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O DRAGÃO, A DONZELA E O LEÃO

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Têm os brasões – os da Nobreza e os das vilas e cidades – significados mui específicos. Aliás, desde há largas décadas que a proposta de brasão deve ser apresentada à Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, a fim de obter parecer favorável. Cumpre não haver coincidência com outros brasões preexistentes e importa, de modo especial, que os motivos sugeridos se adequem às características, sobretudo históricas, da terra ou do ramo genealógico que faz o requerimento. Uma análise, diga.-se desde já, nem sempre fácil de fazer e, sobretudo, nem sempre fácil de aceitar, quando a Comissão de análise apresentar parecer menos favorável.

Justifica-se, pois, que – através do estudo do seu brasão – se procure saber das origens da terra que o ostenta.

Depois de muito se haver debruçado sobre a história e a fisionomia (ao longo dos séculos) da sua cidade de Coimbra, quis o Doutor Jorge de Alarcão partilhar, em livro, o que, ao longo de várias décadas (não duvido!), foi acareando para o basto recheado processo que ora nos apresenta: O Brasão de Coimbra e as Origens da Cidade (Coimbra, 2023, edição de autor, 64 páginas, com arte gráfica de José Luís Madeira).

E também não tenho dúvidas de que a primeira reacção de quem se dispuser a ler é uma exclamação: como é possível haver tanto para dizer, tantas interrogações a pôr, tanto material a ter em conta!…

É que, ao longo dos séculos – e Coimbra tem longos séculos de vida!… –, houve pormenores que mudaram e importa saber porquê. Por outro lado, há toda uma panóplia de documentação a miudamente observar para daí poderem tirar-se ilações, uma vez que o brasão também figura, por exemplo, nos selos que autenticam a documentação oficial.

Depois, há aquela velha discussão: o nome veio de Conimbriga. Há ainda livros, sobretudo estrangeiros que confundem esta cidade romana com Coimbra, cujo nome romano foi Aeminium. Mas como é que se processou essa mudança? Lembra Jorge de Alarcão o que se passou com a diocese da Guarda, onde, a princípio, os bispos se designavam Egitanienses, porque fora Idanha-a-Velha antiga diocese sueva e eles dela se consideravam herdeiros (p. 44). Poder-se-ia ter passado o mesmo aqui: o bispo quis chamar-se ‘de Coimbra’ para ser considerado herdeiro da romana Conimbriga, seria «mais honroso manter a antiga titulatura» (ibidem), ainda que Conimbriga estivesse situada a cerca de duas dezenas de quilómetros! E, nesse caso, o topónimo Condeixa donde vem? De origem árabe poderá ser, pois que «um cronista árabe do século XI aludiu ao ataque de Almançor a Qundaýixa» (p. 47).

Pelo seu vetusto estatuto, Coimbra foi, pois, referida nas mais diversas obras e a curiosidade dos escritores antigos não deixou passar em branco esse bem curioso brasão, explicitando o seu significado.

Veja-se este testemunho: na Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra (!), da autoria de Gil Vicente, comédia encenada no paço de Santa Clara, em 1527, a personagem Colimena explica:

Eu assentei aqui esta cidade;

E eu sou Coimbra; e vem de Colimena.

Tomei por devisa aqueste Liam

E aquesta Serpem por que fui livrada;

E o calez do meio he cousa errada

Porque há de ser torre com hữa prisam (p. 14).

De facto, há, no brasão, a representação de uma mulher (amiúde, coroada); dos lados, um leão e uma serpente (que haviam matado o raptor de Colimena); e, em baixo, um cálice, que, nesta voz, Colimena diz que não tem razão de ser, porque era uma torre que ali deveria estar.

Compreender-se-á, pois, que, passando a pente fino lendas e narrativas e testemunhos iconográficos, o Autor acabe por perguntar:

«Sendo mentirosas todas as histórias que nos séculos XVI e XVII se contaram sobre as origens de Coimbra, que sabemos nós, afinal e de verdade, sobre essas mesmas origens?»

Ao que não hesita a responder:

«Muito pouco ou quase nada» (p. 38).

Lamenta que, na década de 50, as obras da Cidade Universitária não tivessem sido acompanhadas por arqueólogos: «talvez se tivesse podido colher alguma informação» (p. 39). De momento, são «parcos os materiais da Idade do Ferro até agora recolhidos» (p. 40); contudo, não estava longe a feitoria fenícia de Santa Olaia (Montemor-o-Velho), datável do século VII a. C. e pelo estuário do rio Mondego de então trocas comerciais e outras tiveram que, naturalmente, ocorrer.

Os Romanos mantiveram para a cidade o seu nome pré-romano, Aeminium¸ mas ainda não foi possível determinar a que estrato linguístico tal topónimo poderia pertencer. Esse nome se manteve «pelo menos até final da época visigótica» (p. 48) e é bem provável que, ou sob domínio muçulmano (878-987) ou já no período da Reconquista (pelo século X), haja sido substituído por Conimbria ou Colímbria. Não sejam de admirar essas diferentes grafias do nome: elas resultam da transmissão oral, numa cidade, recorde-se, em que «bem podia haver diferentes pronúncias», «atendendo à diversidade étnica e linguística da população, com cristãos, mouros, moçárabes e judeus, gente do Norte e do Sul que acorrera a Coimbra» (p. 46).

