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Covid-19: “temos de evitar a 4ª vaga”, diz Marcelo

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Boletim epidemiológico, números de hoje: sete mortes, 280 novos casos confirmados de infeção, 512 pessoas internadas, 126 doentes em cuidados intensivos.

Das sete mortes verificadas nas últimas 24 horas, seis foram registadas na zona de Lisboa e Vale do Tejo, e uma na região Norte.

Com os índices relativamente baixos, mais ou menos ao nível do que sucedeu em outubro do ano passado, o Presidente da República insistiu na necessidade de termos de “fazer tudo para que não haja quarta vaga em Portugal.”

“Evitar a 4ª vaga em Portugal”

Marcelo apelou aos portugueses para terem contenção nos seus contactos pessoais, “estamos no sábado que antecede o domingo de Páscoa, no fim de uma semana muito intensa em termos de encontros familiares, antes de semanas de abertura na economia, na escola e na sociedade… Aquilo que eu tenho a pedir é que todos façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para que o R (índice de transmissibilidade) não suba, para que o número de casos não suba, para que o número de internados estabiliza ou diminua“, disse o Presidente da República este sábado.

Marcelo Rebelo de Sousa não escondeu preocupação com a Europa onde vê “confinamentos prolongados” e até quem já fale numa quarta vaga da pandemia em curso. É isso que quer evitar em Portugal, principalmente depois da terceira vaga ter colocado o país como o pior em todo o mundo no início deste ano, além de ter obrigado a um segundo confinamento com renovado impacto económico. “Quanto mais depressa a pandemia desaparecer, menor será a crise e menos profunda será”, disse o Presidente. E todos concordamos com ele.

PSP multa jovem por almoçar no carro

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Há várias PSP dentro da PSP, uma direcção do Ministério da Administração Interna.  A PSP tem uma mão cheia de organizações sindicais representativas. 

Os serviços de informação têm também alertado para infiltrações extremistas de direita e organizações obscuras como a “Zero”. 

Pior, a PSP actua em alguns casos em roda livre, sem mandado de Tribunal, sequestrando cidadãos nas suas próprias casas, durante mais de cinco horas. Aconteceu-me a mim. 

E nestes casos ainda bem que existem magistradas públicas lúcidas que põem fim a essas coboiadas, como Alexandra Catatau.

Esta atração pela “Balada de Hill Street sem advogado na esquadra” já vem de longe. Como repórter, há anos, fiz “casos de polícia” e muitas vezes a notícia era a ultrapassagem dos limites que as leis impõem aos funcionários armados desta direcção, sob a ordem directa do Governo em exercício.

Vale a pena ler a notificação de Raquel de Carvalho pelo Comando Distrital de Santarém da PSP. Foi publicada pela própria no Face para ser partilhada.

Desde o juiz Mário Belo Morgado, homem de grandes méritos e o primeiro civil à frente da PSP, estes agentes do MAI pouco aprenderam.

Não será possível fazer um livro comum de estilo ou uma cartilha para a PSP, que respeite o bom senso? No mínimo?

Apoios do Governo impedem que as rendas baixem

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Os escribas especializados na matéria, garantem que as rendas de casa em Lisboa estão a baixar, empurradas pelo coronavírus. Se as rendas para habitação estão a baixar, as rendas comerciais deveriam igualmente baixar. Acontece que, mesmo baixando um pouco, continuam caras e inacessíveis para a maioria dos que gostariam de viver na cidade. Quanto a pequenas empresas dedicadas a negócios de proximidade, negócios de bairro, a maioria não consegue pagar o que os senhorios pedem pelas lojas.

Os últimos anos, até à pandemia, foram um arraso, uma autêntica “limpeza étnica”, nos bairros históricos de Lisboa e outras zonas mais turísticas, contra moradores pobres e velhos, contra negócios tradicionais como pequenos cafés e restaurantes, livrarias e alfarrabistas, sapatarias e outro tipo de comércio. Nos bairros históricos, por exemplo, quase só ficaram as lojas que pertencem a grandes cadeias comerciais internacionais e pouco mais. E unidades de alojamento local. E hotéis de charme. Tudo para servir bem o turista, apenas.

Claro que a pandemia veio obrigar senhorios gananciosos a arrepiar caminho e daí lermos, agora, nos jornais dedicados à economia, que as rendas de habitação recuaram para níveis de 2017. Quanto às rendas comerciais nada se diz.

