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A NOITE DOS ASSASSINOS

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Pode a afirmação ser polémica; contudo, perfilho a opinião de que o quadro de um artista mais rico é quanto mais leituras e interpretações proporcionar. Assim, «A Noite dos Assassinos».

Hoje, depois de ter lido e relido a apresentação que Miguel Graça, o homem que que, diligentemente e com a maior competência, se encarregou – como, aliás, o tem sido – da dramaturgia da peça, consolidei essa ideia: leituras variadas pode ter esta clausura de três irmãos não se sabe bem onde, se num sótão, numa cave ou num quarto esconso, para perpetrar – ou já perpetraram! – a morte dos pais.

Diga-se, para já, que os mui dignos senhores da censura não gostaram, quando, em 1970, Jorge Listopad a encenou para o TEC, tendo como actores Manuela de Freitas, Maria do Céu Guerra e Sinde Filipe. Viram uma vez, viram duas, houve alguma pressão para que se não esperdiçasse o trabalho feito, mas as ‘influências’ não surtiram efeito e, para os censores, aquilo não poderia ser mostrado – e pronto!

Desabafa Listopad:

«Foi o meu melhor espectáculo, porque acabado e não consumando. Obra interrupta, o navio proibido de navegar, sem conserto, condenado. Ainda vejo os carrascos a voltar à esquina, à procura do motorista fardado».

Acredito que – por esse motivo e não só – esse tenha sido o seu «melhor espectáculo», porque acredito também nos amargos de boca que teve Carlos Avilez para mui rigorosamente dirigir os actores, acompanhado por Fernando Alvarez, que estudou os figurinos e a cenografia.

Na verdade, o texto em si – que me perdoe Orlando Neves, o autor da tradução – acaba por perder-se, até porque a articulação dos actores (refiro-me à noite de estreia) não permitiu uma audição nas melhores condições. O que mais se recorda, posso estar errado, é, de modo especial, o peso da atmosfera, os ferros nus do mobiliário, a austeridade suprema. E, sobretudo, o som cavo daquela porta metálica ao fechar, isolando os personagens do exterior… Fez-me lembrar igual porta, grande e metálica e pesada, que se fecha atrás de nós, ao entrarmos, em Berlim, no Museu do Holocausto…

Fecharam-se em si, com os seus medos, as suas dores, os seus ódios, a lúgubre visão de algo para que não há saída visível. Podem transformar-se em juízes, em réus; podem agarrar numa longa faca – qual catana – prontos  a desfechar golpe mortífero no primeiro que lhes aparecer pela frente; podem sonhar… mas o seu sonho não ultrapassa a espessura daquelas paredes!…

Se saímos acabrunhados?

Saímos!

Retemos, porém, as imagens fortes de três magníficos actores (Elmano Sancho, Lia Carvalho e Teresa Coutinho), sempre em cena, que estudaram todos os pormenores, todas as entoações, todos os gestos, todos os movimentos, nem de mais nem de menos, numa tensão de que só no final, ao agradecerem os aplausos, terão sentido algum alívio. Que o drama também os afectou, porque optaram por o fazer seu, por mostrarem que… ia a escrever que há conflitos de gerações, porque essa tem sido – a par da possível imagem de uma Cuba antes de Fidel e sob a outra ditadura – uma das interpretações desta Noite.

Aceito.

Como aceito – oh! se aceito! – que o teatro aí está para desmascarar uma realidade de que discordamos. E quando, ao sair, ousamos ligar-nos à Comunicação e, por ela, ao mundo, vemos o homem que, à machadada, mata crianças; o jovem que, à facada, mata a mãe; os judeus que matam palestinianos e palestinianos que matam judeus; que se entra numa mesquita e se espalha o terror… É verdade: o teatro aí está, para, em pouco menos de duas horas, num espaço fechado, dialogar connosco, em jeito de quem pergunta: «É isto o que realmente queres?».

Respondemos «Não!». Não temos, porém, as armas para o conseguir.

No final da estreia, como é habitual, por ser Dia Mundial do Teatro (27 de Março), foi lida  a mensagem da atriz egípcia Samiha Ayoub, de que tomo a liberdade de colher esta passagem:

«Cabe-nos a nós, dramaturgos, portadores da tocha que ilumina desde a primeira aparição do primeiro ator no primeiro palco, estarmos na vanguarda da confrontação com tudo o que é feio, sangrento e desumano. Confrontamos isso com tudo o que é belo, puro e humano. Somos nós, e mais ninguém, quem tem a capacidade de espalhar vida. Espalhemo-la juntos, em nome de um só mundo e de uma só Humanidade».

