Os compradores são a Yael Foundation, referenciada como organização filantrópica internacional. Com o edifício dizem querer transformá-lo em colégio judaico. Uma espécie de madrassa só para judeus.
A Yael Foundation foi fundada e é gerida pelo casal Uri e Yael Poliavich. Uri Poliavich é o fundador e CEO da Soft2Bet, uma empresa global de jogos online e apostas desportivas. Gozam da fama de filantropos, mas talvez não passem de sionistas que angariam fundos e quadros para sustentar o Estado de Israel.
Não foi possível encontrar declarações deles sobre o genocídio do povo palestiniano ou qualquer crítica quanto às anexações da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. O silêncio tem a sua eloquência.

Após os acontecimentos do dia 7 de Outubro de 2023, Uri Poliavich falou repetidamente em “ataques ao Estado judeu”, referiu “inimigos que visam Israel e os judeus globalmente” e deu ênfase à necessidade de fortalecimento identitário da sociedad israelita. No fundo, aproveitou as circunstâncias para promover o seu negócio.Descreveu a educação judaica como uma espécie de “Iron Dome comunitário”.
Este tipo de discurso coloca Israel e as comunidades judaicas numa lógica de defesa civilizacional contra ameaças externas, uma narrativa central no discurso político sionista.


São estes os tipos que compraram o edifício Impala. E não deixaram os créditos por mãos alheias, fizeram um bom negócio. Oito milhões de euros é um bocado de dinheiro, mas tratando-se de um espaço de 15 mil metros quadrados, cinco pisos, com equipamentos já instalados (cozinha, refeitório, estacionamento automóvel, etc.), foi um bom negócio do ponto de vista do comprador. A coisa valeria mais alguns milhões, aos preços do metro quadrado do imobiliário na zona de Sintra, com acessibilidades fáceis para Cascais e Lisboa.



