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Covid-19: a continuar assim, vamos ter novo confinamento geral

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Hoje é mais um dia sem que haja uma boa notícia sobre a pandemia. Por cá temos mais 111 mortes e 9.478 novos casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde.

O boletim epidemiológico revela ainda que há mais 104 pessoas internadas com covid-19 do que na sexta-feira, totalizando 3.555 doentes, e mais quatro pessoas em unidades de cuidados intensivos, que são agora 540 em todo o país.

Em resultado deste aumento de doentes internados, alguns hospitais da região de Lisboa já estão a enviar doentes para hospitais do Porto. É o caso do Hospital Beatriz Ângelo e do Amadora-Sintra.

Na sexta-feira foram atingidos novos máximos diários de mortes (118) e de novos casos (10.176). Hoje houve uma ligeira descida nestes índices, sem significado em termos de contração da pandemia.

Das 111 mortes registadas hoje, 44 aconteceram na região de Lisboa e Vale do Tejo, 29 no Norte, 25 no Centro, 11 no Alentejo e duas no Algarve.

Devido ao recrudescimento da pandemia, há a possibilidade de o Governo vir a decretar, na próxima semana, novo confinamento generalizado. O confinamento já provou, em março e abril do ano passado, que é a única medida eficaz para conter a pandemia, uma vez que a vacinação só agora teve início e vai demorar muitos meses até que uma parte significativa da população esteja imunizada.

O nosso frio é a margem de lucro deles

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Nem sempre acontece mas, há uns dias, o jornal Sol escreveu uma grande verdade: Portugal é onde mais se morre de frio, no inverno.

Realmente, a maioria dos portugueses não tem dinheiro para pagar contas excessivas de eletricidade. Não porque consumam eletricidade desregradamente, mas porque a eletricidade é tão cara que o salário médio português (970 €) não é suficiente. Esta coisa das médias é caricaturada com aquela história dos dois portugueses em que um deles come duas galinhas e o outro passa fome e a estatística diz que comem ambos uma galinha.  Quando falamos em salário médio convém dizer que 22% dos trabalhadores portugueses ganha apenas o salário mínimo nacional (635 €). E convém não esquecer os que nem isso têm. No final do mês de julho havia 407.302 desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional. Para quem teve um salário de 700 € durante os últimos 12 meses, o subsídio de desemprego atual é de 482 €.

É verdade que para desempregados e outro tipo de pessoas ou agregados familiares carenciados, existe a chamada “tarifa social” (30% de desconto), mas que só se aplica a agregados familiares com rendimento inferior a 484 € por mês. Uma coisa para indigentes absolutos.

O que fazem estes portugueses quando a casa fica gelada? Não despem o casaco. Dormem com botija de água quente debaixo dos lençóis e de barrete na cabeça.

Habitações mal construídas

O frio atmosférico penetra livremente nas habitações dos portugueses. Um levantamento, efetuado em 2017, pelo Portal da Construção Sustentável, em colaboração com a Quercus, afirmou que 18 mil famílias sentiam na pele as “condições precárias” de “carências habitacionais”. O mesmo relatório indica que 74 por cento dos inquiridos consideram as residências frias durante os meses álgidos e apenas 1 por cento dos participantes vive numa habitação termicamente confortável. Nos meses de inverno, a taxa de mortalidade cresce 28% devido ao frio. A solução seria recorrer aos aquecedores, mas essa intenção é travada pelo preço da eletricidade, uma vez que Portugal tem das tarifas mais caras da Europa, mas nos outros países os cidadãos possuem um poder de compra muito superior ao nosso.

As casas são mal feitas para os construtores e os mediadores imobiliários ficarem ricos mais depressa. A margem de lucro deles é proporcional ao frio que nos penetra até aos ossos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), quase 19% das famílias não têm condições financeiras para assegurar o aquecimento das habitações, sendo Malta o único país da Europa com uma realidade pior do que a nacional. Mas na ilha de Malta o inverno é suave.

Eletricidade, oitava mais cara da Europa

Ou seja, quase dois milhões de portugueses não têm como manter as suas casas quentes devido ao preço da eletricidade, e estes dados são corroborados pelo Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia, que em janeiro do ano passado avançou que 19,4% dos portugueses dizem que não conseguem aquecer as habitações durante o inverno por não terem dinheiro para pagar as contas. E mesmo assim o preço da eletricidade doméstica em Portugal é o oitavo mais caro da Europa.