Assim é.

SEGREDOS DE GUERRA

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Quando há dias se noticiou que havia documentos secretos da NATO a circular nas redes sociais, a coisa foi vendida como sendo mais uma ação de guerra da Rússia. Mas fica difícil perceber o sentido que faz a Rússia obter documentação secreta e divulgar que o fez.

A espionagem funciona no segredo, na dissimulação. Obter vantagem sem que o inimigo perceba. Fora disto, é contrainformação e o alvo principal é o público, embora também possa ter o objetivo de desmoralizar as tropas inimigas.

Neste contexto, o melhor é manter alguma distância relativamente à “notícia” e aos papéis que nos mostram. Neste caso, os documentos alegadamente top secret são, basicamente, projeções sobre movimentações militares, treinamento de tropas, fornecimento de equipamentos e armamento, número de efetivos no campo de batalha e relatórios sobre baixas.

Algumas das folhas alegadamente com informação secreta da NATO que circulam nas redes sociais

Sobre soldados mortos em ação, se quisermos acreditar no que os papéis dizem, a Ucrânia tem andado a contar mentiras, assim como os seus aliados ocidentais. Os documentos afirmam que a Rússia sofreu perdas de tropas que variam de 16.000 a 17.500, enquanto as perdas ucranianas chegam a 71.500 – o que está em desacordo com a narrativa triunfalista de Zelensky. Segundo estes documentos, morrem 4 soldados ucranianos contra 1 dos russos. Em público, os aliados da Ucrânia garantem que são os russos que morrem mais e o número de 180 mil mortos russos já foi dito mais do que uma vez.

A AGÊNCIA LUSA DEPOIS DE 4 DIAS DE GREVE

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Depois de 4 dias de greve dos trabalhadores, a administração da agência de notícias Lusa mantém-se em silêncio.

Numa reunião a pedido dos sindicatos representativos dos trabalhadores, o presidente do Conselho de Administração informou que ainda não recebeu autorização do Ministério das Finanças para aplicar à Lusa o aumento de 6,3%, semelhante ao aprovado pelo Governo para a Função Pública.

De qualquer forma, mesmo esse aumento não irá satisfazer as exigências dos trabalhadores da Lusa, que reivindicam 100 € de aumento em todos os níveis salariais. Os trabalhadores da Lusa lembram que são 100 € para compensar minimamente 12 anos sem aumentos salariais. Ou seja, 10 € por ano, apenas.

Neste impasse, os sindicatos anunciaram um novo plenário a realizar dentro de dias. Nessa reunião, os trabalhadores irão decidir o que fazer.

Entretanto, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República um requerimento para ouvir com carácter de urgência o ministro das Finanças Fernando Medina na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, a propósito da situação na agência de notícias.

Não é a primeira tentativa de levar Fernando Medina a falar sobre este assunto, mas o pedido anterior foi chumbado pelo PS. Provavelmente, o mesmo irá acontecer agora.

O PRÉMIO NOBEL DA PAZ

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Sir David Attenborough levou décadas a calcorrear o mundo, a falar com todos seres vivos da Terra, depois de observar o seu comportamento.

Com ele aprendemos que a delicadeza, o cuidado com a fragilidade de uns, ou o respeito pela superioridade de outros, conduz a padrões de serenidade aceitável para uma convivência pacífica entre as diferentes espécies.

Tantas gerações o viram, ouviram, aprenderam com ele que temos que estudar-nos, respeitar as diferenças e o espaço a que temos direito, para haver harmonia. Desde  2006 e ainda hoje à beira dos 97 anos, não desiste da esperança de ver reduzido o aquecimento global, o bom-senso prevalecer sobre o caos climático, o futuro da humanidade ficar garantido. É comovente ver que não abdica dessa convicção.

A muito jovem Greta Thunberg foi zurzida com recriminações e ironia quando, em 2018, apareceu com o seu ar de adolescente insegura, a lembrar que era preciso salvar o planeta. Havia nas suas palavras uma acusação implícita aos líderes mundiais que não promoviam medidas conducentes  a uma rápida alteração climática.

Teria alguém por detrás, decerto uma consciência ambiental que lhe daria o apoio necessário. E por que não? Essa consciência fazia falta como oposição à irresponsabilidade criminosa de outros, sempre  protegidos pela impunidade.

