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PROIBIDO DE ENTRAR EM ESTÁDIOS DE FUTEBOL

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O adepto do Farense que insultou o jogador Chiquinho, do Famalicão, está proibido de entrar em recintos desportivos.

Chiquinho acusou o adepto de o ter insultado com impropérios racistas. O árbitro mandou parar o jogo e a PSP identificou o individuo em questão.

Na sequência destes acontecimentos, a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) divulgou um comunicado onde afirma que “um homem de 53 anos, residente em Faro, foi proibido de entrar em recintos desportivos pela APCVD, após ter sido identificado pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na sequência de insultos racistas ao jogador do Famalicão Chiquinho”.

No mesmo comunicado, a APCVD “o adepto suspeito foi esta manhã notificado da medida cautelar decretada pela APCVD e da respetiva constituição de arguido em processo contraordenacional”, acrescentou a APCVD.

A cena passou-se no Estádio de São Luís, em Faro, no jogo ente Farense e Famalicão (empate 1-1), da 21.ª jornada da I Liga.

O valor da educação, no nosso tempo

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A escola é um tema central no debate público, nos dias de hoje e nas nossas sociedades. No discurso, pouco importam os vectores da herança cultural e a cura milagrosa, através da mobilidade social ascendente que tem o cognome de Elevador da Glória. Perdão. Elevador social. Um jargão usado por políticos sem substância.

Portugal viveu sempre de costas voltadas para o saber, excepto naquele curto espaço temporal que vai dos descobrimentos até à expulsão dos judeus.

Marçal Grilo, na obra Salazar e a Educação no Estado Novo, prefaciado por Marcelo Rebelo de Sousa, não deixa dúvidas sobre o período da ditadura: “O autor demonstra por que razão a educação foi um dos flagrantes fatores de retardamento nacional, entre os anos 30 e 60, apesar dos esforços meritórios de alguns, visionários ou arrojados.”

Aos 40% de analfabetos, em 1960, a democracia oferece mais de 50% de jovens universitários. Foi um longo caminho para aqui chegar.

Roberto Carneiro, nos Fundamentos da Educação e da Aprendizagem propõe quatro pilares em que deve assentar a educação para responder aos desafio do séc. XXI, a saber: Aprender a Ser, Aprender a Conhecer, Aprender a Fazer e Aprender a Viver Juntos. As sociedades modernas são as do conhecimento e da investigação, mas também da liberdade individual, da tolerância e da multiculturalidade. Temos de ter ferramentas que nos permitam, ao longo da vida, uma adaptação às mudanças que acontecem invariavelmente.

A educação pode preparar-nos para melhor responder à incerteza, combater as injustiças e as desigualdades, dar melhores respostas às mudanças rápidas na sociedade e, no mundo do trabalho, em particular.

A importância da educação não se vê reflectida nem no papel da escola enquanto elemento simbólico, enquanto instituição, nem no papel do professor que desceu, consideravelmente, na hierarquia. Deixou de andar lado a lado com o médico e com o padre, alicerces da sociedade tradicional, tendo o seu estatuto diminuído e as suas condições de trabalho degradado, ficando sujeitos a mais violência e a salários cada vez mais distantes de outras categorias profissionais.

Uma sociedade tem de fazer escolhas e, se opta pela educação, tem de ser coerente.

O Professor António Manuel Baptista, que me habituei a ver nos muitos programas de divulgação científica que passavam na RTP, escreveu A Ciência no Grande Teatro do Mundo. Físico e humanista brilhante, divulgador de ciência, homem de uma cultura imensa, tenho por ele um fascínio apaixonado. Atribuo-lhe o mérito de ter definido, para além de todos quantos pensaram o tema educação, a razão do insucesso do nosso sistema escolar: “Seria impensável para o honesto e democrata cidadão português que as exigências feitas para a selecção e formação de um jogador de futebol, o seu treino, as condições de trabalho, a competência dos treinadores, a organização dos serviços de apoio, o espírito de grupo, as remunerações correspondentes dos agentes, tivessem paralelo num sistema educativo para os seus filhos.”

O autor escreve em português tal como o seu pai lhe ensinou, ao colo, a ler “Abola”.

