Ildefonso contra Basílio, duelo em Sintra

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Primeiro ficou doente, depois ficou sem trabalho. Por fim, foi despejado da casa onde morava. Agora vive na rua. A história parece má, mas é pior do que parece.

Ildefonso passou a viver no carro, enquanto esperava pela ajuda solicitada à Câmara Municipal de Sintra, o concelho onde vive. Durante 14 meses morou no largo Dr. Virgílio Horta, paredes meias com a Câmara Municipal.

Mesmo nestas condições precárias, Ildefonso mantinha alguma dignidade de vida. Andava limpo e ocupava o tempo exibindo cartazes onde explicava a situação em que vivia e solicitando ajuda da Câmara Municipal.

Acontece que um vizinho se sentia constrangido com a presença constante do protesto de Ildefonso. E o vizinho Basílio mandou várias vezes a Polícia Municipal tirar dali aquele incómodo visual. A polícia expulsava-o do largo e ele voltava à noite. Na manhã seguinte, o edil Basílio tinha de passar por ele a caminho do escritório. Ildefonso tornou-se uma chatice, com toda a certeza.

Sentiu-se ameaçado pela Polícia Municipal e foi queixar-se à GNR. A vida de Ildefonso ficou ainda mais complicada no dia em que a Polícia Municipal lhe rebocou o carro onde dormia, apesar da viatura estar devidamente estacionada sem infringir qualquer norma do Código da Estrada.

Sem carro, Ildefonso ficou sem cama e sem roupa, todos os seus pertences foram com a viatura. Quando participou o “roubo” do carro na GNR, disseram-lhe que “o carro foi rebocado por ordens superiores”.  Pediu o livro de reclamações e foi-lhe negado.

Nas redes sociais o caso de Ildefonso ganhou foros de escândalo. O alarme deve ter soado no auricular de Basílio Horta. O presidente camarário mandou lavrar um comunicado onde acusa Ildefonso de se fazer de vítima, de recusar todas as ajudas disponibilizadas, ao que o cidadão responde ser tudo um “rosário de mentiras”.

A Câmara de Sintra diz que Ildefonso tem muitas famílias à sua frente, pessoas igualmente necessitadas e que também esperam por uma casa camarária. Basílio Horta gaba-se de administrar a Câmara Municipal “número um em gestão financeira” mas, pelos vistos, trata-se de um galardão à custa das necessidades dos munícipes mais desfavorecidos porque, entretanto, Basílio achou bem dar 2,8 milhões à família Melo pela compra do Monte Fleuri, para uns almoços e jantares a convidados muito especiais. Mas todos compreendemos que Basílio gosta de manter velhas amizades e amigos assim, que já vêm do tempo da “outra senhora”, têm de ser acarinhados.

Ildefonso e Basílio são dois obstinados que travam uma luta sem quartel. O primeiro reivindica direitos que acredita ter, o segundo desdenha-o profundamente. Ildefonso resiste, sem carro passou a dormir no mesmo local mas no chão. Instintivamente, Ildefonso sabe que resistir é vencer, a sua única hipótese é continuar ou morrer na tentativa. Neste duelo, Basílio já perdeu de qualquer modo. Perdeu no carácter, mesmo se continua rodeado por vereadores e assessores sorridentes e solícitos. Perdeu, mesmo se Ildefonso nunca conseguir ver as suas reivindicações satisfeitas, porque um tipo com poder tem o dever de não ser mesquinho.

7 comments

    • SE o povo português decidir mudar de regime, pode não escolher o “fazdeconta”, mas de certeza que não vai escolher um estrangeiro com título comprado… Podem comprar os títulos que quiserem, que isso não vale nada. Os portugueses é que decidem o seu destino, é que escolhem os seus representantes! O estrangeiro que compre o título de Rei de Marte e que se mude para lá!

  1. O Basílio é basicamente uma criatura glutona de dinheiro, com o maior desprezo por aqueles que não o têm. O típico salazarista de convento circulando em corredores esconsos, imprestável, vaidoso e baboso oportunista sempre pronto a abocanhar ou a morder !

  2. Boa tarde,

    Gostaria de saber o autor do texto antes da vossa edição e já agora das fotos que presumo que sejam do mesmo. Segundo apurei, ambos pertencem a Rafael Baptista, mas queria só confirmar.
    Obrigada

    • as fotos foram enviadas por esse senhor. o texto foi escrito com base em diversas fontes, nomeadamente o jornal Sintra Notícias, a página dos Sintrenses com Marco Almeida, Saloia TV e alguns outros elementos fornecidos por essa pessoa também.

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