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Recado Urgente

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Recuso a condição de “treinador de bancada”. Conhecendo bem as realidades, no final de janeiro, ainda as nossas autoridades negavam que Portugal corresse riscos e já eu desmarcava viagens de longo curso.

Indesmentível, porque está tudo publicado, quando a pandemia nos atingiu, logo defendi que “desta vez é mesmo a sério” e que “o SNS se devia preparar para a maior batalha da sua vida”.

No início de março, com os responsáveis a desaconselhar o uso de máscara por “dar falsa sensação de segurança”, eu, tal e qual, “decretava-a obrigatória”. Focado na prevenção, também me bati, sem êxito, por um combate centrado na formação sanitária das populações, a começar pela Proteção Civil, bem como pela implementação urgente de planos de contingência, desde as escolas às prisões, dos lares ao Palácio de Belém.

No entanto, a 25 de abril, afastados dos centros de decisão e da comunicação social todos quantos percebiam destas matérias, ainda a Assembleia da República gozava com estas medidas.  

Entretanto o medo, algumas medidas cautelares e os raios ultravioletas do verão permitiram travar uma catástrofe que parecia inevitável. E, a “gozarmos de um confinamento balnear”, assim se deu tempo à ciência e às autoridades para enfrentarem a atual vaga.

Um “trabalho de casa” que foi muito descurado, mas que ainda assim permitiu que a pandemia fosse sustida dentro do aceitável. Tornava-se óbvio, no entanto, que o SNS entraria em “alerta laranja” perante prevalências acima dos cinco mil novos casos/dia. E que até corria o risco de colapsar com mais de seis a sete mil: afinal, uma situação que, resultado da “balda” na quadra natalícia, se verifica desde há vários dias.

Tal é para mim, e para qualquer profissional informado, uma certeza tão evidente como a que, em 2011, ditava a nossa bancarrota se as taxas de juro subissem acima de 7%.

Muito tardiamente, só hoje as autoridades entenderam reunir o Infarmed. Tendo sido confrangedora a gestão inicial da crise, aceito que, nos últimos tempos, até se tem “coxeado menos atrás do prejuízo”: daí, eu só poder esperar uma “intervenção cirúrgica” drástica. Uma decisão tão mais imperiosa, quando o PR se encontra contaminado e pertence à população de risco…

Num momento em que enfrentamos a pior crise da nossa História recente, entendo ser meu dever “arriscar mais uma verdade”: Portugal não pode dar-se ao luxo de suportar uma qualquer complicação grave no estado de saúde do Presidente da República, um cidadão que até pertence ao grupo de risco.

É, pois, “obrigação” da medicina portuguesa assegurar essa “obrigatoriedade”, tendo, para tal, de dispor de tratamentos à base de anticorpos: de plasma humano ou fabricados em laboratório, semelhante ao que foi usado em Trump.

Desconheço se o Infarmed já “autorizou” e dispõe deste recurso, mas falo com a autoridade de quem, não votando, pelo menos na primeira volta, no atual Presidente, se orgulha de ter estado na linha da frente de algumas das maiores realizações da medicina portuguesa, criado serviços que muitos consideraram referências mundiais, assinado os primeiros acordos entre investigadores portugueses e instituições da ciência e sido reconhecido com prémios internacionais.   

Há semanas, o Infarmed veio afirmar ser crime a aquisição, por parte de uma cidadã nacional e da UE, de uma vacina autorizada noutro país da UE. Refiro-me a Ana Gomes e, em “declaração de interesses”, é senhora por quem também não “morro de amores”.

Espero que o Infarmed, se ainda o não fez, volte atrás com tão estapafúrdia decisão e, nas próximas horas, autorize a importação imediata ou, se possível, também um banco de anticorpos, assim criando condições para que o Presidente das República possa, em caso de complicação, merecer o tratamento de exceção que, desta vez, todos lhe reconhecemos.

Enquanto médico e cidadão, e com votos de boa saúde, como poderia eu não deixar aqui, hoje, este “recado”?