Para além da já referida minuciosa dissecação que é feita pelo Doutor Jorge de Alarcão da documentação escrita, um olhar atento deu às ilustrações e aos baixos-relevos. Permita-se-me que, com a devida vénia, mostre a 1ª página do foral manuelino da cidade, datado de 1516: lá está o busto feminino (a cidade ou uma figura lendária?) a sair duma píxide, ladeada de um dragão e dum leão. Esses motivos constam também no frontispício dum livro de louvor à cidade, datado de uns anos depois, 1554.

Passeando-nos pela parte velha de Coimbra não é difícil encontrarmos, ainda hoje, na verga dalguma porta a palavra SEE, a indicar que aquela casa pagava a sua renda à Sé. Pois «no século XVI», assinala Jorge de Alarcão, «poderá ter sido corrente, em Coimbra, obrigar os moradores de prédios foreiros da Câmara a inserirem, sobre as portas de suas casas, um baixo-relevo com as armas da cidade e a legenda: Esta casa he da cydade de Cojmbra».

Protocolos que Matam – quando os extremos se unem

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No pós II Guerra Mundial, os EUA instalaram-se como superpotência hegemónica através da venda de defesa aos países aliados, no objetivo de impedir uma nova militarização tanto da Europa como do Japão. O estratega geopolítico norte-americano Peter Zeihan compara esta abordagem a uma nova forma de imperialismo, que não podendo propriamente conquistar o território, como noutras épocas, vendeu influência política e, através desta, a sua cultura. Nos últimos 80 anos, portanto, o mundo ocidental estruturou-se com base no poder do complexo industrial militar dos EUA, uma estrutura  que parecia esquecida após a queda do muro de Berlim, em 1989, mas que se revitalizou com o 11 de Setembro, por meio do combate ao terrorismo. 

Mas os americanos não venderam só defesa. À medida que a Guerra Fria começava a desanuviar, em particular nos anos 70, passou-se gradualmente da venda de segurança para a venda de dívida. A título de exemplo, a partir de um livro lançado recentemente no mercado, John Perkins constata no seu “Confissões de um Assassino Económico” como os EUA, como o apoio do Banco Mundial, começaram a apostar numa abordagem de sobre-endividamento dos países de terceiro mundo, tornando-os dependentes por meio da dívida e perdendo, deste modo, a propriedade dos seus recursos naturais e energéticos para os norte-americanos. 

Tudo parecia bem a Ocidente, até se começar a assistir a uma inesperada, mais confiante, ascensão da China, país que no final dos anos 80 parecia que ia colapsar  face aos protestos na praça de Tiananmen. Mas o “Império do Meio” socialista, como constatam vários analistas, soube ouvir as queixas do povo e readaptar-se. O “milagre chinês” é feito sobre a égide “um país, dois sistemas” e o crescimento do poder económico das suas populações, uma forte competitividade interna e a gradual libertação de políticas que oprimiram os cidadãos durante décadas, como a política do filho único.

Mas a China não é um país livre. Embora exista uma certa liberdade individual, não há a liberdade política que existe a Ocidente, o que se traduz em algo tão simples como falar mal publicamente das políticas governamentais. Os seus cidadãos são constantemente vigiados e a China encontra-se na linha da frente de muitas políticas assentes na cibervigilância. No entanto, há quem julgue que essa é a sua força.

O rosto da atual China é o seu líder supremo, Xi Jinping, e de uma estratégia documentada – leia-se a este respeito o livro “Na cabeça de Xi” – de imitação do modelo imperialista, em particular o norte-americano. Não podendo vender defesa, começou a vender também dívida, em condições de forte concorrência com o modelo ocidental. A promessa: não se intrometer nas políticas locais. Pretendia-se, claro, que a venda de cultura acompanhasse a abordagem, com grandes comunidades de trabalhadores chineses a espalharem-se pelo mundo. 

E aqui entrou Itália.

Em 2013, um novo partido político formado pelo comediante Beppe Grillo, chamado Movimento Cinco Estrelas (M5S), começou a surgir no panorama político italiano. O ensaísta e analista político Guiliano Empoli coloca neste episódio o berço dos designados “engenheiros do caos”, ativistas políticos populistas e anti-sistema que começaram a usar as estratégias das redes sociais – diga-se algoritmos – para ganhar espaço na arena política, num momento em que poucos estavam alerta para as possibilidades destas novas ferramentas.

Não obstante a colagem imediata à extrema-direita, o M5S procurou desde logo formar relações estreitas com a China. Esta proximidade foi depois “vendida” ao povo italiano como uma forma de se promover a independência económica de Itália. Quando em 2018 Giuseppe Conte, membro do M5S, se torna primeiro-ministro, este objetivo é aparentemente concretizado com a entrada italiana na Iniciativa “One Belt, One Road”, por cá conhecida como “Nova Rota da Seda”. Este é um massivo projeto global de infraestruturas patrocinado pela China, e uma das grandes bandeiras de Xi Jinping, que deseja, deste modo, competir com os EUA na arena da dívida global. Itália foi o primeiro grande país europeu a aderir.