OS EUA E A LIBERDADE DE IMPRENSA

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Julian Assange enfrenta 18 acusações criminais nos EUA pelo seu alegado papel na obtenção e divulgação de documentos confidenciais relacionados com a defesa nacional, incluindo provas que expõem alegados crimes de guerra. Ele está detido no Reino Unido desde 2019, na prisão de segurança máxima de Belmarsh, depois de ter passado 7 anos escondido na embaixada do Equador, em Londres.

Um juiz londrino aceitou o pedido de extradição dos EUA e Assange está a dias de poder ser enviado para uma prisão de alta segurança norte-americana, de onde nunca sairá vivo. Há dias, a relatora especial da ONU sobre Tortura, Alice Edwards, disse que se Assange “for extraditado, poderá ser detido em isolamento prolongado enquanto aguarda julgamento. Se condenado, ele poderá ser sentenciado a até 175 anos de prisão”.

Alice Edwards fez um apelo ao governo do Reino Unido para que reveja a ordem de extradição de Assange. A lei britânica diz que a extradição não é aceitável se não houver garantias de evitar “tortura e outros tratamentos ou penas cruéis”. Ora, nos EUA não existem garantias dessa ordem e quando um detido “desaparece” no interior de uma cadeia de alta segurança, não há lei que o proteja.

NOVOS LIMITES PARA O JORNALISMO

Assange desafiou a Grande América e está a pagar por isso. Os EUA não desistem de castigar o insubmisso, precisamente para dar uma lição a eventuais irreverentes que se perfilem no horizonte. A acusação contra Julian Assange, criou novos limites para o jornalismo, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Depois de Assange condenado, nenhum outro jornalista estará livre para publicar notícias sensíveis. Podemos até considerar que estamos a assistir à tentativa de criminalizar o direito a informar e a ser informado.

Julian Assange nem sequer é americano, não cometeu nenhum crime em solo americano. O que fez foi receber documentação sensível extraída dos computadores do Pentágono por Chelsea Manning, militar colocada no Iraque durante a ocupação norte-americana. Chelsea forneceu mais de 750 mil documentos militares e diplomáticos, nem todos secretos mas todos com informação reservada, alguns que evidenciam crimes de guerra executados por militares norte-americanos.  Chelsea foi detida, julgada em tribunal militar e condenada a 35 anos de prisão. Em 2017 beneficiou de um indulto presidencial de Barack Obama. Mas as acusações contra Julian Assange não foram retiradas.

O jornalismo precisa de Assange livre. Como símbolo, exemplo do que se diz da profissão, que jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. 

SAÚDE PARA TODOS

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Até aos governos de Cavaco Silva, o sector da saúde esteve em grande parte nas mãos do Estado, das Misericórdias e das Ordens Religiosas Hospitaleiras, com especial incidência destas últimas, no Norte de Portugal. O lucro não era o seu objetivo principal. Primava-se pela qualidade dos serviços e a sustentabilidade da instituição.

Só no Porto tínhamos como unidades de saúde com cirurgia e internamento, os Hospitais Religiosos: Ordem do Carmo, Ordem do Terço, Ordem da Trindade, Ordem de São Francisco, Ordem da Lapa, Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, Casa de Saúde da Boavista pertencente à Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

Toda esta gente se dedicava a cuidar e apoiar doentes, sendo que a maioria funcionava como sistema privado de saúde. Algumas em complementaridade, como casas de repouso da terceira idade. A maioria já fechou por manifesta falta de religiosas. Outras foram compradas ou concessionadas a privados do sector da saúde, como o grupo CUF, por exemplo.  

Esta semana soubemos que o SNS está a fazer mais cesarianas do que é normal, nos hospitais públicos, nas grávidas deste país ou das que aqui vem dar à luz, mas ainda assim em número muito menor do que os partos feitos nos hospitais do sector privado.

A noticia é publicitada não como uma mera informação estatística, mas tentando vender-nos a ideia de que no privado é que é bom, pois ali todas as mães têm direito a uma cesariana.

Vivemos tempos em que ser-se sério e intelectualmente honesto parece uma raridade só alcançável por alguns. O que é falso. Há sim gente escolhida a dedo para nos vender trapaças em papel celofane, como se a realidade fosse essa.