Hospital abandonado em Torres Vedras, em tempo de covid

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Há um hospital abandonado em Torres Vedras, em tempos de super-lotação dos hospitais por causa do covid-19. Ou somos ricos ou, em rigor, somos parvos. O antigo Hospital José Maria Antunes Júnior é um edifício imponente, sólido e podia ser recuperado para as funções para que foi concebido. Também é conhecido como Hospital do Barro. 

Foi abandonado em Maio de 2015 e está a ser alvo de pilhagens. Ao mesmo tempo, doentes com covid ficam à porta do Hospital Central de Torres Vedras, dentro de ambulâncias, à espera de espaço.

É a nossa má sorte de termos gestores que prejudicam o Serviço Nacional de Saúde.

Outro exemplo, fechou-se à noite o edifício das urgências pediátricas de S. Francisco Xavier para engordar o Hospital da Luz, do então grupo BES.

Não faz sentido manter encerrado o Hospital do Barro para agora se morrer à porta do Hospital de Torres Vedras. O Hospital do Barro estava vocacionado para as doenças respiratórias e a sua origem remonta a 1570 como convento franciscano. Atualmente é propriedade do Ministério das Finanças que queria vender o edifício mas que, afinal, faz tanta falta.

A ineficácia e má gestão dos recursos do Estado devem ser severamente penalizados, porque roubam o que é nosso e tiram-nos a felicidade e saúde. Vá! Continuem a vender os anéis que nos fazem tanta falta.

Marcelo tem covid-19

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O Presidente da República contraiu covid-19, não se sabe em que circunstâncias. Marcelo Rebelo de Sousa testou positivo, mas está assintomático. A notícia foi dada esta noite numa nota divulgada no site da Presidência da República.

Conforme se pode ler na nota, Marcelo cancelou todas as atividades programadas. Marcelo faz parte de um grupo de risco, quanto mais não seja pela idade: fez 72 anos no passado dia 12 de dezembro.

Não são públicas doenças graves do Presidente, apesar dele próprio já ter confessado ser hipocondríaco militante. À conta disso, anda sempre com comprimidos no bolso, lê todas as bulas de medicamentos que lhe aparecem à frente e mede a tensão arterial regularmente. Agora já podemos dizer que o Presidente tem mesmo uma doença que se pode complicar: covid-19

Covid-19: 122 mortos, Governo pode acionar requisição civil

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Cento e vinte e dois mortos nas últimas 24 horas, é o sinal de que a pandemia veio para matar. É o valor diário mais elevado desde o início desta crise de saúde pública, em Portugal. Além disso, o boletim epidemiológico assinala 5.604 novos casos de infeção.

Em todo o território nacional, há 3.983 doentes internados – outro número record -, mais 213 que ontem, e 567 em unidades de cuidados intensivos (UCI), mais nove do que no domingo, também um novo máximo.

Portugal atingiu hoje novos máximos de internamentos e óbitos diários e a ministra da Saúde admite avançar com uma requisição civil, perante o aumento de internamentos nos hospitais.

Os hospitais da região Centro e do Norte do país começam a acusar a pressão da subida de casos, na última semana, mas é em Lisboa que a situação continua mais preocupante. E nos próximos dias, quiçá semanas, os números irão continuar a subir. Marta Temido quer o sistema de saúde coordenado, de modo a assegurar que não falta resposta em momento de crise, e não descarta a hipótese de avançar com a requisição civil. Isto numa altura em que os profissionais de saúde começam a acusar cansaço. 

Hospitais à beira do colapso

Para o nível máximo de contingência, o Hospital Beatriz Ângelo em Loures tinha previstas 68 camas dedicadas à covid-19. Esta segunda-feira, estavam internadas 145. E nos cuidados intensivos havia apenas duas vagas. Nove doentes já foram transferidos, quatro para o Hospital São João, no Porto, e cinco para o Hospital das Forças Armadas.

No Centro Hospitalar de Lisboa Central que engloba os hospitais de São José,  Curry Cabral e D. Estefânia, há oito enfermarias quase totalmente dedicadas à covid-19. 