Nem por acaso, a 23 de março de 2019, no mesmo dia que Conte assinou a entrada na “Nova Rota da Seda”, a Ministra da Saúde da Itália, Giulia Grillo, membro do M5S, assinou também um Plano de Ação para a Cooperação em Saúde entre a Itália e a China, vinculando a Itália à cooperação com a China em certos campos, incluindo “prevenção de doenças infecciosas”.

Conta Michael P. Senger, no seu artigo “Neil Ferguson, China e um fanático socialista Ministro da Saúde: a história não contada de como os confinamentos chegaram à Itália e ao Ocidente”:

Em outubro de 2020, (Roberto) Speranza publicou um livro intitulado Why We Will Heal: From the Hardest Days to a New Idea of Health. Pouco depois de ser publicado, o livro foi retirado às pressas das lojas. O motivo declarado foi que a Itália estava a passar por uma segunda onda de Covid, mas ao ler o livro fica bem claro que Speranza, que assinou as primeiras ordens de confinamento no mundo ocidental, revela uma embaraçosa falta de preocupação com a própria Covid e um muito maior preocupação sobre como a resposta poderia ser usada para implementar reformas políticas de extrema-esquerda em toda a Itália. Como ele afirma em uma passagem reveladora: “Estou convencido de que temos uma oportunidade única de consolidar uma nova ideia de esquerda… Acredito que, depois de tantos anos indo contra o vento, existe a possibilidade de reconstruir uma hegemonia cultural sobre novas bases.”

Da mesma forma, Speranza diz que uma lição primária de Covid é que a OMS deve ser fortalecida e pediu que os Estados Unidos fossem impedidos de deixar a OMS. Em contraste, ao longo do livro de 229 páginas, Speranza nunca expressa qualquer crítica à China, indo tão longe a ponto de reconhecer que a China tem “um modelo cultural, político e institucional muito diferente”, enquanto defende laços mais estreitos com a China. “A China é uma grande protagonista do tempo que vivemos e estou convencido de que um importante espaço político se abre para a Europa, como uma dobradiça entre a nova potência asiática e os Estados Unidos.”

Speranza é líder do recém-formado partido político italiano Article One, fundado pelo ex-primeiro-ministro Massimo D’Alema, primeiro ex-membro conhecido de um Partido Comunista a tornar-se primeiro-ministro de um país da NATO. D’Alema agora atua como presidente honorário da Silk Road Cities Alliance, uma organização estatal chinesa. Speranza deixa claro que estava bem ciente, na época em que ordenou o primeiro bloqueio do mundo livre na Lombardia, na Itália, que estava a copiar uma política que só a China havia feito e que seria uma restrição aos direitos constitucionais fundamentais dos cidadãos.

Antes de ordenar os primeiros confinamentos do mundo ocidental, Speranza desempenhou um papel na Itália como um dos primeiros alarmistas da Covid (…) Speranza organizou as primeiras reuniões da task force de coronavírus da Itália antes de haver casos confirmados no mundo ocidental (…) Speranza diz que foi inspirado a fazê-lo pela resposta que viu na China.)

Michael P. Senger acaba por concluir que acedita que Roberto Speranza foi vítima da propaganda chinesa.

As consequências da adesão ao modelo chinês

Há quem afirme que a atual China há muito que deixou de ser, na essência, marxista ou socialista, tendo-se aproximado mais dos modelos fascistas ou nacional-socialistas. Na prática, esta é apenas uma inversão da lógica de raciocínio, na medida em que o poder político deixa de estar assente no povo, nos trabalhadores, para ser depositado numa elite que supostamente se encontra mais bem preparada, ou é mais “iluminada”, para lidar com questões políticas complexas. Porque o povo afinal, comentam os ditos “iluminados”, é estúpido e não sabe o que é melhor para ele e para o bem comum.

Esta lógica de raciocínio tem, porém, as suas consequências, porque até os “iluminados” são seres-humanos e têm as suas limitações, razão pela qual Maria Antonieta acabou na guilhotina e Napoleão morreu exilado em Santa Helena.

A adoção das estratégias chinesas não passou apenas pelos confinamentos mas também pela adoção de determinados protocolos hospitalares. É sabido que o número de casos em Bérgamo disparou quando chegaram… os testes e os ventiladores.  Há relatórios da OMS que davam a entender que os pacientes estariam a ser ventilados precocemente, em parte devido ao medo de contaminação. Esta ventilação precoce e excessiva terá sido a verdadeira causa do número elevado de mortes que se verificou na Primavera de 2020 em vários países.

Stella Paul, escritora de Nova Iorque, descreve como o protocolo adotado nos EUA teria perigosas promiscuidades lucrativas, conforme listado pela AAPS (Association of American Physicians and Surgeons). Nomeadamente:

– Um teste de PCR “gratuito”  obrigatório  na sala de emergência ou na admissão de cada paciente, com taxa paga pelo governo para o hospital;

– Adicionado pagamento de bónus para cada diagnóstico positivo de COVID-19;

– Outro bónus para uma admissão de COVID-19 no hospital;

– Um pagamento de bónus de 20% do Medicare em  toda a conta do hospital  pelo uso de remdesivir em vez de medicamentos como a ivermectina;

– Outro e maior pagamento de bónus ao hospital se um paciente com COVID-19 for ventilado mecanicamente;

– Mais dinheiro para o hospital se a causa da morte for listada como COVID-19, mesmo que o paciente não tenha morrido diretamente de COVID-19;

 – Um diagnóstico de COVID-19 também fornece pagamentos extras aos médicos legistas.

