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O Orçamento do Estado na saúde em Sintra

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O Governo acaba de apresentar o Orçamento do Estado para 2021 e uma das prioridades é o setor da Saúde, desde a contratação de profissionais para o SNS até à construção de hospitais. Nesse capítulo, o OE2021 contempla uma despesa de 104,3 milhões de euros para a construção de novos hospitais a serem lançados até 2023. O plano refere-se a novos hospitais centrais e a pequenos hospitais de proximidade. O documento refere o Hospital Pediátrico integrado no Centro Hospitalar de São João, no Porto, e as futuras unidades de Lisboa Oriental, Seixal, Sintra, Alentejo e Madeira. Em termos globais, a cifra atinge os 950 milhões de euros, dos quais se prevê 104,3 milhões em 2021”, lê-se na proposta orçamental.

Um por um, percebem-se os diferentes impactos que os vários hospitais vão ter na vida das populações. Assim, o Orçamento do estado prevê 28 milhões de euros para a unidade hospitalar pediátrica integrada no São João, 150 milhões para o futuro Hospital Central do Alentejo e 470 milhões para o Hospital de Lisboa Oriental, cuja construção será feita em regime de parceria público-privada. Pelo investimento, percebe-se a dimensão da obra. O novo hospital a ser construído em Sintra, por exemplo, tem um orçamento anunciado de 40 milhões de euros, embora a obra seja paga na totalidade pela Câmara Municipal e o Ministério da Saúde apenas vá investir em equipamentos e pessoal. Trata-se de um pequeno hospital, de resto, com apenas 60 camas para internamento. Isto, num dos maiores e mais populosos concelhos do país.

Quando as luzes se acendem em Lisboa

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A população de Lisboa continua a decrescer e é por causa do (des)amor. As estatísticas da Pordata apontam para 508 368 habitantes em 2019. Lisboa perdeu 54 944 lisboetas em 18 anos.

As cidades são a história do Mundo. As cidades, e as batalhas. As civilizações e o bem-estar constroem cidades. Os habitantes interagem com amor, ódio e todos os sentimentos que Ovídeo deu conta em “A Arte do Amor”, escrito há dois mil anos. Para Ovídeo o amor e as  conveniências já eram, naquele tempo, o cimento do futuro sustentável.

Pedro Santana Lopes também pensou o mesmo, quando foi provedor da Santa Casa. Preocupou-se com os habitantes de Lisboa que “vivem e morrem sozinhos”. “São muitos, muitos”, disse-me. A solidão em Lisboa é fácil de descobrir. Quando começa a anoitecer, as luzes acendem-se timidamente, porque a luz está cara. Andamos a pagar “rendas” a chineses e a gente podre-de-rica. Uma hora depois as luzes apagam-se. E ali está a gente que vive sozinha, que já nem vê televisão. Estamos a falar dos bairros antigos da cidade. Não de Telheiras ou da Alta de Lisboa, onde a música é outra.

Uma cidade é uma rede de interesses e objectivos, onde os afectos são essenciais. Aos 50 anos de idade, começamos a perceber a importância de ter amigos, para além dos senhores do 112. É importante procurar o que nos une na cidade. E seria aqui que Medina encaixava bem. Mas Medina está desatento, tal como todos nós estivemos enquanto fomos novos. Nos últimos 46 anos andámos a mijar no mundo, como se fossemos super-homens eternos. Mas isso mudou com a pandemia, de forma brutal. Caímos na realidade. Estamos confinados, reduzidos ao nosso espaço e às nossas dificuldades.

Não temos famílias sólidas. Amigos fixes. Tertúlias do coração. Partidos políticos onde nos podemos rever. Os lisboetas acima dos 65 anos representam mais de 28 por cento da população. Nos próximos dez anos, serão 40 por cento. Estarão envelhecidos e alquebrados.

Os lisboetas vivem cada vez mais sozinhos, mesmo os mais novos. E não precisam de ciclovias, porque a cidade é uma montanha russa disfarçada.  Precisam é de quem lhes telefone. “Alô! Daqui é o Fernando, o Medina! Venha tomar um cafezinho comigo”. Ops! Eu estava muito ocupado mas aceito já, muito obrigado senhor presidente!

Penas (vidas) suspensas

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Quanto vale a vida de uma criança em Portugal?

