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Abate de árvores em Algés desagrada aos habitantes

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Ambiente e obras: cidadãos querem ter uma palavra

Carla Castelo, ex-jornalista e uma das fundadoras do Movimento Evoluir Oeiras, falou ao Duas Linhas sobre o assunto. “A nossa reacção não foi de surpresa, porque este tipo de actuação por parte da Câmara Municipal de Oeiras já vem sendo habitual, mas de grande indignação e tristeza. Na realidade, as árvores são seres extraordinários, prestam inúmeros serviços ambientais aos seres humanos, desde logo por capturarem o dióxido de carbono e nos darem o oxigénio, mas nas cidades proporcionam benefícios inestimáveis às populações humanas, promovendo o bem-estar, a qualidade do ar e reduzindo riscos para a saúde pública que decorrem de ondas de calor, que como sabemos têm vindo a ser mais frequentes”. Sobre o abate de árvores (que também já tem ocorrido noutras zonas de Oeiras, como Caxias, Linda-a-Velha e Paço de Arcos), a entrevistada afirmou que “este tipo de comportamento é também um atentado ao direito a um ambiente saudável que todos temos direito e que está constitucionalmente consagrado (…)”.

“Incredulidade”, diz por sua vez Duarte d’Araújo Mata, arquitecto paisagista, sobre a remoção das árvores. “Fazem-se requalificações para melhorar o ambiente urbano, garantir “conforto” pedonal e não se consegue manter o arvoredo existente? Que modernidade é essa, que conforto é esse?” Defende que “se há conflitos com o arvoredo, pode-se fazer aclaramentos de copa e podas de conformação. Abater é sempre a última solução quando não sobram alternativas”. Acerca da gestão das árvores em espaço urbano no concelho de Oeiras, afirma que “o que é feito não consta de nenhum normativo, de nenhum livro de boas práticas publicado em qualquer parte do mundo” e recorda que, em 2018, começou “um ciclo de podar as árvores e deixá-las como se fossem ‘cabides’, questionei a Câmara sobre a existência de regulamentos municipais que definissem critérios técnicos para as intervenções em curso e recebi respostas que não se admitem de pessoas eleitas perante os seus munícipes. Respostas lacónicas  de que a Câmara sabe o que está a fazer gerida por eleitos locais. Fui até à Provedoria de Justiça que, perante a argumentação da CMO, arquivou o caso. Daí a petição. Há um vazio legal nesta matéria” (ver caixa).

O arquitecto paisagista deixa um apelo à autarquia: “Que não tenha medo da natureza na cidade. Que não arraste os cidadãos para um mundo inerte nas suas ruas e avenidas quando tanto precisamos do verde urbano.”

Chiara Ternullo, arquitecta e membro da Rede Desafiar Algés, justificou o seu envolvimento: “O facto de ver o espaço público maltratado e com práticas que hoje em dia não são ortodoxas mexeu comigo e envolveu-me neste projecto com vizinhos”, acrescentando que  “o Facebook é a praça digital hoje em dia porque estamos fechados em casa”, e que “desde Janeiro houve cidadãos a dizerem que havia uma árvore sem caldeira nenhuma à volta”. Esclareceu que “caldeira” é o termo usado para definir o espaço livre (de metro e meio, de preferência) à volta da árvore para permitir a concentração de água. A arquitecta algesina é taxativa quando diz que o abate de árvores nesta obra foi “um erro”: “porque não conseguiam montar o lancil, que é a pedra de rebate do passeio; como é uma pedra bem larga, não tiraram bem as medidas, então, na linha do lancil, estava o tronco da árvore, portanto…”. “Eu passava e via as árvores, bem rentinhas à linha do passeio. Havia maneira de salvar a árvore. Para já podia ser o transplante. Mas isso é muito mais caro”, acrescenta.

