Real Coliseu de Lisboa soterrado pela SONAE

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O projeto foi aprovado em abril deste ano pela Assembleia Municipal de Lisboa, não se adivinhava que surgissem impedimentos para a obra avançar com rapidez. Ao contrário de muitas outras situações, desta vez a aprovação de projetos de arquitetura foi rápida e a obra já teve início. O dono da obra é a Sonae e onde estava a velha Garagem Liz vai nascer mais um supermercado.

Avenida Almirante Reis, Garagem Liz

O problema é que antes de haver Garagem Liz, naquele local estava o Real Coliseu de Lisboa. Uma casa de espetáculos que faz parte da História da cidade. Aconteceu que nas obras de adaptação da estrutura às novas utilizações, surgiu parte da anfiteatro da antiga casa de espetáculos. Sim, e ainda com alguns barrotes de madeira preservados.

O Coliseu foi inaugurado em 1887, por ali passaram muitos espetáculos de ópera, teatro, e foi ali onde se viu cinema pela primeira vez em Portugal. Nada que coloque problemas de consciência aos líderes da Sonae. Primeiro, o supermercado. A Direção Geral do património também não está ali para colocar muitos obstáculos. Vai tudo ser soterrado de novo, constrói-se o tal supermercado por cima e toca a despachar que tempo é dinheiro.

fotografia de 1887

Supermercado é eucalipto económico

Já na altura em que o projeto foi aprovado em Assembleia Municipal se estranhou que ninguém ali se opusesse a uma obra que ia alterar profundamente um edifício classificado como imóvel de interesse público. Não será apenas o interior a sofrer modificações radicais, mas até a fachada vai sofrer alterações ao nível da cobertura, por exemplo.

Além disso, quem se preocupou com o congestionamento de trânsito naquele local quando o supermercado abrir portas? Quem se preocupou com a sobrevivência de dezenas e dezenas de pequenos negócios existentes naquela zona da cidade e que vão sofrer a concorrência da Sonae? Quantas mercearias vão sobreviver? Quantas lojas de pechisbeque? Quantas drogarias? Quantas lojas de roupa? Quantos cafés? Se a experiência passada noutros locais servir para alguma coisa, sabemos que a resposta é que pouco comércio local restará. Um supermercado é uma espécie de eucalipto económico, suga tudo à volta e seca a concorrência do pequeno comércio e serviços das redondezas.

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