Pouco ou nada, é a conclusão que tiro, lendo a notícia de mais um tribunal que aplicou uma pena suspensa a um homem condenado por abusar sexualmente da enteada de 10 anos. Os argumentos com que os juízes justificam a sua decisão de suspender as penas – previstas no Código Penal – e deixar os agressores comprovados em liberdade são quase sempre os mesmos: o arguido não tinha antecedentes criminais e estava bem integrado na sociedade. Em todas as notícias e acórdãos que leio, fico invariavelmente com a sensação de que a Justiça portuguesa está mais preocupada em salvaguardar os direitos e a reinserção dos agressores do que os direitos e a saúde mental das vítimas. Os criminosos são deixados em liberdade, ou porque são muito jovens, ou porque são muito velhos, e os juízes julgam que lhes devem dar uma oportunidade, ou então que a pena suspensa será encarada como uma solene advertência, suficiente para afastar o arguido de ilícitos criminais (estou a citar).

E as vítimas?

Existindo tanta bibliografia científica actualmente disponível em português, parece-me impossível um juiz – ou uma juíza – nunca ter lido um artigo ou um livro de Psicologia sobre as consequências profundas e permanentes dos abusos sexuais na infância e adolescência. Como, então, explicar este menosprezar do sofrimento das vítimas em prol dos direitos dos agressores? Se não é falta de conhecimento, será falta de empatia?

Creio que é aqui que a literatura poderá chegar aonde a ciência não alcança. Talvez um juiz leia uma tese de mestrado em Psicologia sobre abusos sexuais e não seja capaz de sentir empatia pelas vítimas, cujo sofrimento é descrito com expressões como stresse pós-traumático, enurese, distúrbios alimentares, automutilação, ideações suicidas. Mas talvez esse mesmo juiz – a menos que seja ele próprio pedófilo ou sociopata desprovido de empatia – sinta no seu âmago o trauma das vítimas, lendo um texto literário como Instrumental, publicado pela Alfaguara. «A violação infantil é o Evereste do trauma», escreve James Rhodes neste seu livro autobiográfico. «Fui violado quando era criança. Durante cinco anos, tive sexo com um homem três vezes maior que eu e trinta ou quarenta anos mais velho, contra a minha vontade, dolorosamente, secretamente, selvaticamente, dúzias de vezes. Transformei-me num objecto para ser usado.[O agressor] roubou-me a infância. Roubou-me a capacidade de ser pai. E riu enquanto o fez.» Quase ouço o riso de todos estes pedófilos que saem dos nossos tribunais com pena suspensa. Saem em liberdade, liberdade para reincidirem e transformarem a vida de mais crianças «num campo de batalha, repleto de perigos, ameaças, terror e dor». E enquanto os agressores são livres de retomarem as suas vidas e rotinas, as vítimas permanecem reféns, como James Rhodes, durante décadas: «Trinta anos volvidos continuo aqui, preso ao passado, em sofrimento, com a sensação de que a culpa foi toda minha.»

Rhodes era uma criança pré-púbere quando foi violado pela primeira vez e, tal como acontece com a maioria das vítimas, a sensação de culpa entranhou-se-lhe no corpo, o sentimento de self-hatred, nojo de si próprio, tornou-se um traço da sua personalidade, do qual nunca se conseguiu libertar, apesar de hoje ser um pianista conceituado e desfrutar de uma vida de considerável sucesso: «Quando era criança aconteceram-me coisas, fizeram-me coisas, que me levaram a conduzir a minha vida com a convicção de que eu, apenas eu, posso ser responsabilizado pelo que existe no meu íntimo e que abomino. É evidente que só me fizeram aquilo porque eu já era inerentemente pérfido a todos os níveis. E nem todo o conhecimento, compreensão e bondade do mundo alguma vez mudarão o facto de que essa é a minha verdade. Sempre foi. Sempre será.»