Por seu lado, Carla Castelo afirmou que “no caso concreto da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, o que sabemos é que as árvores foram abatidas por uma decisão sem fundamento sanitário. Há fotografias e testemunhas que estavam no local que provam isso mesmo: as árvores estavam em boas condições, não estavam a prejudicar nada nem ninguém e foi tomada uma decisão que nós gostávamos que fosse explicada”. Nesta linha de pensamento, o Movimento Evoluir Oeiras defende para o concelho a criação de um regulamento municipal de gestão do arvoredo, proposta essa que foi apresentada pela CDU na Assembleia Municipal de dia 9 de Março, e foi rejeitada.

Chiara Ternullo revelou que um dos membros da Rede Desafiar Algés enviou, nas duas últimas reuniões da Assembleia Municipal da autarquia, um email para ser lido pela presidente da Assembleia, no espaço reservado à participação dos cidadãos. Garante que até agora não receberam uma resposta oficial. “O que sabemos é que chegou o comunicado via Facebook”, o qual menciona que foram removidas quatro árvores e vão ser replantadas seis. A arquitecta opina que existem outras soluções para além do granito que está a ser colocado para substituir a calçada e recorda a petição online sobre o assunto, que já conta com 780 assinaturas, que entre outras coisas pede que mais nenhuma árvore seja removida nas obras a decorrer e futuras.

Acerca do porquê do abate de árvores a meio da obra em causa, a arquitecta acredita que “se não houver um problema fitossanitário, ou digamos logístico, as plantas têm de ser respeitadas. Portanto, aquelas que foram abatidas têm de ser replantadas. Eles neste momento, como não estava previsto… fecharam por completo o passeio. Os passeios não têm uma árvore, porque não estava incluído na empreitada. Isso é claríssimo! Porque se estivesse incluído na empreitada, eles já tinham a caldeira feita, o buraco feito… não, já estão a asfaltar, já está tudo acabado, e as árvores não estão. Porquê? Como foi um erro de obra, vai outra empreitada, outra adjudicação para repor as árvores”.

A arquitecta afirma desconhecer o projecto por causa dos constrangimentos resultantes da pandemia. “Neste momento, com a pandemia, não posso ir a qualquer lado e dizer ‘mostrem-me o projecto’. Eu tenho a certeza que o projecto não prevê nenhum levantamento topográfico. Quando eles começaram a obra, começaram-na sem saber que naquele alinhamento estava a árvore”, acrescenta. “Se não for um projecto bem instruído… as árvores estavam lá, não estavam doentes, porque é que abateram? Porque houve um problema de obra, não estava previsto, porque se desviassem 30 centímetros o lancil para dentro da estrada, a árvore estava salva”. “E se os cidadãos não falassem, se calhar os passeios ficavam assim”, reitera.

Carla Castelo frisa a importância dos espaços verdes em ambiente urbano: “Quem não gosta de estar numa rua arborizada? É uma pena que haja uma atitude de banalização da mutilação das árvores, do abate das árvores, como se fossem algo descartável; as árvores não são descartáveis”.

O Duas Linhas procurou saber mais junto da Câmara Municipal de Oeiras, tendo contactado via email a Divisão de Reabilitação Urbana e a Divisão do Ambiente e Qualidade de Vida, mas não obteve resposta até agora.

PSP, dois pesos duas medidas

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Um agente implica com duas pessoas que seguram um tarja e têm máscaras no Rossio. Mas dias antes a PSP não implicou com mais de dois mil negacionistas, sem máscara, sem distanciamento social e sem o mínimo de bom senso. Naquele mesmo local.

Quais foram as ordens superiores? O que aconteceu foi caricato. O que fez a PSP que se tem fartado de multar este e aquele cidadão? Nada.

A PSP é uma direção do Ministério da Administração Interna e nem sequer deveria ter funções de investigação. Executa as ordens do governo em funções, tal como outra direção de qualquer ministério da estrutura governamental. 

