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MILHARES DE FALSOS VACINADOS EM ESPANHA

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Em Espanha, uma investigação policial desvendou um esquema de falsear a vacinação contra o covid. Há uma lista de 2.200 pessoas que não se vacinaram, mas que adquiriram comprovativos de como o tinham feito.

As pessoas têm o direito de recusar a vacina e, nas circunstâncias que envolveram o combate à pandemia, compreende-se que tenham tentado enganar o sistema. Mas fica difícil aceitar que uma dessas pessoas seja o presidente de um dos principais laboratórios farmacêuticos de Espanha, a empresa PharmaMar.

José María Fernández Sousa-Faro não quis ser vacinado, mas ao mesmo tempo a sua empresa desenvolvia um medicamento contra o covid chamado Aplidin, que foi bastante promovido nos media europeus como uma espécie de salvação para a humanidade.

O jornal ABC divulga que o presidente da farmacêutica pagou cerca de 2 mil euros para forjar o chamado “passaporte covid”, de modo a poder viajar sem problemas.

O jornal ABC explica que os registos falsos eram feitos por um grupo de pessoas, entre as quais havia vários profissionais de saúde, pelo menos uma enfermeira e uma auxiliar de enfermagem.

manchete do jornal ABC

O El Mundo diz que no caso de José María Fernández Sousa-Faro, não foi só ele a aldrabar o registo de vacinação como, também, vários dos seus parentes.

O jornal El Mundo especifica que a falsificação foi feita no Registo Nacional de Vacinação (organismo que em Espanha organizou as campanhas de vacinação contra o covid) e que, entre as 2.200 pessoas com registos falsos há outros VIP, casos do artista Omar Montes ou do tenista Alex de Miñaur.

manchete do jornal El Mundo

Esta questão não é um caso de polícia sobre burlas ou viciação de registos. Quando o mais alto responsável de um dos principais laboratórios farmacêuticos de um Estado europeu se recusa a tomar uma vacina que foi imposta à população, as razões desta atitude precisam de ser explicadas. Quando um renomado cientista, com mais de 100 patentes em bioquímica, antibióticos e biologia molecular, despreza o perigo de uma pandemia, as razões precisam de ser explicadas. A ausência de explicações, alimenta todas as dúvidas e teorias conspirativas.

BAPTISTA LEITE VAI EMIGRAR

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Em comunicado, o deputado anunciou que vai dirigir uma organização internacional que promove investigação em inteligência artificial e digitalização para a saúde, I-DAIR, sedeada em Genebra. Mais um emigrante, portanto.

Nos argumentos, justificações e confissões que constam no comunicado, Baptista Leite mostra-se desprendido das coisas do poder, “sempre entendi que devemos encarar com desprendimento o exercício de funções de responsabilidade política”, diz ele justificando o sacrifício de fazer as malas e partir. “É o momento de recentrar-me na carreira profissional”, diz ele. Mas na verdade não se trata de vestir a bata branca nem ir malhar nas urgências de um hospital público. Ele vai dirigir uma organização internacional.

Se os munícipes de Sintra achavam que se livravam dele, erraram. Na carta de adeus que enviou a Luís Montenegro, Baptista diz que vai manter as ligações ao partido e manter “o compromisso com Sintra, enquanto vereador da oposição”. O Basílio até tremeu, por certo.

No site da organização vem anunciada a nomeação, sem deixar de referir em destaque que se trata de um deputado da nação portuguesa.

Nesse site, ficamos a saber que a I-DAIR é uma organização dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial para pesquisa clínica. Uma espécie de fábrica de máquinas com que se pretende substituir os médicos no atendimento ao público.

OLHÓ PASSARINHO!

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O fotógrafo estava a enquadrar uma chávena de porcelana e pires. O pássaro saltitava por ali e a ideia surgiu. Era um passarinho que frequentava o quintal, sempre à procura de migalhas de pão ou alguma outra coisa comestível. Estava habituado aquelas pessoas e ao local.

Naquele dia, não foi possível enquadrar o passarinho com a chávena e o pires. A fotografia não foi feita. No dia seguinte, foi lançado o engodo. Umas migalhas pelo tampo da mesa, perto da chávena, a máquina em cima do tripé com uma lente 70-200, a uma distância de 7 ou 8 metros.

