Apoios do Governo impedem que as rendas baixem

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Os escribas especializados na matéria, garantem que as rendas de casa em Lisboa estão a baixar, empurradas pelo coronavírus. Se as rendas para habitação estão a baixar, as rendas comerciais deveriam igualmente baixar. Acontece que, mesmo baixando um pouco, continuam caras e inacessíveis para a maioria dos que gostariam de viver na cidade. Quanto a pequenas empresas dedicadas a negócios de proximidade, negócios de bairro, a maioria não consegue pagar o que os senhorios pedem pelas lojas.

Os últimos anos, até à pandemia, foram um arraso, uma autêntica “limpeza étnica”, nos bairros históricos de Lisboa e outras zonas mais turísticas, contra moradores pobres e velhos, contra negócios tradicionais como pequenos cafés e restaurantes, livrarias e alfarrabistas, sapatarias e outro tipo de comércio. Nos bairros históricos, por exemplo, quase só ficaram as lojas que pertencem a grandes cadeias comerciais internacionais e pouco mais. E unidades de alojamento local. E hotéis de charme. Tudo para servir bem o turista, apenas.

Claro que a pandemia veio obrigar senhorios gananciosos a arrepiar caminho e daí lermos, agora, nos jornais dedicados à economia, que as rendas de habitação recuaram para níveis de 2017. Quanto às rendas comerciais nada se diz.

De fonte segura, sei que algumas pequenas empresas de comércio e serviços têm conseguido uma redução das rendas de lojas, através de renegociação dos contratos com os senhorios, sob pena das lojas ficarem devolutas. Há senhorios que preferem receber um pouco menos a ficarem sem nada, mas estamos a falar de pequenos senhorios, quase sempre pessoas idosas que vivem de duas ou três rendas de lojas ou apartamentos adquiridos com as poupanças ao longo da vida. Os grandes senhorios, tantas vezes fundos de pensões americanos ou investidores especulativos, nãos se importam de manter lojas fechadas ou prédios devolutos durante anos, à espera que os preços voltem a subir.

Um dos elementos que tem impedido uma maior redução nas rendas de habitação e comerciais são as ajudas e as moratórias decididas pelo Governo no âmbito das medidas de apoio por causa da pandemia. É evidente que as empresas e os desempregados precisam de apoios. Mas, ao mesmo tempo, os senhorios resistem a baixar as rendas, confiantes de que o Governo irá sempre apoiar como tem feito até agora. Quando o Governo intervém deste modo, está a introduzir um fator de perturbação no mercado de arrendamento, que se mantém artificialmente alto. Talvez fosse mais correto legislar de modo a obrigar a baixar o valor das rendas, tanto comerciais como da habitação. Seria uma maneira de moralizar esse tipo de negócio sempre muito ligado à especulação e, ao mesmo tempo, resultava numa poupança dos recursos do Estado que, assim, poderia reorientar apoios para aqueles que precisam mesmo, mesmo, de ajuda, sejam famílias ou pequenas empresas.

2 comments

  1. O que impede as rendas baixarem são o facto de que os donos das casas terem de fazer obras caríssimas de cada vez que sai um inquilino. A desonestidade de uns onera a seriedade dos outros.
    Se acham que as rendas das casas são caras, comprem casa e ponham no mercado de arrendamento e vejam quanto caro fica para o proprietário a sua manutenção.
    Além de que o estado se apropria de 28% das rendas sem ajudar com um cêntimo.
    Verborreia todos sabem deitar.

    • Quem paga a renda acha caro, quem aluga acha barato, mas nem é essa a questão deste artigo. É evidente que os preços do aluguer estão acima das possibilidades da maioria das pessoas e da maioria dos negócios, isso teve justificação no boom turístico mas deixou de ter. Os turistas foram-se embora. O que se diz no artigo é que os subsídios do Estado estão a ajudar a manter os preços altos. O que é inegável.

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