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As escolhas com estrondo

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A CNN Portugal arranca a 22 de novembro e até lá estão a fazer aquilo que todas as equipas fazem quando se inicia um novo projeto: criar espírito de equipa e tentar encontrar um estilo.

A equipa está formada, nomes mais ou menos sonantes têm sido anunciados a conta-gotas para fazer render o peixe, de modo a haver com frequência alguma notícia sobre o projeto.

O último nome foi o de Judite de Sousa. Tentaram fazê-lo com estrondo nas redes sociais. Um texto gongórico dito pela própria Judite a tentar convencer-nos de que foi escolhida por ser a maior.

Mas o anúncio da contratação desta estrela da pantalha parece ter provocado estrondo na própria redação da CNN Portugal. Judite tem fama de arrogante e prepotente. Foi protagonista de vários conflitos na redação da TVI, nomeadamente na alegada censura a trabalhos de Ana Leal, mas houve outros casos e muitos momentos de tensão na redação. A própria Judite reconhecia isso, nas entrevistas que dava.

fonte Judite Sousa: “Nunca precisei do cargo para ser aquilo que sou” (n-tv.pt)

Talvez por isto, na “nova” redação da CNN Portugal já existam muitos anticorpos a Judite de Sousa, nem todos estão a encarar o seu reaparecimento no pequeno ecrã com bons olhos. Numa publicação nas redes sociais de Mário Ferreira, administrador da TVI, surgiram alguns comentários de desagrado, mas é evidente que ninguém está para dar já início a uma guerra, numa altura em que o projeto está a nascer. Mas o sinal está dado.

As manifestações de desagrado fazem-se em surdina, a acreditar nos mentideros do meio televisivo, pródigos de má-língua venenosa. Não se tratará só do mau feitio da senhora, mas também do sentimento de injustiça relativamente ao salário, depois de ter saído da empresa em 2019 com uma indemnização realmente estrondosa.

Como diz o povo, mais vale cair em graça do que ser engraçado.

Sintra, na primeira manhã do novo elenco autárquico

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colagem fotográfica

Levantou-se ainda antes do sol nascer e arrumou o saco cama novo dentro do saco. Foi tomar café. Depois lavou uma camisa e as peúgas, abriu o chapéu de sol e pendurou a roupa a secar numa das varetas do chapéu.

Passado pouco tempo, o Largo Dr. Virgílio Horta ficou cheio de elementos da Polícia Municipal, certamente para receber o “novo” presidente de Câmara. Que é o mesmo. Era a primeira manhã do novo mandato autárquico. Os senhores vereadores e demais autarcas tinham tomado posse no dia anterior. A Polícia Municipal não queria que essa manhã fresca fosse perturbada pela costumeira presença de Manuel Ildefonso, o sem abrigo que vive ali mesmo em frente à Câmara Municipal, dia e noite, sentado ou deitado na pedra do murete, em protesto mas não incomodando ninguém exceto o presidente da Câmara Municipal.

Fizeram tudo para o tirar dali. Obrigaram-no a retirar todos os seus pertences da via pública. Não podia ter nada em cima do muro, nem sequer no chão. Manuel Ildefonso ficou com todos os seus bens no colo. E teria ficado assim o dia todo, se fosse preciso. O presidente da Câmara não tem ponto para picar, nunca se sabe bem a que horas chega ao local de trabalho.

A polícia só desarmou depois de Basílio ter chegado e desaparecido da vista no interior do edifício. Foi quando Manuel Ildefonso voltou a colocar as suas coisas no chão. Ele sabe que tem de resistir às provocações, sob pena de ir parar à cadeia para cumprir uma pena que ficou suspensa.