De fonte segura, sei que algumas pequenas empresas de comércio e serviços têm conseguido uma redução das rendas de lojas, através de renegociação dos contratos com os senhorios, sob pena das lojas ficarem devolutas. Há senhorios que preferem receber um pouco menos a ficarem sem nada, mas estamos a falar de pequenos senhorios, quase sempre pessoas idosas que vivem de duas ou três rendas de lojas ou apartamentos adquiridos com as poupanças ao longo da vida. Os grandes senhorios, tantas vezes fundos de pensões americanos ou investidores especulativos, nãos se importam de manter lojas fechadas ou prédios devolutos durante anos, à espera que os preços voltem a subir.

Um dos elementos que tem impedido uma maior redução nas rendas de habitação e comerciais são as ajudas e as moratórias decididas pelo Governo no âmbito das medidas de apoio por causa da pandemia. É evidente que as empresas e os desempregados precisam de apoios. Mas, ao mesmo tempo, os senhorios resistem a baixar as rendas, confiantes de que o Governo irá sempre apoiar como tem feito até agora. Quando o Governo intervém deste modo, está a introduzir um fator de perturbação no mercado de arrendamento, que se mantém artificialmente alto. Talvez fosse mais correto legislar de modo a obrigar a baixar o valor das rendas, tanto comerciais como da habitação. Seria uma maneira de moralizar esse tipo de negócio sempre muito ligado à especulação e, ao mesmo tempo, resultava numa poupança dos recursos do Estado que, assim, poderia reorientar apoios para aqueles que precisam mesmo, mesmo, de ajuda, sejam famílias ou pequenas empresas.

Confissão e arrependimento

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À conversa… Rita (nome fictício) disse-me que ainda se emocionava quando via uma criança pequena a brincar. Ninguém a tinha preparado para a dor emocional resultante de um… da interrupção de uma gravidez. Suspirou, nem conseguia dizer a palavra aborto. Pudera, esta caracterizava tão bem o verdadeiro problema. Algo que era bom, lindo e cheio de vida, uma promessa de felicidade, fora interrompido e tornado numa coisa, aberrante, sem beleza e… morto.

Afinal, quem andava a mentir às mulheres? Ao falar com outras que tinham passado pelo mesmo, apercebera-se de que todas, sem exceção, sentiam que haviam perdido algo de insubstituível. Algumas tinham falado, inicialmente com desprendimento, mas, quando ela admitira a sua dor, concordaram com ela inesperadamente.  Mesmo aquelas que já tinham outros filhos, partilhavam este sentimento de perda. Nenhum filho tinha substituído aquele, que nunca chegaram a conhecer.

Ninguém a alertara para este aspeto, nem para a dor emocional em que se vira embrenhada após ter realizado a… interrupção… Também esta palavra se tornara odiosa. Todas as atenções tinham ido para o ato cirúrgico em si, ou lá como se lhe quisesse chamar. Do ponto de vista físico, tinha sido relativamente simples, mesmo se matizado pelo sentimento de culpa por estar a fazer algo de errado e acrescido pelo facto de ser feito às escondidas, mesmo se em boas condições.

Na sua opinião, era exatamente aqui que residia o problema. O assunto tinha sido habilmente resumido à sua dimensão física quando esta era, afinal, o aspeto de menor importância. O que estava em causa não era algo material, mas sim um ser e, por isso, qualquer abordagem segundo parâmetros meramente físicos, era incompleta, inadequada, insuficiente e deficiente. Era assim que se sentia, deficiente na sua personalidade e na sua capacidade de avaliar, inadequada no seu desempenho enquanto mulher e mãe, insuficiente na sua capacidade de amar e no seu grau de responsabilidade.

Hoje achava que o que fizera tinha sido de um egoísmo atroz. Sentia que tinha sido enganada pois, como paciente, tinha o direito de ter sido informada de todas as consequências do que iria fazer. Físicas, psicológicas e emocionais. Mas… hesitou. A realidade era que, em última análise, e responsabilidade tinha sido sua e se tivesse querido mais informações devia ter pedido e, se necessário, até as podia ter exigido. Ao admitir isto apercebeu-se de que, na verdade, não quisera ouvir ninguém. Agora, por incrível que pudesse parecer, estas palavras restituíam-lhe alguma calma. Afinal tinha sido menos vítima do que pensara. A decisão tinha sido sua e na altura parecera-lhe que era correta. Apontar o dedo aos outros, só deixara os outro quatro a apontar para si própria!

