Há dois amores no Zambujeiro

Presta-se a ser glosado o tema dos dois amores, para sempre ligado à conhecida canção de Marco Paulo. De mil e uma maneiras. Uma delas está em cena, aos sábados, até 12 de Dezembro (inclusive) no Grupo Desportivo do Zambujeiro, em Cascais. Uma divertida comédia.

0
671

Com autoria e encenação de Ana Paula Reis, estreou na noite do dia 2, a comédia «Eu Tenho Dois Amores», no palco do Grupo Desportivo do Zambujeiro e semanalmente, ao sábado, a partir das 21.30 horas, deliciará quantos se quiserem deslocar a esta ridente localidade do concelho.

Desde há anos que essa tradição de, pelo menos, uma peça teatral por ano se está a manter aí, mercê, obviamente, da carolice e entusiasmo de um punhado de amadores.

Situada a meio caminho entre Murches e Janes, já na freguesia de Alcabideche, a aldeia do Zambujeiro deve o seu nome à abundância de zambujeiros no mato que, felizmente, fonte de mui agradáveis e diversificados odores silvestres, ainda se vai mantendo original derredor.

A limpeza dos ares – embora nem sempre seja amena a aragem que sopra da serra; a abundância de água (fica bem perto a nascente de Vale de Cavalos, que chegou a ser conceituada e comercializada água de mesa); e a beleza da paisagem – foram factores que determinaram, mormente a partir dos anos 50, o crescimento do núcleo populacional. A vontade de praticar desporto, a necessidade de um bailarico ao fim-de-semana e a importância de haver um local de são convívio determinaram a criação do Grupo, que depressa lançou mãos à criação da sede.

Aí esteve sala cheia no sábado, 6. E mais uma vez se reviveram – singelamente e sem pretensões mas com o profissionalismo requerido a quem é amador e faz aquilo de que gosta – cenas engraçadas da vida quotidiana, salpicadas do humor que situações caricatas permanentemente provocam. As vendedeiras da praça, a sua língua afiada, os mexericos a ratar na vida alheia; os pregões que sempre nos acariciam os ouvidos, na lembrança do que não se pode perder; o azougue malicioso, apaixonado, matreiro e ousado das moçoilas namoradeiras (faltaram os moços, e há que incentivá-los a perderem a vergonha…); a rábula do senhor amaneirado que vai à loja de modas; a presença do polícia carrancudo que só sabe pedir a documentação…

Acima de tudo, porém, as falas acabam por ser pretexto para mais uma cantiga ou mesmo um fado sentido. E, aí, a participação dos espectadores não carece de ser atiçada, pois que de pronto todos alinham no refrão, no ritmar das palmas, na alegria comum…

Cimentar comunidade

Todos os intervenientes – desde os actores aos múltiplos colaboradores nas luzes, no som, nos cenários… – se entregaram de alma e coração ao divertimento, que mui depressa saiu do palco e perpassou por toda a assistência.

Esse, na verdade, um dos aspectos primordiais a sublinhar: os actores são da terra, mesmo no palco são tratados pelos nomes verdadeiros, e ainda que o espectáculo pretenda, naturalmente, abarcar o maior número de espectadores das aldeias circunvizinhas, o núcleo duro será sempre o dos vizinhos, e, desta sorte, se cimenta comunidade, apoiando quem, após um dia de trabalho, não regateia as horas de ensaio, para que tudo corra bem.

E os mais novos – neste caso, as mais novas – ganham coragem, perdem receios, ganham à-vontade, ousam. Constitui o teatro, a este nível, uma importante forma de amadurecimento a todos os níveis e há, pois, que fortemente o apoiar! Por isso, aqui se consignam os nomes dos actores: Beatriz Baleia, Beatriz Dorropio, Isabel Silva, Joana Lopes (a tal dos histéricos gritinhos agudos!…), Laura Sobral, Maria João Baleia (veterana nestas andanças), Rosa Rodrigues (sempre azougada e de bonita voz), Susana Cupido, Carlos Rodrigues, Filipe Santos, Joaquim Baleia e José Carlos Rebocho Santos. Os senhores complementam muito bem o naipe feminino, sendo de realçar o bem animado dinamismo do disc-joker (Filipe Santos), literalmente a querer partir o prato!…

O nosso abraço de parabéns e… que nunca o entusiasmo esmoreça! O nome do Zambujeiro é, assim, mantido bem alto. Aliás, importa explicar quais são esses dois amores que animam os zambujeirenses: a sua aldeia, claro, e o concelho a que pertencem: Cascais. Isso fica desde logo bem patente no cartaz, que mostra, dum lado, a sede do Grupo e, doutro, os Paços do Concelho.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here