Se isto não envergonha o governo de um país é porque esses políticos não têm vergonha na cara.

A força da verdade contra a táctica do medo e da mentira

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Há precisamente dois anos, o Jornal de Barcelos (JB) deu que falar em todo o país pela “coragem”, “valor”, “integridade”, “ética”, “profissionalismo” e um desfilar de outros adjectivos que só importam para contextualizar o que aqui se vai dizer. Tudo porque, depois de terem impedido os jornalistas de fazerem perguntas numa conferência de imprensa promovida pelo PS, saímos para as bancas com uma página em branco que fora reservada para aquele efeito e que, de resto, nos levou a adiar o fecho dessa mesma edição. Nada mais natural, porque é exactamente por esse constante “comer e calar” a que os jornalistas se sujeitam que a profissão perdeu a confiança dos portugueses e, pior ainda, o respeito daqueles que não podem deixar de ser escrutinados de perto, sob pena de estarmos a comprometer de forma séria o funcionamento pleno do Estado de Direito e, por conseguinte, o da própria Democracia.

Volvido este tempo, tanto quanto passou sobre a realização do 4.º Congresso dos Jornalistas – que reuniram (20 anos depois) sob o lema “afirmar o jornalismo” e no qual aprovaram, entre outras, uma proposta que defende o boicote a conferências de imprensa onde os profissionais da comunicação social não tenham direito a fazer perguntas -, o que mudou de cada um dos lados da barricada? Apesar do “papel dos jornalistas como contrapoder continuar a ser indispensável”, conforme defende, e bem, o sociólogo francês Dominique Wonton, eles “venderam a sua alma”. E, deste modo, o contrabalanço ao poder político, que tem custos e requer coragem e determinação, não passa de uma encenação constante porque, em rigor, o dinheiro e os mais variados interesses sobrepõem-se ao exercício livre e insubmisso da profissão. Todos sabem que o “rei vai nu”, mas se, por um lado, o corporativismo exacerbado impede de forma sistemática a classe de fazer uma introspecção que há muito se impõe; pelo outro, a falta de solidariedade entre jornalistas transforma momentos como aqueles em que é preciso deixar a página em branco em episódios de relevância nacional, como aconteceu. Um distinto responsável editorial escreveu então que “o JB teve a coragem que os nacionais não têm: não há perguntas não há notícias.” Mas, aqui, não se tratou de coragem, mas tão só de cumprir com uma das obrigações da profissão: “O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar.” Ora, enquanto estes comportamentos se mantiverem, tudo continuará como até aqui. Senão mesmo, pior!

Para equilibrar esta correlação de forças o Estado criou a figura do regulador, cuja missão, não sendo fácil, é crucial para que se cumpra o desígnio de informar com isenção e rigor e, de igual modo, se salvaguardem os direitos e liberdades fundamentais dos jornalistas. Todavia, neste capítulo, a actuação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) chega a ser confrangedora, ora porque não se coíbe de adoptar atitudes preconceituosas e discricionárias, nuns casos, e de assobiar para o ar, noutros, corroborando com o seu silêncio práticas jornalísticas que são eticamente reprováveis. Mas no caso do JB, as deliberações da ERC, que tem levado à publicação reiterada e coerciva de direitos de resposta da Câmara de Barcelos, distinguem-se pela estupenda falta de rigor e de sentido crítico na análise das situações. A ERC tem hoje um Conselho Regulador que não consegue mais do que impor uma interpretação obediente e facciosa da Lei de Imprensa; que é incapaz de fazer a distinção entre instituições e pessoas, ignorando que as entidades públicas estão necessariamente mais expostas à crítica pública; que ajuíza do mesmo modo a boa-fé e a falsidade; que se deixa ludibriar pelos mesmos a quem tolera práticas reiteradas de denegação do direito de acesso às fontes de informação; que prima pela incongruência e sobranceria. Enfim, que é incompetente porquanto não é sequer capaz de assegurar o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa, a primeira das atribuições inscrita nos seus estatutos.