Assobiar para o ar perante mais de 2 mil manifestantes e chatear dias depois dois tímidos cidadãos encostados à estátua de D. Pedro IV, quer dizer o quê? Que a PSP tem poderes discricionários?

As funções da PSP são manter a ordem pública, proteger cidadãos e executar mandados de tribunal. 

O que aconteceu com os mais de 2 mil manifestantes apinhados uns nos outros foi um ultraje à Democracia. Quer dizer a senhora do café, o homem da mercearia e todos os outros estão feitos em brócolos.  Mas uma maltosa sai à rua, não respeitando as simples regras de distanciamento, que servem até para uma gripe, e não acontece nada? Pois, a seguir vão fazer uma rave. Para continuar.

E esta senhora e o amigo sozinhos no mesmo local são chateados? Usam máscara e o Rossio está deserto. O Ministério Público continua a tolerar estas disfunções porquê?

PSD e Chega disputam candidatos

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PSD e Chega disputam os mesmos putativos candidatos às autárquicas, o que diz tudo sobre o estado a que isto chegou. Quanto mais grosso, fascistóide e racista, melhor. Segundo os “mentideiros” da política, a advogada Suzana Garcia vai ser a candidata do PSD na Amadora, isto depois de ter andado hesitante entre os convites do Chega e de Rui Rio. Dizem mesmo que o nome de Garcia foi já aprovado pelas estruturas locais e que o ‘ok’ da direção de Rui Rio já é certo. Brilhante.

Garcia é uma senhora que ficou conhecida por comentar na pantalha da TVI, onde foi colecionando pérolas tipo chamar “gentalha” aos cabo-verdianos, por exemplo. Ou seja, é uma senhora que utiliza um discurso racista e xenófobo. Foi educada assim em colégios de freiras na África do Sul durante o apartheid, segundo ela própria disse numa entrevista a um podcast.

A coisa vai assim. Depois do sósia de Mussolini ter sido anunciado cabeça-de-lista do Chega por Lisboa (Graciano tem mesmo semelhanças físicas com o ditador italiano), o PSD não resistiu à pulsão de ter alguém do mesmo nível político e convidou a loira Garcia, que há quem veja nela parecenças com Marine Le Pen, líder da direita francesa. Rio que se cuide…

Pessoas que chegam à política depois de se terem notabilizado na televisão. Houve um tempo em que as televisões serviam de trampolim a políticos menos conhecidos, mas que discutiam em debates de bom nível intelectual e político. Agora, as televisões fabricam sósias de ditadores defuntos e promovem ideias políticas que já levaram antes o Mundo para a desgraça de uma guerra mundial. Infelizmente, o eleitorado é magnificamente ignorante ou esquecido da História. E quem não conhece o passado não pode evitar repetir os erros cometidos antes.

Covid-19: Lisboa inicia testagem gratuita nas farmácias

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Segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde, nas últimas 24 horas registaram-se três mortes e 618 novos casos de infeção com o novo coronavírus, valores semelhantes ao que se tem registado desde meados de março. Estão internados 558 doentes (menos 26 do que na terça-feira), nos cuidados intensivos estão 127 doentes (menos dois em relação a ontem).

O índice de transmissibilidade (Rt) do novo coronavirus em Portugal está estável, mantendo-se hoje em 0,94. 

Testes rápidos gratuitos em Lisboa

O programa de testagem em massa com testes rápidos gratuitos começou hoje de manhã nas 10 freguesias de Lisboa com maior incidência de covid-19, com uma adesão de, para já, 68 farmácias.

A testagem é feita segundo um conceito de proximidade aos utentes, por profissionais da rede de farmácias, que, no caso de haver registos positivos, imediatamente os reportam no SINAVE”, sistema gerido pelo Ministério da Saúde.

Em Lisboa, a marcação dos testes pode ser feita presencialmente nas farmácias aderentes ou através do número 1400, que funciona 24 horas por dia.

A lista das farmácias aderentes está disponível nos sites da Câmara Municipal de Lisboa e da Associação Nacional de Farmácias.