Mais aliviada, virou-se para mim e disse: “Mas que cultura é que estamos a construir? Não queremos ter um filho porque interfere demais com a nossa vida. Dá trabalho, rouba-nos tempo, altera os nossos planos e implica mais despesas. E sei lá, é um grande comprometimento trazer uma criança ao mundo nos dias de hoje, com tanto droga, criminalidade e… na altura não estava segura se seria boa mãe e se ele teria sucesso na vida ou se seria feliz. Cada vez o prazer vem mais do que é material, previsível e descartável. Nunca tivemos tanto tempo de lazer, tantas diversões e oportunidades. E, pelos vistos, isto só nos tornou mais egoístas. Se estamos perante algo que nos pode dar prazer ou ser importante, comparamo-lo logo com a quantidade de trabalho que nos vai dar, com o espaço que nos vai tirar e com o tempo que nos vai roubar. Pensamos na nossa querida vidinha e se o compromisso que estamos a pensar em assumir, representa a potencial invasão da nossa tão estimada privacidade ou a sua destruição”. Mas que maneira de viver a vida!” disse Rita à laia de conclusão e acrescentou: “Fez-me bem falar contigo.”  Respondi: “E eu ouvir-te”. Sorrimos, satisfeitas com este momento de partilha e de cumplicidade. Sentíamo-nos mais vivas neste belo fim de tarde.

Covid-19: caminhamos no fio da navalha

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O índice de transmissibilidade da covid-19 está a subir. Hoje chegou aos 0,97 (estava em 0,94). O indicador relativo à incidência também subiu, hoje está em 65,6 casos por 100.000 habitantes em 14 dias. São maus sinais para o desconfinamento.

O boletim epidemiológico de hoje diz que, nas últimas 24 horas, registram-se mais nove mortes (menos duas que ontem) e mais 548 casos confirmados de contágio (menos 44 que ontem). Há 513 pessoas internadas com covid-19 (menos 25 do que na quinta-feira), 131 em cuidados intensivos (mais 2 que ontem).

Independentemente do número de mortes e de novos casos de contágio, o Governo definiu que os critérios para se manterem medidas de desconfinamento gradual são principalmente dois: índice de transmissibilidade abaixo de 1 e incidência a 14 dias abaixo de 120. Ultrapassados estes limites, a pandemia voltará a ganhar força e é isso que tem de ser evitado.

Galp incontactável

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Os serviços de atendimento ao público da fornecedora de energia GALP não estão a funcionar devidamente. Várias denúncias nesse sentido chegaram ao Duas Linhas, nomeadamente de clientes GALP que pretendem reclamar de viva voz ou mesmo por email.

Sucede que sistematicamente os email enviados para a linha cliente da empresa vêm devolvidos por, alegadamente, a caixa de mensagens da Galp estar cheia. Entupida, querem eles dizer.

Além da ineficiência do serviço, muitos dos clientes ficarão a ver navios por não perceberem inglês, a língua de trabalho do gmail. Assim, todos os que tenham recebido uma mensagem deste género – The recipient’s mailbox is full and can’t accept messages now. Please try resending your message later, or contact the recipient directly – a tradução é “a caixa de recepção de email está cheia e não consegue aceitar mensagens, neste momento. Por favor tente reenviar a sua mensagem mais tarde ou contactar a empresa diretamente.

Acontece que “contactar diretamente” é complicado, estando a empresa com as lojas encerradas e os funcionários em teletrabalho. Mas disso o Gmail não tem culpa.

Contactar telefonicamente seria uma hipótese, mas depois de se ter percorrido a ladainha do “marque 1”,”marque 2”, “marque 3”, “marque 4”, chegamos ao “marque 5” para falar com um funcionário e surge uma gravação a dizer que “por motivos técnicos não é possível satisfazer o seu pedido”. O call center ardeu?

O que a empresa quer, e insiste nisso, é que os clientes aceitem o débito direto como forma de pagamento. Depois, na hora de reclamar, o cliente que se lixe. Não pode ser. A GALP deve uma explicação aos seus clientes.

População Sem Abrigo: fazer igual e esperar resultados diferentes?

