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Covid-19: aumentam os internamentos, empresas querem mais dinheiro

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Nas últimas 24 horas foram registadas três mortes, 441 novos casos de infeções por Covid-19, 428 pessoas internadas, ou seja, mais 13 pessoas internadas que ontem, sendo que os que estão em UCI são agora 109, mais seis do que no anterior balanço, de acordo com o boletim diário da Direção Geral de Saúde.

Estes novos casos foram registados essencialmente a Norte (193), seguido de Lisboa e Vale do Tejo onde há registo de 109 novas infeções nas últimas 24 horas.

Hoje, o número de recuperados voltou a ser inferior ao número de novas infeções. Sinais de que o desconfinamento pode ser bom para a economia, mas mau para a saúde dos portugueses.

Empresas não vão pagar dívidas à banca

A economia não se compadece com comércio fechado e indústrias sem produção. O presidente da CIP afirmou hoje que há 30 mil milhões de euros em moratórias e que 30% das empresas não deverão conseguir pagar essas dívidas.

António Saraiva admitiu que se espera um nível de incumprimento “à volta dos 25% a 30%” e defendeu que a banca, em articulação com o Governo, deve “ajudar àquelas empresas que manifestamente não vão conseguir honrar este compromisso até 23 de setembro”.

“Isso passa por dar, empresa a empresa, um quadro de solução que alivie o problema”, através de soluções como, por exemplo, empréstimos de longo prazo, referiu António Saraiva, ao alertar que o fim do prazo das moratórias resultará numa pressão sobre a economia nacional.

Desde março do ano passado que milhares de clientes não estão a pagar os créditos aos bancos, fazendo uso do decreto-lei do Governo que permite moratórias nos empréstimos, criadas como uma ajuda a famílias e empresas penalizadas pela crise económica desencadeada pela pandemia de covid-19.

A capela onde é proibido fotografar

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Creio que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa era Krus Abecassis quando foi aprovada a construção de um centro comercial com um dos lados colado à parede traseira da capela de Nossa Senhora da Saúde. Era o ano de 1989 e foi muito estranho ver um prédio novo colado a um edifício de 1600. Para muitos foi um abuso, mas para o Patriarcado de Lisboa parece que não foi nada. Talvez o Patriarcado tenha interesses económicos no Centro Comercial da Mouraria… tudo é possível.

Com o tempo a estranheza não diminuiu. Os turistas que durante muito tempo animaram de esperança os comerciantes da zona, eram os únicos a não estranhar. Frequentavam as esplanadas e tasquinhas da zona, três cervejas depois já não desconfiavam de nada. Alguns talvez tenham entrado na pequena capela, para saborear a frescura típica dos templos religiosos. Os que entravam para tirar fotografias ficavam desiludidos. Não é que a capela seja feia, é apenas confusa no estilo, misturaram azulejos com madeira, mais a talha dourada e as pias de pedra, o azul e o rosa das paredes, mais o vermelho dos panos e o dourado da talha, uma mistura kitch que os turistas também não estranham.

Mas talvez se tenham surpreendido com o zeloso funcionário que os impede de fotografar no interior da capela. Nem uma fotografia? O Patriarcado não deixa, até afixou um aviso na porta. Num local turístico, não se pode tirar uma foto? Ora, aqui está algo que toda a gente estranha. E se o turista insiste no seu prazer de fazer uma fotografia para mais tarde recordar, o zeloso funcionário acha que está no direito de deitar a manápula à máquina fotográfica ou ao telemóvel, o que resulta numa cena desagradável de gritaria e ameaças. Dentro de uma igreja que está de porta aberta num local turístico.

Tudo isto para dizer que só consegui tirar duas fotografias. Estas que aqui vos deixo, mesmo contra a vontade do Patriarcado.

