LISBOA SÓ QUER CARROS ELÉTRICOS

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Na baixa de Lisboa só vão circular automóveis elétricos. A ideia vai ser implementada pela autarquia, foi anunciado pelo vice-presidente da Câmara, Anacoreta Correia.

O autarca disse que vão ser alargadas as zonas de emissões reduzidas, de modo a banir os automóveis com motores de combustão. E garantiu que a fiscalização vai atuar, o que não tem acontecido até agora.

Anacoreta Correia é um político da “escola” do CDS (filho de um outro Anacoreta Correia, um histórico do mesmo partido), não sabíamos que se interessava tanto pela promoção da mobilidade elétrica. Houve tempos em que se afadigou a combater a exploração de lítio em Portugal, o que entra em conflito com o atual interesse em promover a mobilidade elétrica.

Anacoreta Correia contra as minas de lítio

Segundo explicou numa entrevista a um outro jornal online, a autarquia quer reduzir a poluição na cidade, “melhorar a qualidade de vida”, mas a “vida” a que o responsável autárquico se refere deve ser a dos turistas, porque residentes na baixa de Lisboa já são poucos. O preço do metro quadrado “reservou” esta parte da cidade a milionários, a expansão dos serviços hoteleiros despejou os últimos velhotes das suas casas que foram transformadas em alojamentos turísticos.

“O que eu quero é ter anéis na cidade que determinem quais são as medidas amigas do ambiente, nomeadamente para impedir a entrada de carros na cidade por não-residentes que sejam sobretudo poluentes. Essas medidas têm que ser calendarizadas, mas também têm que ser vigiadas”, afirmou sem apresentar datas para a implementação dessas mudanças.

Acontece que os “não-residentes que sejam sobretudo poluentes” são, também utentes e clientes de vários serviços localizados nas zonas onde o autarca quer respirar ar puro (Zonas de Emissões Reduzidas). Por exemplo, os hospitais da Ordem Terceira e de S.José, entre urgências e consultas externas, atendem milhares de pacientes diariamente, quase todos oriundos de bairros distantes ou até mesmo dos concelhos limítrofes. As ambulâncias e táxis, vão ser excepção? Muitos utentes dos hospitais deslocam-se de automóvel, malgrado o custo e as dificuldades de estacionamento existentes. Ou passam a ir de transporte público, ou vão a pé. Ou compram um carro elétrico.

Hospital da Ordem Terceira, rua Serpa Pinto, Chiado

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