2020, de insistir na resolução do assunto (referência E-DCID/2020/8367).

Passaram, portanto, quatro anos e… nada! Já na imprensa local se falou disso amiúde. Aliás, Vasco Manuel Almeida da Silva, do Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves”, do Instituto Superior de Agronomia, publicara na revista Bouteloua, nº 21 (Junho de 2015), p. 123-133, o artigo «A mata de dragoeiros do Parque Palmela em Cascais (Portugal), contributos para a sua valorização».

Pode ser que estejamos enganados, mas, pelo menos aparentemente, o Executivo não se tem verdadeiramente empenhado para que os seus técnicos dêem seguimento à sugestão preconizada.

Conclusão

Publicou a Divisão de Arquivo, Bibliotecas e Património Histórico da Câmara Municipal de Cascais – e fez muito bem! – estes Contos dos Jardins de Cascais. Aí se faz claramente e com realce o elogio dos dragoeiros do Parque Palmela.

É, pois, mais um bom pretexto, mesmo antes de a campanha eleitoral autárquica começar, para que o Executivo faça jus à sua proclamada vontade de valorizar o património natural concelhio!

Padrão pichado

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Adivinha-se uma tormenta, ao nível das reações  à pichagem inscrita hoje no Padrão dos Descobrimentos.

Escrito em inglês, “velejaram cegos pelo dinheiro, a humanidade afunda-se num mar escarlate”. Algo que se pode entender como um protesto pela globalização que os portugueses iniciaram há 500 anos.

A PSP tomou conta da ocorrência, mas se não houver testemunhas que possam identificar quem escreveu o protesto, será mais uma para a gaveta do arquivo morto.

Joana Amaral Dias bloqueada no Instagram

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Joana Amaral Dias é uma mulher de armas e língua solta. Tem opiniões e pagam-lhe para as expressar. Que mais se poderia desejar na vida de uma comentadora? A abolição da censura, por exemplo… dirá a Joana, adivinho eu.

Aconteceu que a conta do Instagram de Joana Amaral Dias foi suspensa pela administração da rede. Razão ou razões para tal, não se conhecem. Mas, provavelmente, terão sido denúncias de outros utentes dessa rede social.

Alguma coisa ela disse que terá incomodado certas pessoas, mas fica difícil perceber o que terá sido. A Joana Amaral Dias fala sobre quase tudo. E sempre de forma assertiva.

Vejamos: nos últimos dias (no Facebook) abordou temáticas tão diferentes como, por exemplo, a falta de apoio ao desporto escolar e ao desporto de alta competição, a apresentação das declarações dos rendimentos dos juízes, o triste fim da Groundforce, as férias de Ricardo Salgado na Sardenha, a vacinação anti-covid em crianças e adolescentes, a proeminência de Durão Barroso, o assustador decréscimo da população portuguesa, recordou o percurso de Manuel Pinho “ativo tóxico”, as cauções exigidas a Luís Filipe Vieira e a Joe Berardo. Isto só para falar dos temas abordados durante o mês de agosto. Temas quentes, sempre acompanhados por fotos sugestivas da comentadora…

Ora, é fácil de perceber que criticando alguns aspetos da campanha de vacinação, por exemplo, se pisem as linhas vermelhas definidas pelos gestores das redes sociais que fizeram um acordo com os governos para combater fake-news e desinformação organizada. Eventualmente, Joana Amaral Dias terá cometido algum desses pecados lesa-majestade da atualidade.

Algés, biblioteca renovada para ser sala de estar da comunidade

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“Impunha-se uma renovação, aliás, impõe-se uma renovação às três bibliotecas. Por algum lado, tínhamos de começar”, revela Gaspar Matos, que lembrou ainda que o projecto começou a ser desenhado em 2019. “Primeiro numa formação e interacção com o apoio da Novabase num processo que eles chamam de design thinking, em que colocamos no papel ou verbalizamos tudo o que existe mas depois também colocamos em causa”, no sentido em que o que se dá como certo também pode ser questionado. A equipa chamada a essa tarefa foi constituída por antigos funcionários, trabalhadores da Câmara e mesmo utilizadores convidados. Mais tarde foi feito o que se pode chamar de trabalho de campo: “Essa formação também tinha uma componente externa em que vínhamos às bibliotecas fazer entrevistas aos utilizadores no espaço, perguntando-lhes o que lhes agradava e desagradava”, explicou Gaspar Matos.