Senão vejamos:

Ninguém vai a um hospital privado para que a criança nasça de parto natural. Ao contrário, no hospital público privilegia-se essa técnica, ainda que mitigada com algumas formas de agilização evitando a dor da mãe. Recorre-se à cesariana nas situações mais complicadas ou em que se desaconselha o parto natural. Por exemplo, em maternidade bastante tardia.

Se uma progenitora vai fazer um parto fora do SNS, já vai com a predisposição de pagar uma cesariana. Aliás seria um desperdício de dinheiro, estar a ter encargos financeiros para se fazer um parto natural numa clinica privada. Há exceções, mas são isso mesmo, raridades.

Os encargos do SNS são enormes. Todos os anos crescem uns milhões de euros. Hoje, por via da globalização, até já temos gente que imigra para Portugal com o único objetivo de aqui dar à luz, e com isso acelerar o processo de legalização. Podemos discutir se isso é justo ou não. Mas há uma coisa óbvia. O SNS não deixa ninguém de fora. Já as parturientes que vão para o sector privado, e bem, é um direito legitimo, por norma fazem-no por terem um subsistema de saúde que lhes garante, no mínimo 50% do custo da intervenção medica. Não fora isso e a maioria delas estava no SNS.

Acresce a maternidade ser exercida pelas mães, cada vez mais tarde. Por variadíssimas razões. As mães que exercem esse direito a partir dos 30 anos tendem a ir para os hospitais privados, tendo os seus filhos por cesariana, muitas vezes por mera precaução. Já as mães mais novas, muitas delas ainda sem grande estabilidade profissional e financeira, ficam-se na maioria das vezes pelos hospitais do SNS.

Dito isto, sem um SNS eficaz e generoso, que cumpra o seu papel social, um dia destes só parem as mulheres ricas!  

O ADEPTO QUE INSULTA

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O que aconteceu agora no Estádio de São Luís, em Faro, no jogo entre Farense e Famalicão, tem tudo a ver com o atual momento político em Portugal.

Em Faro, o jogo esteve interrompido largos minutos, depois de Chiquinho, jogador do Famalicão, ter sido alvo de insultos racistas de um adepto algarvio. O jogador informou o árbitro, a PSP identificou o espetador que insultava, só depois o jogo prosseguiu.

Na política, todos sabem que o partido Chega cavalga ideais racistas, que alimenta ideais de confronto entre portugueses brancos e de outras etnias e que hostiliza a imigração com discursos agressivos. Aquilo que o Chega não diz, dizem os grupos e movimentos racistas, neonazis que giram à sua volta. Todos sabemos que é assim, mas o “árbitro” não manda parar o jogo.

Sabemos bem que no futebol se menosprezam este tipo de situações, tudo se desculpa pelo “calor” da refrega, mas quando não conseguem esconder os factos, como agora, todos condenam e pedem punições exemplares. Não vai acontecer nada demais, o adepto racista vai alegar que não disse o que os outros ouviram ele dizer.

Na política é a mesma coisa. O Chega até promove manifestações contra o racismo. Um dos proxys do Chega fez uma manifestação a denunciar o “racismo contra os brancos”. Se não fosse triste, teria sido uma bela anedota.

Em junho, o Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo (GPAHE, sigla em inglês) divulgou um relatório com o perfil de 13 grupos radicais de extrema-direita em Portugal. O relatório detalha 13 grupos de ódio e extremistas – incluindo o partido político de extrema-direita Chega! – que o GPAHE identifica como mantendo crenças e atividades que menorizam, assediam ou inspiram violência contra pessoas com base nos seus traços de identidade.

O discurso do Chega e dos seus proxys dão espaço a manifestações como à que assistimos no Estádio São Luís, em Faro. E quando os partidos políticos do naipe democrático não sinalizam o perigo e a justiça não atua em consonância com a lei, a impunidade fortalece o faltoso. E o árbitro não marca penalti.

Excerto do preâmbulo do relatório sobre racismo em Portugal

Vale a pena ler este relatório. Os interessados, podem seguir este link.

Atualização deste assunto: adepto foi proibido de entrar em recintos desportivos.

