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Suecos atacados a tiro, em Moura

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A mão branda da Justiça voltou a revelar-se na frouxidão com que apreciou o caso do comerciante de Moura que disparou vários tiros contra uma família de nacionalidade sueca que visitava a localidade. Depois de ter deixado fugir João Rendeiro (para mencionar apenas o caso mais mediático e recente), eis que um putativo homicida depois de andar aos tiros na rua vai dormir a casa apenas com Termo de Identidade e Residência, a medida cautelar mais suave que existe no código penal português.

A Polícia Judiciária acredita que o atacante teve motivações raciais. Aliás, a SIC Notícias cita a PJ ao referir o termo “ódio racial”. Tudo terá começado na rua, numa discussão entre o atacante e uma das vítimas.

A família sueca viaja numa autocaravana. O atacante perseguiu-os pelas ruas de Moura e em dado momento disparou vários tiros contra o veículo onde viajava a família: os dois progenitores e 7 filhos menores, com idades entre os 3 meses e os 11 anos.

Os juízes também têm cu

O atacante acabou detido pela PJ que o indiciou pelo crime de homicídio qualificado na forma tentada. O tribunal da comarca deixou o atacante ir em liberdade, determinando como medida de coação o Termo de Identidade e Residência. Coisa pouca para quem disparou vários tiros contra sete crianças e os pais.

Quem estranhar a referência a ódio racial (contra suecos não é normal…) não conhece dois pormenores desta história: o atacante é militante do Chega e fez parte da lista que se candidatou nas recentes eleições autárquicas e o pai de família sueco é de origem africana.

Quem estranhar a brandura na execução judicial, falta referir que Moura é o bastião do Chega no Alentejo. O partido da extrema-direita elegeu um vereador e seis deputados municipais nessa autarquia.

Por aqui se verifica que os juízes também têm cu.

Lisboa: tanta gente sem casa, tanta casa sem gente

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As chamadas “avenidas novas” de Lisboa já foram, em tempos, uma zona bem interessante da capital. Bairros residenciais da burguesia, as avenidas novas aglomeravam, talvez, o mais belo espólio arquitetónico da cidade. Ruas desenhadas a régua e esquadro, bom ordenamento urbanístico, bom gosto e dinheiro no bolso dos residentes fez nascer por ali moradias requintadas.

Há 150 anos construíam-se casas muito bonitas. Hoje, já quase tudo desapareceu. O que ainda resiste são raros edifícios classificados com o “Prémio Valmor”, protegidos por Lei contra o desvario da especulação imobiliária.

E depois há o que ficou esquecido e abandonado, como é o caso do 35 da Avenida Barbosa du Bocage. Uma moradia familiar, com garagem no r/c e dois pisos superiores. Deve ter, nas traseiras, um belo e espaçoso jardim, mas não foi possível confirmar se o jardim existe.

O abandono não é de ontem. Nota-se pelo reboco que cai, pelos vidros baços e partidos. Mas a casa tem dono. O cadeado evidencia a preocupação de alguém em manter o local resguardado. Não serve para os proprietários, mas também não serve para nenhum sem abrigo que procure um canto para fugir da chuva e do frio.

Esta moradia deve ter mais de 100 anos e, apesar do estuque a cair, vê-se que é um edifício com boa construção. Lá por dentro não sabemos, espreitando pelos vidros partidos apenas se vê uma boa escada em madeira de acesso aos pisos superiores.

Não tem nenhum aviso de obra nem nenhum cartaz de imobiliária. Ou seja, os proprietários não parecem ter planos para o futuro. Talvez estejam apenas a fazer contas. A cada dia que passa, o local vale mais um pouco. Já vale uma fortuna, só o chão.

Antes deste edifício apodrecer, a Câmara Municipal de Lisboa podia e devia tomar conta dele. A lei permite que o faça, principalmente se se considerar que está abandonado e sem préstimo. Remodelá-lo e pô-lo no mercado de arrendamento a preço justo. É isso que a CML já devia ter feito. Neste caso e nos 3 mil e tal edifícios devolutos espalhados pela cidade. Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente.

