Recado Urgente

- No dia em que se confirma que o Presidente da República foi atingido pelo coronavírus, e o Infarmed reúne para toma de decisões, não resisto a voltar à pandemia…

0
1768

Recuso a condição de “treinador de bancada”. Conhecendo bem as realidades, no final de janeiro, ainda as nossas autoridades negavam que Portugal corresse riscos e já eu desmarcava viagens de longo curso.

Indesmentível, porque está tudo publicado, quando a pandemia nos atingiu, logo defendi que “desta vez é mesmo a sério” e que “o SNS se devia preparar para a maior batalha da sua vida”.

No início de março, com os responsáveis a desaconselhar o uso de máscara por “dar falsa sensação de segurança”, eu, tal e qual, “decretava-a obrigatória”. Focado na prevenção, também me bati, sem êxito, por um combate centrado na formação sanitária das populações, a começar pela Proteção Civil, bem como pela implementação urgente de planos de contingência, desde as escolas às prisões, dos lares ao Palácio de Belém.

No entanto, a 25 de abril, afastados dos centros de decisão e da comunicação social todos quantos percebiam destas matérias, ainda a Assembleia da República gozava com estas medidas.  

Entretanto o medo, algumas medidas cautelares e os raios ultravioletas do verão permitiram travar uma catástrofe que parecia inevitável. E, a “gozarmos de um confinamento balnear”, assim se deu tempo à ciência e às autoridades para enfrentarem a atual vaga.

Um “trabalho de casa” que foi muito descurado, mas que ainda assim permitiu que a pandemia fosse sustida dentro do aceitável. Tornava-se óbvio, no entanto, que o SNS entraria em “alerta laranja” perante prevalências acima dos cinco mil novos casos/dia. E que até corria o risco de colapsar com mais de seis a sete mil: afinal, uma situação que, resultado da “balda” na quadra natalícia, se verifica desde há vários dias.

Tal é para mim, e para qualquer profissional informado, uma certeza tão evidente como a que, em 2011, ditava a nossa bancarrota se as taxas de juro subissem acima de 7%.

Muito tardiamente, só hoje as autoridades entenderam reunir o Infarmed. Tendo sido confrangedora a gestão inicial da crise, aceito que, nos últimos tempos, até se tem “coxeado menos atrás do prejuízo”: daí, eu só poder esperar uma “intervenção cirúrgica” drástica. Uma decisão tão mais imperiosa, quando o PR se encontra contaminado e pertence à população de risco…

Num momento em que enfrentamos a pior crise da nossa História recente, entendo ser meu dever “arriscar mais uma verdade”: Portugal não pode dar-se ao luxo de suportar uma qualquer complicação grave no estado de saúde do Presidente da República, um cidadão que até pertence ao grupo de risco.

É, pois, “obrigação” da medicina portuguesa assegurar essa “obrigatoriedade”, tendo, para tal, de dispor de tratamentos à base de anticorpos: de plasma humano ou fabricados em laboratório, semelhante ao que foi usado em Trump.

Desconheço se o Infarmed já “autorizou” e dispõe deste recurso, mas falo com a autoridade de quem, não votando, pelo menos na primeira volta, no atual Presidente, se orgulha de ter estado na linha da frente de algumas das maiores realizações da medicina portuguesa, criado serviços que muitos consideraram referências mundiais, assinado os primeiros acordos entre investigadores portugueses e instituições da ciência e sido reconhecido com prémios internacionais.   

Há semanas, o Infarmed veio afirmar ser crime a aquisição, por parte de uma cidadã nacional e da UE, de uma vacina autorizada noutro país da UE. Refiro-me a Ana Gomes e, em “declaração de interesses”, é senhora por quem também não “morro de amores”.

Espero que o Infarmed, se ainda o não fez, volte atrás com tão estapafúrdia decisão e, nas próximas horas, autorize a importação imediata ou, se possível, também um banco de anticorpos, assim criando condições para que o Presidente das República possa, em caso de complicação, merecer o tratamento de exceção que, desta vez, todos lhe reconhecemos.

Enquanto médico e cidadão, e com votos de boa saúde, como poderia eu não deixar aqui, hoje, este “recado”?

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here