A sentença que o tribunal de Sintra decretou, refere-se a uma mordida que Manuel Ildefonso deu na mão de um agente da Polícia Municipal. Foi numa tarde de inverno, quando o agente Carlos, depois de ter almoçado, quis ser o mais zeloso do quartel e decidiu retirar os cartazes de protesto de Manuel Ildefonso da via pública. Não deu voz de prisão ao cidadão, nem elaborou auto de apreensão. Quis agir à cowboy e atirou-se aos cartazes e ao senhor Manuel, imobilizou-o fisicamente e quando tentava aplicar o célebre “mata leão” levou com uma mordidela numa reação de autodefesa do senhor Manuel.

Acontece que este arguido nunca foi chamado a depor em tribunal, nunca lá tinha ido antes, mas foi chamado no dia da leitura da sentença. Foi quando ficou a saber que tinha uma pena de prisão suspensa. Se prevaricar, terá de a cumprir. Mas o senhor Manuel Ildefonso sabe que é isso que querem que ele faça.

Sintra abate 80 árvores protegidas, população protesta

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Oitenta árvores foram cortadas pela raiz, na Avenida Afonso Henriques, Algueirão Mem Martins. Segundo os moradores, “as árvores na sua esmagadora maioria estavam saudáveis e frondosas e nenhuma apresentava perigo de queda ou colocava em risco a segurança pública.”

O plano inicial seria o derrube de todas as árvores dessa artéria, num total de 126 exemplares. Mas a ação foi obstruída pelos protestos dos moradores e pela chegada da polícia ao local.

Acontece que as árvores cortadas eram tílias, uma espécie protegida pelo próprio regulamento municipal de Sintra, que a Câmara não respeita, assim como não respeitou o procedimento imposto pela Lei que obriga, nestes casos, a autarquia a pedir autorização legal do ICNF-Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. Também não foi afixado um aviso prévio público a informar a população sobre o abate das árvores, o que é igualmente obrigatório.

Moradores relatam que o abate destas árvores destruiu dezenas de ninhos de pássaros , alguns ainda com crias dependentes. Tratou-se, portanto, de um crime ambiental que afetou “um significativo e contínuo conjunto arbóreo que constituía um raro ecossistema em meio urbanizado com uma flora e fauna particular (das aromáticas tílias às muitas aves canoras), algo raro em Algueirão-Mem Martins e nas freguesias suburbanas de Sintra, cujas ruas na maioria carecem de árvores e de jardins, e se encontram desqualificadas pelo excesso de construção, de carros e mau planeamento urbanístico”, dizem os moradores num texto onde apresentam uma petição pública destinada a impedir mais cortes de tílias naquela rua e a exigir a reposição de arvoredo, com a plantação de “novas e mais árvores na Av. D. Afonso Henriques, mas também em geral nas muitas ruas de Algueirão-Mem Martins onde notoriamente faltam árvores e jardins.”

Os moradores dizem ainda que o abate destas árvores foi adiado para depois das eleições, a fim de evitar os previsíveis protestos da população antes do voto. Mas ninguém se admira com isso.

Lisboa, vandalismo no Lumiar

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Charneca do Lumiar, durante a noite passada dezenas de carros ficaram com os pneus furados, muitos deles com os quatro pneus esfaqueados. Alguém se andou a divertir, mas a manhã foi de pesadelo para os proprietários destes veículos que, na hora de ir para os empregos se viram a braços com um problema e uma despesa de monta. Mudar 4 pneus de uma viatura não é tarefa fácil. Comprar 4 pneus novos não é barato.

A polícia foi chamada, pouco poderá fazer. Ninguém testemunhou a cena e a não ser que haja uma denúncia não será fácil chegar ao autor ou autores deste acto de vandalismo.

Vandalizar viaturas ou contentores de lixo, por exemplo, é comum em Lisboa. Há gente que extravasa raivas e frustrações descarregando fúria sobre qualquer coisa que esteja à mão de semear. Neste caso, danificaram propriedade privada, praticaram um crime e prejudicaram quem não tem dinheiro para estragar.

Sintra, um dia Marcelo vai visitar Ildefonso

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Marcelo Rebelo de Sousa visitou um antigo sem abrigo que viveu durante muito tempo literalmente debaixo de uma ponte na cidade do Porto. O homem chama-se Manuel Fernandes e, hoje, vive numa casa social na freguesia da Campanhã.