As sociedades tecnológicas, armadas até aos dentes, teimaram na sua política de exploração, até à insanidade, de recursos naturais e pessoas vulneráveis, sem  prescindir um cêntimo dos fabulosos ganhos que sempre acumularam.

Poupar as florestas, os seres vivos que as habitam? Limpar os mares poluídos até à saturação? Evitar os conflitos servidos por sofisticados meios bélicos que poluem os ares que respiramos, antes de arrasar infaestruturas essenciais à vida humana? Os lucros falam mais alto. É patológico.

Um jovem que conheço, certa vez a mergulhar no Mar Vermelho, foi surpreendido por um golfinho que lhe apareceu com um saco de plástico na boca. Sim um golfinho tem boca, sabe beijar. Tem capacidades cognitivas, ou senciência, consegue discernir.

O jovem tomou aquela atitude por uma brincadeira ocasional, mas o golfinho voltaria outra vez…e ainda outra, com mais plástico para lhe entregar. Uma mensagem tão explícita que qualquer humano de inteligência média entenderia. A inteligência dos homens que lideram os destinos do mundo em certas paragens, parece muito limitada.

Os obsessivos pelo poder esquecem-se da efemeridade da existência de todos e continuam a semear ventos para destruir alguns, muitos, o maior número possível,  Agora todos colhemos vendavais, porque o mundo é um só com vários compartimentos que precisam de comunicar-se.

O que conforta saber, é que há uma consciência juvenil abraçada por poucos, que dá ânimo aos que são jovens há muitos anos, para continuarem a lutar pelas mesmas ideias que os animou uma vida inteira. Uma vida longa.

São eles todos que fomentam a paz.

Greta Thunberg, com apenas 20 anos, já recebeu distinções significativas e ainda tem uma vida inteira pela frente, como outros nomeados, para receber todos os tributos e prémios a que tiver direito. David Attenborough também tem sido agraciado com inúmeras distinções, mas não lhe restam muitos anos para receber a maior.

Merece esse reconhecimento enquanto estiver entre nós (estará sempre, de algum modo) porque as homenagens póstumas não servem  a quem partiu.

Gostava muito, eu e uma legião de fãs por esse mundo fora, que ele ganhasse este ano o Prémio Nobel da Paz.

Guardo memórias ainda frescas da Páscoa na minha aldeia.

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Neste tempo de Páscoa, percebo, ano após ano, que eu posso ter saído da aldeia, mas a aldeia não saiu de mim.

A excitação da época pascal começava no Domingo de Ramos. Sem fé e sem o mínimo conhecimento do significado dos rituais religiosos desta época, só me interessavam as cruzes feitas de canas e enfeitadas com alecrim, rosmaninho, jarros brancos e outras flores da primavera. De vestido domingueiro, eu percorria a longa rua da aldeia, do cruzeiro até à igreja, erguendo a minha cruz bem alto. Aí, juntava-me às miúdas da minha criação, umas com cruzes, outras com singelos ramos, e cumpríamos escrupulosamente os ritos da missa do Domingo de Ramos, que terminava abençoando-os com água benta.

Como toda a gente, eu acreditava na diferença entre água benta e água vulgar, pela pia de pedra onde se encontrava, à entrada da igreja, ou outros recipientes onde se guardava. Tal como acreditava que era sangue de Cristo que o padre bebia por um copo de prata, e o corpo de Cristo que ele dava a comer em forma de hóstias a todos aqueles a quem a confissão limpara a alma.

Mas era o Domingo de Páscoa que me enchia de alegria. Adorava percorrer a aldeia atrás da pequena comitiva de acólitos de Cristo, envergando a opa vermelha, um rapaz levando o crucifixo, outro a caldeirinha com água benta, que iam entrando nas casas de porta aberta e dando o crucifixo  a beijar a todos os presentes, repetindo  “corpo de Cristo”, dispostos à volta duma mesa, farta de iguarias doces, de que o folar era o rei.

Raramente se demoravam para comer uma fatia de bolo ou beber uma jeropiga, porque era longa a rua e este ritual tinha de ser repetido em quase todas as casas.

Lembro-me dos tempos em que era o pároco da aldeia a conduzir o rito da visita pascal e assisti, incrédula, à sua substituição por leigos. Compreendi, já adulta, que a idade avançada do pároco e as várias paróquias nas quais tinha de zelar pela alma dos paroquianos, forçara aquela e muitas outras mudanças, atribuindo aos leigos cada vez mais responsabilidades.