20 anos de RTP-3: uma mão cheia de nada!

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O 20º aniversário da RTP-3 teve direito a bolo, velas e reportagem. Achamos bem, mas não passou de autopromoção empresarial. Mas, ao menos, não custou uma fortuna.

Trabalhei como jornalista durante muitos anos na RTP. Guardo os melhores memórias. A RTP define uma fasquia elevada no que diz respeito à liberdade de informação. Sem RTP, só com televisões privadas, seria uma desgraça. Mas, em alguns casos, a RTP é um sorvedouro de dinheiro.

Por exemplo, os canais internacionais – RTP África e RTP Internacional – custam uma fortuna e servem para pouco. Em África, servem quase só para bajular os governos autoritários das antigas colónias. O canal África funciona como uma extensão da diplomacia do Palácio das Necessidades. Com raríssimas exceções.

Canais para ‘engraxar’ governos

Pior, nas delegações dos canais internacionais estão, em muitos casos, os amigalhaços das direções e administrações. Houve até quem saísse com indemnização e voltasse a entrar para o lugar de… representante da RTP na capital de um desses países.

O então ministro Jorge Coelho considerava os canais internacionais imprescindíveis. Claro! Para engraxar.

Mas não deixa de ser verdade que é o modo da RTP estar presente na geografia da língua portuguesa. Mas não serve as comunidades lusófonas, a programação é horrível. Imaginem-se a viver no Rio de Janeiro e a ver o Preço Certo às 3 da tarde. Ou o Bom Dia Portugal às 11 da noite, em Timor-Leste. Ou o “5 para a Meia-Noite” às 11 da manhã em Paris.

A RTP-3 é herança do projeto falhado NTV

A RTP 3 nasceu do projeto falhado a que se chamou NTV. Era um canal no cabo apenas, feito a partir do Porto. Nunca teve dimensão. Nunca saiu do regionalismo. Até se confundia o N de notícias com o N de norte. A RTP-3 (que antes também se chamou RTP Notícias e ainda RTP Informação) de certo modo veio para justificar investimentos, sendo um serviço de notícias em canal aberto.

Serviu, assim, para contrapor à SIC Notícias em canal fechado. E serviu para chatear alguns tipos a quem sempre deram demasiada importância. Pinto Balsemão não gostou nada da RTP-3. Só por isso vale a pena celebrar os 20 anos da 3.

China aposta em carros solares

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Na China já estão a ser comercializados automóveis elétricos-híbridos movidos a energia solar. Custam pouco mais de 9000 euros.
É um passo importante para pôr fim à utilização de combustíveis fósseis e para tornar os veículos elétricos acessíveis.

Um desses automóveis é comercializado pela Pe-Road Industry. O veículo tem 4 lugares e utiliza energia elétrica armazenada numa bateria ou energia solar captada por painéis instalados no tejadilho. Tem uma autonomia de 500 km e uma velocidade máxima de 60. Alguns dirão que é lento, mas com as limitações de velocidade nos meios urbanos que serão impostas no futuro próximo, é mais rápido do que o necessário. Os painéis solares ajudam a manter a carga na bateria e prolongam a autonomia do veículo.

Há já outras empresas chinesas a desenvolver este conceito. Em teoria, a autonomia pode prolongar-se exponencialmente, dependendo apenas do funcionamento dos painéis solares e não do carregamento que se faça num posto abastecedor.
Não é o céu, mas podem ser as portas de um paraíso futuro.

Neste caso, o fabricante publica várias fotografias e vídeos.

O veículo não tem mau aspeto, é simples e funcional. Um carro chinês barato. Longe vão os tempos da China a fabricar chinesices.

Enganaram-se os americanos e europeus que queriam encher a China de automóveis ocidentais. Atualmente os chineses têm 19 marcas consagradas de automóveis.
Estão de parabéns. Mais parabéns ainda se os carros fabricados passarem a utilizar apenas energia solar.