No Amadora-Sintra, este fim de semana o hospital chegou a pedir o desvio de doentes não urgentes. O pedido foi recusado pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes, uma vez que todos os outros hospitais da região também estavam na mesma situação. Esta segunda-feira, havia seis vagas em enfermaria e três em cuidados intensivos.

Fátima Lopes despedida da TVI

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Fátima Lopes foi corrida da TVI. Faltava espaço naquele galinheiro e com três “galinhas gordas” uma delas teria de sair de cena. Saíu a menos gorda…

A carreira televisiva de Fátima Lopes começou na SIC, a meio da década de 90, escolhida pelo olho perspicaz de Emídio Rangel. A loiraça de pernas longas iria fazer sucesso em Carnaxide e depois do próprio Rangel ter sido despedido pelo velho Balsemão, a Fátima também fez as malas e mudou-se para Queluz.

Foi feliz por lá, até que a nova “chefa” lhe lançou aquele olho grosso. Já há uns meses que se adivinhava a sorte de Fátima Lopes e a coisa precipitou-se quando a patroa despachou o Goucha para as tardes, o horário onde durante anos Fátima Lopes entreteve velhinhas e donas de casa.

Orgulhosa, Fátima avançou com a notícia de que abandonava Queluz, a fazer crer que sai pelo seu próprio pé. Mas ninguém acredita nisso. A verdade é que foi despedida. Os eufemismos são giros mas nem sempre convencem.

No Instagram, a nova desempregada estica o lindo pescoço e põe-se em bicos de pé a anunciar que estará livre “daqui a dois meses”. Quem quererá casar com a bela quarentona?

Depois disso, a patroa veio dizer que a estimava muito e blá blá blá, amor como dantes.

E foi assim, um belo exercício de cinismo para entreter o povo. Agora, the show must go on.

Jornal de Barcelos denuncia tratamento discricionário por parte da ERC

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O Jornal de Barcelos (JB) publicou coercivamente na página 7 da edição de 8 de Agosto último um direito de resposta, desta feita, abstendo-se de fazer uso da norma inscrita no n.° 6 do artigo 26.° da Lei n.° 2/99, de 13 de Janeiro, que confere às direcções editoriais a possibilidade de “inserir uma breve anotação à mesma, da sua autoria, com o estrito fim de apontar qualquer inexactidão ou erro de facto contidos na resposta ou na rectificação”.

Foi isso que fizemos na edição de 16 de Maio através da publicação de uma “nota da Direcção”, mas o ‘novo’ Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), numa clara violação das suas atribuições estatutárias, adoptou, em sede de apreciação e decisão sobre queixas relativas a direitos de resposta apresentadas pela Câmara de Barcelos, um comportamento discricionário face ao nosso jornal. Naquele caso, a ERC não só não reconheceu ao JB o direito a defender a sua seriedade e a reputação relativamente a afirmações que são falsas – tendo, inclusive, desvalorizado tais circunstâncias alegando que aquela não é “a sede própria para aferir a veracidade dos factos objecto de referência” -, como veio a produzir uma deliberação com inexactidões intoleráveis. É que apesar de ter recebido uma carta com duas páginas contendo os motivos para a recusa da publicação daquele direito de resposta e, em particular, os fundamentos que levaram a Direcção do JB a fazer uma anotação, conforme previsto na lei, ao texto anteriormente publicado, permitiu-se escrever que “na resposta enviada à ERC, não foram prestados quaisquer outros esclarecimentos sobre o teor da referida ‘nota da Direcção’”.

Mas já antes decidira, não obstante a evidência das provas e sem conceder ao JB o princípio de igualdade entre as partes, arquivar, 18 meses (!) após ter sido apresentada, uma queixa por denegação reiterada do direito de acesso às fontes de informação por parte do presidente da Câmara de Barcelos. Muito mal andou, também, quando ordenou a publicação coerciva de um outro direito de resposta – também este envolvendo o Município – sem fornecer (mesmo tendo-lhe sido requerida!) a análise e a fundamentação que sustentavam tal decisão. Tratou-se de uma recusa “incompreensível e inaceitável” perante um “caso inédito” que constitui um “precedente perigoso”, assim o fizemos sentir junto da ERC.