O ateísmo, não confesso, da minha mãe e a ausência do meu pai, que na época pascal já tinha regressado aos Estados Unidos, onde estava emigrado, faziam da minha casa uma das raríssimas em que a cruz não entrava. Em que “não se beijava o Senhor”, como se dizia então e se diz ainda.

Talvez por isso eu tivesse tanto gosto em entrar nas casas de porta aberta e o tenha conservado até à idade adulta, já bem adulta, ritual que cumpria, ano após ano, sempre com a minha amiga Judite. Eram as férias da Páscoa, tempo de regressar às nossas origens, nós e tantos outros portugueses, vindos das cidades e também de países estrangeiros onde estavam emigrados.

Entrávamos nas casas de familiares, cumpríamos o ritual de “beijar o Senhor” e não fazíamos cerimónia para comer umas fatias de bolo e beber um cálice de jeropiga. A nossa tarde do Domingo de Páscoa era passada neste caminhar, entrar e sair, com pouco tempo para conversas. Mas havia duas casas onde nos demorávamos tempo bastante para pôr a conversa em dia: a da dona Adelina e do senhor Germano, a meio da longa rua da aldeia, e a do dr. Hélder, última casa a ser abençoada com a visita pascal.

Dona Adelina, de quem me recordo desde sempre com os cabelos cor de neve, mãe da minha colega de escola, Maria da Conceição, Sãozita como lhe chamávamos, abria-nos a porta e abria os braços para um caloroso abraço que devia durar um ano. Dizia, como se, cada vez que me via, acabasse de me reconhecer: “Minha Alice!”

Uma mesa repleta de iguarias doces, feitas por mãe e filha, uma sala impecavelmente limpa e alindada para a ocasião convidava a um longo momento de degustação e conversa. Quem morreu, quem casou, quem se divorciou, quem teve filhos…. Ali se desfiava o rosário das ocorrências da aldeia, enquanto discretamente eu ia olhando o relógio e lembrando a Judite que ainda deveríamos ir a casa do dr. Hélder.

Um foguete de artifício anunciava a chegada ao fim da aldeia, daí até à última casa da visita pascal, já na volta, era coisa de meia hora, tempo bastante para mais um cálice de jeropiga, um abraço, um “Deus queira que para o ano ainda cá estejamos todas, com saúde.”

Depois, em passo apressado, percorríamos a rua até ao cruzeiro, em frente ao qual terminaria a visita pascal, em casa do dr. Hélder, numa sala que só era aberta nesse dia. Chão, móveis, loiças, cristais, naperons, retratos na parede, tudo era escrupulosamente limpo para receber os emissários de Cristo. Ali se juntavam os familiares e os vizinhos da rua, que tem o nome do seu pai, Sargento Abreu, por sinal também a rua da casa dos meus pais.

Ali nos demorávamos, até ser já noite cerrada, os acólitos de Cristo e mesmo os que, sem fé, não esqueciam as tradições. 

Assim recordo a Páscoa, muitos que já partiram para a terra do “nunca mais de lá voltam”,  o domingo da cruz e caldeirinha, o dia de “beijar o Senhor”, as ruas perfumadas com cheirinho de alecrim e rosmaninho e as casas com o cheiro do folar, cozido e dourado no forno a lenha.

SINTRA, GREVE FECHA PALÁCIOS E PARQUES

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Hoje, 1º dia da greve, foi dia de manifestação junto ao Palácio Nacional de Sintra e Câmara Municipal. O momento para realizar esta greve não foi escolhido por acaso, a Páscoa costuma ser época alta em Sintra, com muitos milhares de turistas a visitar a vila, os seus museus e parques. Desta vez, vão bater com o nariz nos portões.

As razões para a greve são várias, mas talvez a pecuniária seja a mais importante: 40% dos trabalhadores da Parques de Sintra – Monte da Lua ganham salário mínimo.

A proposta sindical fala em aumentos de 7,5% com a garantia de um aumento nunca inferior a 80 €. Há 4 meses que esperam resposta da administração. Perante o silêncio, a greve.

Os acionistas da Parques de Sintra – Monte da Lua são a Direção-Geral do Tesouro e Finanças, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o Turismo de Portugal e a Câmara Municipal de Sintra.