No final caso a morte fosse COVID, o familiar teria direito a ajudas de custo no funeral.

Em Portugal não foi muito diferente, apesar de algumas tentativas, noticiadas pelos media portugueses, de não se reduzir a abordagem ao uso de ventiladores, os protocolos acabaram por influenciar o excesso de diagnósticos e mortes por todas as causas. Enumero:

1 – Terem sido exclusivamente centrados na Covid.

2 – Não se terem articulado com os hospitais privados, estabelecendo-se protocolos para garantir que as outras doenças não ficavam sem assistência. Nomeadamente, no que toca a cirurgia programada e a rastreios oncológicos e diagnóstico precoce.

3 – Condicionarem o acesso dos outros doentes aos serviços de saúde.

4 – Comprometerem as consultas hospitalares e em centros de saúde com cerca de 1 milhão de consultas canceladas.

5 – Adiarem a cirurgia programada, com um agravamento exponencial das listas de espera.

6 – Adiarem rastreios de cancro do cólon e mama, com cerca de 400.000 rastreios do colo do útero a ficar por fazer, muitos deles de forma irrecuperável.

(Números do início de 2020)

7 – Terem quase completamente amputado a relação médico-doente, que se tornou praticamente inexistente durante a crise sanitária porque substituída por atendimentos ao postigo e telemedicina. E ainda não foi completamente recuperada.

8 – Não terem acautelado o supremo respeito pelo Consentimento Informado dos doentes.

9 – Terem comprometido a continuidade de tratamentos oncológicos por submissão ao resultado negativo dos Rt-PCR e, posteriormente, ao estado vacinal dos pacientes.

Claro que tudo isto seria esquecido e até valorizado se a prometida nova vacina com uma inovadora tecnologia desenvolvida em 9 meses tivesse conseguido controlar a pandemia e erradicado o vírus Sars Cov 2. Mas até isto é questionável.

O investigador Denis Rancourt publicou recentemente um artigo em que defende que o excesso de mortalidade foi devido às medidas de saúde pública aplicadas e posteriormente aos efeitos secundários das Vacinas.

Já Eyal Shahar, professor emérito de saúde pública em epidemiologia e bioestatística, refere a partir de um artigo israelita que todas as análises estatísticas às vacinas foram feitas sem ter atenção aos múltiplos vieses:

“A decisão de quem não vacinar não foi aleatória. Deve ter sido baseado em considerações médicas razoáveis, particularmente na expectativa de vida. Por exemplo, qual é o mérito de vacinar um idoso de 90 anos que sofre de demência avançada e câncer metastático?

Esses 4.114 residentes não vacinados estavam mais doentes para começar. A sua expectativa de vida era menor, independentemente da possível infecção por SARS-CoV-2, e é por isso que sua mortalidade não-Covid era várias vezes maior.

Dito de outra forma, pertencer ao grupo não vacinado foi um marcador geral de pior saúde. Ou vice-versa — pertencer ao grupo vacinado era um marcador de melhor saúde. Isso em média, claro.

O fenómeno que observamos aqui é chamado de viés do “vacinado saudável” e está bem documentado na literatura de pesquisa, que remonta às vacinas contra a gripe . O viés é muito forte em idosos frágeis residentes em lares, mas é visto em todas as faixas etárias da população em geral.

A implicação do fenómeno do “vacinado saudável” – ao estimar a eficácia da vacina – é chamada de viés de confusão. Uma comparação ingénua da mortalidade por Covid em pessoas vacinadas e não vacinadas, mesmo que ajustada por idade, é totalmente enganosa porque as últimas têm maior risco de morte para começar. Pelo menos parte de sua maior mortalidade por Covid, se não toda, não tem nada a ver com não ser vacinado. Eles são simplesmente pessoas mais doentes.”

Na China há a convicção de que só os mais iluminados têm o direito de Governar, tendo-se criado um sistema educativo altamente competitivo desde a base que estratifica e condiciona a vida dos seus cidadãos. Este espírito parece ter contaminado o Ocidente. Uma certa elite acredita que por ter mais dinheiro, por ter movido os últimos avanços tecnológicos globais, deveria decidir o futuro do planeta.

Talvez para preservar as hegemonia os EUA só precisem de parar de promover a guerra em vez de adotarem as estratégias totalitárias dos seus adversários.

 “Quem só sabe de medicina, nem de medicina sabe”.

O MUNDO À BEIRA DA GUERRA NUCLEAR

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Americanos e russos esticam a corda, acreditando talvez que o adversário está a fazer bluff. É um jogo muito perigoso.

Nos EUA, há um político que tenta lutar contra esta lógica da escalada militar. Ele disputa com Biden a nomeação como candidato pelo Partido Democrata nas próximas eleições presidenciais.

