JOSÉ D’ENCARNAÇÃO ‘HONORIS CAUSA’

A Universidade do Algarve atribuiu o grau de Doutor Honoris Causa, na área dos Estudos do Património, a José d'Encarnação, reconhecendo um percurso académico marcado pela consistência e pela especialização num domínio exigente e, frequentemente, pouco visível fora dos círculos académicos.

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Historiador, arqueólogo e epigrafista, Encarnação construiu uma carreira centrada no estudo das inscrições antigas, tendo sido o primeiro português admitido na Association Internationale d’Épigraphie Grecque et Latine, algo que nada diz ao público em geral, mas que tem peso considerável entre especialistas da área. A epigrafia, disciplina que exige rigor técnico e uma relação quase artesanal com as fontes, foi o eixo de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas, em ligação estreita com a investigação arqueológica.

Professor na Universidade de Coimbra, onde deixou marca no ensino e na formação de várias gerações, Encarnação conciliou a actividade académica com trabalho de campo, nomeadamente no concelho de Cascais, onde dirigiu diversas intervenções arqueológicas. Esse cruzamento entre teoria e prática contribuiu para um perfil que não se esgota na produção científica, mas que se estende à valorização concreta do património.

Natural de São Brás de Alportel, lugar onde não há memória de terem nascido antes cientistas ou grandes vultos da intelectualidade nacional, o percurso de José d’Encarnação foi inovador no sentido em que parece contrariar esse estigma sobre a distância do lugar onde nascemos e os centros tradicionais de produção académica.

José d’Encarnação mantém uma presença regular no espaço público através da escrita. É autor de vasta bibliografia que inclui obras técnicas de referência, estudos sobre a romanização e livros dedicados à história local de Cascais. Ainda encontra tempo e disponibilidade para escrever em jornais regionais, blogs e no site Duas Linhas, onde publica textos sobre arqueologia e cultura, num registo que oscila entre a divulgação e a reflexão, sem se afastar da exigência intelectual que caracteriza o seu percurso.

A atribuição do Doutor Honoris Causa surge, assim, como formalização de um reconhecimento que, nos meios académicos, há muito estava estabelecido.

6 COMENTÁRIOS

  1. Foi uma cermónia cuidadosamente preparada pela Universidade do Algarve. Só podia merecer atenção da Academia, de quem teve oportunidade de seguir pelo Facebook e Youtube, despertando ainda muito interesse da comunidade científica que estava presente à distância, como alguns Amigos especiais dos homenageados.
    Devo dizer que, não raras vezes, estas encenações académicas me costumam cansar, de tão fastidiosas, mas a sessão que distinguiu as duas personaliades nos domínios mencionados com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve, foi muito bem concebida e airosamnente tratada, até ao nível da intervenção musical.
    Tanto o sóbrio discurso laudatório do padrinho, na realidade ex-aluno do laureado, como a intervenção do último, na sua habitual abordagem serena e acessível a todos, mereceram o nosso respeito, atenção e consciência de que saber comunicar não é procurar palavras difíceis.
    O padrinho e prmeiro orador depois da Magnífica Reitora, sublinhou essa capacidade do Prof. Doutor Encarnação para envolver e acompanhar os seus alunos ao longo de quase seis décadas. Ou não fosse ele também jornalista, habituado às frases lapidares, apesar do seu interesse por literatura e pela prosa escorreita.
    Depois de um texto tão esclarecedor, Carlos Narciso, eu só queria deixar umas palavrinhas (as que deixei) e mais a convicção que que o nosso Prof., principal cronista neste jornal, não se rende a nenhuma adversidade e esteve magnífico (título devido à Reitora).
    Se “…no hay camino, se hace camino al andar…” lá seguiremos em frente com os olhos no seu exemplo.

  2. Estimado Professor Encarnação, acabo de ler a notícia de Carlos Narciso dando nota da homenagem prestada pela Universidade do Algarve. Há um episódio que não esqueço e que vai, seguramente, surpreendê-lo. Há muitos, muitos anos, era eu aluna caloira (talvez, não tenho a certeza) da licenciatura em História (var. Arqueologia), e uma entre muitos alunos, e não só, que se acumulavam para assistir a umas provas suas prestadas na Sala dos Capelos, em Coimbra. Década de 80, segunda metade, penso. Calhou estar bem posicionada para acompanhar o desenrolar das perguntas e respostas, e para o observar a si. Talvez pela novidade do ato a que assistia, estava estarrecida. Parecia-me “a coisa” muito cruel, quase bárbara a confrontação, as questões quase chicotadas. Aquilo, amolgou-me. Porém, “a vítima”, o meu professor, estava sereno e no controle da situação. O ritual foi cumprido, o tempo passou e eu não esqueço o episódio. A serenidade e o “saber comunicar”, são marcas do Professor Encarnação. Entre outras, Professor, como já falámos.
    Desta sua antiga aluna, com o grande respeito que me inspira, ficam as maiores felicitações.

    • Orgulho do docente é verificar que teve oportunidade de transmitir saberes que seus alunos assimilaram e souberam pôr em prática. Tu és um exemplo, de que me orgulho. Bem hajas pelas tuas palavras, que me calaram fundo.

  3. Cerimonia perfetta nella sua programmazione e realizzazione, condotta senza sbavature o lungaggini ma accompagnata con attenzione e interesse dai chiarissimi Professori e dal pubblico presente de visu e via internet.
    Momenti di intensa commozione hanno reso ancora più affascinante e gratificante l’evento, tanto per le parole di stima ed elogio meritatissimi dei relatori, che per le lezioni magistrali dei due illustri Docenti. Apprezzata la sorpresa inattesa dei momenti musicali, che hanno risvegliato sentimenti legati alla bella terra portoghese e alla brezza dell’Atlantico, particolarmente amata. Ci pregiamo di inviare un apprezzamento particolare al chiarissimo prof. José d’Encarnação, in quanto carissimo amico e prezioso per sensibilità e coincidenza di valori esistenziali oltre che culturali. Auguri, congratulazioni e sempre tante soddisfazioni per tutto il grande lavoro che egli svolge con intelligenza, coerenza e amore. Da Roma, avendo seguito la cerimonia, un abbraccio molto caro. Eugenia Serafini e Nicolò Giuseppe Brancato

  4. Começou esta Amizade há muitos anos – perdi-lhe a conta – desde Roma até passar por muitas trocas de impressões sobre questões epigráficas. Depois entrou Eugenia com as suas telas e poesia e contos, que de muito bom grado tenho traduzido para português, neste conluio muito amigo de procurarmos transmitir Beleza. Fico-lhes grato, muito grato, amigos Nicolò e Eugenia, por estarem quase quotidianamente na minha companhia. Deixou de haver distância entre Roma e Cascais!

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