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A vida sexual dos telemóveis

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O verbo não é bonito mas detesto, detesto, estar a ler um texto na net e encherem-me a página com publicidade. Comprei um telemóvel há pouco, desde então, qualquer página que abro é coberta com publicidade ao modelo que comprei. Google?

O meu editor explicou-me que numa crónica intitulada “O sexo e Lisboa” a publicidade foi escassa. É que o Google avisou-o que era um texto “indecente”. A seguinte, uma singela homenagem ao meu padrinho, estava pejada de publicidade. Ele ironizou: “Se queres textos sem muita publicidade…”

Soltei uma gargalhada mas fiquei fula. O sexo é usado para vender tudo, tudo e mais alguma coisa, quase sempre ao serviço do machismo, sempre ao serviço da facturação. E o Google tão senhor da moral e bons costumes.

Muito bem, quero as minhas crónicas sem anúncios por isso vou começar pelo primeiro beijo no final da 4ª classe.

A turma fez um piquenique, no fim, o Gonçalo, que era um pouco gago, para mim um charme, deu-me o beijo. Na boca, olhos fechados. Perfeito. Aos 10 anos vivi a primeira experiência sexual.

No ciclo preparatório, tive um namorado todo giro, mais velho, que já me pegava com a mão pela cintura e me beijava sofregamente. Sexy!

A coisa ficou mais picante no 9º ano. Numa tarde em que alguém tinha a casa livre, depois de umas cervejitas, o Rui beijou-me e colocou a mão no meu peito pequenino, por baixo da camisola. Hard-core!

O porno, esse, desenvolveu-se no liceu. Melos para aqui e para ali, línguas cruzadas, apalpões e mais apalpões e… mais nada. É que andava à procura do “the one”.

Fiquei a saber por uma amiga que tinha fama de ser uma meretriz, para não usar outra palavra que o Google possa achar indecente. Dizia-se que era especialista em beijos abaixo dos lábios. Beijos desses só tinha visto nas revistas porno que o namorado da minha prima escondia numa gaveta à mão de semear. Achei a coisa animalesca.

No entanto, cada rapazito idiota que “curtia” comigo e não levava a sua avante, ia contar aos amigos que tinha sido hard-porn!  Pfff…

Foi no início da faculdade, com o primeiro “the one”, que o sexo  completo e repleto começou. A primeira cambalhota foi dada, literalmente, numa cambalhota, aqueles sofás individuais que se desdobram. Lembro-me de o ouvir dizer para abrir mais as pernas, fiquei muito atrapalhada mas segui as instruções e… aconteceu! Foi bom, muito, maravilhoso, lindo… mas é só isto… falam tanto…

Tirei as dúvidas ao longo de um mês ininterrupto. Encostados à parede, a subir paredes, a trepar paredes, línguas perdidas pelo corpo…sexo de crescidos! O António perdeu três quilos nesse mês, ainda hoje me orgulho da façanha.

Fazíamos sexo quando e onde podíamos, quando e onde não podíamos, como se não houvesse amanhã! Nunca abrandámos o ritmo durante um namoro de cinco anos, era impossível.

Tornámo-nos refinados, escolhíamos locais proibidos, usávamos brinquedos e tudo! Tudo era extraordinário porque tudo era amor. Fazíamos amor. Com ou sem telemóveis.

Google?

Glória ou morte, a luta continua

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Glória é técnica superior da Função Pública, trabalha na autarquia de Lisboa, na Junta de Freguesia de Benfica, e diz que ao fim de 33 anos continuam a querer que ela desempenhe as mesmas funções de quando iniciou a carreira.

Os responsáveis pela Junta de Freguesia dizem que nunca discriminaram a funcionária, mas já passaram seis dias desde que Glória Novais deixou de comer e permanece em protesto em frente ao seu local de trabalho. Glória está de baixa, ali passa dia e noite.

Esta cidadã promete levar o assunto até à Presidência da República, Procuradoria-Geral da República, Provedoria de Justiça, Ministério do Trabalho e outros organismos, de modo a ampliar o eco dos seus protestos.

Glória diz que situações idênticas à sua são comuns na Função Pública e lamenta que outros colegas injustiçados não se juntem a ela neste protesto. As acusações de Glória englobam o que ela chama perseguições, mas também assédio moral e laboral, com represálias que, provavelmente, apenas têm servido para lhe aumentar a sensação de estar a ser injustiçada.