A última publicação que Robert F. Kennedy Júnior fez no Twitter foi inspirada nos acontecimentos de 1962, durante a crise dos mísseis de Cuba, quando o seu tio, Presidente John F. Kennedy, teve de negociar a paz com o líder soviético Nikita Krushchev. Durante duas semanas, tudo dependeu das conversas tidas entre os dois líderes. Krushchev escreveu 26 cartas a Kennedy.

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A publicação original de Robert F. Kennedy Júnior foi no Twitter (sem tradução para português):

Em 1962 prevaleceu o bom senso. Vamos ver o que acontecerá agora. Não sabemos é se haverá alguém para contar a História.

Se tudo correr mal… vai acontecer algo parecido com o que podem ver neste vídeo produzido pela Universidade Princeton, nos EUA:

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CASAMENTO EXPLOSIVO

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Há casamentos originais, seja por causa do ritual ou do cenário escolhido. Já vimos gente que se casou debaixo de água, na vertigem do lançamento em pára-quedas e outros que se casaram em programas de televisão. Enfim, cada um enforca-se como quer.

O casamento de que damos conta é capaz de ser dos mais estranhos. No meio da guerra na Ucrânia, os noivos casaram no bunker onde o rapaz dorme e a cerimónia foi testemunhada pelo pelotão de combate. A bandeira pregada na parede é da Rússia Imperial (do tempo dos czares).

Em vez de alianças, os noivos trocaram granadas de cavilha. E depois do beijo de todas as promessas (até que a morte os separe), foram rebentar com as granadas.

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OS CINCO NUMA AVENTURA EM PORTUGAL

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«Mais um livro sobre a revolução», agora que estão quase a comemorar-se os 50 anos desse nosso grito de liberdade – poderá objectar-se. Já não sabemos tudo o que se passou e como se passou? Quantos documentários, quantos livros, séries televisivas mais ou menos romanceadas, até filmes!…

Sim, a objecção tem razão de ser, atendendo, inclusive, ao facto de cada um desses senhores já ter circunstanciada biografia própria, tintim por tintim, como foi em pequeno, que educação teve, como é que entrou para a política, onde estava quando se deu a revolução… Sim, porque nenhum – ainda que «revolucionário», convenhamos! – esteve na Revolução. Serviu-se dela ou foi a revolução que cada um deles, à sua maneira, soube servir e reforçar?

A objecção atrás ameaçada – «mais um…» – depressa se desvanecerá, porém, logo após as primeiras páginas de leitura. Aliás, diga-se desde já, essas primeiras páginas não serão poucas, de certeza, que a narrativa logo nos prende e queremos saber mais e mais!

Nesse aspecto reside o saber de Isabel Nery, que já com o ensaio Vida Interrompida (recorde-se a exposição alusiva na Casa de Santa Maria, em Cascais, Abril de 2011) e, de modo especial, com Chorei de Véspera – Ensaio sobre a Morte por Amor à Vida (A Esfera dos Livros, 2016) nos cativara já. E o segredo reside no facto de, embora ‘historiadora’ no sentido técnico do termo, porque escreve História, Isabel Nery tem atrás de si a longa experiência da reportagem jornalística, o convívio perene com pessoas reais, do quotidiano, um convívio de que ela bem sabe trazer para a escrita emoções, tristezas, vidas!…

Temos, pois, aqui as vidas destes cinco homens. E isto significa que os vamos acompanhar a par e passo – por quanto à investigadora foi dado saber e, de facto, Isabel Nery tudo esquadrinhou – desde pequeninos até à morte (com excepção, evidentemente, de Ramalho Eanes, que é nosso voto, e de todos, que entre nós se mantenha ainda por muitos e bons anos).

Como assim? – perguntar-se-á.

E é aqui que se insere o saber-fazer jornalístico. Mário Soares entrou e saiu daquela reunião: como é que estava vestido? Vinha sorridente? Quem lhe estava ao lado, quando falou aos jornalistas? Exacto: são esses os pormenores que, de ordinário, escapam e que Isabel Nery, vendo e revendo documentários, noticiários, reportagens de todo o género, não deixou escapar e no-los apresenta. Parece, pois, que voltamos atrás, rebobinámos as cenas… E os cinco homens tornam-se homens ‘verdadeiros’, com emoções, sarcasmos, zangas, alegrias…

Retratos, pois – e, por isso, não duvidamos que, em 2024, amiúde esta obra vá ser referida e, até, venha a ser objecto de aprofundada análise, porque para ela se acarreou material que baste para tal aprofundamento.

Recortem-se, apenas em jeito de aperitivo, duas ou três passagens, sem comentários (que os quero deixar ao leitor).

Álvaro Cunhal pede a Mário Soares que agilize a entrada em Portugal dos descendentes de comunistas; não lhe diz, porém, que nesse mesmo voo viajava a sua filha, Ana Moreira; Mário Soares mostra-se desagradado. E a autora comenta:

«O ato (…) era uma forma de estar para Cunhal. Premeditada, dirão uns. Espontânea, argumentarão outros. Fruto de uma vida – o líder comunista tem 60 anos quando se dá o 25 de abril – a treinar-se para se esconder e não para se revelar, cogitarão os mais analíticos» (p. 147).