Já o escrevemos e repetimos: estas decisões exercidas em nome do Estado português, porquanto infundadas e arbitrárias, são actos de soberania que o desonram. E por o termos dito e não nos conformarmos com elas é que o Conselho Regulador da ERC, assim o entendemos, optou agora por instaurar um processo de contra-ordenação dois meses depois de verificados os factos susceptíveis de serem sancionados. Para a Direcção do JB, tais atitudes constituem um comportamento discricionário e reiterado da ERC para com o nosso jornal, razão pela qual fez chegar uma exposição detalhada à Presidência da República, Provedora de Justiça, Ministro da Cultura, Sindicato dos Jornalistas e a todos os partidos políticos com representação parlamentar.

De resto, vale a pena recordar as palavras do anterior presidente da ERC, Carlos Magno, aquando da sua saída, em 2017. “Espero que o próximo presidente da Entidade Reguladora seja um jornalista (…) um louco à frente da ERC pode causar muitos disparates”.

Dá que pensar!…

(nota publicada no Jornal de Barcelos em 12SET2020)

Antiga Ópera-Tejo escondida na Rua do Arsenal

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O fabuloso Palácio da Ópera-Tejo está escondido na ala poente do Terreiro do Paço. Foi mandado construir por D. José l, no tempo das “vacas gordas”. Inaugurado em 31 de Março de 1755. Durou apenas 8 meses, por causa do terramoto de 1 de Novembro do mesmo ano.  Tinha capacidade para 600 pessoas, 38 camarotes e tribuna real. E deslumbrava pelo “muito ouro em ornatos“.

Depois do terramoto, as ruínas da Ópera-Tejo foram incorporadas num novo edifício no extremo da ala poente do Terreiro. Prolonga-se pelo actual edifício da Rua do Arsenal em direcção ao Cais do Sodré, ocupado pela Marinha.

Basta entrar no Pátio da Galé e olhar os arcos e meios-arcos. Os arquitectos da Baixa Pombalina ainda sonharam em reconstruir a fabulosa opera. A fama tinha corrido pela Europa fora, após a estreia de “Alessandro nell’Indie” de David Perez (que teve em cena 400 pessoas entre cantores e figurantes, o que mostra a grandiosidade do teatro), com libreto de Pietro Metastasio. O Marquês de Pombal achou não serem tempos para luxos. E fez mal.

Aline Hall, uma mulher inteligente e teimosa, teimou em fazer do edifício da Marinha um museu da ópera. Ficaria ali o luxuoso guarda-roupa do Teatro S. Carlos, que um dia poderá arder com tantos cenários e adereços. É a nossa sina. O fogo levou-nos a Igreja de S. Domingos, A Escola Politécnica, o Teatro D. Maria II. E fiquemos por aqui. Que tal fazer restaurar o que resta da Ópera-Tejo? Tirando de lá a Marinha.

Há cerca de 7 anos, a Universidade de Évora desenvolveu um projeto de arqueologia virtual, com a “reconstrução” de edifícios e locais destruídos pela terramoto de 1755. Se quer ter uma visão do que foi a Ópera de Lisboa do século XVIII, veja este vídeo:

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Covid-19: 102 mortes, confinamento geral à vista

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Lisboa, PSP vigia confinamento / foto de José Ramos e Ramos

Aos domingos e segunda-feiras costuma haver uma diminuição nos números reportados no boletim epidemiológico. Porque aos fins-de-semana há menos laboratórios a funcionar e porque a comunicação dos hospitais para a Direção Geral de Saúde também é mais deficiente. Ainda assim, hoje temos o registo de 102 mortes e 7.502 novos casos confirmados de pessoas contagiadas.

O referido boletim regista ainda mais 215 pessoas internadas nas últimas 24 horas, totalizando 3.770, 18 das quais em unidades de cuidados intensivos (558 no total), e estes números são muito superiores ao aumento de sábado, em que houve 104 novos internamentos, quatro dos quais em cuidados intensivos.