Para o responsável, “o paradigma actual das bibliotecas é de olhar para estes espaços como sendo de socialização e de interacção entre a comunidade. E isso quebra um pouco aquela ideia que nós temos da biblioteca mais conservadora e silenciosa… essa apropriação por parte dos utilizadores divide-se em duas partes. Se metade das pessoas quer de facto um espaço altamente informal onde se pode falar um pouco mais alto, onde há uma relação inter-geracional dos mais novos com os mais velhos, os estudantes entre si, há de facto outra parte dos utilizadores que estimam muito essa característica de silêncio e essa característica do estudo e do trabalho também”, considera. E unir essas duas visões foi um dos objectivos deste processo, defende. Dá mesmo o exemplo das bibliotecas escandinavas que visitaram no processo de formação, que conciliam ambas as visões do que deve ser uma biblioteca: “independentemente de uma grande informalidade nos espaços, há sempre espaços que mantêm algumas características da biblioteca tradicional, porque as pessoas estimam essa mais valia que é o silêncio, como potenciador do estudo e do trabalho. E isso para nós foi curioso, porque tínhamos uma ideia de que as bibliotecas do norte da Europa estavam com um paradigma diferente, de informalidade em todo o lado. Existe de facto essa informalidade, mas existe a preservação dos espaços de estudo e de investigação e de trabalho”. Um exemplo são as salas, construídas de raiz nas bibliotecas desses países, onde por exemplo se realizam reuniões de condomínio ou de associações locais.

Decidiram por em prática a visão de que a biblioteca é mais do que um depósito de livros. “Nós pegámos na colecção, nos livros, tiramos uma boa parte deles que estão no depósito, ou seja, estão na Bibilioteca de Oeiras mas nas caves; estão assessíveis através da internet (a pessoa pode ir à Internet, ao catálogo, e pede o livro) mas aqui tentamos que a colecção estivesse o mais actualizada possível mas com menos escolha”. “Para termos estes sofás, estas mesas, e a pessoa pode estar a estudar, a ler ou até a conversar. Isso foi um factor muito importante”, frisa.

Gaspar Matos recordou ao Duas Linhas um chavão francófono dos anos de 1980: a biblioteca enquanto sala de estar da comunidade. Fez ainda um paralelismo com o gosto que cada pessoa tem, ocasionalmente, de actualizar a decoração das várias divisões de casa, para explicar a necessidade de renovar a decoração e as funcionalidades que são mais contemporâneas na Biblioteca de Algés.

O segundo confinamento, ocorrido em Janeiro deste ano, levou a uma nova abordagem na biblioteca: o funcionamento ao postigo. “E isso é um sinal muito positivo de que a cultura e a informação interessam, que a saúde mental também interessa. Há uma frase muito bonita de Federico Garcia Lorca que diz que, se um dia fosse preso, e estivesse com fome, não pedia um pão. Pedia meio pão e um livro”, frisa Gaspar Matos, para quem o facto das pessoas, ao fazerem os seus passeios higiénicos, poderem ir requisitar um livro à biblioteca é uma mais valia que não interferiu com as questões de saúde pública.

Sobre a nova era digital, “há males que vêm por bem. É óbvio que preferíamos que este mal não tivesse existido, mas houve serviços e dinâmicas que se calhar só se iriam materializar daqui a quatro ou cinco anos com calma… a determinada altura tudo é posto em causa”.