Glória já passou por três presidentes de Junta, em Benfica. O atual é o socialista Ricardo Marques que voltou a vencer as eleições. Ricardo passa por ser um autarca simpático e competente, ficou mais conhecido depois de ter passado pelo programa do Goucha, na TVI, mas nada disso impressiona Glória Novais, para quem a luta continua. Talvez o novo presidente de Câmara consiga resolver os problemas dela, mas Carlos Moedas ainda não tomou posse.

Ricardo Marques no Goucha da TVI

Toyota faz 1000 km a hidrogénio, acabou-se a ‘mama’!

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O Toyota Mirai utiliza a tecnologia de células de hidrogénio, pondo de lado as baterias elétricas. Que são uma ideia elétrica obsoleta.

Muitas marcas andavam a “ afiar o dente “ para nos tornarem clientes à força do seu combustível-bateria.
Ou seja, a eletricidade está no posto, mas baterias a utilizar tinham de ser as de fábrica do automóvel. Queriam-nos casados com a marca do carro. Uma mama!

Fixe! Só falta saber o preço para dizer ‘fixe, pá!’

Viajar ao preço da… água

Ouvimos falar de utilizadores às voltas com o preço de aquisição de novas baterias para o mesmo carro.
E por isso automóveis a hidrogénio, como o Toyota Mirai, são uma excelente notícia.


O Mirai ainda anda em testes. A sua primeira viagem foi em maio e começou em Orly, em França.
Todos esperamos que este começo, seja o princípio para uma nova energia sustentável. Que nos livre dos combustíveis fósseis. E das malfadadas baterias com que nos andam a enganar.

Qual é a pegada ecológica de uma bateria de 1000 quilos de um automóvel? Se uma pilha de rádio polui um metro cúbico de terra? Ah! Pois…

Maria de Jesus Rendeiro pode ser constituída arguida

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Muito provavelmente, Maria de Jesus Rendeiro vai ter problemas acrescidos com a Justiça. Era ela a fiel depositária de centenas de obras de arte da coleção do BPP que foram arrestadas pelo Estado. Os quadros estão na mansão da Quinta Patiño, mas há uma forte suspeita de que alguns desses quadros foram substituídos por falsificações.

Ou seja, Rendeiro terá vendido aquilo que já não lhe pertencia e substituído os originais por imitações. A suspeita surgiu quando uma equipa de inspetores da Polícia Judiciária se deslocou à Quinta Patiño para verificar se os quadros ainda lá estavam. Munidos de uma lista das obras de arte apreendidas, os agentes verificaram que, em números, estão lá todas, mas suspeitam da “qualidade” de algumas.

Sendo assim, a juíza Tânia Loureiro Gomes ordenou a retirada de todas as obras de arte da casa da Quinta Patiño e pediu uma perícia para averiguar da autenticidade dos quadros. Em causa podem estar muitos milhões de euros, uma vez que se trata de uma coleção considerada bastante valiosa. Estas obras de arte apreendidas são apenas uma parte da chamada Coleção Elipse, que era património do BPP quando o banco faliu e, reúne mais de 900 quadros e peças artísticas e, em 2008, foi avaliada em cerca de 45 milhões de euros.

A Coleção Elipse serviu para Rendeiro construir uma imagem de patrono das artes e para se evidenciar perante o poder político e agentes económicos.

João Rendeiro com Cavaco Silva, numa visita a uma exposição da Coleção Elipse

A mulher de João Rendeiro ainda tentou impedir que os quadros fossem levados, chamou um advogado, mas o despacho da juíza é impiedoso, mencionando especificamente que Maria de Jesus Rendeiro “não poderia” opor-se à retirada dos quadros, como também que “a remoção é essencial para averiguar se as obras apreendidas são ou não falsificações.”

A transladação das obras de arte não é uma tarefa simples. O transporte terá de ser feito em condições adequadas e será preciso cuidar do depósito onde os quadros vão ficar. Trata-se de uma logística algo complexa, vai levar alguns dias a preparar, esperemos que a polícia monte guarda no portão da mansão de Rendeiro a fim de evitar mais tropelias.

Maria de Jesus Rendeiro corre agora o risco de vir a ser constituída arguida pelo crime de descaminho ou destruição de objetos colocados sob o poder público. Crime que pode valer 5 anos de prisão.

Caso Anabela Caratão: tribunal dá-lhe razão, mas os filhos não aparecem

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O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem deu sentença favorável à mãe Anabela Caratão, mas no texto tratou sempre os intervenientes apenas pela letra inicial dos seus nomes.
Mas quem é o casal que ficou com um dos gémeos? Resposta: é um tio e a mulher. Ele trabalha alegadamente no Ministério da Justiça, ela alegadamente na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Ambos tinham alegadamente envolvimento nos processos de retirada e acolhimento de crianças.