Sempre que um juiz aplica uma pena suspensa a alguém que comprovadamente abusou de uma criança, mesmo que o agressor o tenha feito sem penetração, ou só uma vez, ou por cima da roupa (atenuantes invocados nos tribunais), esse juiz está a mostrar às vítimas aquilo que elas interiorizaram pelo simples facto de ninguém as ter protegido do mal: «não há nada nem ninguém nesta vida», explica Rhodes, «que possa ajudar-me a ultrapassar esta situação. Nenhum familiar, cônjuge, amigo, psiquiatra, iPad ou comprimido.» E escusado será dizer que muitas vítimas experimentam, na adolescência ou na idade adulta, todo o tipo de panaceias para se libertarem da dor, desde o consumo de drogas a comportamentos sexuais de risco, culminando em tentativas de suicídio. «Por vezes, a minha capacidade para suportar e desejar a dor é infinita, um poço sem fundo de automutilação e uma excitação perversa na procura de mais e mais.»

O relato de Rhodes é um grito de raiva profundamente comovente e lúcido, sem nunca entrar em descrições gráficas dos abusos de que foi vítima. Não precisamos dos pormenores escabrosos para sentir na pele as consequências devastadoras que esses abusos tiveram na vida desta criança. Na vida de qualquer criança. Num trecho em que interpela o seu agressor (Peter Lee, que morreu antes de ser levado a julgamento), Rhodes deixa bem claro: «Nada do que me fizeste foi inócuo, agradável ou carinhoso, apesar do que disseste. Não passou de uma abjecta violação da inocência e da confiança. Só posso desejar que as pessoas como o senhor Lee, que procuram activamente e praticam o seu desejo sexual por crianças, compreendam, deveras, o mal que provocam. Que menosprezar ou justificar os actos como sendo recíprocos e aceitáveis, como sendo uma expressão de amor, é o maior logro que pode haver.»

Talvez os juízes portugueses que aplicam penas suspensas necessitem de ler Instrumental. Talvez as memórias de James Rhodes devam ser leitura obrigatória nos cursos de Direito e de formação de magistrados. Já sabemos que a Faculdade de Direito de Lisboa é palco e palanque de mentes misóginas, mas custa-me a crer que além de misógina, a nossa Justiça também compactue com a pedofilia. Nós, mulheres, temos voz para nos defendermos; as crianças, não. «A vergonha é o motivo pelo qual não revelamos a verdade», explica Rhodes. «As ameaças funcionam durante uns tempos, mas não durante anos. A vergonha garante o silêncio e o suicídio é o derradeiro silêncio.»

Mas Instrumental é muito mais do que um relato de abuso e trauma. Instrumental é uma declaração de amor às artes, em especial à música clássica, não fosse Rhodes pianista. «Embora o perdão e a meditação, a leitura e a escrita, o diálogo e a partilha ajudem», diz ele, «a criatividade é, para mim, uma das maneiras mais profundas de ultrapassar um trauma.» Todos os capítulos têm por título uma peça de música clássica e começam com um texto breve sobre a obra e o respectivo compositor. E é precisamente partindo de uma citação de Schumann que Rhodes nos indica o caminho, enquanto sociedade: «Schumann diz-nos: “Lançar luz para a escuridão dos corações dos homens — esta é a obrigação do artista.” Eu acredito que é a obrigação de todos nós, independentemente daquilo que fazemos para preencher o nosso tempo.»

Levemos, pois, a luz às faculdades de Direito e aos tribunais do nosso país.

Instrumental – Memórias de Música, Medicina e Loucura, de James Rhodes (tradução de José Remelhe, Alfaguara, 2017)

Os portugueses estão mais felizes

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Portugal subiu na tabela da felicidade mundial. Estamos mais felizes, segundo o World Happiness Report 2019 da ONU. Por causa disso vou telefonar a Rui Brites, um professor universitário muito conceituado nesta matéria melindrosa. Ligo-lhe porque tenho muitas dúvidas.

Portugal conseguiu subir 11 lugares no ranking, fixando-se no 66º lugar da tabela. No topo está Finlândia, a Dinamarca e a Noruega,  Islândia, Holanda, Suíça e Suécia. Ou seja a felicidade mora a norte e é fresquinha na temperatura e é forte no sexo e nos afectos, dizem-me vários amigos.

Os sete factores determinantes na medição da felicidade de cada país são a riqueza, os apoios sociais, a expectativa de uma vida saudável, a liberdade para fazer escolhas, a generosidade e percepção de corrupção.