Luís Gonçalves, coordenador da biblioteca algesina, recorda a reabertura e descreve a receptividade das pessoas como “muito boa” porque “gostam daquilo que vêem”, mas garante que procuram sempre saber o que os utilizadores gostam ou não gostam e vão adaptando a biblioteca, num edifício histórico que já foi um casino e uma escola, entre outras utilizações.

Gaspar Matos assinala também que a Biblioteca de Algés foi uma das primeiras do País a ter o selo Safe and Clean, devido à aposta muito reforçada na limpeza e higienização dos espaços.

Mais bibliotecas em Oeiras

Gaspar Matos defende ser “uma necessidade” o alargamento da rede de bibliotecas públicas em Oeiras: “existe uma projecção para uma biblioteca em Linda-a-Velha, na medida em temos uma densidade populacional muito grande neste eixo Algés-Linda-a-Velha-Carnaxide”. Deseja ainda “uma bilbioteca em Queijas, [freguesia] que já terá com certeza mais do que dez mil habitantes, outra em Queluz de Baixo, e outra em Porto Salvo”. “Se a biblioteca é a tal sala de estar da comunidade, tem de estar próxima, e nós neste momento temos no concelho Oeiras e Algés junto ao rio, e depois aquele núcleo urbano bastante grande que é Carnaxide”.

Outro projecto para o futuro é uma biblioteca móvel, à semelhança das que a Fundação Calouste Gulbenkian já disponibiliza para as populações. “Temos outra realidade que ainda não está no terreno, que é o Bibliomóvel, uma carrinha devidamente equipada que cumprirá as mais diversas funções: tanto pode estar na praia no verão como pode estar num jardim, como no Nos Alive, no Parque dos Poetas, como em Leceia… já está a ser preparada; tal como os carros dos bombeiros são carros de série que depois são transformados, aqui é uma carrinha de série que depois é transformada – tem de levar estantes, equipamento de difusão de internet… depois colocar a colecção, e depois criarem-se os roteiros”.

Crime perfeito, o psicopata

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Julgar e condenar à prisão um psicopata não resolve o problema social que ele representa. Durante o tempo em que está encarcerado, o psicopata é mais facilmente controlável, mas não deixa de ser um perigo para os restantes detidos e, até, para os funcionários dos estabelecimentos prisionais.

Quando cumpre a pena de prisão a que foi condenado, a libertação da pessoa pode significar também a libertação dos delírios e demónios que o levaram antes a cometer crimes. É frequente um psicopata guardar rancores e desejos de vingança durante muitos anos, numa paciente espera de oportunidade para os consumar.

É neste drama que vive a família de Carla e Marcelo Santos, irmãos assassinados por Moisés Fonseca que cumpre 20 anos de cadeia, pena imposta pelo tribunal que julgou a morte de Carla.

Moisés confessou igualmente ter morto o irmão de Carla, mas esse crime nunca foi julgado. O criminoso nunca revelou onde escondeu o corpo de Marcelo e, sem corpo, parece que a Justiça não tem como julgar o caso, apesar de haver uma confissão.

Moisés Fonseca foi avaliado por psiquiatras, a pedido das instâncias judiciais. A perícia psiquiátrica nunca foi divulgada publicamente. Trata-se de uma questão sujeita a segredo médico.

No entanto, quem consultou o processo sabe o que lá consta. E o que consta nesse relatório psiquiátrico é que Moisés Fonseca é um psicopata. Desse relatório destacamos as seguintes conclusões: Moisés é uma pessoa “impulsiva, sem tolerância à frustração, estabelecendo um contato interpessoal impaciente, intransigente, produzindo um discurso confuso, desorganizado e focado em questões que só interessam a ele próprio.” Será, assim, alguém que “tem prazer em causar sofrimento aos outros, sem arrependimento”, dizem-nos.

Segundo a nossa fonte que cita peritos do Instituto de Medicina Legal que o observaram, Moisés será alguém com uma “personalidade egocêntrica, arrogante e falta de empatia, desprezando ou minimizando os outros, considerando-se acima das regras, procurando recorrentemente ostentar os seus feitos e transmitir as suas ideias de grandeza e de autorreferência. Contudo, quando esta fachada ilusória cai, o que acontece facilmente, surgem os conteúdos altamente disfóricos (negativos) da sua personalidade, emergindo os laivos da raiva e de impulsividade que visam protegê-lo das suas fraquezas sem as admitir nunca.”