«Se 1973 foi o ano em que tudo se alinhou para derrubar a ditadura, 1974 o ano da revolução e 1975 o ano da clarificação, 1976 seria o ano de todas as eleições. Uma espécie de certificado de que tinha valido a pena, apesar de tudo» (p. 268).

Sobre Cunhal: «Quando reaparece é já um sexagenário coberto de branco. Os portugueses nunca o conhecerem jovem. E o próprio Cunhal provavelmente também não. Pesado pelo sofrimento, hirto pelas convicções, misterioso na solidão» (p. 288).

«Soares foi persistência, Cunhal, resistência. Sá Carneiro, ímpeto e vontade de vencer. Soares queria mais Estado do que Sá Carneiro. Eram diferentes e queriam coisas diferentes, mas juntaram esforços contra Cunhal e a sua visão de uma democracia popular. Eanes foi equilíbrio, mesmo no desequilíbrio. Freitas do Amaral, enquadramento jurídico em tempo de revolução, e centrismo depois dela. A todos uniu o fim da ditadura. A alguns dividiu o conceito de democrata» (p. 292).

Para agilizar a consulta, há utilíssimo índice onomástico (p. 293-300); rol das siglas utilizadas; das fontes se indicam os testemunhos ouvidos e os arquivos consultados (p. 301-302); na bibliografia, citam-se livros, artigos saídos na imprensa, «Outros», sites/pesquisa online e o filme da RTP Os Homens sem Sono.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/os-homens-sem-sono/

A VIDA TAL COMO ELA É

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«A minha vida dava um filme!» – declara, perentoriamente, quem, em jeito de conclusão de narrativa autobiográfica, está convencido de que passou por situações tão fora do comum que são susceptíveis, por isso, de interessar muita gente.

Multiplicam-se os livros de memórias e os registos autobiográficos. Interessantes e eloquentes, uns, retratos pessoais e duma época; corriqueiros, outros, só para consolo do próprio narrador.

«Os espinhos no caminho na vida de Roger», de José António Gonçalves, situa-se, porém, num outro domínio. É edição de autor, livrinho mui singelo de 28 páginas, publicado há três meses, ilustrado com fotografias tiradas pelo próprio, significativas do seu estado de espírito.

Roger é o seu alter ego, como se diz. É ele e não é ele. A vida que ali se narra foi a dele, é a dele e não se importou de a expor, com todos os muitos ‘baixos’ por que passou. Para mostrar que – com força de vontade e o apoio (nunca recusado!) da família – é possível escapulir-se dum vale escuro e subir, a pulso, a encosta, por mais íngreme e pedregosa que seja, até ao cimo mais luminoso.

«Se continuar a beber» – é reflexão exarada na página 18 – «só existem, três destinos:

– Ir para a prisão, porque, sob o efeito do álcool, pode fazer alguma coisa que poderá ser fatal.

– Ir para um hospital de deficientes mentais, porque o álcool levou-o à loucura.

– Ir para o jardim que irá tomar conta do seu corpo e Deus da sua alma».

E José António Gonçalves lutou. O seu jardim é outro agora.

Para já, quis dar testemunho. Dizer que foi trompetista aquando do serviço militar; que, em orquestras típicas, tocou o bandolim por ele próprio construído…

Depois, aposentado já da Câmara Municipal de Cascais, onde esteve encarregado do viveiro de plantas, entrega-se agora, com paixão, a esculturas de madeira, plenas de ingenuidade e talento, pois logo aos 11 anos foi trabalhar para uma carpintaria e aí aprendeu o ofício.

Neste caso, por conseguinte, o «filme» da vida pode ser – deve ser! – fermento de outras vitalidades! Como escreve na nota final:

«Se acha que precisa de ajuda, perca o orgulho, deite a toalha ao chão e aceite!!!!».

artesanato de José António Gonçalves

O MILAGRE

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Em Comoro, junto a Díli (a capital), tinham os Salesianos um grande complexo, que compreendia a escola e um campo de futebol (a prática do desporto sempre fez parte do sistema educativo salesiano). Perante a destruição de edifícios, o corte da energia eléctrica, o perigo iminente de serem mortas pelos ataques dos invasores, muitas pessoas se haviam acolhido a essas instalações.

Um dos soldados do exército indonésio, amigo do Padre Wong, não hesitou em, às escondidas, informar que estava previsto, para essa noite, um ataque em grande, de tropas especiais, para destruírem de vez essa espécie de «campo de refugiados». O pânico inicial que se gerou entre os refugiados foi, porém, rapidamente evitado, após uma reunião, em que se decidiu que os cinco salesianos responsáveis abrissem o portão de ferro e procurassem negociar com os atacantes.

Recolheram-se à oração, encomendaram-se a Nossa Senhora Auxiliadora, a padroeira dos Salesianos, e aguardaram.

recorte do relato do Pe. Andrew Young

O ataque previsto não se fez esperar. Apenas saltaram dos camiões, os militares indonésios deram em disparar sobre o portão. Houve mesmo uma granada lançada para o interior – felizmente não deflagrou. O tiroteio intensificava-se, sem fim à vista. O terror aumentava. Eis senão quando, vindo do portão, um brado em voz feminina se ergueu, bem forte, em indonésio: «Basta, basta! Voltem para casa!».