Sentado numa cadeira, sem fazer barulho, o fotógrafo esperou. Não demorou muito que o pássaro chegasse à procura de comida. Saltou para cima da mesa, olhou à volta, hesitou, voou para o muro do quintal. Mais umas migalhas de pão, algumas sementes, mas o passaroco já não se deixou tentar.

Terceiro dia. O mesmo cenário. A mesa, a chávena, as sementes e o miolo de pão. Com uma diferença: a chávena passou a estar cheia com água. O pássaro chegou, sempre o mesmo pássaro, bicou um pouco de miolo e comeu 3 ou 4 sementes e saltou para a borda da chávena.

Foram segundos apenas, mas tempo suficiente para meia dúzia de fotografias, todas semelhantes, mas não iguais. Esta que o senhor Walker nos mostra é a melhor, garante-nos.

O autor desta fotografia é um fotógrafo amador inglês que armazena as suas fotografias no site Dreamstime.

BRANQUINHO

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Por duas vezes a tia Celeste deu-me a receita. Na primeira, enquanto fazia a sobremesa, tirei notas, fiz perguntas, fui muito profissional. Depois… perdi o papel. Voltou a dar-me há uns meses pelo WhatsApp.

Retrocedi no tempo, entrei na sala da avó materna com a mesa grande. A sobremesa estava sempre presente, sempre. É feita pelo país inteiro, ou quase todo, no Norte a aletria é quem reina, e costuma ser feita com ovos. É amarelinha, não como a da minha avó.

Passado uns meses, quando precisei de ter a minha tia por perto, atrevi-me. Já sabia que, no momento em que se põe o açúcar, o arroz deixa de cozer. É o segredo, confidenciou-me.
Fi-la com fidelidade, mas entretida com outras coisas. Percebi de imediato que não se pode abandonar o tacho, não se pode deixar nunca de rodar a colher de pau.
Exige vagar e tempo, muito tempo do vagar. Se queimar um pouco que seja… acabou.
Faz parte do legado que a minha avó passou para as filhas e chegou a mim, a educação do palato, a cultura gastronómica. Se não tivesse tido uma avó beirã era provável que não conhecesse este doce ou não o apreciasse por aí além.
Voltei a fazê-lo, agora focada no segredo novo. Consegui! Deixei-o cozer até ficar meio empapado, tive paciência para os “carimbos de canela”, tive toda a paciência do mundo. E amor.

Comi, ainda quente, um prato de sobremesa, pus numa travessa laranja o resto daquela perfeição. Depois, levantei-me dez vezes do sofá para comer um bocadinho com uma colher de sobremesa pequena. E voltei a levantar-me outras dez, já estava na cama. Só mais uma, outra, ainda mais outra. Cinco minutos na boca, cinco anos nas ancas.
O segredo de saber que o arroz pára de cozer quando se acrescenta o açúcar é crucial mas pouco vale sem o outro: a disciplina em rodar a colher de pau, a contenção para não apressar o que não pode ter pressa. É uma maratona, não um sprint.
Começar a dar voltas com a colher de pau leva-me quase sempre para devaneios. Mas, ao fim de pouco tempo, a colher manda um pontapé na crise existencial, sobra a fusão lenta entre o arroz e o leite. Nada mais existe, apenas foco, essencial para levar a sobremesa e a vida para a frente. Só com foco se chega ao fim da maratona, com a cabeça centrada num único objectivo. Não importa chegar em último ou em primeiro, interessa chegar ao fim.

As distrações deixam estorricar a sobremesa, desistir do que se quer alcançar. Sem foco, vai tudo ao ar, sai tudo queimado, fica tudo pelo caminho. A perfeição torna-se inatingível, a frustração instala-se, entranha-se nos mil objectivos que queremos fazer ao mesmo tempo. Não há tempo para tanto tempo. A sobremesa exige tranquilidade, dispensa desculpas, pensamentos negativos e… ovos. É arroz doce beirão. Branquinho.

PS: Dias depois no super-mercado coloquei os ingredientes no cesto mas, na fila para pagar voltei atrás, deixei nas prateleiras o arroz, o açúcar, o leite, os paus de canela e o limão. É que a perfeição é gulosa. Cinco minutos na boca, cinco anos nas ancas. Não há foco que nos valha.