É uma pena. Em vez de proibições, o Patriarcado podia dar explicações sobre a riquíssima História do local, as tradições religiosas que ali se enraizaram. Publicava-se o prospeto em inglês, francês e alemão e vendia-se a 5 € o exemplar. Era dinheiro a cair na caixa das esmolas.

Para fotografar à vontade, será preciso esperar pelos eventos que reúnem ali muitas centenas de pessoas e fingir que se tem interesse em fotografar os VIP que sempre por lá aparecem para, precisamente, serem fotografados ou videografados.

Este país perdeu o tino

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Por exemplo, pedir uma tarifa social para as contas de água/saneamento básico e energia dá direito, permitam-me a ironia, a um bacharelato em Administração Pública por equivalências. Trata-se de uma maratona olímpica para a qual exigem do/a requerente que ele/ela tenha estudado Direito desde a escola primária. Senão, vejamos: quem tenha mudado de titularidade no contrato de água e saneamento (no meu caso foi o que aconteceu) tem de esperar quatro meses para poder apresentar um pedido de atribuição de tarifa social. Porquê? A entidade necessita de verificar o consumo doméstico feito naquela morada. Se este ultrapassar um determinado patamar mensal de metros cúbicos de água (algo normal em agregados familiares, por exemplo, de quatro ou mais pessoas), o utente não poderá ver atribuída a tarifa, mesmo estando a passar dificuldades económicas.

Quando questionados sobre a razão desse período “experimental”, respondem que “são as regras”, sem mencionar qualquer lei, regulamento, portaria ou decreto. Aliás, no próprio portal de Internet não constam essas regras com clareza, nem sequer no separador de “Legislação”.

A seguir, com a justificação das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, é preciso enviar digitalizados os documentos exigidos, incluindo um formulário preenchido e assinado pelo punho de quem requer. Quem avance com o pedido, tem de estar equipado/a (isto vale para entidades do Estado ou outras companhias fornecedoras de serviços como gás, electricidade, telecomunicações e outras) com computador, internet em casa, e um aparelho que sirva as vezes de impressora/scanner/fotocopiadora. Somos todos obrigados a estar a par das novas exigências tecnológicas. E não ter posses para essa parafernália ou desconhecer as leis não é razão (a segunda alegação não é válida para políticos, como todos sabemos). Quem quiser tratar destes assuntos, terá de fazer omeletas sem sequer as cascas dos ovos. No meu caso, graças à ajuda de pessoas amigas, tenho conseguido imprimir e digitalizar os documentos que me exigem.

No caso da tarifa social de electricidade, o meu pedido foi aceite, porém, até lá chegar foi algo digno de um livro de Kafka. As idas e vindas neste caso foram sobretudo telefónicas, tendo tido num dos passos do processo o azar de apanhar uma telefonista que me informou de forma errada sobre uma das etapas – e fui esclarecida por outra pessoa, com uma visível irritação na voz, se calhar por estar a repetir pela enésima vez o que já tinha dito a outras pessoas. Fui informada de que teria de fazer um pedido à Direcção Geral de Energia e Geologia para entrada na chamada “lista de vulnerabilidade económica”, a ser divulgada no portal da Autoridade Tributária. Em simultâneo (só descobri isso mais tarde) o/a requerente tem de preencher no portal de Internet do fornecedor energético o exacto pedido; quando e se a Direcção Geral aceitar essa inscrição na dita lista, a Autoridade Tributária aceita e a empresa de electricidade atribuirá de forma automática a tarifa social.

Um desconto modesto que sabe a pouco, tendo em conta o que gastei em tempo de espera e dinheiro nas chamadas telefónicas às diferentes entidades para levar o processo para a frente.

Vacina Sputnik em Cascais

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Um delegado de propaganda médica não faria melhor. A história é a seguinte: o presidente da Câmara Municipal de Cascais quer que Portugal produza a vacina russa Sputnik. Carlos Carreiras disse à Lusa que mexeu os pauzinhos e está a negociar com as autoridades russas a produção da Sputnik V, depois das devidas autorizações das autoridades europeias e portuguesas.