No outro prato desta balança temos, então, o poder político que, em Barcelos, crendo-se impunes e dispensados de prestar contas aos munícipes, tem os seus agentes a tentar instituir a sua “política de cidadania”, de “rigor” e da “transparência” através de uma estratégia baseada no medo e na mentira. Quando as perguntas são embaraçosas, dos Paços do Concelho chegam-nos ameaças sórdidas e acusações que apenas comprovam a indigência e a falta de carácter de quem as faz. Noutros casos, as respostas são intencionalmente ambíguas e, noutros ainda, desprovidas de qualquer sentido ou credibilidade. Ocultam-se documentos. Sob o pretexto da difamação e da ofensa, usa-se o dinheiro que é de todos para tentar obter nos tribunais condenações baseadas em trapaças que, a acontecerem, mais não serviriam do que para alimentar o gáudio e o instinto de vingança dos seus autores. Com tais sentenças, assim o julgam, conseguiriam também o silêncio e a capitulação daqueles que não têm medo de procurar e tornar pública a verdade. Toda a verdade!

Podem, pois, uns e outros, ensaiarem os números de sapateado que entenderem porque, da nossa parte, tudo quanto podem esperar será sempre um combate sem tréguas pelo apuramento da verdade.

(editorial publicado no Jornal de Barcelos em 06FEV2019)

Torreão do Terreiro do Paço está a afundar-se

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O Torreão Poente do Terreiro do Paço, em Lisboa, está a afundar-se. Basta ver o desnível patente no lado da praça. São quase 75 cm de diferença. A descida drástica foi travada há anos por 29 estacas de betão. Mas o Torreão vai continuar a descer lentamente.

O Torreão Poente foi erguido na área do antigo Paço Real arrasado pelo terramoto de 1755 e varrido depois pelo maremoto que atingiu Lisboa.

Desde o início dos registos, o torreão já se afundou 1,40 metros. Em Junho de 2000, o torreão acelerou repentinamente o afundamento por causa de uma ruptura nas paredes do túnel do metropolitano e da estação do Terreiro do Paço, durante as obras de construção. Ocorreu nessa altura um enorme vácuo quando as lamas e as águas entraram no túnel. A derrocada esteve eminente.

O torreão foi edificado num vale fóssil, de camadas de lodos cobertas por aterros superficiais. São camadas compressíveis e provocam um afundamento constante como resultado do próprio peso do torreão.

Dezenas de estacas de pinho verde estão nas suas fundações, mas acrescentaram-se 29 estacas de betão de 1,20 de diâmetro até 50 metros de profundidade, por debaixo do edifício.

O Torreão está agora meio abandonado, como provam as fotos. É possível entrar e sair num espaço restrito, onde paira um ar de abandono, como se pode constatar no vídeo. Um desleixo que constitui facto insólito na zona mais nobre e emblemática de Lisboa.

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Covid-19: mais mortos, mais infetados, mais internados – pior dia de sempre

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Números de hoje: 118 mortos, 10.176 novos infetados, 3.451 internamentos. Nunca tinha havido até agora um conjunto de indicadores da pandemia tão gravosos como o de hoje.

Quanto aos doentes mais graves, que estão nas unidades de cuidados intensivos, os dados revelam que hoje são 536, igualando o valor registado a 29 de novembro.

Há dois dias, o Ministério da Saúde determinou a suspensão, nos hospitais públicos da região de Lisboa e Vale do Tejo, da atividade não urgente e que fossem elevados os planos de contingência devido ao agravamento da situação epidemiológica.

Relativamente às 118 mortes registadas nas últimas 24 horas, 44 ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, 34 na região Norte, 26 na região Centro, nove no Alentejo, três no Algarve, e duas na Madeira.

O Governo decidiu renovar até ao dia 15 o estado de emergência e proibir a circulação entre concelhos do continente, entre as 23:00 de hoje e as 05:00 de segunda-feira. Foi ainda decretado que em 253 concelhos do continente os habitantes estão sujeitos a recolher obrigatório e consequente proibição de circulação na via pública no sábado e no domingo a partir das 13:00 e até às 05:00 do dia seguinte.

Quando o Estado compactua com a aldrabice (e outras coisas sórdidas)

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Lendo o código de ética do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), ficamos a saber que na sua interacção com a comunicação social, aquele deve “contribuir para a dignificação da imagem da administração pública, em especial” dele próprio, assim como “para o reforço da credibilidade e prestígio do mesmo”. Tomemos esta norma, apenas, como uma medida para reforçar a importância de tal incumbência, já que do Estado não se pode esperar outra coisa que não seja total transparência e equidade no seu relacionamento com os cidadãos e um enorme zelo na atribuição e controlo dos dinheiros públicos.