Portanto, em síntese, não vale a pena querer visitar o Parque e Palácio de Monserrate, o Castelo dos Mouros, o Palácio Nacional de Sintra, o Parque e Palácio Nacional da Pena, o Convento dos Capuchos, o Chalet e Jardim da Condessa d’Edla, o Farol do Cabo da Roca, o Palácio Nacional e Jardins de Queluz, a Vila Sassetti, a Escola Portuguesa de Arte Equestre nem o Santuário da Peninha.

A greve foi marcada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (SINTAP) e pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL).

BOM AMBIENTE E JUSTIÇA SOCIAL

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É demasiado desigual, a luta entre ambientalistas e as corporações industriais, comerciais e financeiras. De um lado, a necessidade de proteger o ambiente. Do outro, a ânsia por lucros cada vez maiores.

Os donos do dinheiro não pretendem deixar de acumular riqueza, não escutam a ciência que aconselha outros paradigmas de desenvolvimento.

maior oleoduto africano em construção, no sul do Níger

Na Ásia e em África continuam a construir-se novos oleodutos e gasodutos, mesmo sabendo que já estão desfeitos os equilíbrios que possibilitam a sustentabilidade ambiental.

Nos países onde a opinião pública tem alguma força e capacidade de expressão, apesar da repressão e censura, as ações de protesto multiplicam-se. Os ativistas são frequentemente detidos, aprisionados, julgados e, por vezes, condenados a penas de prisão. Mas eles persistem na luta.

Apesar das tecnologias que desenvolvemos, das capacidades que adquirimos, a humanidade é frágil, dependemos da natureza. Quando a destruímos, estamos a cavar a nossa própria sepultura.

“Estamos numa luta suicida com a natureza”, diz Guterres

António Guterres assumiu, há dias, baseando-se no último relatório da ONU, desenvolvido por cientistas climáticos, que estamos muito perto do limite para uma ruptura climática extrema.

Os ambientalistas lutam em várias frentes, qual delas a mais difícil. São tremendas batalhas jurídicas para forçar uma ação climática urgente dos governos, para defender a Amazônia, para exigir que governos taxem corporações e os muito ricos, de modo a angariar fundos para combater a desigualdade e para acelerar a transição para a energia verde. Sim, porque não haverá bom ambiente sem justiça social.

FAMÍLIA SALVA DA MORTE CERTA

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Por desconhecimento ou preconceito, as pessoas não gostam de anfíbios, parecem répteis… Coitados dos bichos, a maioria deles não faz mal a uma mosca. Bom, não é bem assim. Muitos gostam de comer moscas. O que queremos dizer é que a maioria dos anfíbios, ou mesmo dos répteis, são inofensivos no que aos humanos diz respeito. Aliás, a maioria é até muito útil. Comem insetos e larvas, contribuem para o controlo de pragas, quem vive no campo devia protegê-los. Mas não é isso que acontece.

Por isso, hoje vamos destacar o relato do fotógrafo da natureza Fernando Ferreira, que salvou uma dúzia de salamandras de pintas amarelas da morte certa.

“Em todas as minhas saídas em trabalho fotográfico no campo, tenho como hábito verificar todos os buracos, caixas de águas pluviais, saneamento, bueiros, poços, etc. Locais que possam constituir uma armadilha para os animais e mesmo para nós.”

Dessa vez, deu com uma caixa de esgoto partida e lá dentro, aprisionadas, 15 salamandras, algumas já mortas.

Fernando Ferreira – Photography

“Pelo aspeto, como podem ver pelas fotos, já estavam presas há muitas semanas”, relata Fernando, que se apressou a retirar os pequenos animais do buraco e a levá-los para lugar seguro.

Fernando Ferreira – Photography

“Depois de enterrar os animais mortos, construí uma rampa para que se algum animal voltar a cair, possa sair facilmente.” Fernando fez uma rampa improvisada, com terra e pedras, mas um simples tronco serve para um lagarto conseguir trepar e sair de um buraco onde caiu. As pessoas que amam e protegem a natureza agem deste modo.

Fernando Ferreira – Photography

Fernando Ferreira é de Vila do Conde e dedica-se com paixão à fotografia da natureza. Trabalho que já constitui um exaustivo levantamento da biodiversidade da região e que deveria ser acarinhado pelas autarquias e organismos ligados à proteção ambiental.

O trabalho deste fotógrafo pode ser visto no Facebook e no Youtube, por exemplo. Façam-lhe uma visita, vão gostar.

