JORNALISMO E LIBERDADE

Está detido numa prisão inglesa desde abril de 2019, depois de ter passado 7 anos fechado nas instalações da Embaixada do Equador, em Londres. Na época, era o homem mais procurado pela CIA. O crime de Julian Assange foi ter investigado e divulgado através do site Wikileaks segredos de Estado e crimes de guerra de muitos países, nomeadamente dos EUA.

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Nenhum dos alegados crimes foi cometido em solo americano, mas os EUA pretendem o controlo absoluto no planeta e arredores. Nenhum cidadão de qualquer nacionalidade está livre de ser detido e levado para território americano para “julgamento”. As aspas justificam-se porque ninguém acredita na imparcialidade desse tipo de tribunais que julgam sob legislação que não tem jurisdição definida. E prisões como Guantanamo continuam ativas.

Julian Assange antes de se refugiar na Embaixada do Equador em Londres, 2012.

Julian Assange é um jornalista australiano, quando “saltou o muro” da Embaixada do Equador em Londres, foi para evitar ser detido e deportado para os EUA. Nunca conseguiu sair de lá, a polícia inglesa acabou por entrar na embaixada e levou-o para a prisão de segurança máxima de Belmarsh. Em janeiro de 2021, um juiz inglês rejeitou a extradição de Assange para os EUA, mas o jornalista continua encarcerado, sem acusação.

Julian Assange em 2019, quando a polícia inglesa entrou na Embaixada do Equador para o prender.

Assange ficou conhecido internacionalmente em 2010, quando o WikiLeaks publicou um vídeo de 2007 que exibia helicópteros Apache matando 12 pessoas em Bagdad – entre as vítimas, havia repórteres da Reuters. Esses e outros vídeos e dezenas de milhar de documentos publicados terão sido fornecidos por Chelsea Manning, militar norte-americana que denunciou vários casos. Manning foi detida, julgada e condenada, saiu em liberdade já, enquanto Assange continua detido sem nunca ter sido julgado.

Em 2010, o site Wikileaks divulgou mais de 90 mil documentos secretos com detalhes da campanha militar dos EUA no Afeganistão, seguidos por quase 400 mil relatórios internos que descreviam operações no Iraque.

A publicação deste tipo de material pelo Wikileaks foi um escândalo de proporções globais. Com raras exceções, os políticos condenaram as denúncias, Joe Biden era vice-presidente na altura e disse que era um “ato terrorista”. As exceções foram Lula da Silva, Presidente do Brasil, e Rafael Correa, Presidente do Equador que ofereceu a cidadania equatoriana ao fugitivo  Assange. O Presidente da Rússia na altura, Dmitri Medvedev, disse que Assange merecia um Prémio Nobel.

Antes de ser um proscrito da lei dos EUA, Assange recebeu vários prémios de jornalismo e de direitos humanos, as informações obtidas pelo Wikileaks foram partilhadas por jornais como, por exemplo, o El País, o Le Monde, o Der Spiegel, o Guardian ou o New York Times. Hollywood fez filmes com esse material, os canais de televisão produziram muitos programas com essa temática. Mas, hoje, poucos falam disto e Julian Assange continua detido.

EM PORTUGAL, PEQUENAS HISTÓRIAS

Em Portugal pouco se falou disto. Alguns meios de Comunicação Social tentaram cavalgar a onda mediática de Assange, mas nunca nada de especial relacionado com o país foi divulgado. E há algum material publicável. O exemplo que avançamos aqui não passa de uma curiosidade.

cabeçalho da mensagem enviada pela Embaixada dos EUA em Lisboa para o Departamento de Estado dos EUA

Falamos do caso da Fundação Luso-Americana (FLAD) que foi alvo de pressões diplomáticas para que o Governo português retirasse Rui Machete da direção da FLAD. Nas mensagens trocadas entre a Embaixada dos EUA em Lisboa e o Governo dos EUA, Machete era classificado como incompetente, gastador, alguém que estava ali como “prémio de consolação” por ter perdido um “tacho” político.

tradução do sublinhado: Rui Machete é diretor da Flad desde 1988, tendo conseguido o cargo como prémio de consolação depois de ter perdido o cargo na mudança de governo em 1985

Sem faltar indícios de corrupção na gestão da FLAD…

tradução do sublinhado: orçamento gasto em despesas gerais com o seu luxuoso escritório adornado com obras de arte, equipe gorda, frota de BMWs com motorista e em “custos administrativos e de pessoal”

Esta troca de mensagens foi classificada como “secreta”, a sua divulgação não passa de um pequeno embaraço para as relações bilaterais entre EUA e Portugal. A FLAD é um organismo que surgiu para substituir em Portugal a USAID, organização através da qual se diz que os EUA financiavam encapotadamente a sua rede de espionagem e controlo político internacional.

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