A arte desaparecida da casa de João Rendeiro

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Fiquei alarmado com as recentes notícias sobre o hipotético desaparecimento de obras de arte da mansão de João Rendeiro. Pensei logo na minha amiga que está como fiel depositária de algumas peças de mobiliário de luxo que pertencem ao João. Se bem se lembram da nossa última conversa, tratam-se de cadeiras, cadeirões e sofás caríssimos, como diz a minha amiga.

E se ela também ficou a guardar algumas peças de arte? O primeiro impulso foi ir bater-lhe à porta e verificar se ela tem alguma coisa pendurada nas paredes que eu não conheça. Mas, depois, refreei a curiosidade. Teria de a denunciar à polícia e isso eu não quero fazer. De modo que o melhor é não saber. Voltei a sentar-me.

A PJ tem fama de ter bons “pisteiros”. Se for verdade, acabarão por ir bater à porta da minha vizinha. Terei de estar mais atento a quem para na rua. Para já, segundo vi nas notícias da RTP, há a suspeita de terem desaparecido 15 obras de arte, quadros creio eu.

Mas não há bem a certeza, as notícias são um pouco confusas e, por vezes, contraditórias.  Falam de um relatório que a PJ apresentou à juíza onde dá conta de 15 obras desaparecidas e a possibilidade de algumas das outras terem sido substituídas por falsificações. No rol do auto de apreensão elaborado há 10 anos, constam 124 obras de arte, entre quadros e esculturas.

Se isto se confirmar, a mulher do João, Maria de Jesus Rendeiro, está metida num sarilho. Qualquer dia fica com o passaporte apreendido. Bom, mas o que ela fez foi baralhar ainda mais as coisas. Diz que procurou melhor, vasculhou todos os 12 quartos e as diferentes salas e salões, foi ao sótão e desceu à cave, e mandou dizer à juíza que tinha encontrado metade das obras de arte desaparecidas. Mas metade de 15 é… 7 e meio… o que constitui já um problema. Será que há uma tela rasgada? Ou uma escultura partida? Assim, a PJ terá de voltar à Quinta Patiño para verificar o achamento de que fala Maria de Jesus. Os bons e dispendiosos advogados dos ricos sabem-na toda.

Apesar dos advogados do BPP terem solicitado à juíza Tânia Loureiro Gomes uma busca ao apartamento da Quinta Patiño comprado pelo motorista de João Rendeiro, o senhor Florêncio, e cedido para usufruto de Maria de Jesus, o pedido não foi aceite pela juíza, sabe-se lá porquê. Parece evidente a toda a gente que o motorista é um mero testa de ferro do patrão e que, ao ceder o usufruto à patroa está a permitir que ela possa fazer o que bem entender na casa, inclusive esconder preciosas obras de arte que pertencem ao Estado português.

Estou em pulgas com isto tudo, pá. Não vou bater na porta da minha amiga, mas vou-lhe telefonar. Preciso mesmo de saber se ela tem algum quadro de Julião Sarmento ou de Richard Prince na sala. Depois vos digo o que se passou, se não houver nenhuma confidência mais pesada…

Richard Prince, the Travelling Salesman’s

Real Coliseu de Lisboa soterrado pela SONAE

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O projeto foi aprovado em abril deste ano pela Assembleia Municipal de Lisboa, não se adivinhava que surgissem impedimentos para a obra avançar com rapidez. Ao contrário de muitas outras situações, desta vez a aprovação de projetos de arquitetura foi rápida e a obra já teve início. O dono da obra é a Sonae e onde estava a velha Garagem Liz vai nascer mais um supermercado.

Avenida Almirante Reis, Garagem Liz

O problema é que antes de haver Garagem Liz, naquele local estava o Real Coliseu de Lisboa. Uma casa de espetáculos que faz parte da História da cidade. Aconteceu que nas obras de adaptação da estrutura às novas utilizações, surgiu parte da anfiteatro da antiga casa de espetáculos. Sim, e ainda com alguns barrotes de madeira preservados.