Se Ricardo Salgado, João Rendeiro, Joe Berardo, Luís Filipe Vieira, Duarte Lima e tantos outros têm os nomes nos jornais, e o super juiz Carlos Alexandre trata José Sócrates pelo nome completo, por que razão não podemos saber os nomes, locais exactos de trabalho e cargos desse casal?

o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou Portugal, dando razão a Anabela Caratão e sentenciou a devolução dos gémeos à mãe.

Decisão provisória de Tribunal mantida durante 10 anos

A Justiça está, diz-se, para ricos, que podem pagar as elevadas custas judiciais. Ou para indigentes com direito a apoio judicial.

Tomemos o lugar de Anabela Caratão.
O que sentiríamos, hoje, ao fim de 10 anos de injustiça e afastamento emocional e físico de dois filhos gerados? Retirados sem razão por decisão provisória renovada várias vezes ao longo do últimos 10 anos?

Abençoado Facebook, alegada obra da CIA

Vale a pena saber o que diz Anabela Caratão que apenas tem eco no Facebook. Abençoado Facebook, mesmo que seja obra da CIA como alguns dizem.

Após a decisão favorável do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, há 3 meses, as autoridades portuguesas não deram bom seguimento à decisão de um Tribunal superior europeu. Nós só somos União Europeia quando alguns querem.

(a foto publicada é antiga e foi um dos raros momentos em que mãe e filhos estiveram juntos)

Portugueses não acreditam na Justiça

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Pior, 58% consideram que o sistema judicial não trata os cidadãos de forma igual. Mais,47% não confiam na Justiça para punir crimes graves. Ou seja quase metade dos portugueses.

O estudo da Deco (Associação de Defesa dos Consumidores) abrange 19 instituições ou setores. Exército, Polícia, RTP, a Igreja Católica, Governo ou Autoridade da Concorrência.
O sistema de ensino público recebe a nota mais alta. Segue-se o Presidente da República. O Exército vem a seguir, talvez pelo mérito do Almirante das vacinas.

A economia depende da saúde da Justiça

Os manuais de economia dizem que um país só cresce economicamente quando a Justiça é exemplar. Evitam-se sentenças opostas, prazos dilatados, custas judiciais exorbitantes e manchas na Justiça.

Não há investidor nacional ou estrangeiro disposto a investir num país onde a Justiça tem apenas 12% de crédito dos cidadãos. Quem tem capital não quer ficar meses ou anos à espera de uma sentença.

Juíza com pé em cima de leão

A mim já me aconteceu estar 10 anos à espera de uma decisão de uma juíza. Que tinha penduradas, na parede do seu gabinete no Palácio da Justiça, fotos gigantes dela com um pé em cima da cabeça de um leão!

O estudo da Deco revela ainda uma enorme catástrofe paga com salários altíssimos.


Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades

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A questão vem embrulhada com chavões tipo “lealdade institucional”, “boa prática”, “representação parlamentar”, etc. e tal. Uma lenga-lenga curiosa para quem se reclama de ser anti-sistema. Na verdade, Ventura está mesmo chateado porque quando o CDS anuncia um congresso para as mesmas datas do Chega, vai dividir a atenção mediática que o deputado Ventura queria só para si.

Sem exclusividade, a coisa tem menos piada. Ventura sabe que dizer mal da direita não funciona tão bem entre os seus. Mas lá terá que ser: “A única preocupação do CDS é destruir o Chega, ofuscar-nos, diminuir-nos e humilhar-nos”, diz Ventura numa espécie de ensaio para o congresso onde eles irão aprovar novos estatutos, desta vez de forma legal, espera-se. O Tribunal Constitucional vai estar de olho neles.

No CDS, a artimanha de Francisco Rodrigues dos Santos também foi aproveitada para o challenger Nuno Melo tecer as suas criticazinhas, ao considerar “um absurdo” que o partido “partilhe o palco” e divida o “espaço mediático” com o Chega.

Mas, neste caso, é no dividir do espaço mediático que está o ganho de Francisco. Não só diminui a exposição do seu verdadeiro inimigo que é o Chega, o único partido que ficaria a ganhar se o CDS desaparecesse do mapa e, por outro lado, é ele quem finalmente marca a atualidade política à direita. Ao retirar protagonismo ao deputado Ventura, Francisco marcou pontos. E é aí que mais dói ao Ventura.

Há dois amores no Zambujeiro

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Com autoria e encenação de Ana Paula Reis, estreou na noite do dia 2, a comédia «Eu Tenho Dois Amores», no palco do Grupo Desportivo do Zambujeiro e semanalmente, ao sábado, a partir das 21.30 horas, deliciará quantos se quiserem deslocar a esta ridente localidade do concelho.