A ideia pode não ser má, mas talvez seja inviável. O próprio autarca sabe que o processo de fabrico da vacina inclui várias fases e nem todas podem ser desenvolvidas em Portugal. Ainda assim, segundo cita a Lusa, “o país tem capacidades para ficar a cargo do enchimento das vacinas”. A Lusa não explica em que consiste esse passo da produção da vacina.

Carreiras frisou que existe a possibilidade de Portugal fabricar a Sputnik V para países terceiros, nomeadamente, países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). “Não podem ser os ricos a ter acesso às vacinas e os com menos recursos a não ter acesso”, observou o autarca, vincando que os interesses económicos ou geopolíticos não podem sobrepor-se à saúde.

Interessante este conceito de “ricos” e “pobres”. É que entre os Palop está um grande produtor de petróleo, um outro que tem as maiores reservas de gás natural do Mundo, e não estamos a contar com o potencial em hidrocarbonetos no offshore de São Tomé e Príncipe.

Questionado sobre as empresas identificadas com capacidade para produzir a vacina, Carlos Carreiras disse que o Governo selecionou 11 e a Câmara de Cascais outras, escusando-se a avançar nomes.

(com Lusa)

Escola de Moto Racing de Sintra sem apoios

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Em plena pandemia, a escola foi vistoriada e obrigada a fechar por questões burocráticas. Falta sempre um papel, uma licença camarária, tudo demora muito tempo, as pessoas precisam de ganhar a vida…

Quando se impede que uma escola funcione, não é só uma atividade profissional que fica suspensa, é o futuro de crianças e jovens que fica hipotecado. Qualquer um destes miúdos pode vir a ser uma revelação nesta modalidade desportiva, mas para além da vocação, a perfeição só se atinge na escola depois de anos de aprendizagem.

escolas como esta haverá duas ou três em Portugal, mas esta é a única que tem uma pista própria e que, por isso, pode funcionar o ano todo sem constrangimentos. Faça sol ou faça chuva, desde que os miúdos queiram andar de mota, Rui Balhé está disponível. Para este professor de moto racing, não é só um modo de vida, é também uma paixão.


Imagens da página do Facebook da Escola de Iniciação Moto Racing de Sintra

Hospital abandonado no centro de Lisboa

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Quem desce a Almirante Reis e chega à rua da Palma, certamente que se intrigará com a decadência que se acentua no grande edifício do lado direito da rua. Sim, a decadência nota-se a cada dia que passa. É mais um vidro que se partiu e ninguém substitui. É a janela sempre aberta, mesmo quando chove a potes. É a tinta da parede a ganhar musgo, as ervas que nascem crescem e secam sem que algum jardineiro se aproxime delas, as portas que nunca se abrem. É a ausência de gente. O edifício está vazio, abandonado.

Se nos aproximarmos, notamos sinais de obras de construção civil. Montes de entulho um pouco por todo o lado, tubagens em alumínio pelo chão, latas de tinta esquecidas. Mas não há pedreiros em ação. Não se vê ninguém.

No portão há sinais de que o local é vigiado por uma empresa de segurança. Mas não há guardas à vista. Talvez haja câmaras de vigilância e estejam em teletrabalho.

O Hospital do Desterro está abandonado. Houve notícias em tempos que davam conta de um projeto de reabilitação. Quiseram fazer do velho convento um moderno centro cultural. Era uma boa ideia, não sendo preciso haver ali um hospital. Um centro cultural sempre seria melhor que mais um hotel de 5 estrelas.

Aconteceu que com a desculpa da pandemia, a empresa que tem a concessão do Estado para explorar o convento de Nossa Senhora do Desterro não quis continuar a arriscar dinheiro e decidiu impor novas regras, nomeadamente o cancelamento da renda estipulada pela ocupação daquele espaço generoso com mais de 12 mil metros quadrados. O Estado (dono do edifício) não aceitou a sugestão da Mainside e as partes entraram num conflito que resultou no atual impasse. Não há obras, o edifício estraga-se.