O Coliseu foi inaugurado em 1887, por ali passaram muitos espetáculos de ópera, teatro, e foi ali onde se viu cinema pela primeira vez em Portugal. Nada que coloque problemas de consciência aos líderes da Sonae. Primeiro, o supermercado. A Direção Geral do património também não está ali para colocar muitos obstáculos. Vai tudo ser soterrado de novo, constrói-se o tal supermercado por cima e toca a despachar que tempo é dinheiro.

fotografia de 1887

Supermercado é eucalipto económico

Já na altura em que o projeto foi aprovado em Assembleia Municipal se estranhou que ninguém ali se opusesse a uma obra que ia alterar profundamente um edifício classificado como imóvel de interesse público. Não será apenas o interior a sofrer modificações radicais, mas até a fachada vai sofrer alterações ao nível da cobertura, por exemplo.

Além disso, quem se preocupou com o congestionamento de trânsito naquele local quando o supermercado abrir portas? Quem se preocupou com a sobrevivência de dezenas e dezenas de pequenos negócios existentes naquela zona da cidade e que vão sofrer a concorrência da Sonae? Quantas mercearias vão sobreviver? Quantas lojas de pechisbeque? Quantas drogarias? Quantas lojas de roupa? Quantos cafés? Se a experiência passada noutros locais servir para alguma coisa, sabemos que a resposta é que pouco comércio local restará. Um supermercado é uma espécie de eucalipto económico, suga tudo à volta e seca a concorrência do pequeno comércio e serviços das redondezas.

Almirante ofereceu Globo de Ouro à ministra

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Alguns viram no Almirante das vacinas uma reedição do General Ramalho Eanes.
Um homem que – nos anos da Revolução de Abril – apareceu do nada, salvo-seja, e se tornou num eficiente e respeitado Presidente da República Portuguesa.

O Almirante Gouveia e Melo já deu algumas desastradas entrevistas a jornais. E agora aparece em tudo. Até em lançamentos de livros, ao lado dos autores. E já não falamos no tal cargo. Que não se sabe se vai ou não ocupar. Será vaidade ou simplicidade a mais?


Um homem que cumpriu a sua missão de forma exemplar, devia resguardar-se dos ‘colas’. Uma tarefa difícil, principalmente quando o convite vem de “senadores” da República, como foi o caso dos Globos de Ouro da SIC. A festarola passa na televisão e é muito aplaudida nas revistas do jet-7, mas não passa de autopromoção de um canal de televisão. É uma coisa gira para jovens atrizes e promitentes atores, uma feira de vaidades para quem precisa desse tipo de palco.

O senhor Almirante deve fugir disso a sete pés. É um conselho de amigo.

Quanto ao resto, creio que dispensamos outro General Eanes. Dizem que a História se repete, mas neste momento não há nenhum militar na presidência de nenhuma república europeia.

O edifício mais estúpido de Lisboa

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Existem centenas de prédios em ruínas ou abandonados na capital. E a Câmara Municipal raramente deita mão a obras coercivas para limpar a cidade destes escombros.

Há um privilégio da propriedade privada sobre a utilidade dos edifícios. Compram-se prédios como investimento. Abrem-se as janelas e tiram-se as telhas. E esses cacos valorizam mais que o dinheiro depositado num banco.

Os sucessivos presidentes de Câmara de Lisboa têm desprezado a sensatez dos 550 mil lisboetas. As pessoas não querem estar numa cidade miserável. De que serve ter um condomínio de luxo ao lado de prédios em ruínas? Cheios de ratazanas e em risco de cair sobre os transeuntes?

Aquela fachada na Avenida da República é, há anos, um colossal monumento à estupidez, talvez seja um hino à especulação imobiliária. Pode ser, ainda, um exemplo da burocracia camarária que, segundo dizem as más línguas, propicia a corrupção pelos gabinetes da edilidade. Há gente que espera anos por uma licença para obras. Bom, seja qual for a razão, o espaço está por aproveitar. A armação em viga de ferro em H custou uma fortuna, mas a obra não se faz. Há quanto tempo é que aquilo está ali? 15 anos?

