A ironia socrática

Enquanto escritor, sempre cultivei a ironia, uma “invenção” de um dos pensadores que mais admiro, um tal Sócrates. E porque outros valores mais altos se alevantam hoje em dia, será útil acrescentar que me refiro a um “pato-bravo” da política, injustamente condenado na praça pública, por delito de opinião. Em Atenas. Mas… deixemo-nos de filosofias e aterre-se em Portugal…

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Em 1997, quando o benemérito Vale e Azevedo tomou conta do SLB, as hostes animaram-se. Nessa altura, até o meu respeitável amigo Arq. Pereira da Silva, um fanático benfiquista como eu, apoiava esse transviado do SCP:

– O gajo é tão vígaro… tão vígaro, que até vai enganar o Pinto da Costa! – Defendeu ele então, com entusiasmo, perante uma tertúlia de intelectuais.

Ao que eu respondi:

– O gajo é tão vígaro, tão vígaro… que até vai enganar o Benfica.

A vida, porém, não é só feita de futebol e, por vezes, o pessoal também joga em campos pelados, mais concretamente no campeonato da política.

Em 2004, pertencendo nós – eu e o meu amigo arquiteto! – à Direção Distrital do PS de Leiria, e logo que José Sócrates se afirmou candidato à liderança do partido, lembro-me de uma agitada reunião de militantes a questionar a sua honorabilidade. Soavam insistentes rumores de isto e mais aquilo… coisicas sem grande consistência, mas que abriam lugar a reservas:

– Cuidado! – Diziam alguns. – É muito fumo. E não há fumo sem fogo.

Com o projeto Polis a girar em pleno e a coincineração num brinquinho, foi então que resolvi arrumar a questão:

– Esqueçam! Ainda que haja algum pecadilho no passado, a exposição pública obriga qualquer primeiro-ministro a ter reservas. Ainda bem. Será um virar de página.

Sou da raça de quem “raramente tem dúvidas e nunca se engana” e, mais uma vez, acertei em cheio. É certo que José Sócrates não ganhou qualquer título, salvo o de engenheiro numa inspirada tarde de domingo, e também como Vale e Azevedo conseguiu derreter a massa toda e pôr o plantel de rastos. Mas, dúvidas não restam, tudo fez por, desinteressadamente, erguer a fama de Portugal, deixando até o seu nome perpetuado num memorial em Beverly Hills, junto aos maiores do mundo, como o Sultão da Malásia e Aga Khan. Afinal, gente fina, de bom gosto e bom senso, clientes habituais do mais caro costureiro do mundo. Nem o Cristiano Ronaldo lhes chega aos calcanhares…

Honraria que lhe é amplamente reconhecida, mas, que a par de uma “vidinha” de trabalho em Paris, por conta de um milionário falido em 2007, despertou a inveja e a ingratidão de alguns magistrados que, de mula-cheia, mas ressabiados com a perda de mordomias, resolveram fazer a folha a um cidadão impoluto, ídolo de milhões de “tugas”.

E, pior ainda, de falsa acusação em falsa acusação, até não é que já traidores existem, a afirmar que alguém, que tanto fez por Portugal e pelos seus amigos, sofre de graves desvios da personalidade, ao caso paranoia e psicopatia.

Um escândalo! Um ultraje!

De futebol e de política, percebo pouco. Mas a Psiquiatria é uma área que domino e em que sou respeitado. Daí que, com indignação, venha por minha honra e publicamente atestar que tal diagnóstico carece de qualquer base técnica: como pode essa canalhada considerar paranoico, e de ter a mania da perseguição, alguém tem obrigação de defender a honra, perante tão vis calúnias?

Como posso não reagir a aleivosias tão reles, como a de ser psicopata, perante uma figura ímpar na sua entrega às causas sociais? Um Homem – vá lá, um homem… – que, de coração destroçado, até saiu de Portugal para não assistir ao martírio do seu povo?

Com tantos e tão santos amigos, duvido que José Sócrates necessite dos meus préstimos. Porém, e oxalá não precise, em caso de aflição desde já anuncio a minha total disponibilidade para ser a sua mais humilde e fiel testemunha abonatória.

Quantos são? Quantos são?

2 comments

  1. Depois de tantos anos a história parece repetir-se, ora, se em tempos você tinha Vale e Azevedo no seu Benfica e Sócrates como PM de Portugal, hoje você tem Luís Filipe Vieira no seu Benfica e António Costa como PM, sei bem que António Costa não se compara a Sócrates, um é sabido os milhões que desviou, o outro ainda continua em funções, mas nada que não se venha a saber, ora, já no que respeita entre Vale e Azevedo e Luís Filipe Vieira a coisa muda de figura, as diferenças que existe entre ambos nota-se a olhos vistos, desde logo a pança e as orelhas ao roubo do camião de pneus, que em boa verdade diga-se (nem para roubar a porcaria de um camião o gajo serviu) a área do Luís não é tanto componentes auto mas sim as negociatas obscuras, quanto ao resto são iguais, ambos envergonharam e continuam a envergonhar o país, ambos serviram-se e continuam a servir-se do Benfica para atingirem os seus propósitos não olhando a meios para os conseguir e que tudo tem contribuído para o nome Benfica estar na lama com sucessivos processos em tribunal e que só ainda não teve consequências porque continuam a ter lá os amigos estrategicamente colocados mas que um dia vai sair caro, acredito eu, por enquanto está tudo na paz do senhor, os sócios andam felizes e os avençados mais ainda, até os investimentos feitos já começaram a dar “fruta” ainda a época não tinha iniciado e tinham conseguido umas taças de papelão, nada mau, só mesmo no seu Benfica, o certo é que enquanto Lisboa for a capital dos corruptos e mafiosos, Portugal nunca deixará de ser aquele bocadinho de terra à beira mar plantado!

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