Desde há anos que essa tradição de, pelo menos, uma peça teatral por ano se está a manter aí, mercê, obviamente, da carolice e entusiasmo de um punhado de amadores.

Situada a meio caminho entre Murches e Janes, já na freguesia de Alcabideche, a aldeia do Zambujeiro deve o seu nome à abundância de zambujeiros no mato que, felizmente, fonte de mui agradáveis e diversificados odores silvestres, ainda se vai mantendo original derredor.

A limpeza dos ares – embora nem sempre seja amena a aragem que sopra da serra; a abundância de água (fica bem perto a nascente de Vale de Cavalos, que chegou a ser conceituada e comercializada água de mesa); e a beleza da paisagem – foram factores que determinaram, mormente a partir dos anos 50, o crescimento do núcleo populacional. A vontade de praticar desporto, a necessidade de um bailarico ao fim-de-semana e a importância de haver um local de são convívio determinaram a criação do Grupo, que depressa lançou mãos à criação da sede.

Aí esteve sala cheia no sábado, 6. E mais uma vez se reviveram – singelamente e sem pretensões mas com o profissionalismo requerido a quem é amador e faz aquilo de que gosta – cenas engraçadas da vida quotidiana, salpicadas do humor que situações caricatas permanentemente provocam. As vendedeiras da praça, a sua língua afiada, os mexericos a ratar na vida alheia; os pregões que sempre nos acariciam os ouvidos, na lembrança do que não se pode perder; o azougue malicioso, apaixonado, matreiro e ousado das moçoilas namoradeiras (faltaram os moços, e há que incentivá-los a perderem a vergonha…); a rábula do senhor amaneirado que vai à loja de modas; a presença do polícia carrancudo que só sabe pedir a documentação…

Acima de tudo, porém, as falas acabam por ser pretexto para mais uma cantiga ou mesmo um fado sentido. E, aí, a participação dos espectadores não carece de ser atiçada, pois que de pronto todos alinham no refrão, no ritmar das palmas, na alegria comum…

Cimentar comunidade

Todos os intervenientes – desde os actores aos múltiplos colaboradores nas luzes, no som, nos cenários… – se entregaram de alma e coração ao divertimento, que mui depressa saiu do palco e perpassou por toda a assistência.

Esse, na verdade, um dos aspectos primordiais a sublinhar: os actores são da terra, mesmo no palco são tratados pelos nomes verdadeiros, e ainda que o espectáculo pretenda, naturalmente, abarcar o maior número de espectadores das aldeias circunvizinhas, o núcleo duro será sempre o dos vizinhos, e, desta sorte, se cimenta comunidade, apoiando quem, após um dia de trabalho, não regateia as horas de ensaio, para que tudo corra bem.

E os mais novos – neste caso, as mais novas – ganham coragem, perdem receios, ganham à-vontade, ousam. Constitui o teatro, a este nível, uma importante forma de amadurecimento a todos os níveis e há, pois, que fortemente o apoiar! Por isso, aqui se consignam os nomes dos actores: Beatriz Baleia, Beatriz Dorropio, Isabel Silva, Joana Lopes (a tal dos histéricos gritinhos agudos!…), Laura Sobral, Maria João Baleia (veterana nestas andanças), Rosa Rodrigues (sempre azougada e de bonita voz), Susana Cupido, Carlos Rodrigues, Filipe Santos, Joaquim Baleia e José Carlos Rebocho Santos. Os senhores complementam muito bem o naipe feminino, sendo de realçar o bem animado dinamismo do disc-joker (Filipe Santos), literalmente a querer partir o prato!…

O nosso abraço de parabéns e… que nunca o entusiasmo esmoreça! O nome do Zambujeiro é, assim, mantido bem alto. Aliás, importa explicar quais são esses dois amores que animam os zambujeirenses: a sua aldeia, claro, e o concelho a que pertencem: Cascais. Isso fica desde logo bem patente no cartaz, que mostra, dum lado, a sede do Grupo e, doutro, os Paços do Concelho.

Agricultura intensiva: dinheiro, desperdício e venenos

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mar de plástico no litoral alentejano

O crescimento a perder de vista de estufas plastificadas no litoral alentejano já foi discutido na Assembleia da República, mas nada mudou a favor da proteção ambiental, da paisagem protegida e do bem-estar das populações locais.

O ministro do Ambiente disse, na altura, que o ordenamento que existe foi aprovado em 2019 e que ele limita-se a cumprir e a fazer cumprir a Lei. O ministro Matos Fernandes disse mesmo que pouco pode fazer por se tratar de “uma área produtiva”. Ou seja, a preocupação centra-se na economia e não no ambiente. Quando, um dia, a destruição ambiental tornar impossível continuar a produzir, o que irá então dizer o ministro?