Cinco séculos depois de ter sido construído, o edifício corre agora sérios riscos.

Na verdade, observando as contas da Mainside, nota-se que já antes da pandemia havia problemas financeiros e despedimentos de pessoal.

fonte: Dinheiro Vivo

A Mainside dedica-se ao turismo e hotelaria, tem vários hotéis e restaurantes em Portugal, nomeadamente explora o conhecido Lx Factory, uma espécie de espaço onde coexistem diferentes projetos culturais e comerciais. Era mais ou menos o mesmo que queriam fazer do antigo Hospital do Desterro.

E agora, perguntam os lisboetas? Agora, mais valia que não tivessem desmantelado o Hospital do Desterro.

Um processo NETFLIX

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foto de Luiz Carvalho

Nesta história, há um juiz que gosta de levar um andor na procissão anual da sua terra. É devoto da Santa e da vila que o viu nascer. O juiz gosta de dar entrevistas em grande às televisões e outros chamados órgãos de comunicação. Tem uma pose que revela alguma vaidade e faz afirmações que nos levam a crer que estamos perante um viciado em trabalho, em elaborar acusações e até a fazer comentários sobre os seus processos, do género: “ não tenho amigos ricos que me paguem as contas”. No entanto, soube-se que pediu um empréstimo para as obras na sua casa a um amigo procurador que, por azar dos Távora, foi pronunciado num processo de corrupção.

Há muitos anos, desde o reinado de Salazar, que por cá se valoriza o trabalho, a pobreza e o espírito abnegado. Precisávamos de um justiceiro, um acusador do regime onde os amigos, os grupos, os que estão nos bastidores a governar a vidinha, pudessem ir para o Inferno.

Fazendo inspiração na voz popular, onde tudo o que brilha nos outros é ladroagem, o juiz construiu uma história perfeita no enredo, mas que por vezes entrou no sonho pesado de que um primeiro-ministro podia ser protagonista. Um sucesso brutal nas audiências! Quando um ex-governante passa a viver como um novo-rico, com tiques de pato bravo urbano, é normal levantar desconfianças. Férias a cem mil euros, jantares caros, ténis de 500 paus, chauffeur de pistola ilegal, fatos comprados na baixa de Los Angeles, carros topo de gama, apartamentos palacianos…são vícios estranhos de quem apregoava bicicletas para os cidadãos, computadores de brincar para os alunos, aeroportos faraónicos ou TGV para um país onde um terço dos reformados é pobre.

Na sequência do filme, o homem do argumento mandou prender o fugitivo que entrava no país, acusado por um crime em que mais tarde foi declarado inocente, embora tenha tornado famoso o 33 da suite da prisão de Évora. O homem do argumento, também realizador, mandou prender para investigar, e por pouco não ia julgar os seus próprios actos acusatórios.

Entretanto no Ticão, um super tribunal de instrução criminal com dois juízes apenas, acontece que cada um pensa de forma diferente, com a particular perversão de se odiarem. Um é da província e gosta de ser duro, implacável, indo se puder além das funções, o outro é urbano, pós-moderno, começando nos óculos de estilo e design moderno. E acha que as leis não podem perverter direitos dos acusados. Podemos dizer que o primeiro juiz é um sistema Windows o outro é um sistema IOS. Um complica e faz grandes acusações em processos de 7 mil páginas, o outro simplifica e faz da montanha de páginas um documento minimalista mas, onde as acusações aceites já davam para uma longa estadia na prisão.

Só que, a vingança, ou a fraqueza de quem é rejeitado demasiadas vezes pelos outros juízes superiores, deixaram assistir a um festival de adjetivação como nunca se tinha visto numa leitura de um acórdão, por parte de um juiz.

