OS ACIONISTAS DA LUSA E OS CONFLITOS DE INTERESSE

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O problema dos baixos salários que a LUSA pratica tem origem na proverbial forretice dos acionistas da agência de notícias. E quem são os acionistas? O Estado (50,15%), Global Media (23,36%), Páginas Civilizadas (22,35%), NP (2,72%), jornal Público (1,38%), RTP (0,03%) e Diário do Minho (0,01%).

Dir-se-ia que o maior responsável é o Estado. Tem a maioria do capital social, nomeia o presidente do Conselho de Administração. Mas não manda sozinho na empresa.

A Global media é controlada por Marco Galinha. De um dia para o outro, este empresário tornou-se num dos principais atores na área da comunicação social. Só ele controla o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo, Dinheiro Vivo, Açoreano Oriental, DN Madeira, a rádio TSF, e ainda 4 títulos de revistas e, claro, a agência de notícias LUSA. Acontece que a sociedade Páginas Civilizadas também pertence (pelo menos em parte) a Marco Galinha. Ou seja, nada se faz na LUSA contra a vontade de Marco Galinha.

fonte: LUSA

Este naipe acionista da LUSA vive num eterno conflito de interesses. São simultaneamente acionistas e clientes da agência. Por isso, os serviços da LUSA permanecem anos a fio sem serem atualizados, porque os clientes preferem continuar a pagar pouco, em vez de gerirem a LUSA de modo mais racional. Além das receitas com a venda de notícias (em texto, fotografia e vídeo) a LUSA recebe uma comparticipação do Estado pelo serviço que presta no âmbito da imprensa regional, nas comunidades da diáspora lusitana e na lusofonia. É esse contrato com o Estado que permite à LUSA manter em atividade as delegações internacionais e os correspondentes regionais. Mas é esse contrato que também estrangula a agência de notícias, porque tem uma vigência plurianual (atualmente é de 6 anos) e não prevê aumentos na despesa com salários.

Uma subvenção que é frequentemente roída pelas cativações e atualizada de modo insuficiente. No último Relatório e Contas conhecido (2021), a agência teve um resultado líquido de 384 mil euros. Os privados não põem na LUSA um tostão, para além do que pagam pelo serviço de que são beneficiários. A atual instabilidade laboral na LUSA é da responsabilidade deste quadro acionista. Talvez não fosse má ideia o Estado tomar conta da loja, sem privados a atrapalhar. O serviço da LUSA poderia ser considerado serviço público e de livre acesso, tanto para órgãos de comunicação social como para o público em geral.

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