620 FACADAS E A CABEÇA NO LIXO

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Abrimos o computador e não conseguimos evitar a agressão. A primeira página que aparece, antes de podermos seguir viagem para outro lado qualquer, é um site “noticioso” da Microsoft a babar sofrimento alheio, a promover o voyeurismo, a manipular sentimentos, a disfarçar publicidade como se fosse notícia, a engodar a atenção das pessoas sem olhar a ética.

Podíamos estar aqui horas a descrever as barbaridades que são dadas a consumir às pessoas. Dirão que disponibilizam aquilo que as pessoas gostam de ver. É uma mentira. As pessoas não podem gostar daquilo que desconhecem e se não veem outras coisas nunca irão poder optar.

A palavra chave é “sofrimento”. Se tem dor e horror, drama, é bom. Na experiência que serve de exemplo a este artigo, vimos o Marco Paulo a chorar na televisão, vimos o drama de uma mãe de uma criança autista, mais a história do avô que abusou sexualmente 780 vezes da neta…

Como a atualidade nacional deve estar demasiado pacata, dão-nos também a brasileira: a criança decapitada, a mulher que enriquece na prostituição, a mãe que estupra três filhos.

Se lermos mais do que os títulos, o computador vai começar a sangrar e acabamos a ensopar os sapatos numa poça viscosa. E há modo de nos livrarmos disto? Não há. Ninguém nos pergunta o que queremos ver na página da Microsoft quando abrimos o computador. E eles acham que todos consumimos estas merdas.

Este tipo de sites funciona como um mero repetidor de conteúdos televisivos ou publicados noutro lado qualquer. Não têm conteúdos originais. Mas as televisões têm um botão on/off e um comando para mudar de canal, a leitura de determinado jornal é uma opção pessoal. Evitamos o que não queremos. No caso em apreço, somos invadidos. Temos de resistir.

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