OS EUA E A LIBERDADE DE IMPRENSA

Os EUA não desistem de julgar Julian Assange, o jornalista que divulgou documentos secretos através do site Wikileaks.

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Julian Assange enfrenta 18 acusações criminais nos EUA pelo seu alegado papel na obtenção e divulgação de documentos confidenciais relacionados com a defesa nacional, incluindo provas que expõem alegados crimes de guerra. Ele está detido no Reino Unido desde 2019, na prisão de segurança máxima de Belmarsh, depois de ter passado 7 anos escondido na embaixada do Equador, em Londres.

Um juiz londrino aceitou o pedido de extradição dos EUA e Assange está a dias de poder ser enviado para uma prisão de alta segurança norte-americana, de onde nunca sairá vivo. Há dias, a relatora especial da ONU sobre Tortura, Alice Edwards, disse que se Assange “for extraditado, poderá ser detido em isolamento prolongado enquanto aguarda julgamento. Se condenado, ele poderá ser sentenciado a até 175 anos de prisão”.

Alice Edwards fez um apelo ao governo do Reino Unido para que reveja a ordem de extradição de Assange. A lei britânica diz que a extradição não é aceitável se não houver garantias de evitar “tortura e outros tratamentos ou penas cruéis”. Ora, nos EUA não existem garantias dessa ordem e quando um detido “desaparece” no interior de uma cadeia de alta segurança, não há lei que o proteja.

NOVOS LIMITES PARA O JORNALISMO

Assange desafiou a Grande América e está a pagar por isso. Os EUA não desistem de castigar o insubmisso, precisamente para dar uma lição a eventuais irreverentes que se perfilem no horizonte. A acusação contra Julian Assange, criou novos limites para o jornalismo, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Depois de Assange condenado, nenhum outro jornalista estará livre para publicar notícias sensíveis. Podemos até considerar que estamos a assistir à tentativa de criminalizar o direito a informar e a ser informado.

Julian Assange nem sequer é americano, não cometeu nenhum crime em solo americano. O que fez foi receber documentação sensível extraída dos computadores do Pentágono por Chelsea Manning, militar colocada no Iraque durante a ocupação norte-americana. Chelsea forneceu mais de 750 mil documentos militares e diplomáticos, nem todos secretos mas todos com informação reservada, alguns que evidenciam crimes de guerra executados por militares norte-americanos.  Chelsea foi detida, julgada em tribunal militar e condenada a 35 anos de prisão. Em 2017 beneficiou de um indulto presidencial de Barack Obama. Mas as acusações contra Julian Assange não foram retiradas.

O jornalismo precisa de Assange livre. Como símbolo, exemplo do que se diz da profissão, que jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique

1 COMENTÁRIO

  1. A extradição de Assange, a verificar-se, é um fracasso quanto ao respeito pelos direitos e liberdades fundamentais do ser humano.
    Pode a questão da obtenção e divulgação de documentos classificados como confidenciais, ou sensíveis, exigir outra abordagem, um julgamento com certo tipo de punição pela “ousadia”. Mas vemos que nenhuma grande potência, EUA ou qualquer outra, tolera a divulgação da verdade, quando ela afecta severamente a sua imagem. E a verdade, ou a transparência, devia ser, afinal, a essência do jornalismo e da vida pública.
    Os anos que este cidadão passou na prisão, chegam como cumprimento de uma pena pesada. Persegui-lo ainda mais, é uma intolerância que só justifica a falência das instituições em que queremos acreditar.
    Esperemos que alguma delas tenha força para dizer: basta! Ou que outro líder parecido com Barack Obama, possa intervir a favor da vida deste homem e da sua estabilidade emocional e familiar.

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