Cala a boca, seu camelo!

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Com texto e encenação de Ana Paula Reis, o elenco de actores do Grupo Desportivo do Zambujeiro leva à cena «Pátio do Zambujeiro», uma paródia do célebre «Pátio das Cantigas», o filme realizado por Francisco Ribeiro em 1942. Também aqui foi pretexto para «pátio», lugar onde os vizinhos se reúnem para, frequentemente, falarem da vida alheia; e para «cantigas», porque importa convidar o espectador a bater ritmadas palmas e, até, a atrever-se a cantar estribilhos bem conhecidos.

Por conseguinte, temos logo à partida a imitação do reboludo Vasco Santana, agora já não de cigarrito na mão mas com bem vistoso havanês, perdido de bêbado, a pedir lume ao candeeiro. Teremos, a dado momento, «Ó Evaristo, tens cá disto!», bom pretexto para o furioso merceeiro mimosear a assistência com uma mancheia de garrafitas de plástico. Bem e vamos por aí adiante, não faltando o casalinho jovem que até gostava de namorar mais recatadamente, o preço a que está tudo, a corrupção galopante, os piscares d’olhos furtivos…

É o Zambujeiro uma pacata aldeia da freguesia de Alcabideche, no concelho de Cascais, ali quase nas faldas da Serra de Sintra. Para além das actividades desportivas, mantém a colectividade esta chama de, pelo menos uma vez por ano, apresentar um espectáculo qual revista à portuguesa. Pretexto para fomentar comunidade, para os actores perderem acanhamentos, bem treinarem a sua memória e mostrarem quão agradavelmente se pode passar uma hora divertida.

Hugo Sobral, o presidente da direcção da colectividade, assim o tem conseguido e Ana Paula Reis, no final do espectáculo, além do agradecimento aos actores («todos eles trabalham e os ensaios são roubo ao merecido descanso pós-laboral»…), manifestou o seu contentamento por, desta sorte, algo de novo se concretizar na pacatez quotidiana pautada pelo binómio casa – trabalho.

Se o avião levantou a horas e aterrou dentro do horário e nem turbulência se sentiu e nem um passageiro gordo tropeçou nas escadas, a viagem nada tem para contar. Assim é na vida, onde mais nos recordamos dos momentos em que algo não correu como previsto e tudo se logrou resolver com uma boa gargalhada. Assim neste Pátio do Zambujeiro, onde as imprevistas peripécias acabam, sem querer, por assumir papel maior e onde o que mais sorrisos desperta é o grito do homem grande «Seu camelo!», quando alguém faz disparate e se arrisca a apanhar uma lambada.

Comédia é comédia; revista à portuguesa é assim, entretecida de quadros, em que instantâneos da vida quotidiana, cantares e até poesia se ajuntam para compor uma hora de entretenimento.

Pouco a pouco, os jovens se irão integrando no grupo, perdendo o natural acanhamento; aprender-se-á a modelar a voz; ter-se-á consciência de que também o silêncio programado sabe falar; estar-se-á mais atento aos casos ridículos da vida local e, de modo especial, aos magníficos instantâneos com que os políticos com tanto afã nos mimoseiam… E com tudo isso se confecionam quadros, cuja finalidade – já os Antigos o proclamavam! – é ‘castigar os costumes», a rir!

A iniciativa teve apoio oficial da Câmara Municipal de Cascais e da Junta de Freguesia de Alcabideche. Contou também com a comparticipação de algumas entidades, nomeadamente locais, como Vila Galé, Solóptica e Farmácia Luz. Não deixa de ser bom referir esta colaboração, pelo significado de que se reveste a consciencialização manifesta de que, para fomentar realizações culturais, todos hão de dar as mãos – e, acredite-se ou não, os benefícios colhidos acabam sempre por ser maiores do que os esperados.

Estreado no dia 20 de Janeiro, o espectáculo teve uma 2ª apresentação a 3 de Fevereiro, estando previstas novas sessões a 24 de Fevereiro, a 2 e a 23 de Março.

LISBOA SÓ QUER CARROS ELÉTRICOS

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Na baixa de Lisboa só vão circular automóveis elétricos. A ideia vai ser implementada pela autarquia, foi anunciado pelo vice-presidente da Câmara, Anacoreta Correia.