Fez lembrar, acrescento eu agora, aquele misterioso brado «Ter, ter, ter!», que a tradição conta se ter ouvido no auge da refrega da batalha de Alcácer-Quibir. Só que, em Alcácer, provocou desorientação; aqui, em Comoro, foi um grande silêncio que, de repente, se instalou e ficou-se logo com a impressão de que os camiões militares se iam embora. Alívio geral!

Pensou-se, de imediato, que o brado saíra do convento próximo, das freiras Ursulinas. Por isso, na manhã seguinte, foram lá bater-lhes à porta, para agradecer. Não, não tinham sido elas! Também elas tinham ouvido o brado, mas não sabiam donde viera.

Todos agradeceram, pois, Àquela que tinham invocado: Maria Auxiliadora.

recorte da parte final do relato do Pe. Andrew Wong

O Boletim e os Salesianos

Publica a Província Portuguesa da Sociedade Salesiana (vulgo, Salesianos) um boletim bimestral, Boletim Salesiano, prestes a atingir agora o nº 600, que vai dando conta da actividade dos Salesianos pelo mundo.

Esta congregação, fundada quase espontaneamente por S. João Bosco, em finais do século XIX, para dar ocupação, nos arredores de Turim, aos jovens mais ou menos abandonados que a incipiente industrialização provocara, viria, paulatinamente, a abarcar o mundo inteiro, com a criação de escolas, fundamentalmente de índole profissional.

D. Bosco fora pioneiro, por exemplo, no âmbito da comunicação, fazendo publicações e fomentando as artes grafias. O aparecimento, em 1908, em Turim, da Società Editrice Internazionale, ainda hoje em actividade, é uma das consequências desse dinamismo incutido pelo fundador.

Recorde-se que, em Portugal, as Oficinas de S. José, em Lisboa, surgiram precisamente como escola tipográfica, onde se formaram grandes mestres dessa arte; e as Edições Salesianas, com sede no Porto, continuam a ser uma editora em plena actividade, mormente no campo da formação religiosa e profissional. Esse, o do ensino profissional, uma actividade pioneira que a miopia dos governos ocidentais não soube desenvolver. Após o 25 de Abril, uma das primeiras medidas foi mesmo acabar com o ensino técnico-profissional – e, hoje, apertam-se orelhas e não deitam sangue!…

COM AMIGOS DESTES, QUEM PRECISA DE INIMIGOS?

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Aparentemente, a política tem razões que a razão desconhece. Tão depressa tratam as pessoas com deferência como a mandam matar. Não, não estamos a falar de regimes ditatoriais horríveis de África, Ásia ou da América Latina. Estamos a falar das nossas democracias europeias, civilizadas, éticas, defensoras do primado da lei, etc.

Vem isto a propósito de um livro agora publicado por Jean-François Lhuillier, membro dos serviços secretos franceses, chefe operacional destacado em Tripoli, na Líbia. O livro que ele escreveu, agora que se reformou, “O Homem de Trípoli: Memórias de um Agente Secreto”, revela como o Presidente da França atraiçoou o Presidente da Líbia, Muammar Kadhafi.

Neste relato, Jean-François Lhuillier afirma que a operação foi ordenado por Nicolas Sarkozy sem prevenir o que viria depois. E o que veio depois foi a destruição de um país, uma guerra civil, milhares de mortos, instabilidade para toda a região do Mediterrâneo, incluindo a Europa.

Lhuillier escreve que “Eliminámos Kadhafi e destruímos o seu país sem nos preocuparmos com o facto de se tratar de uma muralha contra o terrorismo islâmico”. E desvenda uma hipótese para Sarkozy querer Khaddafi fora de cena: Sarkozy era suspeito de ter recebido dinheiro do ditador líbio para fazer campanha política em 2007, milhões de dólares segundo relatos da imprensa na época.

No livro, Lhuillier diz que membros dos governos francês e líbio tinham ligações estreitas entre si antes desta questão ter surgido. Foi depois disso que elementos da Direção-Geral de Segurança Externa (DGSE) – serviços secretos franceses – passaram a colaborar com grupos rebeldes líbios.

Ainda segundo as confissões agora publicadas, os serviços secretos britânicos colaboraram com a França para derrubar Khaddafi.

Khaddafi em Portugal

Provocar a queda do líder líbio não terá sido apenas uma velhacaria, mas foi também um erro tremendo. A Líbia estava a estender a mão à Europa, depois de décadas de antagonismo político. Khaddafi procurava prestígio internacional, depois de ter iniciado um processo de desenvolvimento económico sustentado na venda de hidrocarbonetos à Europa. Havia muitos projetos que iriam beneficiar empresas europeias, na construção civil, na indústria, no desenvolvimento agrícola.

Em 2007, Khaddafi esteve em Lisboa para participar na Cimeira União Europeia – África. O primeiro-ministro português exercia na altura a Presidência da EU. Sócrates dedicava especial atenção à Líbia, onde se deslocou várias vezes para assinar acordos bilaterais.

Quem tiver memória, deve estar recordado da sumptuosa tenda que Khaddafi mandou erguer no Forte de São Julião da Barra. Aí recebeu Sócrates, ministros vários e outros chefes de Estado. E foi recebido em São Bento com todas as honras.