Lelé da Cuca contra Queixinhas!

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Podemos, por exemplo, dar conta de que um polícia, mesmo que o chefe de todos eles, se pode pôr em bicos de pés e, desprezando as regras mínimas de uma democracia, substituir-se ao ministro da Tutela, com o beneplácito do Presidente da República.

E podemos, também, confirmar sem sombra para dúvidas, que qualquer louco pode chegar a juiz em Portugal.

Refiro-me, claro, ao Intendente Magina da Silva e ao Juiz Rui Fonseca e Castro.

O primeiro, depois de uma reunião com o Presidente da República, divulgou à comunicação social uma série de informações que deveriam ter ficado sob reserva. E manteve o lugar…

O segundo, no momento em que morriam, no país, cerca de trezentas pessoas por dia, de Covid, aparecia a garantir que “as vacinas são perigosíssimas”, que “as pessoas têm o direito de recusar serem inoculadas” e que “a pandemia é uma invenção”.

Não contente com isso garantia, ainda, “que há fundamentos para os agentes da PSP, e militares da GNR, desobedecerem às leis emanadas do Conselho de Ministros ou da Assembleia da República”, porque “a Covid é uma farsa cuja finalidade é, somente, vender vacinas”.

Depois, perante as críticas generalizadas, atirou as culpas de todos estes problemas às vítimas habituais: Conselho Superior de Magistratura (que o tinha suspendido) e à Maçonaria (porque sim!).

Só se esqueceu do Benfica, mas lá chegará o momento.

Depois disto, o mais difícil seria tentar perceber o que poderia acontecer se estes dois personagens se viessem a encontrar numa das esquinas da nossa vida.

Preocupação acrescida depois do Juiz ter gravado um vídeo, que espalhou pelas redes sociais, onde garantia que estava a ser perseguido pelo senhor Magina da Silva, que apelidou de “menina” e “queixinhas” desafiando-o para uma cena de “porrada de quelha” a que, pomposamente, chamou de “luta MMA”.

O País ficou expectante por essa luta, sem regras, entre o Lelé da Cuca e o Queixinhas!

“É uma proposta para resolver isto como homens”, explicou o Lelé Castro, acrescentando que Magina da Silva “parece uma menina a chorar” e que não passa de um “queixinhas”.

O “machão” (não é qualquer um que desafia um calmeirão como o Intendente, mesmo que este chore como uma menina) garantia que, se fosse derrotado, se ausentaria das redes sociais e “deixaria de ajudar”.

Mas exigia que, se ganhasse, o Intendente Magina da Silva teria de ir à “televisão” admitir que é um “idiota, um fantoche, um pau mandado do Governo”, e que só é director da PSP porque é “maçon”.

Antes que lhe tornassem a vestir o colete-de-forças teve ainda a oportunidade de dizer que o Intendente Magina da Silva “é um maroto”.

Foi a única coisa em que concordei com ele. O Intendente Magina tem um nome um bocado “varoto”, há que reconhecer…

A propósito de queixinhas

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Depois do juiz Castro ter afirmado nos seus célebres monólogos no Facebook que há fundamentos para os agentes da PSP e militares da GNR desobedecerem às leis emanadas do Conselho de Ministros ou da Assembleia da República, o mais antigo sindicato de polícia anunciou que os polícias que fiscalizam as regras do estado de emergência se sentem “exaustos” e “maltratados”.

Quem observa com mais atenção e distanciamento a evolução comportamental dos polícias, já percebeu que perante a mesma situação há reações diferentes. Por exemplo, na recente manifestação de negacionistas, no Rossio, onde cerca de 2 mil pessoas se concentraram sem utilização de máscaras e distanciamento físico, contrariando a lei em vigor, os agentes da PSP no local confraternizaram com os manifestantes, embora tenham dito que executaram uma espécie de abordagem inicial sensibilizadora para o cumprimento da Lei. Noutras paragens, a mesma polícia não hesitou em passar multas a gente que estava no carro a comer um hambúrguer ou ia na rua a mascar gomas (e por isso não tinham a máscara colocada).