O autarca disse que vão ser alargadas as zonas de emissões reduzidas, de modo a banir os automóveis com motores de combustão. E garantiu que a fiscalização vai atuar, o que não tem acontecido até agora.

Anacoreta Correia é um político da “escola” do CDS (filho de um outro Anacoreta Correia, um histórico do mesmo partido), não sabíamos que se interessava tanto pela promoção da mobilidade elétrica. Houve tempos em que se afadigou a combater a exploração de lítio em Portugal, o que entra em conflito com o atual interesse em promover a mobilidade elétrica.

Anacoreta Correia contra as minas de lítio

Segundo explicou numa entrevista a um outro jornal online, a autarquia quer reduzir a poluição na cidade, “melhorar a qualidade de vida”, mas a “vida” a que o responsável autárquico se refere deve ser a dos turistas, porque residentes na baixa de Lisboa já são poucos. O preço do metro quadrado “reservou” esta parte da cidade a milionários, a expansão dos serviços hoteleiros despejou os últimos velhotes das suas casas que foram transformadas em alojamentos turísticos.

“O que eu quero é ter anéis na cidade que determinem quais são as medidas amigas do ambiente, nomeadamente para impedir a entrada de carros na cidade por não-residentes que sejam sobretudo poluentes. Essas medidas têm que ser calendarizadas, mas também têm que ser vigiadas”, afirmou sem apresentar datas para a implementação dessas mudanças.

Acontece que os “não-residentes que sejam sobretudo poluentes” são, também utentes e clientes de vários serviços localizados nas zonas onde o autarca quer respirar ar puro (Zonas de Emissões Reduzidas). Por exemplo, os hospitais da Ordem Terceira e de S.José, entre urgências e consultas externas, atendem milhares de pacientes diariamente, quase todos oriundos de bairros distantes ou até mesmo dos concelhos limítrofes. As ambulâncias e táxis, vão ser excepção? Muitos utentes dos hospitais deslocam-se de automóvel, malgrado o custo e as dificuldades de estacionamento existentes. Ou passam a ir de transporte público, ou vão a pé. Ou compram um carro elétrico.

Hospital da Ordem Terceira, rua Serpa Pinto, Chiado

Construção de Sonhos

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Nunca será de mais evocar com aplauso a iniciativa do escultor Óscar Guimarães de prever na sede da Junta de Freguesia de Cascais, quando eleito para a presidência desta autarquia um espaço para exposições. Nessa atitude acabaria por ser seguido pelas várias juntas do concelho, ainda que só a (actual) União de Freguesias Cascais Estoril mantenha em ‘laboração’ permanente as suas duas salas expositivas.

Pela Galeria JF foram, pois, passando, ininterruptamente, ao longo dos anos, desde a década de 70, inúmeros artistas. Hoje, o espaço já não se identifica com esse nome, mas continua a ser boa sala de visitas para quantos apreciam as Artes Plásticas e as suas manifestações. O calendário está preenchido ano após ano, privilegiando-se os artistas residentes no concelho, portugueses ou estrangeiros, que assim vêem uma possibilidade de exporem os seus trabalhos. Aliás, esse é, igualmente, excelente meio de integração da comunidade estrangeira que escolheu Cascais para viver.

A presente exposição de José Rodrigues, mais do que uma «Construção de sonhos», como se designou, constitui, no fundo, a concretização de um sonho seu, acalentado ao longo dos anos. Desde há muito que José Rodrigues passa para as telas ângulos cativantes de paisagens da sua vida: aqui, uma queda de água; acolá, a torre de Belém; mais além, a ponte D. Luís I e a sedução dum barco rabelo; mais perto, a Casa da Pesca na Quinta do Marquês…

Escolheu-se para identificação da mostra uma invulgar ‘Boca do Inferno’. Invulgar, porque, despida de pormenores, em quatro singelos ‘estratos’ de cor, desde o azul do céu ao outro azul esmaecido das águas, cortados pela mole castanha da rocha, sintetiza, assim, bem expressiva força poética.