Nós ficámos a meio da tabela e isso intriga-me porque ricos temos poucos. E nos apoios sociais vamos muito mal. A corrupção alimenta as primeiras páginas do diário Correio da Manhã. E de generosidade nem se fala, basta entrar num elevador, abrir uma porta ou ir a uma repartição pública para ver a nossa dificuldade em esboçar um sorriso ou em dizer um “bom dia”. Muito ao contrário do que se passa aqui ao lado com os povos de Espanha.

Há anos, quando fui casado, era frequentemente repreendido pela minha mulher por cumprimentar as pessoas com um “Olá!”. A zanga subia até de tom, quando eu era o primeiro a dizer bom dia no elevador do prédio onde morávamos. Então como é que faço? “Não faças!” Depois disso a coisa só piorou.

E agora vêm dizer que andamos a subir na tabela? Que grande risota. Bom dia e até à próxima crónica.

Europa defende o povo cigano

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Declarações da Comissária para a Igualdade da Comissão Europeia sobre plano para a inclusão dos ciganos nas sociedades dos Estados membros.

Sobre atestados de virgindade

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Em pleno inverno de 2020, quando a pandemia nos obrigou à “solidão”, não tinha dúvidas em denunciar a tentativa de decapitação da hierarquia da Justiça em Portugal, então em curso.

Preocupado com diversos sinais que até “furavam os olhos”, deixei claro que, “a par dos golpes de estado económico-sociais, se desenhava um golpe no estado de direito”; e até fiz questão de publicar, em livro, que, em matéria de democracia, já só “passaria atestados de virgindade ao Tribunal de Contas e à Provedoria de Justiça”.

No entanto, não raro a vida nos prega surpresas e vemos falhados objetivos que parecem fáceis. A turbulência entretanto causada pela pandemia, nos altos voos de uma classe política medrosa e totalmente impreparada, e submissa a interesses que não exalam patriotismo, acabaria por desviar mísseis já apontados e permitir um inesperado alento a “espécies condenadas à extinção”.

Melhor explicado, apesar do silêncio ensurdecedor de quase todos os Partidos “não populistas”, e dos bons préstimos do líder da oposição, a tentativa de redistribuição de cargos na chefia do Supremo Tribunal de Justiça, tendente à sua definitiva tutela pelo poder político, “não correu tão bem como o desejado”. E, com a confusão instalada, até a partilha dos processos do TIC, que também se anunciava ir “entrar em obras de remodelação ou fechar”, proporcionou acidentalmente alguns ventiladores extra a quem, durante anos, havia encabeçado uma “revolução silenciosa na Justiça portuguesa”.

Sempre fui um otimista. Não há mal, por pior que seja, que não “carregue” algo de bom. Graças ao coronavírus, pela primeira vez em décadas, Portugal assistiu nos últimos meses a um real avanço na responsabilização criminal de altos gangues, incluindo magistrados e administradores que se julgavam intocáveis.

E como a vida não é só composta de desgraças, aproveito para também deixar nota que me parece algo comprometida a tentativa de “golpe de estado na educação”, sobretudo na área da cultura, seja a popular ou a erudita. Reviravolta que aconteceu por que, quase de forma espontânea, se ergueu uma forte onda identitária e patriótica entre o nosso povo. Entre nós, ainda há muito quem acredite que somos portugueses… “por acaso” o primeiro povo do mundo a marcar as suas fronteiras.

Depois de, enquanto médico e cidadão, me ter “esgotado” durante meses a produzir dezenas de textos inúteis, em que antecipei “ciência” sobre as diversas vertentes da presente pandemia, e em que não falhei uma única previsão ou medida, ainda conto voltar a “atentar-vos” com as novas reflexões que tenho em curso.  

Adiei, contudo, esse propósito, rendido esta semana à coragem e valia daqueles que se “vão da lei da morte libertando”, empenhados numa “moralização” sem precedentes das Instituições da República Portuguesa.

Reconduzidos todos os “generais” que tão galhardamente se batem na “frente de guerra” contra o coronavírus, como podia não saudar o restauro urgente que foi efetuado nesse grande baluarte da democracia, que é o Tribunal de Contas?

Cidadão no ativo, mas médico se calhar já “fora de validade”, sem dúvida que só posso agradecer esta recente “varridela”, “viradeira” que me facilita a vida em matéria de passagem de um “atestado de virgindade”, agora totalmente desnecessário.