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Foi notícia que a Câmara Municipal de Lisboa aprovou um investimento de quase 1 milhão de
euros para qualificar o Quartel de Santa Bárbara, em Arroios, transformando-o num ‘mega’
centro de acolhimento de pessoas em situação de sem abrigo, “com capacidade para 130
pessoas, podendo chegar às 200”, segundo o Vereador Manuel Grilo.


Voltemos a Março de 2020, quando o Pavilhão do Casal Vistoso, no Areeiro, foi definido como
resposta de emergência para acolhimento de pessoas em situação de sem abrigo em Lisboa.
Com capacidade anunciada para 40 pessoas é agora referido que as 90 pessoas que aí
pernoitam vão ser transferidas para Santa Bárbara. O claro overbooking do Pavilhão Casal
Vistoso poderá ajudar a justificar os relatos de aumento da toxicodependência, mendicidade,
assaltos e vidros partidos nas redondezas do Pavilhão (reportadas no Correio da Manhã em Maio e no Público em Novembro). Aliás, não será por acaso que, na sua página oficial na rede social Facebook, a Junta de Freguesia do Areeiro comunicou aos seus seguidores esta transferência para Arroios como um modo de “devolver a tranquilidade e segurança desejada e natural da área envolvente”.


O projeto no Quartel de Santa Bárbara, tal como foi o do Casal Vistoso, é outro mau
exemplo de como a Câmara Municipal espera ter resultados diferentes fazendo mais do
mesmo. A criação de ‘mega estruturas’ de apoio aos sem abrigo conduzirá sempre a focos de
insegurança na envolvente, dado estarmos a falar de pessoas dependentes de álcool ou de
drogas (cerca de 40% da população em situação de sem abrigo, segundo dados da CML), que
ao não poderem consumir na estrutura o farão nas zonas ao redor, cometendo pequenos
furtos que lhes alimentem os vícios. Conseguir que estas situações sejam um mal menor em
prol de um bem maior numa determinada envolvente só pode ser conseguido desconcentrando e apoiando pequenos grupos de pessoas, com equipas de apoio numerosas e capacitadas.


Não sendo assim, é de esperar que as imagens de delinquência, insalubridade, de vidros de
automóveis partidos, de ‘salas de chuto’ a céu aberto e de insegurança que se tornaram
regulares nos grupos de vizinhos do Areeiro se mantenham, só que desta vez noutra freguesia.
Não é uma inevitabilidade que o apoio aos sem abrigo num determinado espaço tenha de
trazer problemas à envolvente – não se pode é insistir em ‘mega’ soluções que já provaram
não funcionar.

Max e Maria de Lurdes morreram há 45 anos

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Foi em 2 de abril de 1976. Há 45 anos, precisamente. A bomba explodiu e matou as duas pessoas que iam naquele automóvel: o padre Max e a jovem Maria de Lurdes Correia.

Foi crime provado no tribunal de Vila Real. A sentença ditou que se tratou de um atentado organizado pelo MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), organização terrorista de extrema-direita criada por Spínola e Alpoim Galvão.

o carro do padre Max

No mesmo dia, na Assembleia da República, era aprovada a Constituição da República portuguesa. Os dois factos podem estar ligados.

A morte do padre Max e de Maria de Lurdes, que se dedicavam a um programa de alfabetização de populações das aldeias transmontanas, foi uma demonstração de força e crueldade da extrema-direita terrorista, um aviso, uma tentativa de amedrontar os democratas. Em parte, funcionou. Nenhum culpado foi identificado, ninguém foi condenado. Já nessa época era fácil a extrema-direita ter elementos infiltrados na polícia e até no Ministério Público. Anos depois, uma investigação jornalística encontrou o bombista confesso a viver na África do Sul, sem remorso e sem nunca ter sido incomodado.

O padre Max era candidato pela UDP nas eleições legislativas que se realizaram nesse mesmo mês de abril. E era um candidato que apoiava a nova Constituição. Ao contrário, o cónego Melo era um notório ativista da extrema-direita que não se cansava de difamar o padre Max. Para a Igreja ultramontana, o padre Max era um pecador. Porque ensinava analfabetos a ler, porque ensinava Direitos Humanos a quem sempre tinha sido explorado e abusado. E por isso morreu.