Louve-se também o extremo cuidado posto pela equipa responsável das duas galerias (dirigida por Ana Sério, a sua gestora, bem secundada por Emília Sabino) em disponibilizar eloquente cartaz e adequada folha de sala, dotada de código QR, a permitir rápido acesso ao catálogo da exposição.

Tive ocasião de escrever para a folha de sala que José Rodrigues «vê na Arte – quer na pintura como no desenho ou no azulejo – uma forma de se exprimir e de passar uma mensagem de encantamento perante a realidade que os seus olhos assim procuram captar».

A mostra está patente na galeria da Junta de Freguesia de Cascais, Largo Cidade de Vitória, podendo ser visitada de 2ª a 6ª, das 9 às 17 horas, até ao próximo dia 16.

PUTIN FALOU URBI ET ORBI

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Tucker Carlson tem uma carreira nos media norte-americanos, mas desde que foi despedido do canal de televisão Fox News fixou-se nos media sociais. A dimensão do mercado da língua inglesa é tal que garante sustento a muitos jornalistas que não têm lugar nos media institucionais.

Tucker Carlston

Estamos a falar de um jornalista conhecido, também, por se situar na direita política dos EUA. É tido como apoiante de Trump. Quando se soube que Tucker Carlson estava em Moscovo, foi fácil perceber o que ele ia lá fazer. As críticas choveram em catadupa. Foi mimoseado com epítetos tipo “traidor”, “vendido”, criticado por “dar voz a um ditador”, etc. Mas não deve haver um jornalista no mundo que não quisesse estar no lugar de Tucker.

A entrevista é longa e está disponível. Sem cortes. Tanto no canal de Tucker no X como nos media russos. São duas horas de perguntas e respostas. Tucker tinha um único papel nas mãos (um alinhamento de tópicos, pela certa) e Putin nada. Respondeu a tudo e de improviso. Uma conversa longa demonstra vontade de responder. Vão dizer que Putin conheceu as perguntas previamente. Talvez tenha sido informado dos temas. Mas em duas horas, eles falaram de tudo, embora seja admissível que possa ter ficado alguma coisa por perguntar.

Vão dizer que foi tudo feito num tom suave. Sim, foi uma conversa serena. Mas isso não significa que não tenha havido questões delicadas. Vou deixar aqui um exemplo: a situação do jornalista Evan Gershkovich, correspondente do Wall Street Journal, preso e acusado de espionagem a favor dos EUA.

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Legendar duas horas de entrevista é uma tarefa hercúlea e não vai ser feito aqui. Para quem entende inglês, a entrevista na íntegra está no canal de Tucker Carlson no X/Twitter.

Sobre o suor de quem trabalha

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Defender a imigração com argumentos de que “sem eles o país pára” e os patrões “querem que venham mais”, é defender a precariedade, a exploração laboral, o capitalismo, é ter desistido de uma sociedade progressista. Defender a imigração dizendo que “os portugueses não querem fazer estes trabalhos” também contém alguns equívocos porque, em bom rigor, continuam a existir muitos “portugueses” a fazer trabalhos semelhantes só que noutros países e a ganhar várias vezes mais do que ganhariam cá.

Portanto, utilizar estes argumentos com pés de barro é muito útil para a direita (aos liberais porque ajuda os patrões exploradores e gananciosos, aos racistas porque só ajuda a fomentar o ódio aos imigrantes e a criar divisões entre trabalhadores, entre o “nós” e o “eles”). Também é muito útil para partidos que se proclamam “socialistas” mas que a única coisa que têm feito é dar mau nome ao socialismo.

Agora, a revolta e o “problema” nunca podem ser levantados em relação a quem procura uma melhor vida em Portugal e está, por isso, disposto a trabalhar em condições precárias e de exploração. Com os imigrantes trabalhadores a solidariedade deverá ser inequívoca, sempre. Os direitos dos imigrantes são os direitos dos trabalhadores, a luta é a mesma.

A revolta deve ser dirigida, sim, contra quem os explora desta forma e contra quem autoriza, permite e estimula que sejam assim explorados.

E, já agora, em relação a quem usa aquele tipo de argumentos, toda a desconfiança.

(esta crónica foi publicada primeiro no Facebook da autora)