Crime perfeito, o psicopata

A psicopatia é um distúrbio mental. É uma doença, portanto. De entre todas as doenças mentais, a psicopatia será das mais difíceis de diagnosticar e detetar. É até banal que um psicopata seja considerado uma pessoa encantadora. Porque acontece que estas pessoas são mestres no disfarce. Mas, na verdade, ao psicopata falta consciência e empatia. Não gosta de ninguém, exceto dele próprio. É um manipulador. É inconstante e a perturbação mental pode levá-lo a cometer crimes. A psicopatia nos adultos é dificilmente curável ou, sequer, controlável. A única maneira de proteger a sociedade destas pessoas será interna-las em instituições especializadas.

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Julgar e condenar à prisão um psicopata não resolve o problema social que ele representa. Durante o tempo em que está encarcerado, o psicopata é mais facilmente controlável, mas não deixa de ser um perigo para os restantes detidos e, até, para os funcionários dos estabelecimentos prisionais.

Quando cumpre a pena de prisão a que foi condenado, a libertação da pessoa pode significar também a libertação dos delírios e demónios que o levaram antes a cometer crimes. É frequente um psicopata guardar rancores e desejos de vingança durante muitos anos, numa paciente espera de oportunidade para os consumar.

É neste drama que vive a família de Carla e Marcelo Santos, irmãos assassinados por Moisés Fonseca que cumpre 20 anos de cadeia, pena imposta pelo tribunal que julgou a morte de Carla.

Moisés confessou igualmente ter morto o irmão de Carla, mas esse crime nunca foi julgado. O criminoso nunca revelou onde escondeu o corpo de Marcelo e, sem corpo, parece que a Justiça não tem como julgar o caso, apesar de haver uma confissão.

Moisés Fonseca foi avaliado por psiquiatras, a pedido das instâncias judiciais. A perícia psiquiátrica nunca foi divulgada publicamente. Trata-se de uma questão sujeita a segredo médico.

No entanto, quem consultou o processo sabe o que lá consta. E o que consta nesse relatório psiquiátrico é que Moisés Fonseca é um psicopata. Desse relatório destacamos as seguintes conclusões: Moisés é uma pessoa “impulsiva, sem tolerância à frustração, estabelecendo um contato interpessoal impaciente, intransigente, produzindo um discurso confuso, desorganizado e focado em questões que só interessam a ele próprio.” Será, assim, alguém que “tem prazer em causar sofrimento aos outros, sem arrependimento”, dizem-nos.

Segundo a nossa fonte que cita peritos do Instituto de Medicina Legal que o observaram, Moisés será alguém com uma “personalidade egocêntrica, arrogante e falta de empatia, desprezando ou minimizando os outros, considerando-se acima das regras, procurando recorrentemente ostentar os seus feitos e transmitir as suas ideias de grandeza e de autorreferência. Contudo, quando esta fachada ilusória cai, o que acontece facilmente, surgem os conteúdos altamente disfóricos (negativos) da sua personalidade, emergindo os laivos da raiva e de impulsividade que visam protegê-lo das suas fraquezas sem as admitir nunca.”

Ora, se estamos perante um estado clínico sem cura nem efetivas possibilidades de controlo, quem garante que depois de cumprir a pena não volta tudo ao princípio: às ameaças, ao bullying, à morte?

É nesta angústia que vivem os filhos de Marcelo e Carla, os pais, a família das vítimas de Moisés. O matador está na cadeia, mas a pena termina em março de 2034. Daqui a menos de dois anos atingirá o meio da pena e poderá  pedir saídas precárias do estabelecimento prisional. Mesmo que isso não lhe seja concedido, porventura, sairá da prisão por força da lei em julho de 2027, ao atingir 2/3 da pena.

Tic – tac – tic – tac – tic – tac… o relógio não pára. Quem protege as vítimas de Moisés Fonseca? Que programas existem de proteção às vítimas deste tipo de crimes? O Estado tem responsabilidades sobre as quais não se pode demitir.

(continua)

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