Covid-19: desconfinamento prossegue

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O desconfinamento vai avançar, anunciou o primeiro-ministro, mesmo se hoje alguns números voltaram a subir. O boletim epidemiológico refere que nas últimas 24 horas registaram-se  11 mortes (ontem foram 3 apenas) relacionadas com a covid-19 e 592 novos casos de infeção covid-19 (menos 26 que ontem). É o segundo dia em que o valor de novos casos ronda os 600, número acima do habitual nas últimas semanas.

O boletim epidemiológico revela ainda que estão internados 538 doentes (menos 20 do que na quarta-feira), nos cuidados intensivos  estão 129 doentes (mais dois que ontem).

Quanto ao desconfinamento, António Costa avisou que se o índice de transmissibilidade subir acima de 1 que haverá lugar a “medidas” de contra-ataque.

As principais medidas do desconfinamento

Assim, a partir de segunda-feira reabrem restaurantes, pastelarias e cafés com esplanada, com grupos limitados a quatro pessoas, as lojas com porta para a rua com menos de 200 metros quadrados deixam de ter de vender ao postigo e passam a poder ter as suas portas franqueadas ao público, ginásios retomam atividade restrita (sem aulas), centros de dia e equipamentos sociais para a área da deficiência voltam a receber utentes e, entre outras medidas, a mais esperada: os alunos do 2.º e 3.º ciclo retomam na segunda-feira as aulas presenciais.

A decisão de aplicar a segunda fase do plano de desconfinamento, conhecido a 11 de março, no âmbito da pandemia de covid-19, foi tomada hoje em Conselho de Ministros, depois de analisada a situação epidemiológica em Portugal, em especial a taxa de transmissão (Rt) e a incidência de novos casos.

19 concelhos de maior risco

Há 19 concelhos no continente acima do limiar de risco de incidência da covid-19, que podem não avançar ao mesmo ritmo no desconfinamento, caso a situação se mantenha na próxima avaliação do Governo.

Dos 19 concelhos com maior incidência de casos, destacam-se Carregal do Sal, Moura, Odemira, Portimão, Ribeira de Pena e Rio Maior, com mais de 240 casos por 100 mil habitantes, segundo os dados hoje divulgados.

A este grupo de 19 pertencem ainda os concelhos de Alandroal, Albufeira, Beja, Borba, Cinfães, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Lagoa, Marinha Grande, Penela, Soure, Vila do Bispo e Vimioso, que registam entre 120 a 240 casos por 100 mil habitantes.

Monumento Natural de Carenque, 20 anos depois

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As pegadas de dinossáurio de Carenque foram objeto de um acordo entre o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e a autarquia de Sintra, no sentido de se dar início às obras de musealização do sítio que é, recorde-se, Monumento Natural.

A jazida foi descoberta, em 1996, numa pedreira desativada próximo de Belas, situando-se numa delgada camada de calcário com uma idade estimada em 90 a 95 milhões de anos, contendo o registo fóssil de mais de uma centena de pegadas de dois quadrúpedes herbívoros e, possivelmente, por carnívoros bípedes.

Há 20 anos que foi aprovado o projeto de criação naquele local de um “Museu e Centro de Interpretação da Jazida com Pegadas de Dinossáurio de Pego Longo”, nunca nada foi feito. Durante 20 anos o local esteve abandonado. Em boa verdade ainda está, porque de boas intenções e de promessas de políticos nunca cumpridas está o inferno cheio. Para quem está em Sintra, basta falar no hospital prometido há cerca de uma década e nunca construído.

Mas a notícia está dada. Em primeira mão pelo feliz professor Galopim de Carvalho, o maior defensor do sítio e reputado geólogo português. Basta ir à página dele no Facebook e ler a primeira palavra: finalmente! Uma espécie de grito de vitória.

Segundo o relato escrito de Galopim de Carvalho, os custos previstos para a primeira fase do projeto “orçam 1 200 000 € (um milhão e duzentos mil euros), a Autarquia (com o apoio de mecenato que, por enquanto, não foi divulgado) disponibiliza 800 000€, sendo o restante assumido pelo ICNF, com base num reforço de verba que recebeu, para o efeito, do Ministério da tutela.”

É o Estado a esmolar apoios quando no caso da Câmara Municipal de Sintra é o autarca a gabar-se de ter mais de 100 milhões de euros no banco. Mas enfim, esperemos que seja desta que aquele património natural fica defendido, preservado e visitável.