Com a “esperança” de que prossiga a oportuna substituição de magistrados inoportunos, peço a todos os portugueses de boa-vontade que se associem a este meu aplauso de gratidão:  

– Ditosa Pátria… que tais filhos tem!

Caos nas urgências do Hospital Amadora-Sintra

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É um caos. Ninguém se entende nas urgências do Hospital Amadora-Sintra. E a culpa é do próprio hospital, não é do covid-19.

Os doentes dão entrada nas Urgências e daquela porta para dentro é outra república. Há casos em que os doentes ficam mais de 14 horas internados, sem nada ser dito às famílias. Os acompanhantes aguardam, desesperam e pedem o livro de reclamações.

Um doente de 93 anos entra às 3 da manhã neste hospital. Vítima de um queda grave, com perda de consciência e dois enormes hematomas na cabeça. Durante 16 horas nada é dito ao filho que o acompanha e desespera. Qual é o estado de saúde? Vão fazer o quê? Ainda está vivo?

A menina do guichet desdobra-se em justificações, atrás de uma protecção atamancada, com fita de pintura a tapar os buracos.

São 22 horas, já passaram 19 horas sobre o entrada na urgência do senhor de 93 anos, de pace-maker, de hematomas gigantes na cabeça e a funcionária condói-se, finalmente, e vai saber o que se passa.

No nosso País muitos médicos são prepotentes. Começam logo por tratar o doente por tu, enquanto o doente os vai tratando por senhor doutor.

Afinal o homem de 93 anos estava em observação, adianta com alívio a gentil funcionária, que parece estar à beira de um ataque de coração.

As reclamações sucedem-se no livro. O ambiente é de justificada exaltação. Mas para além da senhora do guichet não há mais ninguém. Nem médicos, nem administração e muito menos o relações públicas que não se rala. Mesmo sendo um amigo a falar-lhe ao coração, para ajudar toda aquela gente aflita.

E em resumo. Este caos diário acontece porquê? Porque o senhor relações públicas está na sua vidinha, os médicos não têm tempo para falar com a plebe e não existe um administrativo para trazer o relatório médico actualizado do doente. Relatório a que temos direito e é de bom senso. De duas em duas horas.

Muda o turno médico. Passam os senhores doutores e senhoras doutoras. E lá vão, sem sequer dizer uma “Boa Noite”.

Mas afinal o voto destes senhores não é igual ao nosso? Não somos nós que lhe pagamos o salário com os nossos impostos? Acham-se muito importantes, porque a nossa vida depende deles. E se os doentes não lhes servissem jantares, não instruíssem os seus filhos, não recolhessem o seu lixo, não limpassem as suas casas? Eles continuavam a ser importantes?

Covid-19 e PSP bastante atarefados

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Portugal registou hoje mais cinco mortos e um número recorde de 1.646 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, em março, este é o maior número de casos de infeção registados num só dia. O segundo maior registo aconteceu a 10 de abril, com 1.516, e o terceiro mais recentemente, nesta sexta-feira, com 1.394 novos casos.

A Direção Geral de Saúde indica que, das cinco mortes registadas nas últimas 24 horas, duas ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, duas na região Norte, onde agora se verifica o maior número de infeções (na sexta-feira liderava Lisboa), e uma no Algarve.

Relativamente aos internamentos hospitalares, o boletim revela que estão internadas 831 pessoas (mais 20 nas últimas 24 horas), das quais 122 em cuidados intensivos (menos três em relação a sexta-feira).

PSP acaba com a farra na Amadora

Na Amadora, duas operações policiais de envergadura que decorreram na Quinta da Lage e na Cova da Moura acabaram com ajuntamentos ilegais de várias centenas de pessoas que frequentavam bares já fora do horário permitido.

Esta operação iniciou-se ao início da noite de sexta-feira no Bairro Alto da Cova da Moura, onde foram identificadas 300 pessoas, fiscalizados e encerrados dois estabelecimentos que se encontravam a funcionar depois das 20:00 e executados dois mandados de detenção.

Mais tarde, já de madrugada, “na sequência de uma recolha de informações que apontava para o exercício ilegal de um estabelecimento de restauração e bebidas, transformado em discoteca, na Quinta da Lage, promoveu-se ao seu encerramento”, refere o comunicado policial do Comando Distrital de Lisboa da PSP.

