O ADEPTO QUE INSULTA

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O que aconteceu agora no Estádio de São Luís, em Faro, no jogo entre Farense e Famalicão, tem tudo a ver com o atual momento político em Portugal.

Em Faro, o jogo esteve interrompido largos minutos, depois de Chiquinho, jogador do Famalicão, ter sido alvo de insultos racistas de um adepto algarvio. O jogador informou o árbitro, a PSP identificou o espetador que insultava, só depois o jogo prosseguiu.

Na política, todos sabem que o partido Chega cavalga ideais racistas, que alimenta ideais de confronto entre portugueses brancos e de outras etnias e que hostiliza a imigração com discursos agressivos. Aquilo que o Chega não diz, dizem os grupos e movimentos racistas, neonazis que giram à sua volta. Todos sabemos que é assim, mas o “árbitro” não manda parar o jogo.

Sabemos bem que no futebol se menosprezam este tipo de situações, tudo se desculpa pelo “calor” da refrega, mas quando não conseguem esconder os factos, como agora, todos condenam e pedem punições exemplares. Não vai acontecer nada demais, o adepto racista vai alegar que não disse o que os outros ouviram ele dizer.

Na política é a mesma coisa. O Chega até promove manifestações contra o racismo. Um dos proxys do Chega fez uma manifestação a denunciar o “racismo contra os brancos”. Se não fosse triste, teria sido uma bela anedota.

Em junho, o Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo (GPAHE, sigla em inglês) divulgou um relatório com o perfil de 13 grupos radicais de extrema-direita em Portugal. O relatório detalha 13 grupos de ódio e extremistas – incluindo o partido político de extrema-direita Chega! – que o GPAHE identifica como mantendo crenças e atividades que menorizam, assediam ou inspiram violência contra pessoas com base nos seus traços de identidade.

O discurso do Chega e dos seus proxys dão espaço a manifestações como à que assistimos no Estádio São Luís, em Faro. E quando os partidos políticos do naipe democrático não sinalizam o perigo e a justiça não atua em consonância com a lei, a impunidade fortalece o faltoso. E o árbitro não marca penalti.

Excerto do preâmbulo do relatório sobre racismo em Portugal

Vale a pena ler este relatório. Os interessados, podem seguir este link.

Atualização deste assunto: adepto foi proibido de entrar em recintos desportivos.

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