Mudam-se os tempos, mudam-se os lugares

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Passaram mais de vinte anos. O novo mercado, construído no espaço onde outrora fora
uma fábrica, da qual ainda sobrevive a imponente chaminé, foi objeto de lutas políticas
renhidas, entre o PS e a CDU, e nunca abriu. Um centro comercial, o Cristal Atrium, com
mais lojas fechadas do que abertas e uma esplanada partilhada por vários restaurantes, é
tudo quanto resiste do conjunto de serviços, de que o novo mercado supostamente deveria
ser a âncora. É o único espaço, nesta cidade de pouco mais de trinta mil habitantes, com
uma escada rolante.

O mercado municipal, “provisoriamente” instalado numas tendas junto à zona desportiva,
ainda lá se mantém e com grande sucesso, sobretudo aos sábados.
A memória do velho mercado na resinagem já só existe para os marinhenses seniores. Mas
pode ser revisitada nos textos que então uma turma de alunas da Escola Profissional e
Artística (EPAMG), da qual fui professora de Antropologia, produziu e o Jornal da Marinha Grande publicou (edições de Abril e Maio de 2003).
Eu mesma escrevi um texto, que ainda hoje me faz revisitar a cidade como ela era então e,
em parte, se mantém. Um texto que, vinte anos depois, ainda muito me apraz partilhar.

Esta manhã sonhei com flores

Nem cheiro a flores nem simpatia das floristas. Débora espetou o nariz num molho de cravos vermelhos e ficou à espera que lhe chegasse aos ouvidos uma cantiga de Abril.

Aproximou-se de uma vendedora, explicou pacientemente ao que vinha, que era só uma pequena entrevista, para escrever um texto sobre o mercado para publicar no jornal, porque o mercado ia mudar de sítio e ela e as suas colegas estavam a contribuir para guardar essa memória. Mas nada. Não queriam nada com jornais. Desgostosa, Débora lançou um olhar às flores, agradeceu na mesma e ficou sentada na praça à espera que lhe viesse uma ideia florida para um texto com ou sem floreados. Um poema, uma investigação botânica, uma prodigiosa aventura das flores. Qualquer coisa que lhe salvasse a honra de aprendiz de repórter ou de investigadora.

Já o sol ia alto quando algo fantástico aconteceu. Viu uma jovem com um vestido decotado abrir a porta a um belo rapaz que lhe entregava um ramo de rosas vermelhas. Saíram de mãos dadas e, como na cantiga, “foram para a praça e começaram a se abraçar”. Rodaram abraçados durante algum tempo.

Depois o rapaz desapareceu sem deixar rasto, as rosas vermelhas foram-se transformando em túlipas amarelas e a jovem começou a chorar.

Uma bela dama atravessa a praça com um ramo de orquídeas. Mais além, uma mulher vestida de negro carrega um grande ramo de crisântemos. Dirige-se, em passo apressado, para os lados do cemitério. Em silêncio, aproxima-se de uma campa, coloca as flores num vaso, baixa a cabeça e chora lágrimas verdadeiras, de saudade de um companheiro prematuramente perdido. Os crisântemos começam a ganhar forma de rosas brancas, a jovem viúva levanta-se, destapa a cara coberta com o véu e os seus olhos parecem irradiar uma felicidade suprema.

Um menino oferece-lhe uma rosa cor-de-rosa e, pegando-lhe na mão, leva-a para um jardim onde há rosas de todas as cores, margaridas que abrem e fecham, túlipas negras, amarelas e brancas, e cravos, muitos cravos vermelhos. No jardim há uma praça, há uma estátua que não está a arder, há milhares de pessoas com um cravo vermelho na mão, um cantor barbudo que canta, a plenos pulmões, Grândola Vila Morena, acompanhado por um coro de raparigas que erguem as mãos soltando bandos de pombas brancas. Débora está lá. Tem uma flor vermelha na mão, tem uma cantiga na boca, sente-se feliz de andar por ali como um cavalo à solta, mergulhando numa multidão de rostos, dos quais reconhece alguns, de homens e mulheres que já viu em fotografias e sabe que são os heróis da revolução de Abril.