Também convém não esquecer o diferente tratamento disciplinar que existe com polícias que defendem os Direitos Humanos e outros que proferem ameaças contra cidadãos nas redes sociais.

Tudo isto pode estar relacionado. Com o assalto da extrema-direita às fileiras das organizações de polícia e segurança, com os sindicatos de polícia acobardados perante esse movimento político, as queixas da ASPP/PSP soam a alinhamento com esses movimentos antidemocráticos.

Na verdade, se a ASPP/PSP continuasse a honrar o legado do seu fundador, José Carreira, ou do veterano sindicalista Manuel Morais, não haveria lugar a esse tipo de suspeição, mas depois do atual presidente da ASPP vir dizer que percebe o Movimento Zero e até se identifica com o que esse movimento defende, qualquer reivindicação por mais justa que possa ser não afasta esse estigma.

Assim, as queixas de hoje apresentadas pela ASPP – relativas ao não pagamento de subsídios, suplementos salariais, vacinação, etc. – soam a desculpa para justificar as atitudes que irão tomar um dia destes. Logo veremos se estarão ou não alinhadas com aquilo que o juiz Castro professa.

Covid-19: apenas duas mortes

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Duas mortes, apenas duas mortes relacionadas com a pandemia, no registo de hoje do boletim epidemiológico. O número de novas infeções também é relativamente baixo, 388 casos (uma subida de 79 casos). Estão internados 584 doentes (menos 39 do que na segunda-feira), nos cuidados intensivos estão 129 doentes (menos sete em relação a segunda-feira). As duas mortes registadas nas últimas 24 horas ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo.

Portanto, os dados revelam uma diminuição generalizada dos índices da pandemia, exceto nas novas infeções e, assim, não podemos esperar que todos os índices continuem a baixar quando temos mais pessoas infetadas. O índice de transmissibilidade (Rt) continua em 0,94.

De acordo com os dados fornecidos pela Direção Geral de Saúde, da DGS, estão vacinadas 1.169.676 com a primeira dose e 472.270 com a segunda dose.

Portugal Novo

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Portugal Novo é o nome de uma cooperativa de habitação económica que construiu centenas de apartamentos no Areeiro, em Lisboa. O regime salazarista tinha deixado Portugal cheio de bairros da lata e a seguir à revolução de 1974 as cooperativas de habitação deram um fortíssimo contributo para acabar com essa indignidade. A maior parte dos casos são histórias felizes, mas não a da Cooperativa Portugal Novo.

A falência da cooperativa e o que isso significou para a vida das pessoas que moram na urbanização foi contada numa reportagem da jornalista Maria José Garrido que a TVI exibiu (link) no passado dia 25 de março.

Uma reportagem surpreendente, principalmente porque acontece num local onde não se imaginaria que uma história assim estivesse a ser vivida. A autora da reportagem falou connosco e contou-nos outros pormenores que escaparam à reportagem.

Há quanto tempo conhecias aquela realidade? Quem te chamou a atenção para ela?