Ora, se estamos perante um estado clínico sem cura nem efetivas possibilidades de controlo, quem garante que depois de cumprir a pena não volta tudo ao princípio: às ameaças, ao bullying, à morte?

É nesta angústia que vivem os filhos de Marcelo e Carla, os pais, a família das vítimas de Moisés. O matador está na cadeia, mas a pena termina em março de 2034. Daqui a menos de dois anos atingirá o meio da pena e poderá  pedir saídas precárias do estabelecimento prisional. Mesmo que isso não lhe seja concedido, porventura, sairá da prisão por força da lei em julho de 2027, ao atingir 2/3 da pena.

Tic – tac – tic – tac – tic – tac… o relógio não pára. Quem protege as vítimas de Moisés Fonseca? Que programas existem de proteção às vítimas deste tipo de crimes? O Estado tem responsabilidades sobre as quais não se pode demitir.

(continua)

Juiz aceitou caução de Luís Filipe Vieira

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O antigo presidente do Benfica já pode sair de casa, mas continua sem poder sair do país. O passaporte continua apreendido, embora ele não precise dele para nada para viajar no espaço da União Europeia.

O que poderá “prender” Luís Filipe Vieira são duas premissas: estar na realidade inocente e, portanto, não ter medo das investigações e de eventuais julgamentos; não querer perder os 3 milhões de euros da caução face às probabilidades de não ser condenado.

O juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, Carlos Alexandre, aceitou à segunda vez as garantias que Luís Filipe Vieira deu, pondo à disposição da Justiça imóveis e dinheiro vivo que somados atingirão o valor estipulado para a caução.

Na semana passada, o juiz tinha recusado os bens arrolados pelo ex-dirigente benfiquista, porque considerou que as ações do Benfica avaliadas em cerca de 1 milhão e meio de euros não representavam um valor seguro, podendo desvalorizar rapidamente e passar a valer menos que o pretendido.

O juiz não deixa de ter razão, até porque este caso que envolve a pessoa que dirigiu o clube durante quase duas décadas poderá ser, realmente, por si só, causa para a desvalorização dessas ações.

Luís Filipe Vieira fica ainda sujeito às outras medidas de coação que lhe foram impostas, nomeadamente a proibição de abandonar o país e de contactar com os arguidos do processo, à exceção do filho (igualmente arguido neste processo).

Justiça contra a Justiça, na entrega dos gémeos a Anabela Caratão

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Anabela Caratão tem sido destroçada por uma certa Justiça. Tiraram-lhe os filhos gémeos quando eles tinham 4 meses de idade. Até hoje. Mas um extenso acórdão da Tribunal da Relação de 2019, agora conhecido, lança dúvidas sobre a retirada destes filhos à mãe.  

Tudo aconteceu na altura em que a Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco era presidida pelo juiz Armando Leandro de 82 anos de idade. Que fez esta surpreendente declaração na reportagem “Quanto Custa Criar” da RTP 1. 

O juiz Leandro estará alegadamente isento de culpas. Mas durante 12 anos nunca foi assistir a uma única retirada violenta de crianças, embora a média anual de institucionalização de crianças seja superior a 7400 crianças retiradas às famílias e enviadas para lares!

No acórdão assinado pelos juízes Rui Moura, Mário Silva e José Moita afirma-se que “nem sequer se pode entender (ou melhor compreende-se na vertente punitiva) porque é que as técnicas entendem que o convívio com o progenitor ALCOÓLICO ASSSUMIDO (a letra maiúscula é dos juízes) é útil para o menor (um dos gémeos retirados com meses) e a mãe, a quem não são apontados quaisquer atos de agressividade ou perigosos, o não pode fazer”

excerto do despacho judicial

O despacho é da 8ª Secção Judicial do Tribunal da Relação de Lisboa, com data de 16 de Maio de 2019 e admite a possibilidade de existir uma mão por detrás de certos actos da Justiça, que assobia para o ar por razões que interessa apurar. 