Embora deva ser assim, a verdade é que há casos – infelizmente com uma frequência que comprometem o próprio sistema democrático – em que tal não acontece, mas, ainda mais grave, outros há em que vemos o Estado a compactuar com a aldrabice. Sim, sublinhemos a ideia: essa entidade abstrata que comporta um vastíssimo conjunto de instituições a quem confiamos o dinheiro dos nossos impostos permite-se, por vezes, a ser condescendente com aqueles que o enganam da forma mais grosseira. É claro que para cuidar dos trapaceiros existem, em última instância, os tribunais. Assim a justiça funcione, muito embora a descrença quanto à sua eficácia não seja já passível de ser mitigada.

Vem isto a propósito da actuação do IEFP – motivo da referência inicial – quando se trata de aceder a informação relacionada com a forma como a Associação Comercial e Industrial de Barcelos (ACIB) aplicou milhões de euros por aquele atribuídos no âmbito de programas de formação profissional, entre outros. “Não estão reunidas as condições legais que habilitem este Instituto a facultar o pretendido acesso”, assim respondeu o IEFP ao pedido que lhe foi dirigido pelo nosso jornal para aceder ao relatório de uma auditoria de acompanhamento feita em 2016. Em sede de recurso para a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), os serviços jurídicos do IEFP ainda haveriam de argumentar, pasme-se, que do referido documento “constam dados relativos à actividade da ACIB (…) que, pela sua natureza, não devem cair no escrutínio público, sob pena de serem indevidamente publicitados dados concernentes a aspectos que dizem respeito à ‘vida interna das empresas’”. Ou seja, por razões que somos levar a concluir serem insondáveis, o IEFP equipara uma entidade com estatuto de utilidade pública que é maioritariamente financiada por fundos comunitários com uma qualquer empresa privada, relativamente às quais, essas sim, o que lá se passa diz apenas respeito aos seus proprietários e trabalhadores. Aliás, é a CADA quem conclui que “não se considera aceitável a justificação apresentada” pelo IEFP para recusar “totalmente” o documento que lhe foi solicitado. A verdade é que o afã daquele Instituto para esconder a informação nele constante levá-lo-ia, depois que o facultou, a ocultar o nome de todas as pessoas e empresas ali identificados, assim como de todos os valores sempre que os mesmos possam ser associados àqueles. De resto, o IEFP nem sequer se coibiu se rasurar a identificação de membros dos órgãos sociais da ACIB em documentos que são de acesso público e generalizado.

Uma coisa é certa, as irregularidades ali apontadas são suficientemente graves para justificar a intervenção do Ministério Público. Terão as mesmas sido comunicadas? Não se sabe. Mas sabe-se que a negligência com que alguns processos envolvendo a ACIB têm vindo a ser tratados permitiu, por exemplo, que uma dívida superior a 50 mil euros levasse dois anos e meio a ser cobrada. Podemo-nos, pois, perguntar a quantas empresas e particulares concede o IEFP toda esta benevolência? O comum dos cidadãos saberá responder sem grandes hesitações…

Acresce que não é admissível que um organismo do Estado queira manter no anonimato nem os responsáveis pela gestão irregular e sistemática de dinheiros públicos nem aqueles que beneficiaram desses fundos pela apropriação ilegítima ou pela via de relações comerciais cuja contratação de serviços e bens é seriamente posta em causa pelo próprio IEFP. As provas estão aí, mas a insensatez parece ter-se apoderado deste organismo público e a tutela ministerial também dá sinais de não ser grande amiga da transparência e do escrutínio público. Um extenso questionário dirigido pelo Jornal de Barcelos (JB) ao chefe de gabinete do ministro Vieira da Silva jaz, há mais de um ano, sem resposta, num qualquer repositório dedicado a assuntos inconvenientes. Mas quando se apurar toda a verdade sobre as relações mais do que duvidosas entre a ACIB e um conjunto de empresas sobre as quais o nosso jornal voltará em breve a divulgar novos dados, oxalá Vieira da Silva possa garantir outra vez que, tal como no “caso” Raríssimas, está de “consciência tranquila”.