Houve ainda detenções por posse de estupefacientes, posse de arma proibida e, ainda, execução de mandatos de detenção. A operação contou com todas as equipas de intervenção rápida da Divisão Policial da Amadora, motociclistas da Esquadra de Trânsito, várias equipas de investigação criminal, inteligência policial e reforço da Unidade Especial de Polícia.

No comunicado, a PSP avisa que estas operações “continuarão a ser uma realidade neste território, visando contribuir para o sentimento de segurança das populações que pedem à PSP a intervenção nestes bairros e visam controlar os ajuntamentos durante a realidade pandémica que se vive no país”.

Cova da Moura

A Quinta da Lage

A Quinta da Lage é um bairro de autoconstrução e a Câmara Municipal da Amadora tem estado a implementar um Programa Especial de Realojamento, de modo a poder requalificar a zona. É um processo lento, muitas vezes de difícil negociação com os residentes. Neste momento há ainda algumas centenas de famílias que ali residem, a maioria pessoas de poucos recursos financeiros. Sair do bairro implica procurar casa no mercado de arrendamento e, como todos sabemos, as rendas chegaram a níveis de especulação tal que a maioria das pessoas não consegue pagar. Esse tem sido um dos entraves à concretização do plano camarário, uma vez que as indemnizações propostas aos residentes não são suficientes para resolver o problema de habitação destas pessoas.

O local é visitado com alguma frequência pela polícia, por haver suspeitas de práticas criminais muitas vezes infundadas. A maioria dos que ali vivem são cidadãos sem problemas com a Lei, são apenas pobres.

Quinta da Lage, fotografia de Carlos Narciso

Bye-bye Madonna

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As revistas cor-de-rosa e as publicações de fofocas, mais os programas de televisão do mesmo género, estão prestes a perder um dos motivos de maior interesse, com a saída em definitivo de Madonna que vai abandonar Lisboa.

Nos últimos dias a artista regressou a Portugal para fechar a casa e entregar as chaves ao senhorio. No Instagram, a despedida foi confirmada pela própria num vídeo em que conversa com o cão…

A grande vantagem de Madonna viver em Lisboa era a publicidade que ela fazia à cidade. De cada vez que falava de Lisboa no Instagram, por exemplo, a palavra chegava a mais de 15 milhões de pessoas. Mas acabou-se a papa doce.

Madonna foi fotografada há dias quando foi jantar a um restaurante nos arredores de Lisboa. Anda apoiada numas muletas devido a uma lesão numa perna e não dá jeito ir ao colo do Ahlamalik Williams, o rapaz com quem namora atualmente.

Com a devida vénia à Flash!, uma das imagens da “raínha do pop” em marcha lenta.

Foram três anos, ainda assim. Se o filho que andou nas escolas do Benfica tivesse revelado mais jeito para a bola, podia ser que Madonna tivesse decidido ficar. Um dos argumentos alegadamente referidos por “amigos” da cantora foi que “tem filhos pequenos e não lhes quer cortar as pernas. Nos Estados Unidos as crianças têm outras oportunidades”.

Bye-bye Madonna. Volta sempre.

Lisboa, Cruz Vermelha abre novo posto de testagem covid-19

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Em Lisboa, há mais um posto para testagem ao covid-19. Abriu ontem e situa-se no exterior do Lar Militar da Cruz Vermelha, na Av. Rainha Dona Amélia 51. Este novo dispositivo da Cruz Vermelha Portuguesa  para testes à covid-19 vai permitir aumentar a capacidade da CVP para a realização até 3.500 colheitas e análises por dia, segundo o presidente da Cruz Vermelha.

A estrutura é simples, são quatro tendas para testes e duas estações ‘drive-thru’ (para testagem sem necessidade do condutor sair da viatura).

Francisco George, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, garante que sem dificuldade a capacidade de testagem pode ainda ser aumentada se a situação epidemiológica o exigir e caso haja um aumento acentuado no número de prescrições médicas para a realização de testes.

Este posto de testes funciona entre as 09:00 e as 18:00 durante os dias úteis e o centro de diagnóstico, onde as amostras são analisadas, até às 23:00, permitindo que o tempo médio de espera pelos resultados seja inferior a 24 horas.