O Marquês lá do alto, olhando Lisboa, compreende bem esta série Netflix. Também ele foi acusado e a Rainha veio em seu socorro. Mas o que os leitores nunca irão compreender é como foi possível termos aqui chegado, dezenas de anos após o 25 de Abril da Justiça e da igualdade. A Justiça está agora presa numa enorme teia de vaidades e interesses corporativos, e os dois mais altos responsáveis da Nação meteram a cabeça na areia, e acham que nada disto tem a ver com política, mas tão, e só, com uma novela para entretenimento dos votantes totós.

Tony Laureano, na maior onda do Mundo

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Por maior que seja a onda, é apenas água, dizem os surfistas de ondas gigantes. Não deixam de ter razão, mas quando é muita água a coisa pode dar para o torto. A frase serve apenas para diminuir o nervoso miudinho quando eles se lançam á água da praia do Norte, na Nazaré, nos dias em que o canhão dispara.

Foi o que aconteceu ao jovem António Laureano (aka Tony Laureano) que, aos 18 anos, já é um experimentadíssimo surfista de ondas gigantes e que acaba de ver homologada a proeza de ter surfado a maior onda gigante de sempre (desde que há medições destas coisas). Foi no passado dia 29 de outubro que Tony Laureano tentou a sorte, em tow in (puxado por mota de água), a uma onda que atingiu 30,9 metros de altura. Record do Mundo para a onda e para quem a surfou.

Tony vive com os pais na Ericeira. A mãe é da Charneca, Cascais. O pai veio do Brasil. Uma família dedicada ao surf, trabalham todos na empresa familiar que constituíram e que se dedica à formação de surfistas e de salvamento com motas de água, função imprescindível na modalidade de surf em ondas gigantes.

Quem acompanha Tony na água é sempre o pai, na mota de água e a mãe na falésia a dar indicações sobre o que acontece no meio do turbilhão das ondas.

Aliás, o pai – Ramon Laureano- é já um herói de salvamentos na Nazaré. Em 2019 salvou a vida a um outro surfista e foi, por isso, notícia no Mundo inteiro. As imagens do salvamento correram mundo.

Tudo isto é, certamente, um estranho modo de vida aos olhos de muita gente. Mas para quem gosta de surf, é apenas água, mesmo se a onda mediu 30,9 metros como a que o filho de Ramon surfou em 29 de outubro de 2020 e que ficou registado em vídeo.

A ironia socrática

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Em 1997, quando o benemérito Vale e Azevedo tomou conta do SLB, as hostes animaram-se. Nessa altura, até o meu respeitável amigo Arq. Pereira da Silva, um fanático benfiquista como eu, apoiava esse transviado do SCP:

– O gajo é tão vígaro… tão vígaro, que até vai enganar o Pinto da Costa! – Defendeu ele então, com entusiasmo, perante uma tertúlia de intelectuais.

Ao que eu respondi:

– O gajo é tão vígaro, tão vígaro… que até vai enganar o Benfica.

A vida, porém, não é só feita de futebol e, por vezes, o pessoal também joga em campos pelados, mais concretamente no campeonato da política.

Em 2004, pertencendo nós – eu e o meu amigo arquiteto! – à Direção Distrital do PS de Leiria, e logo que José Sócrates se afirmou candidato à liderança do partido, lembro-me de uma agitada reunião de militantes a questionar a sua honorabilidade. Soavam insistentes rumores de isto e mais aquilo… coisicas sem grande consistência, mas que abriam lugar a reservas:

– Cuidado! – Diziam alguns. – É muito fumo. E não há fumo sem fogo.

Com o projeto Polis a girar em pleno e a coincineração num brinquinho, foi então que resolvi arrumar a questão:

– Esqueçam! Ainda que haja algum pecadilho no passado, a exposição pública obriga qualquer primeiro-ministro a ter reservas. Ainda bem. Será um virar de página.