Na semana passada a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) sujeitou o JB à publicação coerciva de um direito de resposta do presidente da Câmara de Barcelos. A ‘novidade’ está no facto de o novo Conselho Regulador da ERC, numa atitude perigosa e sem precedentes, ter recusado facultar a fundamentação – que não tinha, sequer, de lhe ser pedida – que sustenta a deliberação então tomada, alegando que a mesma “se encontra devidamente motivada, de facto e de direito, não se oferecendo nada mais a afirmar.”

Ora, o exercício de um poder de forma absoluta e arbitrária é despotismo, método que não se coaduna com os princípios de um Estado de direito como aquele em que vivemos. Tanto mais quando, numa outra queixa contra o jornal Público, apreciada no mesmo dia, o procedimento do Conselho Regulador não foi o mesmo. Por outro lado, também não se vislumbra como chegou a ERC a tal entendimento sem contradizer magnificamente deliberações anteriores assim como as instruções recentes dadas aos órgãos de comunicação social sobre aquela que deve ser a sua interpretação na análise de pedidos de direitos de resposta e de rectificação.

Mas, em rigor, a Direcção do JB desconhece as razões que levaram a ERC a tomar a decisão que tomou. E não está em causa o cumprimento do veredicto do regulador, ainda que dele discordemos, como discordamos e, por isso, publicámo-lo sob protesto. Mas, antes, a forma arrogante e discriminatória como ele nos foi imposto, fazendo o Conselho Regulador da ERC uso da circunstância das suas resoluções assumirem um carácter “soberano” e, como tal, outra solução não nos restasse senão a de publicar o direito de resposta.

Eis-nos, portanto, perante dois casos distintos na substância, mas iguais na forma. É este o estado do nosso Estado!…

(editorial publicado no Jornal de Barcelos em 21MAR2018)

Igreja dos Inglesinhos vai desaparecer

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A velha igreja dos Inglesinhos foi vendida e o novo proprietário quer transformá-la em casa de habitação. Trata-se de um francês rico, segundo foi noticiado.

É verdade que é propriedade privada, mas também devia ser verdade que há património que devia ficar salvaguardado de alterações megalómanas que apenas servem para afagar egos de milionários e que acabam por destruir o que nem o passar dos séculos destruiu. O comprador terá a intenção de pedir autorização para uso residencial. Neste momento, o imóvel tem apenas licença para serviços e a alteração obrigará a transformações na estrutura interna do imóvel. Cabe à Câmara Municipal de Lisboa zelar pela defesa e proteção deste património impedindo, se for o caso, que tais transformações danifiquem irremediavelmente a qualidade patrimonial histórica do edifício.

A história da igreja remonta ao século XVII, quando, em 1632, foi fundado o Seminário Inglês, mais tarde apelidado de Convento dos Inglesinhos. Foi então construída a Igreja de São Pedro e São Paulo, mais conhecida por Igreja dos Inglesinhos, tendo a sua construção sido concluída em 1644. Sobreviveu a terramotos e às Invasões Francesas e nem a revolução republicana a abalou, mas agora está em sérios riscos de desaparecer para sempre.

A venda terá sido mediada pela Remax mas, até agora, há apenas um contrato de promessa compra e venda, a escritura ainda não terá sido realizada. O valor da venda é de 1 milhão e 500 mil euros.

O primeiro vendilhão foi a própria Igreja Católica quando dessacralizou o templo em 1976 para o colocar no mercado imobiliário. Quando falta dinheiro da caixinha das esmolas, vendem-se alguns anéis…

E com isto, o que ganha o Bairro Alto e Lisboa? Nada.

A outra vacina

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Submetido diariamente a “doses cavalares” de vacinas contra o Covid-19, atrevo-me a sugerir o combate a outro “vírus” ainda mais subtil e letal. Ou será que no ano mais atípico das nossas vidas, e com as eleições presidenciais a decorrer, nos podemos dar ao luxo de desperdiçar a análise de novas trajetórias?~

Trata-se de uma pergunta pertinente, por variadas razões:

  • – Porque a atual Presidência, muito hábil na promoção da imagem e preservação da “qualidade de vida” de quem a apoiou, nunca demonstrou empenho consequente por qualquer boa causa. Nem sequer regista uma única intervenção verdadeiramente eficaz, na resolução de qualquer dos problemas que nos afetaram…
  • – Porque, perante um vazio de ideias que até horroriza, estamos hoje centrados em debates eleitorais, e até em combates, que a maioria dos comentadores, habitualmente dóceis, considera medíocres e desfasados do exercício presidencial.
  • – E sobretudo porque, com a “jangada” que é Portugal atolada num pântano que cresce, o “iate real passeia entre canoas” preocupadas apenas em se afundarem entre si.