​Em maio / junho do ano passado, em plena crise pandémica, realizei uma grande reportagem sobre o acolhimento no Pavilhão do Casal Vistoso, no Areeiro ( deixo aqui o link: “Bem-vindos ao Casal Vistoso”: a outra face da insegurança no Areeiro | TVI24 (iol.pt) ​Os vizinhos em redor do pavilhão estavam descontentes com o acolhimento que a Câmara de Lisboa estava a dar aos sem abrigo e às pessoas que tinham ficado sem teto por causa da pandemia. Acusavam as pessoas aqui acolhidas de serem responsáveis pela onda de assaltos que assolava a freguesia, diziam que estavam a criar um novo Casal Ventoso pois eram muitos os toxicodependentes que ali eram acolhidos. Havia de facto toxicodependentes entre os acolhidos no Pavilhão. Por isso mesmo a Câmara garantia a que as carrinhas da metadona e do consumo assistido ali passavam diariamente para dar apoio. Durante esta reportagem no pavilhão, várias pessoas falaram-me do bairro Portugal Novo, o bairro azul que estava ali perto. Durante a reportagem do Casal Vistoso tive também ocasião de filmar pessoas a injetarem-se a céu aberto num jardim ali perto (algo que não via desde os tempos do Casal Ventoso, centro da droga em Lisboa nos anos 90). Mais uma vez falei do assunto a pessoas durante a reportagem sobre o acolhimento no Casal Vistoso, e disseram-me que o bairro azul era um dos pontos de tráfico de droga em Lisboa. Comecei então a interessar-me pela história do bairro Portugal Novo e foi quando descobri que a história ia muito para além do tráfico de droga. Aliás , verifiquei que a questão do tráfico de droga era marginal na história. O fulcro da questão era mesmo o abandono a que estava votado o bairro.  

(fotograma do vídeo da reportagem da TVI)

– Foi fácil entrar ali e fazer a reportagem? Houve alguma recusa dos moradores? Alguém não aceitou falar contigo?

​Não foi fácil entrar no bairro. Primeiro estive lá com uma das pessoas ligada aos Vizinhos do Areeiro (os Vizinhos do Areeiro tinham feito uma petição reclamando a municipalização do bairro). Descobri que havia várias associações/organizações não governamentais a dar apoio aos habitantes do bairro. E foi através delas que consegui entrar no bairro e contactar os moradores. Também falei com Associação de moradores (AMPAC) mas não consegui que me respondessem afirmativamente. Foram sempre adiando a possibilidade de entrar no bairro. Consegui entrar no bairro através da AMI.  Objetivamente ninguém se recusou a falar com a TVI, mas sentimos alguma agressividade sobretudo por parte das pessoas que estavam ligadas ao tráfico de droga. Havia vigilantes que, assim que nos viam com a câmara de filmar, perguntavam onde íamos e o que estávamos a fazer. Umas pessoas num carro fizeram tenção de atropelar um colega meu que estava a fazer filmagens com a gimbal (câmara que permite fazer filmagens em movimento sem tremer). Ainda estivemos à conversa com eles a explicar o que estávamos a fazer.  Procurámos sempre explicar o que estávamos a fazer, sem mentir e sobretudo não quisemos entrar com câmaras ocultas. Quisemos que nos vissem a filmar porque seria importante para ganhar a confiança dos moradores. Uma vez no bairro e uma vez dadas as explicações sobre o que estávamos a fazer conseguimos falar e sinceramente, à parte o tráfico de droga (que é um caso para a polícia), não me parece que o bairro seja perigoso. 

(fotograma do vídeo da reportagem da TVI)

– Aparentemente o dominador comum é a pobreza, mas consegues caracterizar a população do bairro? Que profissões existem? Quantas etnias e nacionalidades coexistem ali?

​Tal como disse Margarida Mendes da AMI, hoje em dia não se sabe quem vive no bairro. Eu própria digo que a população já não é a de origem. As casas têm sido passadas, ocupadas ou vendidas. A AMI está lá desde o início do bairro e diz que não é possível caracterizar a população. Sabe-se que a maioria já não é a original.  O mural do bairro dá indicação que há “brancos”, ciganos, africanos e indianos. Na verdade, do que se sabe os africanos e indianos estão maioritariamente nos prédios da Gebalis em redor do bairro. Não vivem nos prédios azuis mas sim nos prédios de gestão da Câmara de Lisboa- Gebalis. 

– Na reportagem dizes que é um bairro seguro, o que desmente a fama que o bairro tem? Como explicas essa contradição?