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Quem quiser (e puder) contribuir para a continuidade do Projeto Biodiversidade na nossa Terra de Fernando Ferreira, pode enviar donativo para:
– IBAN: PT50 0033 0000 4538 8641 1930 5
– MBWAY 966 257 848
Este projeto visa não só registar a Biodiversidade, bem como ser uma ferramenta didática na Educação e Sensibilização Ambiental, de forma a impulsionar mudanças positivas junto do maior número de pessoas possível, principalmente nas nossas escolas.

PARTIU O CRIADOR DO MONUMENTO!

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Era um dos seus sonhos. Nas décadas de 50 e 60 arduamente aqui trabalhara, nas pedreiras de Birre, como canteiro. Para aqui viera de S. Brás de Alportel, sua terra natal, como muitos outros, operários da pedra, no momento em que essa actividade, proporcionada pelo grande incremento da construção civil, constituía uma das primeiras fontes de riqueza do concelho de Cascais. Trazia consigo a tradição do trabalho da pedra, actividade grande da sua terra, nomeadamente nas pedreiras dos Funchais.

Daqui, David Encarnação emigrou para o Canadá, no momento em que também nesse país a necessidade desse tipo de mão-de-obra se fazia sentir (aliás, algarvio do Barrocal é homem que não pára muito num sítio e anseia sempre por algo melhor…). Por lá esteve até se reformar e regressar à sua terra natal, S. Brás de Alportel. E desde logo, após ter visto aí o geoponto dos Funchais, singelo monumento evocativo da maior actividade da zona, sonhou em que haveria de fazer outro igual em Cascais onde também passara boa parte da sua vida.

De pronto a Associação Cultural de Cascais abraçou a ideia, apoiada de imediato pela Junta de Freguesia e pelo Município. Uma das pedreiras ainda então em elaboração – a de José Policarpo Duarte – forneceu o bloco de azulino; por cima, colocou-se um barril, em lioz são-brasense; a placa com os dizeres é de mármore de Vila Viçosa e os dizeres foram gravados por Celestino Costa, um dos canteiros de S. Domingos de Rana.

Significa o barril, esculpido por David Encarnação, as tabernas, lugar de convívio dos que, então, trabalhavam nas pedreiras; e no bloco se esculpiram também, em baixo-relevo, os principais instrumentos usados: maceta, bujarda, escopro, ponteiro, esquadro.

Foi, sem dúvida, esse dia de S. Martinho de 2006 – com a presença de muitos populares, do presidente da Câmara, António Capucho, e do Presidente da Junta, Pedro Silva, e de uma representante do Município de S. Brás de Alportel, Dra. Custódia Reis ­– um momento alto da vida deste canteiro que ora nos deixou. O seu nome fica, assim, perpetuado, no monumento que imorredoiramente recorda, no coração da freguesia de Cascais, uma actividade de que muito se tem de orgulhar.

Que o incansável sonhador descanse em paz!

A CRÓNICA DA TRETA

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A crónica de opinião de Alexandre Pais sobre as qualidades e características físicas de Cristina Ferreira e Maria Botelho Moniz causou indignação geral. O texto transpira misoginia, preconceito, malvadez. E por isso está a ser zurzido nas redes sociais.

Sim, as referências ao porte físico de Maria Botelho Moniz e às peles descaidas de Cristina Ferreira não são simpáticas e o cronista poderia ter referido o sorriso bonito de Maria ou a energia de Cristina, ou o profissionalismo distinto de ambas. Mas isso não lhe servia os propósitos que adivinhamos estarem na origem do escrito.

A ideia de Alexandre Pais foi, primeiro, falar mal da TVI. Sabemos bem como as coisas andam entre algumas pessoas das equipas da TVI e do Correio da Manhã, passam a vida a dizer mal uns dos outros, num duelo constante de criticas recíprocas. E esse objetivo foi alcançado, nunca antes uma crónica de Alexandre Pais teve tamanha repercussão na opinião pública. E aqui fica englobado o segundo objetivo da crónica, também alcançado, que é ter visibilidade e promover a imagem do pasquim. Sem o chinfrim que se gerou com as reações ao texto publicado no Correio da Manhã, teria sido apenas mais uma crónica da treta que poucos teriam lido.

Poderia isto ter sido evitado, depois da crónica publicada? Não podia. Foi a armadilha perfeita.

A TVI também tira lucro da situação, Maria Botelho Moniz chorou num momento alto do programa “Dois às 10”. A audiência deve ter adorado.