No fim de um mandato desastroso, que não desastrado, a atual Presidência pauta-se pelo despesismo e pela multiplicação de “selfies”. Artes que encherão o “museu da História” e de que saliento três “obras-primas”: o desprezo pelo mundo rural, traduzido até no abandono do Pinhal de Leiria; a “justiça” concedida a um arguido fortemente indiciado, pelo MP, de lesar o Estado em 650 milhões de euros; e mais o “Caso Tancos” em que, com pompa e circunstância, foi prometida “justiça célere doesse a quem doesse”, para depois, em Tribunal, ser jurado que nunca mais tal assunto mereceu atenção.  

E dispensem-me de continuar com esta “exposição” de péssimo gosto. Aborde-se antes o “branqueamento do sistema” e a profunda crise moral, social e económica em que o nosso país se atolou:

  • – Sob a direção de um Presidente que, até na questão dos financiamentos protegeu os partidos tradicionais, não admira a proliferação de candidaturas que apenas fazem “prova de vida”, sem a mínima noção de como se “enxuga o pântano”.
  • – A “arejar” um país em que a tradição é social e não liberal, é certo que existe a IL, uma candidatura “urbana”, mas sem carisma ou a mais pálida noção do funcionamento das instituições; enquanto isso, ganha expressão um “motorista sem carta” que, ao volante de um camião carregado de resíduos tóxicos, nos propõe mais nevoeiro e tempestades. Enquanto os “cérebros” da AR o transformam em vítima…
  • – A somar, temos ainda o duelo pessoal entre duas candidatas que, apostadas em dissertar sobre a Europa e em violação grosseira da Constituição, proclamam esmagar um partido devidamente legalizado e que, por enquanto, nem está indiciado de crimes.  

 É certo que, a “elevar a fasquia”, a “oferta” inclui Vitorino Silva, também conhecido por “Celito dos Pobres”, candidato a quem o sistema procurou também “cortar o pio”. Um “sempre-em-pé” que até poderia causar estragos, fosse ele capaz de ver e ouvir para além de si próprio, “dom” em que se assemelha ao “Celito dos Ricos”.

Mas a grande “novidade” nestas eleições é mesmo o primeiro candidato da lista oficial, um “soldado desconhecido” que teve a lata de pôr à prova a competência de uma Instituição da República a que os ricos recorrem, depois de esgotados todos os recursos nas instâncias comuns. Enfim, uma trapalhada que rasa o surreal, até porque o tipógrafo do MAI, certamente em quarentena, não obstou a que o diligente Ministro antecipasse a impressão das listas. A governação no seu melhor…

 Resta acrescentar que neste “Portugal Amordaçado”, e para nossa desgraça, os movimentos independentes do poder local, cultura, economia, ambiente, defesa do património e da área do social, e que o atual sistema combate ou ignora, viram goradas todas as tentativas de encontrar uma qualquer alternativa presidencial, válida e credível.

Cinco anos passaram e, no final de mais esta campanha que decorre perante a maior crise da História recente, arriscamos empregos, a perda de uma SS sustentável, um SNS decente e, sobretudo, a afirmação de uma Justiça capaz de nos dar conta do preço das prometidas “caixas de robalos”.

Por entre segredos mal guardados e “peixeiradas públicas”, uma pergunta deixo: será que não é tempo dos portugueses perceberem que têm de se empenhar na descoberta de uma vacina eficaz, sobretudo contra estes “vírus”?

Ildefonso resiste

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Noites frias. Dois sacos cama, uns cartões por baixo, a cama está feita. Manuel Ildefonso dorme no quarto verde. O quarto azul já não tem teto. Antes de adormecer dois desejos: que o teto do quarto verde não lhe caia em cima e que os ratos não lhe mordam muito.

