A ECONOMIA DA EXPERIÊNCIA

Vivemos numa época em que a economia valoriza a inovação, a rapidez e a capacidade de adaptação. São qualidades indispensáveis, mas existe um paradoxo que raramente é discutido: ao mesmo tempo que procuramos conhecimento, desperdiçamos o maior repositório de conhecimento que uma sociedade possui - a experiência humana

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Durante décadas, um profissional aprende a decidir, a resolver problemas, a lidar com crises, a compreender pessoas e a distinguir o essencial do acessório. Esse património não consta dos balanços das empresas nem das contas nacionais, mas representa uma riqueza incalculável. É um capital construído ao longo de uma vida inteira.

Quando uma sociedade afasta sistematicamente os seus cidadãos mais experientes apenas porque atingiram determinada idade, não está apenas a cometer uma injustiça social. Está a praticar um enorme desperdício económico.
Formar um bom médico, um professor competente, um engenheiro, um gestor, um jornalista ou um técnico especializado exige anos de investimento público e privado. Porém, quando esses profissionais atingem a idade da reforma, o sistema comporta-se como se todo esse investimento deixasse, de repente, de ter valor. É uma lógica difícil de compreender.
Nenhuma empresa sensata destruiria deliberadamente uma máquina ainda perfeitamente operacional. Nenhum agricultor arrancaria uma árvore que continua a dar bons frutos. No entanto, fazemos exatamente isso com milhares de pessoas que continuam plenamente capazes de ensinar, aconselhar, criar e produzir.

A experiência reduz erros, evita riscos desnecessários e melhora a qualidade das decisões. Não substitui a energia dos mais jovens, tal como a juventude não substitui a sabedoria adquirida. Ambas são indispensáveis. A verdadeira inteligência organizacional nasce da colaboração entre gerações, e não da substituição de umas pelas outras.

Os países que aprenderem a aproveitar este património humano estarão melhor preparados para enfrentar os desafios do envelhecimento demográfico, da escassez de mão de obra qualificada e da crescente complexidade das decisões económicas e sociais.
Talvez tenha chegado o momento de deixarmos de olhar para a idade apenas como um indicador estatístico e começarmos a vê-la como um indicador de capital acumulado.
A experiência não pesa nas contas públicas. Pelo contrário: pode representar uma das maiores fontes de riqueza de uma sociedade madura.
A economia do futuro não será apenas a economia da tecnologia ou da inteligência artificial. Será também a economia da inteligência humana acumulada. E essa inteligência não desaparece com a idade. Pelo contrário, aperfeiçoa-se com ela.

As sociedades verdadeiramente inteligentes serão aquelas que compreenderem que o conhecimento adquirido ao longo de uma vida não é um custo a suportar, mas um património a preservar. Porque a experiência, quando é reconhecida e colocada ao serviço dos outros, transforma-se na forma mais nobre e mais rentável de capital

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