A pressão sobre os hospitais vai continuar a aumentar, esse é um dado adquirido. Em resultado disso, a capacidade de atendimento hospitalar a doentes não covid diminuyi drásticamente e mesmo as urgências covid podem atingir pontos de ruptura dentro de um dia ou dois. Já foi noticiado que há hospitais da zona de Lisboa a enviar doentes para internamento em hospitais do Porto.

Lisboa é, neste momento, a região mais afetada pela pandemia. A maior parte dos novos casos (2.752) foi diagnosticada na região de Lisboa e Vale do Tejo, seguindo-se a região Norte, com 2.600 contágios, o Centro (1.362), Alentejo (373), o Algarve (285), a Madeira (67) e os Açores (63).

Das 102 mortes verificadas nas últimas 24 horas, a maioria (39) aconteceu na região de Lisboa e Vale do Tejo, 27 foram no Norte, 25 no Centro, sete no Alentejo e quatro no Algarve.

Na próxima terça-feira o Governo reúne no Infarmed com especialistas em epidemiologia e responsáveis técnicos do setor da Saúde e irá decidir as regras e a amplitude do novo confinamento, com base nas informações recolhidas e na opinião proferida pelos especialistas.

Chamaram-lhe “facho” e “Hitler”

Um grupo de pessoas de etnia cigana, muitos deles jovens, marcou hoje presença no evento de lançamento da campanha eleitoral do candidato às presidenciais apoiado pelo partido da extrema-direita. Foi uma ação de protesto, contra o deputado que tem visado esta comunidade étnica várias vezes, chegando mesmo a sugerir um confinamento específico destes cidadãos portugueses durante a pandemia de covid-19.

Nos cartazes palavras de ordem e recorreram a buzinas para expressar o seu desacordo com as ideias defendidas por Ventura. “Não queremos RSI (Rendimento Social de Inserção), mas trabalho”, “Facho!” ou “Zeca, obrigaram-me a vir para a rua” foram algumas das inscrições nas tarjas e cartazes improvisados e repetidas de viva voz.

“Ele é muito racista e anda fazendo racismo contra os ciganos. Os ciganos não gostam disso. Os meus pais não o suportam, falam muito mal dele, é um Hitler!”, escreveu a agência Lusa ao citar o pequeno Nicodemos, 12 anos, ladeado pelo irmão Netaniel, de 11, ambos do outro lado da rua, em frente ao cineteatro de Serpa, onde decorreu o protesto.

Por aqui, no Duas Linhas, para que seja usado como símbolo na campanha dele, oferecemos ao candidato o cartoon que ele inspirou ao Hélder Dias.

Os saloios estão a desaparecer

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Os saloios extinguem-se devido à destruição do seu habitat: os campos agrícolas a norte de Lisboa. A cidade avança e os saloios diluem-se na multidão heterogénea e cosmopolita. Não há saloios nas avenidas novas.

Os últimos espécimes desta “tribo” estão nas poucas aldeias que restam nos vales e cumes de Loures, Sintra e Mafra, mas já são poucos e quase todos velhos. Os campos agrícolas que abastecem a grande cidade estão cada vez mais longe, para lá de Torres vedras ou algures na China.

A origem do saloio é discutível. Quando Portugal se formou, chamavam-se “çaloios” ou çala” às pessoas que viviam nos campos à volta de Lisboa. O primeiro imposto cobrado a esses “çaloios” pelo primeiro Rei de Portugal foi pão cozido.

Até ao final do século XX os saloios viviam da agricultura, praticada em hortas e pomares, e do comércio de produtos agrícolas em mercados e na cidade de Lisboa. Nas feiras, os saloios misturavam-se com outras “tribos”, ciganos e outros tendeiros, eram todos eles que faziam mexer a economia da região. A feira da Malveira é, ainda hoje, um exemplo deste ambiente, onde os agricultores locais vendem hortícolas a quem passa e compram roupa e sapatos aos ciganos.

O tempo que passa transforma modos de vida, acaba com tradições e mata. O Ti Mafra morreu ontem. Morreu o último saloio da aldeia do Funchal.