Enfim, a traição de Sarkozy foi, também, uma punhalada nas costas dos interesses portugueses.

O livro está à venda na Amazon. Custa 30 euros. Em França, a publicação deste livro está a ser um sucesso, com imensas repercussões mediáticas. Mas isto é gente sem vergonha na cara.

Mergulhar na cor

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Nélio Saltão passou a sua vida profissional como crupiê no Casino Estoril. Cedo, porém, se deixou seduzir pelo que ia vendo na galeria da casa onde trabalhava. E, claro, também as variadas cores das fichas de jogo lhe foram moldando o olhar.

Começou por naturezas mortas, que rapidamente aprendeu a pintar em pormenor, matizando-as desde logo de tonalidades fortes, atraentes.

Tem já largo currículo, sendo presença constante na conceituada Galeria S. Mamede, de Lisboa, na própria galeria do Casino e esta, agora, é mais uma das suas celebradas vindas ao Centro Cultural de Cascais.

Vale a pena ir ver e saborear, porque de imediato – se à porta largarmos preocupações e desditas – é fácil deixarmo-nos encantar.

– Cai neve no teu jardim? Deixá-la! Não viste como lhe enalteceu as pétalas coloridas?

– Queimaram-nos a frondosa floresta? Não ligues, que o verde daquela folha restante é esperança dum renascer!

A preocupação ecológica – sempre!

Reconfortar-nos-emos agora, adentro nessoutro mundo de cor! Acharemos, aliás, que é um reencontro, esse renascer de que bem precisados estamos, mergulhados como andamos num quotidiano cinzento de mais!

Convida-nos Nélio Saltão a mergulhar na cor. Na infinitude da paleta das suas cores. Já reparou como é bem variegado, confortante, num convite a olharmos mais além? Não lhe parece ser esse o objectivo da Arte autêntica: o de nos transportar para um mundo de fantasia, onde podemos à vontade sentarmo-nos e usufruir, serenamente, duma Beleza perene?

É, pois, de ir. Sentar-se. Admirar. O manto do reconforto depressa nos envolverá!

DESCUBRA AS SEMELHANÇAS

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Biden estava em Vilnius, na cimeira da NATO, quando acusou Putin de ter um “desejo de terra e poder”, um ímpeto ganancioso ou algo do género, razão pela qual terá invadido a Ucrânia. A novidade desta afirmação é o tom brejeiro que, pelos vistos, dá forma à atual visão estratégica dos Estados Unidos da América.

É evidente que uma afirmação deste teor apenas serve para soundbytes televisivos e títulos de jornal. Talvez funcione para pôr o povo a acenar com bandeirinhas, mas não serve para mais nada. Nem a guerra termina nem Putin se vai arrepender das decisões que tomou.

A verdade é que Biden está tão agarrado ao poder quanto Putin. O atual Presidente dos EUA foi vice-Presidente nos dois mandatos de Obama, entre 2009 e 2017. Voltou em 2021 depois de derrotar Trump nas eleições. Putin chegou à Presidência da Rússia no ano 2000 e, desde então, tem alternado a Presidência com o cargo de primeiro-ministro, sempre através de eleições.

Formalmente, não há nada que prove que as eleições russas são mais ou menos aldrabadas que as americanas. As cartas do jogo são semelhantes: o povo vota nos partidos e nos candidatos que melhor conhece, que são aqueles que melhor controlam o sistema.

Antes de ser presidente e vice-Presidente, Biden foi senador durante décadas, num país sempre em guerra contra alguém. Nesse papel, votou favoravelmente as intervenções militares dos EUA na Bósnia (1994), no Iraque (2002). Como Presidente, foi o responsável pela retirada do Exército dos EUA do Afeganistão, permitindo o regresso dos taliban ao poder. Foram 20 anos de ocupação militar inútil mas mortal para milhares de soldados americanos e centenas de milhar de afegãos.

Putin foi oficial dos serviços secretos da União Soviética durante 16 anos. Depois dedicou-se à política. No último Governo da URSS foi assessor de Bóris Ieltsin que acabou por nomeá-lo primeiro-ministro. Quando Ieltsin abdicou, Putin estava no sítio certo e tornou-se Presidente interino, em 1999. No ano seguinte venceu as eleições.

Biden pertence ao Partido Democrata, uma espécie de centro-direita dos EUA. Putin começou na política no Partido Nossa Terra, um defensor do liberalismo económico. Depois passou para o Partido Rússia Unida, de centro-direita.

Posto isto, poderemos dizer que Biden e Putin têm percursos políticos parecidos. Isto é, nenhum deles é comunista. Ambos são imperialistas.

Putin pretende preservar ao máximo o Império russo, um império continental conquistado ao longo de séculos pela espada dos czares, que já se estendeu por três continentes e 12 fusos horários.

Em 1721, o Império da Rússia ainda tinha a região do Alaska,no continente americano, mais tarde vendida aos EUA.

Biden defende o Império dos Estados Unidos, um império construído pelas multinacionais e o 7º Regimento de Cavalaria, um império económico, político, cultural mas, também, territorial, sustentado por bases militares espalhadas por todo o mundo (uma delas nos Açores).

Territórios com presença militar dos EUA

A guerra na Ucrânia resulta do choque entre estes dois impérios.