Sou da raça de quem “raramente tem dúvidas e nunca se engana” e, mais uma vez, acertei em cheio. É certo que José Sócrates não ganhou qualquer título, salvo o de engenheiro numa inspirada tarde de domingo, e também como Vale e Azevedo conseguiu derreter a massa toda e pôr o plantel de rastos. Mas, dúvidas não restam, tudo fez por, desinteressadamente, erguer a fama de Portugal, deixando até o seu nome perpetuado num memorial em Beverly Hills, junto aos maiores do mundo, como o Sultão da Malásia e Aga Khan. Afinal, gente fina, de bom gosto e bom senso, clientes habituais do mais caro costureiro do mundo. Nem o Cristiano Ronaldo lhes chega aos calcanhares…

Honraria que lhe é amplamente reconhecida, mas, que a par de uma “vidinha” de trabalho em Paris, por conta de um milionário falido em 2007, despertou a inveja e a ingratidão de alguns magistrados que, de mula-cheia, mas ressabiados com a perda de mordomias, resolveram fazer a folha a um cidadão impoluto, ídolo de milhões de “tugas”.

E, pior ainda, de falsa acusação em falsa acusação, até não é que já traidores existem, a afirmar que alguém, que tanto fez por Portugal e pelos seus amigos, sofre de graves desvios da personalidade, ao caso paranoia e psicopatia.

Um escândalo! Um ultraje!

De futebol e de política, percebo pouco. Mas a Psiquiatria é uma área que domino e em que sou respeitado. Daí que, com indignação, venha por minha honra e publicamente atestar que tal diagnóstico carece de qualquer base técnica: como pode essa canalhada considerar paranoico, e de ter a mania da perseguição, alguém tem obrigação de defender a honra, perante tão vis calúnias?

Como posso não reagir a aleivosias tão reles, como a de ser psicopata, perante uma figura ímpar na sua entrega às causas sociais? Um Homem – vá lá, um homem… – que, de coração destroçado, até saiu de Portugal para não assistir ao martírio do seu povo?

Com tantos e tão santos amigos, duvido que José Sócrates necessite dos meus préstimos. Porém, e oxalá não precise, em caso de aflição desde já anuncio a minha total disponibilidade para ser a sua mais humilde e fiel testemunha abonatória.

Quantos são? Quantos são?

Homem detido por tentar evitar “poda radical” de árvores

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“Acho que a defesa das árvores é uma questão de bom senso. É uma questão de sensibilidade e querer qualidade de vida”, afirma Filipe Dâmaso Saraiva que recorda que “ontem [dia 14 de Abril] fomos confrontados de surpresa com um aviso de estar agendada uma intervenção no arvoredo, e nesse aviso constava a intervenção que é: está denominada como poda a talão”. Como explicou ao Duas Linhas o arquitecto paisagista Duarte d’Araújo Mata, a poda a talão corresponde “à importação errada para o arvoredo de alinhamento de uma técnica utilizada na poda da vinha. Em arvoredo corresponde a ‘rolagem’ ou a que o Prof. Ribeiro Telles chamava de ‘poda camarária’”.

poda a talão… é assim que as árvores ficam

Filipe Saraiva prossegue: “Tendo constatado que isto estava planeado, encetámos as diligências formais: mandámos email para a Câmara com requerimento para que esta poda não acontecesse, e constatámos nesse dia algo que não nos tínhamos apercebido: nos dois dias anteriores, tinham estado a fazer essa poda numa rua ao lado, e era muito evidente o que ia acontecer no dia seguinte, hoje, e era atroz”, frisa o paço-arcoense. O casal afirmou ter contactado várias pessoas nessa altura, tendo conseguido que dezassete pessoas subscrevessem o email enviado à autarquia, mais concretamente a três departamentos diferentes, o qual solicitava a suspensão imediata da poda a talão das árvores em causa.