Uma comichão no nariz começa a incomodar a Débora. Abre os olhos e vê a Luciana que lhe mostra, orgulhosa, uma página retirada da Internet, com o significado de algumas flores. Percebe então que sonhou, enquanto esperava que o perfume das flores acordasse nela alguma memória adormecida.
(Publicado no Jornal da Marinha Grande, 29.05.2003)

620 FACADAS E A CABEÇA NO LIXO

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Abrimos o computador e não conseguimos evitar a agressão. A primeira página que aparece, antes de podermos seguir viagem para outro lado qualquer, é um site “noticioso” da Microsoft a babar sofrimento alheio, a promover o voyeurismo, a manipular sentimentos, a disfarçar publicidade como se fosse notícia, a engodar a atenção das pessoas sem olhar a ética.

Podíamos estar aqui horas a descrever as barbaridades que são dadas a consumir às pessoas. Dirão que disponibilizam aquilo que as pessoas gostam de ver. É uma mentira. As pessoas não podem gostar daquilo que desconhecem e se não veem outras coisas nunca irão poder optar.

A palavra chave é “sofrimento”. Se tem dor e horror, drama, é bom. Na experiência que serve de exemplo a este artigo, vimos o Marco Paulo a chorar na televisão, vimos o drama de uma mãe de uma criança autista, mais a história do avô que abusou sexualmente 780 vezes da neta…

Como a atualidade nacional deve estar demasiado pacata, dão-nos também a brasileira: a criança decapitada, a mulher que enriquece na prostituição, a mãe que estupra três filhos.

Se lermos mais do que os títulos, o computador vai começar a sangrar e acabamos a ensopar os sapatos numa poça viscosa. E há modo de nos livrarmos disto? Não há. Ninguém nos pergunta o que queremos ver na página da Microsoft quando abrimos o computador. E eles acham que todos consumimos estas merdas.

Este tipo de sites funciona como um mero repetidor de conteúdos televisivos ou publicados noutro lado qualquer. Não têm conteúdos originais. Mas as televisões têm um botão on/off e um comando para mudar de canal, a leitura de determinado jornal é uma opção pessoal. Evitamos o que não queremos. No caso em apreço, somos invadidos. Temos de resistir.

SALOIA TV, 14 anos

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A maioria dos sites ou simples páginas nas redes sociais tem uma duração média de 1 ano. Nascem tão depressa quanto morrem, segundo informa Arquivo.pt, uma infraestrutura de investigação na internet gerida pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Muitos destes sites e páginas aparecem por mero oportunismo. É o candidato a autarca que julga que é importante ter uma página um mês antes das eleições ou o comerciante que quer promover os seus produtos ou a miudagem que quer mostrar habilidades várias ou, enfim, há mil razões para se querer ter um site, blog, página, perfil, qualquer um dos meios que a internet colocou à nossa disposição.

Por exemplo, a Saloia TV começou em 2009 no YouTube apenas para demonstrar que os saloios não são parvos. Apenas, é como quem diz. Mudar os preconceitos neste país é uma tarefa árdua. E talvez por isso a Saloia TV continua a insistir, que é como quem diz existir, 14 anos depois.

Para se ter uma ideia do que era o site da Saloia TV em 2009, vejam, por exemplo, a atualidade reportada em 7 de outubro desse ano.

O tempo passou e a Saloia TV acompanhou as novidades e avanços tecnológicos. Do site e da página no Youtube (onde tem mais de 21.300 subscritores) e das câmaras de vídeo tradicionais, passou para o Facebook (onde tem mais de 195 mil seguidores) e para os telemóveis como ferramenta de trabalho. O que não mudou foi o empenho na defesa dos interesses da região, da tradição e da boa imagem dos saloios, contra tudo e contra todos os Basílios que apareçam.

Quatorze anos é muito tempo. Parabéns à Saloia TV.

vídeo Saloia TV

OS ACIONISTAS DA LUSA E OS CONFLITOS DE INTERESSE

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O problema dos baixos salários que a LUSA pratica tem origem na proverbial forretice dos acionistas da agência de notícias. E quem são os acionistas? O Estado (50,15%), Global Media (23,36%), Páginas Civilizadas (22,35%), NP (2,72%), jornal Público (1,38%), RTP (0,03%) e Diário do Minho (0,01%).

Dir-se-ia que o maior responsável é o Estado. Tem a maioria do capital social, nomeia o presidente do Conselho de Administração. Mas não manda sozinho na empresa.