Quanto tempo mais ficará aquela porcaria assim?

Aldrabaram a ver se a coisa pegava

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A lei diz que “os titulares de cargos políticos e equiparados e os titulares de altos cargos públicos” são obrigados a apresentar no Tribunal Constitucional declaração de rendimentos, património e cargos sociais. A lei impõe um prazo para que esse procedimento se cumpra e depois, quando eles falham, por norma, não se aplica qualquer sanção.

fonte ControlePublicoRiquezaTitularesCargosPoliticos_Simples.pdf (parlamento.pt)

No caso de apresentarem uma declaração mentirosa, não faz mal. Basta emendar, se alguma vez forem apanhados. Foi o que aconteceu, agora, com o vice-presidente do PSD, Nuno Morais Sarmento. O seu nome veio nas notícias relativas aos “papéis de Pandora” como tendo bens patrimoniais no estrangeiro que não foram declarados. Um hotel em Maputo e um clube de mergulho. Então, Morais Sarmento resolveu dar ordem para incluir esses bens nas declarações existentes desde 2006.  A ordem foi dada através de carta.

Se o presidente do Tribunal Constitucional agir do mesmo modo que fez quando se descobriu que Basílio Horta se tinha “esquecido” de três zeros no montante de uma conta bancária, Morais Sarmento terá de ir pelo próprio pé entregar a declaração rasurada. Basílio também pensou que resolvia a coisa escrevendo uma cartinha.

A regra diz que o Tribunal Constitucional deve enviar para o Ministério Público todas as situações anómalas que ocorram neste âmbito. Se o faz, não se nota. No site do Ministério Público reconhece-se o dever se apreciar e investigar estas situações. Mas, depois, não há meios, não há tempo, não há fotocopiadoras… o costume.

fonte: FAQs | Portal do Ministério Público – Portugal (ministeriopublico.pt)

Mas, enfim. Estamos a falar de pormenores. Tanto Basílio como Sarmento se safam com um sorriso na cara. É verdade que, na opinião pública, não passam de uns chicos-espertos que aldrabaram a ver se a coisa pegava…

PSP mete medo à Cova da Moura

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Levei uma amiga a casa, na Cova da Moura, Damaia. E vi um aparato gigantesco de polícia, várias carrinhas da PSP, com viaturas caracterizadas de apoio e outras não, mas que me pareciam estar relacionadas.

Foi no passado dia 10, domingo, à uma da manhã. O bairro estava tranquilo e não compreendi a necessidade de tanta PSP.
Se eu vivesse naquele bairro, apresentava queixa contra esta pressão constante, ao que me dizem, e em rigor, insustentável.

As ruas estavam desertas

A PSP tem como missão manter a ordem pública. Mas não me apercebi sequer de gente a circular no bairro.
Se as autoridades suspeitam de ilegalidades, existe a PJ para investigar.

Já uma vez como jornalista assisti a um circo destes, num bairro no final da pista do aeroporto de Lisboa. Mais de 600 PSP cercaram o bairro, alegadamente à procura de armas. Dizia-se que os moradores disparavam para os aviões. A PSP foi lá e arrombou todas as portas, com ordem de buscas apenas com o nome da rua!

Experimentem na Quinta da Marinha ou no Restelo

A taberna do bairro ficou com 50 cervejolas vazias em cima do balcão. Houve casas revolvidas ao pormenor. E no final? Nada!
Ao meio dia acabou o cerco. 12 horas. Às 20 horas, hora do começo do telejornal, ainda eu esperava pelo relatório do tal arsenal, que nunca apareceu.
A polícia não pode continuar a ser usada como arma de intimidação contra gente pobre. Experimentem a fazer isso na Aroeira, no Restelo, na Quinta Patiño ou na Quinta da Marinha.

Mais. Eu gostava que me dissessem o que pensarão no futuro crianças daquele bairro sobre a PSP? Em resumo, a PSP não tem mais nada que fazer?