“Aquilo que nos foi dado a entender, através do que os trabalhadores nos diziam, (…) as razões eram de perigo de segurança pública porque estas árvores são particularmente propensas a quebras: são quebradiças e já tem havido um longo historial de queixas de ramos que são partidos em temporais e outras situações, e danos à propriedade”. “Não é que não entendamos estes argumentos, acreditamos no entando que existem outras soluções do que se chegar a uma árvore e mutilá-la de forma irreversível. Existem outras soluções para respeitar aquela forma de vida que passam por não deixar que estacionem carros debaixo delas, delimitar a área, ser um espaço verde, outro tipo de infraestrutura urbana conducente à qualidade de vida”, frisa Filipe, que continua: “As árvores estão numa área de estacionamento, não estão no meio da via, nem próximas de habitações. O risco que poderia haver era um vendaval, um temporal ou uma chuva mais forte… os ramos que já estão fragilizados, não por causa da espécie mas por causa do tratamento que a árvore tem vindo a sofrer no passado (…) esse risco, havia. Mas o risco, achamos que tem de ser gerido de outra forma”.

Cláudia Rosado Silva designa esta prática de “violência extrema”, para mais em época de Primavera, e chama a atenção para o facto destas podas poderem ser contraproducentes: “Se a árvore sobreviver, (à partida sobrevive) vai dar uma resposta a esta agressão e a forma que uma árvore tem de responder a estas agressões é ramificar, e vai ter uma estrutura de ramificação e tentativa de formar uma nova copa e todos esses ramos vão crescer mais frágeis”, explica.

Filipe Saraiva recusou-se a abandonar o local para prosseguirem os trabalhos, pelo que o encarregado da obra (por indicação do superior hierárquico) chamou a Polícia Municipal. “Na altura em que só lá estava a Polícia Municipal e em que esta estava a falar com esse superior, o polícia foi muito explícito em perguntar a Valter Barão [o responsável camarário pela intervenção] se não existia nenhuma margem de diálogo, abertura para chegarmos a um entendimento, e Valter terá dito que não: era um perigo de segurança pública, estava decidido e aprovado, a obra era para continuar e não havia conversa a ter”.

Não conseguindo demover o casal, foi chamada a PSP. O visado afirma que a detenção levada a cabo pela PSP “foi um processo perfeitamente pacífico, diplomático: tentaram ajudar. A polícia foi super polida, não houve nenhuma colisão ou conflito”, porém, Filipe insistiu em tentar travar os trabalhos, tendo acabado por ser detido e encaminhado para a esquadra de Oeiras, onde se procederam às diligências previstas na lei. Insistiu ter sido tratado com cortesia, e de seguida foi presente a Tribunal, onde recusou apoio judiciário.

Acabou por ser libertado e aguarda a decisão em casa. Ambos alegam que não tiveram qualquer feedback por parte da Câmara Municipal de Oeiras, mas admitem não ser expectável reacções em tão curto espaço de tempo. Apesar de desconhecerem o regulamento existente nestes casos, discordam com um espaço de tempo tão curto (24 horas) entre a notificação e as intervenções em si.

Sobre a legislação, Duarte Mata é taxativo: “Não há regulamento do arvoredo em Oeiras, logo a informação não é publicada, ninguém sabe. Quando se pergunta aos técnicos, estes referem que cumprem apenas ordens superiores. Não há informação. Quando se pergunta formalmente por escrito as respostas são telegráficas e são respostas-tipo do género “a autarquia tem técnicos responsáveis e está a executar os trabalhos em conformidade” ou similar. Em todo o caso nunca se “rolam” árvores por questões de ‘segurança pública’”.

Cláudia Silva defende que em casos semelhantes, seja disponibilizado um relatório a acompanhar o anúncio para divulgação pública, bem como um prazo dentro do qual as pessoas pudessem manifestar-se. Esta voluntária revelou que estava a manter as pessoas a par do que se passava nas redes sociais e que houve quem partilhasse experiências semelhantes, tanto no concelho de Oeiras como noutros concelhos do País.