​A fama do bairro tem a ver com um homicídio que houve em tempos. Foi dito que mataram o homem para ocuparem a casa. O que me dizem é que terá sido uma namorada do senhor a assassiná-lo. A casa depois foi passada/vendida a uma pessoa de origem africana. Mais uma vez, a reportagem da TVI queria sobretudo focar-se na situação kafquiana do bairro sem gestão há quase 40 anos. Por isso, não investiguei o crime até porque era apenas um crime em quase 40 anos. O tráfico de droga é evidente assim que lá se entra, mas, mais uma vez, é um caso de polícia. O que se verifica também é que essa não é uma questão especifica daquele bairro. Há muitos outros bairros em Lisboa onde o tráfico existe e nem por isso se diz que são bairros perigosos.  É o caso deste. Passando ao lado da droga ninguém se mete com ninguém. Daí vermos pessoas idosas que se mantêm no Portugal Novo sem qualquer problema. Importante mesmo era resolverem a gestão do bairro. Câmara e Governo chegaram finalmente a acordo. Não sei quanto tempo mais vai demorar a resolução do problema.

– Aqueles terrenos valem uma fortuna para os construtores civis. Achas que isso condicionou de algum modo as intenções de reabilitar o bairro? Haverá ali uma política de terra queimada para depois se dizer que é inevitável deitar abaixo, desalojar as pessoas e erguer mais um projeto imobiliário para vistos gold?

​A Câmara de Lisboa parece-me estar com as melhores intenções. Não me parece que queiram dificultar a reabilitação do bairro. Julgo que estão empenhados. Mas o problema é de facto complicado de resolver: porque já não há cooperativa de habitação, porque há uma enorme dívida (não se sabe ao certo de quanto), porque há responsabilidades da administração central que nunca quis saber do bairro e porque, entretanto, os moradores já não são os mesmos- há propriedades transferidas e há ocupações. Vai ser difícil resolver a situação do bairro, mas do que percebi da vereadora da habitação, Paula Marques,  há uma grande vontade em resolver sem retirar os moradores do local.  

Os problemas sociais deste bairro derivam de fatores comuns a todos os lugares abandonados, postos à margem, onde as traficâncias se desenrolam sem interferências. Extraordinário é isto acontecer no centro de Lisboa. Há décadas que o governo da cidade anda a fingir que o Portugal Novo não existe. E não existe mesmo, porque este é o Portugal de antigamente, do tempo da “outra senhora”.

Nem sempre anedotas, nem sempre pandemia…

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Enquanto cidadão e médico, desde há mais de um ano que venho denunciando desastrosas práticas no combate à pandemia, ao mesmo tempo que antecipei propostas e previsões que se revelaram certeiras. No entanto, depois de tanta crítica, entendo ser meu dever registar indícios de que, finalmente, existe alguma melhoria na gestão de uma crise que, por graves erros, falhas e omissões, acarretou trágicas consequências.  

Assim parecendo, e enquanto o Fortimel atua, nada melhor que recordar algumas das anedotas que todos os dias nos soltam o humor. Algumas são alentejanas e outras não, mas comecemos por uma alentejana, oriunda da capital da região.

Foi aí mesmo, em Évora, há semanas, que a passagem de uma carrinha de transporte de vacinas levou a uma intervenção “militarizada”, que quase degenerou numa “guerra” entre as duas principais forças de segurança interna, ao caso a PSP e a GNR: um ato de alto significado civil e militar e por que todos os portugueses terão manifestado apreço; a começar pelo Senhor Ministro da Administração Interna que, por certo, irá proporcionar uma qualquer “ordem de mérito a tão zelosos servidores da nação”, já no próximo 10 de junho.  

Em franca ascensão na carreira, e sempre heroicamente na defesa da Saúde Pública, o comando da PSP daquela cidade entendeu agora apelar de novo às televisões: não, para voltar a barrar a passagem da “inimiga” GNR, que, ilegalmente, ousara passear as vacinas pelo território à sua guarda; desta vez, à cata de outros “violadores da lei” ainda mais sinistros e perigosos, ao caso os estafetas dos restaurantes.