A Global media é controlada por Marco Galinha. De um dia para o outro, este empresário tornou-se num dos principais atores na área da comunicação social. Só ele controla o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo, Dinheiro Vivo, Açoreano Oriental, DN Madeira, a rádio TSF, e ainda 4 títulos de revistas e, claro, a agência de notícias LUSA. Acontece que a sociedade Páginas Civilizadas também pertence (pelo menos em parte) a Marco Galinha. Ou seja, nada se faz na LUSA contra a vontade de Marco Galinha.

fonte: LUSA

Este naipe acionista da LUSA vive num eterno conflito de interesses. São simultaneamente acionistas e clientes da agência. Por isso, os serviços da LUSA permanecem anos a fio sem serem atualizados, porque os clientes preferem continuar a pagar pouco, em vez de gerirem a LUSA de modo mais racional. Além das receitas com a venda de notícias (em texto, fotografia e vídeo) a LUSA recebe uma comparticipação do Estado pelo serviço que presta no âmbito da imprensa regional, nas comunidades da diáspora lusitana e na lusofonia. É esse contrato com o Estado que permite à LUSA manter em atividade as delegações internacionais e os correspondentes regionais. Mas é esse contrato que também estrangula a agência de notícias, porque tem uma vigência plurianual (atualmente é de 6 anos) e não prevê aumentos na despesa com salários.

Uma subvenção que é frequentemente roída pelas cativações e atualizada de modo insuficiente. No último Relatório e Contas conhecido (2021), a agência teve um resultado líquido de 384 mil euros. Os privados não põem na LUSA um tostão, para além do que pagam pelo serviço de que são beneficiários. A atual instabilidade laboral na LUSA é da responsabilidade deste quadro acionista. Talvez não fosse má ideia o Estado tomar conta da loja, sem privados a atrapalhar. O serviço da LUSA poderia ser considerado serviço público e de livre acesso, tanto para órgãos de comunicação social como para o público em geral.

LUSA, trabalhadores unidos na greve

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A greve na LUSA não é um tema muito popular, basicamente as pessoas não querem saber das agruras da vida dos jornalistas da LUSA. Apesar de hoje, segundo dia de greve, haver já uma cobertura noticiosa interessante, não se nota qualquer onda de indignação nas redes sociais, que é onde o povo habita e se expressa.

Mas trata-se de um acontecimento raro, em empresas de comunicação social. É raro haver greves em órgãos de comunicação social, é raro não haver fura-greves, é raríssimo acontecer demonstração pública de respeito pelos grevistas por parte da direção de Informação.

Sobre a greve que estão a realizar, os jornalistas da LUSA não dizem muito, mas dizem o suficiente. Respigámos algumas ideias expressas por eles nas redes sociais.

MENSAGENS PELA PAZ

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Todas as atividades humanas produzem lixo. A acumulação de lixo produz poluição. E de todas as atividades humanas, a guerra é das mais porcas. Por todas as razões que se possam invocar.

Há quem tenta dar um aproveitamento ao desperdício das batalhas, 90% ferro-velho resultante do armamento inutilizado, dos invólucros de munição, capacetes e toda a parafernália militar destinada a causar morte e destruição.

Já encontrei quem derretesse esse ferro-velho para o transformar em bonitos candeeiros de sala. Mas era uma transformação radical, apagava a memória do sofrimento que todas as batalhas provocam.

É o que faz, também, o ourives cambodjano Thoeun Chantha, órfão da guerra que dilacerou o país na década de 70 do século XX, quando os EUA intervieram para travar o comunismo naquele país asiático.

Thoeun Chantha compra invólucros de latão de balas das AK-47 e M-16, derrete-os e faz joias. Depois de derretido, o metal é moldado artesanalmente em pulseiras, colares, anéis e brincos intrincados para serem vendidos à peça em mercados populares e pontos turísticos. A maioria dos compradores são turistas americanos. De certa maneira, o ourives cambodjano está a devolver à América o lixo da guerra que eles alimentaram.

Os tronos e as máscaras

Em Moçambique, Gonçalo Mabunda faz o mesmo, mas não apaga a história. As inquietantes esculturas totémicas de Gonçalo Mabunda exploram a história política de Moçambique, a longa guerra civil que sangrou a sociedade durante 15 anos.

Conheci Gonçalo Mabunda em Maputo e entrevistei-o no seu atelier. Vejam o vídeo.

vídeo de 2019

As peças mais icónicas deste artista são os tronos e as máscaras. Tudo feito com os detritos da guerra que, assim, são espalhados pelo mundo como uma mensagem urgente pela paz.