E o ponto de rutura pode não estar longe, no tempo. A associação ambientalista Zero veio, agora, dizer que o Rio Mira está a secar e que os fertilizantes usados na agricultura intensiva estão a poluir os solos, o ar  e as reservas subterrâneas de água.

Em comunicado, a associação cita o Instituto Nacional de Estatística para afirmar que as quantidades de azoto e fósforo que são colocadas na terra “são quase o dobro do que é extraído pelas culturas”, pelo que o excedente que fica no solo “poderá continuar a ser uma fonte de contaminação difusa para o solo e para as massas de água superficiais e subterrâneas”. Além disso, “a aplicação excessiva de fertilizantes azotados está associada a emissões de amoníaco e óxido nitroso”, gases com efeito de estufa muitíssimo superior ao dióxido de carbono.

A associação considera que o país podia fazer uma “modernização sustentável da produção alimentar”, com uma política que procurasse a eliminação progressiva dos riscos de excesso de nutrientes e a dependência de fertilizantes minerais, e eliminasse os apoios para a industrialização da agricultura e do espaço rural.

Mas o que está a acontecer é precisamente o contrário. A área de estufas ocupa atualmente 1545 hectares no perímetro de rega do Mira, nos concelhos de Odemira e Aljezur, segundo dados do Ministério da Agricultura. Isto é cerca de 13% do dito perímetro, o que significa que ainda pode efetivamente triplicar, chegando a um total de 4800 hectares (uma vez que o perímetro de rega tem 12.000 hectares) segundo a Lei de 2019.

Segundo denúncias que surgem amiúde nas redes sociais, a excessiva produção da agricultura intensiva, além de poluição, provoca desperdício. Ou seja, as unidades agroindustriais não se importam de hipotecar o futuro de uma região mas não descuram a margem de lucro de hoje.

desperdício agrícola em unidade agroindustrial do litoral alentejano

Luís Rocha é o exemplo do ambientalista incansável que diariamente publica nas redes sociais um alerta, uma sugestão, uma indignação, um sobressalto. As fotos partilhamos a partir do Facebook dele, assim como são dele as seguintes palavras: “Estamos a falar de um processo de fabricação de dinheiro, com calibragem, aspeto e marketing que só quem é parvo é que pode chamar de agricultura. Este sorvedouro da nossa água, que nos conspurca o ambiente com milhares de toneladas de produtos químicos, mata as espécies endémicas, inquina os nossos lençóis freáticos e explora e incita à exploração de cidadãos estrangeiros, e destrói o nosso tecido social e economia local, tem tanto respeito por nós e pela nossa terra, como tem pelos milhares de toneladas de vegetais com menos um milímetro que deita fora.”

Um redemoinho de palavras e de exaltação que continua assim: “Temos escolas, centros de dia, gente carenciada, lares de idosos e toda uma panóplia de soluções, para onde toda esta comida poderia ser enviada, se estivéssemos a falar de gente com o mínimo de preocupação pela sociedade onde está inserida. Se estivéssemos a falar de gente. Mas não estamos.”

E não estamos, mesmo.

Eh, pá. A mota é linda!

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O mercado dos veículos elétricos vai ter uma marca portuguesa. A FAMEL é uma lendária motorizada que foi muito popular até há umas décadas. Depois de ter fechado portas, eis que a marca regressa com um modelo revivalista (em termos de design) mas com um motor elétrico.

O regresso da Famel é feito com um modelo inspirada na antiga e mítica XF-17. Vamos voltar a ouvir a exclamação que se tornou viral (diríamos hoje): Eh, pá. A mota é linda!

70 kms/hora de velocidade máxima, motor de 5kW na roda traseira, carregamento em 4 horas a 100%, liga-se a uma tomada elétrica caseira, preço a rondar os 4 mil €. Tem todas as condições para vingar.

Se quiser fazer uma pré-reserva, o site da marca oferece essa possibilidade. As primeiras máquinas a sair da fábrica, neste renascimento da FAMEL, vão ser potenciais peças de coleção dentro de uns anos. Não tenham dúvidas.

A FAMEL tem um protótipo mais modernaço e futurista, mas para esta fase de arranque e de aposta no mercado nacional, a opção foi manter o modelo que está na memória dos que hoje têm mais de 35 anos de idade. Mas acreditamos que o futuro e a internacionalização da marca estarão mais focados em designs mais jovens, como este que já foi apresentado ao público.