Podemos começar pelo caso do ex-juiz Rangel, dos presidentes acusados do Tribunal da Relação de Lisboa e dos alegados juízes executores dos “pedidos”. Cujos nomes continuam desconhecidos. Mas a área dos menores retirados violentamente a famílias pobres ou vulneráveis, deveria ser especialmente averiguada.

No despacho do Tribunal da Relação de 2019, os juízes dizem: “importa pois que seja reposta a justiça que foi negada naquela nula decisão ordenando-se a imediata reposição das visitas da Recorrente (Anabela Caratão) ao seu filho, que foi barbaramente separado do seu irmão gémeo e da sua progenitora pelos fundamentos sobejamente explanados nos autos”.

Tudo isto é uma enorme vergonha para o Estado de Direito democrático português. O que se esconde por detrás deste escandaloso caso?

Prémios olímpicos, chuva de dinheiro

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Já se sabe que não há jantares de borla. Ora, sendo assim, não admira que a obtenção de medalhas olímpicas tenha um valor atribuído. Ou seja, quem sobe ao pódio ganha dinheiro. Quem paga não é o Comité Olímpico Internacional, no caso de Portugal é o Comité Olímpico Português através de uma subvenção atribuída pelo Governo.

Quanto vale uma medalha de bronze? 20 mil €. Uma medalha de prata vale 30 mil e uma de ouro… 50 mil €.

Os prémios foram aprovados em 2018, portaria 332-A/2018, e diz que “os prémios em reconhecimento do valor e mérito de êxitos desportivos constituem-se como um estímulo adicional de superação para os nossos melhores atletas de alto rendimento, de todas as modalidades desportivas com utilidade pública desportiva, que dignificam o País através da conquista dos mais altos patamares desportivos internacionais.”

A lei alarga a atribuição destas recompensas a todo o universo desportivo de alta competição, dizendo que se trata de “prémios a atribuir por resultados obtidos em Jogos Olímpicos, Jogos Paralímpicos e Campeonatos do Mundo e da Europa, estimulando ainda as representações multidesportivas nacionais em eventos como as Universíadas, os Jogos Mundiais e os Jogos Surdolímpicos.”

A tabela é a seguinte:

fonte https://dre.pt

Foram ainda definidos prémios para compensar a obtenção de recordes. Por exemplo, um recorde Olímpico, Paralímpico ou do Mundo vale 15 000 €.

As medalhas podem ser de bronze, prata ou ouro, mas as notas de 100 € são verdes, mesmo. Sendo assim, depois do esforço e da dedicação e dos sacrifícios e da abnegação, a recompensa não é má.

Saltou e venceu

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Esta medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2021 já ninguém lha tira. O imigrante cubano Pedro Pichardo venceu em nome de Portugal o triplo salto com a marca de 17,98 metros, novo recorde de Portugal e melhor marca mundial do ano, até agora.

Pedro escolheu Portugal para viver e aqui desenvolver as suas capacidades atléticas. Uma escolha que nos deixa felizes e que o país deve fazer por merecer, não só no que diz respeito a Pedro Pichardo como a todos os outros imigrantes que aqui vivem igualmente.

De resto, o triplo salto é uma modalidade do atletismo com tradições em Portugal. Temos tido alguns “gafanhotos” de realce, como é o caso de Nélson Évora que, hoje, vive já o ocaso de uma brilhante carreira atlética.

Medalhas de ouro para Portugal em Jogos Olímpicos não têm sido muitas. Pedro Pichardo, de 28 anos, junta-se a uma restrita lista de campeões olímpicos portugueses, na qual constam também os nomes de Carlos Lopes (1984), Rosa Mota (1988), Fernanda Ribeiro (1996) e Nelson Évora (2008).