Pois não é que, na entrega ao domicílio de jantares previamente encomendados, circulavam com bebidas alcoólicas depois das vinte horas? E perante tão grave violação da lei, que proíbe o fornecimento de bebidas alcoólicas por estabelecimentos abertos ao público, vão de multar quem aparecia. Uma dúvida deixo:

– Esta gente nasceu sobredotada ou também anda a tomar Fortimel a mais?

A segunda estória tem a ver com uma medida ainda mais “inteligente”, a do confinamento proibir a circulação entre concelhos e não um certo afastamento da residência, 20 ou 30 Km, medida muito mais racional e que, com recurso ao GPS das forças policiais, facilmente poderia ser aplicada.

A versão em vigor, pelo contrário, está a dar azo a interpretações delirantes, geradoras de prejuízos e contratempos. Foi assim que, na TV, assisti a mais uma “operação policial”, desta vez na Feira de Santana, na confluência dos concelhos de Alcobaça, Caldas da Rainha e Rio Maior: Haverá melhor “ponto estratégico” em Portugal, para a caça à multa?

 – Então, de onde és tu, ó marmelo?

 – Moro no sítio tal. É aquela aldeia ali ao fundo.

– Mas isso é concelho de Rio Maior e tu estás em Caldas!

– Mas…

– Não há mas… nem meio-mas! Passa para cá duzentos euritos e, vá lá, que não comes com mil em cima.

– E tu? Vais a fugir, porquê?

– Ai, mas isso é em Alcobaça e deste lado da estrada é Rio Maior.

Um “toma-lá-que-já-almoçaste”, que pôs um amigo morador numa vivenda assente em três concelhos – Mira, Cantanhede e Vagos – a rabiar. Será que não leva rebocada, se for visto a passar da sala para a cozinha? E pode dormir descansado com a legítima, se as fronteiras cortam o leito conjugal mesmo ao meio?   

Como se percebe, neste primeiro registo de não desacerto total na luta contra a pandemia, ainda é muito cedo para eleger heróis. Até porque, com os recursos existentes, a distribuição das vacinas e a campanha de vacinação seriam sempre tarefas muito fáceis de executar. No entanto, face ao desastre inicial, deixo a indicação de que as orientações recentes começam a ter alguma precisão e lógica, o caminho a percorrer.

Os portugueses não são números, antes são pessoas e nem compreendem medidas assentes em estatísticas feitas de “esses-e-erres”. Há que avançar na senda do desconfinamento, com a consciência de que temos de libertar os setores onde não incide grande risco de contágio e aplicar emergentes medidas de contenção ou mesmo retrocesso, em áreas em que tal seja imperioso. A dar que pensar, num futuro próximo, tudo indicia que os novos contágios parecem agora incidir sobretudo nas populações mais jovens, alguma da qual fica com importantes sequelas para o resto da vida.

Um vice-almirante está ao leme, afinal a chefia do tipo militar que defendi há mais de um ano. Agora… navegar é preciso!

Sem Fortimel!

Covid-19: índice de transmissibilidade continua a subir

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A pandemia atingiu um patamar abaixo do qual parece ser difícil continuar a descer. Hoje, o boletim epidemiológico confirma a morte de seis pessoas e o surgimento 309 novos casos de infeção com o novo coronavírus, valores que se têm mantido estáveis desde meados de março, com pequenas variações diárias.

Neste momento estão internados 623 doentes (menos 10 do que no domingo), 136 doentes nos cuidados intensivos, menos seis em relação a domingo.

A par disto, o índice de transmissibilidade (Rt) do novo coronavírus em Portugal continua a subir, situando-se hoje em 0,94. Este índice tem vindo a subir lentamente desde há uma semana e se ultrapassar o valor 1 significa que os contágios terão tendência para voltar a subir.