“Já fui mordido nas mãos”, diz-nos quando lhe perguntamos se se sente seguro naquela casa. A ruína já foi habitada por mais pessoas. Foi um outro sem abrigo de Sintra que lhe indicou o sítio. Dividiram o espaço durante algum tempo. Depois, o outro partiu, à procura de qualquer coisa. Também já lá moraram uns estrangeiros, turistas de pés descalços. Ficaram pouco tempo. Manuel ficou sozinho, como sozinho está na luta que trava por uma casa social da Câmara Municipal de Sintra.

A autarquia que compra quintas e palácios para a pompa e circunstância de uns almoços com “Very Importante Persons” deixa munícipes a viver na indigência. É um facto.

“Há 8 anos que me inscrevi para uma casa da Câmara”, diz quando nos relata a vida que a volta deu. A doença oncológica, o desemprego na construção civil, a família desfeita, as rendas em atraso e o apoio que recebeu dos serviços sociais da autarquia: “deram-me uma vez mil euros para pagar rendas em atraso”. E pagou, mas acabou por perder a casa. Passou a viver no automóvel. A Polícia Municipal rebocou-lhe o carro sem invocar qualquer razão legal. A EMES nunca lhe passou uma multa. É quase certo que a Polícia Municipal retirou o carro ao senhor Manuel por pressão da autarquia. Já aqui falámos nisso antes.

O relato é este: “vieram oito homens da Polícia Municipal. Não me deram nenhuma explicação. O meu carro tinha seguro e selo, estava tudo conforme a Lei. Não me deixaram tirar nada do carro. Fiquei sem nada. Roupa, comida, foi tudo com o carro”. Foi em maio de 2019. Manuel Ildefonso passou a dormir no chão da rua. Agora, com o frio e a chuva, dorme na casa sem teto.

A queixa que apresentou na GNR pelo que aconteceu com a viatura, nunca surtiu qualquer efeito. Manuel Ildefonso tem uma explicação interessante para isso: “o comandante da Polícia Municipal é proveniente da GNR, tem uma patente mais alta que o comandante da GNR”, pelo que deve haver aqui alguma obediência castrense a paralisar a GNR. É plausível.

Aos 63 anos de vida, Manuel Ildefonso está em protesto permanente junto à Câmara Municipal de Sintra. Porque quer uma casa. “Preciso de um T2 porque tenho uma filha de 13 anos”, diz. Não aceita casebres. Prefere continuar na rua a ir para instituições onde enfiam pessoas em camaratas, porque “são centros de contágio de doenças”, justifica-se. E deve ter razão.

A prepotência vai até às ameaças. Segundo diz, avisaram-no de que “iria passar o resto dos dias na prisão”. Mas Ildefonso não se sente atraído por serviços de cama, mesa e roupa lavada. “Vivo do RSI, são 180 euros por mês”. Mas já vimos que não será isso que o vai fazer vergar.

selfie de Manuel Ildefonso

Covid-19: pandemia agrava-se, Governo decide novas medidas

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O boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde regista hoje mais 95 óbitos, 9.927 infetados e 3.476 recuperados.

A região Norte, com 3.554 novos infetados, é a área do país com mais novas notificações, com 35,8% do total de diagnósticos nas últimas 24 horas em Portugal.

Em todo o território nacional, há 3.333 doentes internados, mais 40 que ontem, e 514 em unidades de cuidados intensivos (UCI), mais um do que na quarta-feira. A capacidade de internamentos hospitalares está a atingir o limite e com o aumento do número de novas infeções que se tem verificado nos últimos dias, alguns hospitais poderão entrar em colapso dentro de dias.

Nova proibição de circulação

A maioria dos concelhos do país vai ter no próximo fim de semana proibição de circulação entre municípios e recolher obrigatório entre as 13:00 e as 05:00, foi hoje anunciado.

O Governo decidiu hoje “estender as regras atualmente em vigor” no combate à pandemia no território continental, no âmbito do novo estado de emergência, determinando ainda uma “medida cautelar” no próximo fim de semana para os concelhos com maior risco. De fora destas medidas ficam apenas 25 concelhos, em todo o país. As medidas aplicam-se nos concelhos com mais de 240 novos casos de covid-19 por 100 mil habitantes.

Mas as medidas restritivas podem não ficar por aqui. António Costa admitiu que na próxima semana o Governo poderá tomar medidas ainda mais restritivas para fazer face ao aumento de contágios e adiantou que vai proceder à audição dos partidos e dos parceiros sociais.