O caso de Manuel Fernandes foi resolvido pela visibilidade que Marcelo lhe deu quando o visitou debaixo da ponte. Valeu a pena o esforço, pela selfie e pela solução que se encontrou para o caso deste homem.

Agora, Marcelo aproveitou a ocasião para lamentar que a situação dos sem abrigo tenha piorado bastante, principalmente desde que a pandemia surgiu. O Presidente da República lembrou que tinha a esperança de ver a situação dos sem abrigo resolvida até 2023, objetivo que não será alcançado.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, o caso de Manuel Fernandes é “um bom exemplo” do papel da comunicação social para alertar para casos semelhantes, e importante porque “dá esperança”. Este Presidente é uma pessoa simpática e, quando lhe dá jeito, gosta de passar a mão pelo lombo de quem lhe pode ser útil.

O que nós gostaríamos era que ele viesse até Sintra. O senhor Manuel Ildefonso não vive debaixo de uma ponte, vive debaixo das estrelas. Vive à porta da Câmara Municipal que se recusa a tentar resolver um problema tão fácil quanto urgente, que é entregar uma casa de habitação social ao senhor Manuel Ildefonso. Ah, Marcelo. Que bela história que está aqui!

na imagem, o sr. Manuel Ildefonso

Lá no Porto, na casa onde vive Manuel Fernandes, Marcelo explicou aos jornalistas que o problema da habitação social “ passa pelo plano nacional, passa pelo papel das câmaras e das freguesias, mas as Câmaras é que têm de ter, conjuntamente com o Estado, políticas de habitação”, disse Marcelo. Será que se fez ouvir em Sintra?

Marcelo Rebelou de Sousa disse, ainda, que sem uma casa é quase impossível alguém conseguir refazer a vida.  Marcelo sabe. Basílio quer lá saber.

Sobre o senhor Manuel Ildefonso, as últimas notícias dizem respeito a mais uma expedição punitiva da Polícia Municipal que, por volta das 22h30 o acordou e lhe retirou o colchão de espuma onde dormia, levou-lhe o saco cama onde se recolhia do frio e o chapéu de praia que tanto lhe dava sombra de dia como o protegia da chuva e da humidade da noite e levaram, ainda, os cartazes onde o homem expressa o seu protesto. A Polícia Municipal não tem o direito legal de despojar o senhor Manuel Ildefonso dos seus parcos bens.

Isto, depois de lhe terem já levado dois carros (primeiro um, depois outro que recentemente lhe foi dado), que eram propriedade do senhor Ildefonso e onde ele dormia desde que ficou sem casa. Subtraíram as viaturas com tudo o que lá estava dentro (roupa, utensílios de cozinha, comida, etc.). Uma prepotência.

Um dia destes, pode ser que quem vá visitar o senhor Manuel Ildefonso seja o Presidente da República.

Tortura nas cadeias portuguesas, acusa a APAR

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A APAR reclama contra a manutenção das medidas restritivas relacionadas com a prevenção da pandemia covid-19 que continuam em vigor dentro dos estabelecimentos prisionais quando, fora deles, já nada disso acontece.

Em comunicado distribuído pelas redações, a APAR afirma que os reclusos continuam sem poder abraçar familiares, não podem sequer beijar um filho. Todos os reclusos estão avisados que um abraço, um beijo, um toque fará com que o recluso fique em quarentena por 14 dias, o que a APAR considera ser um abuso de poder, “uma medida que raia a tortura o que, num País democrático, é inconcebível.” E pergunta porque “numa altura em que, até nos Lares de Idosos, essa medida já não tem cabimento o que poderá justificar esta regra?”

Segundo o comunicado da APAR, a carta enviada à ministra da Justiça termina com um aviso. Caso as restrições não sejam retiradas em todas as cadeias durante a próxima semana, a APAR “formalizará uma queixa no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e em todas as Instituições Internacionais de Combate à Tortura e defesa dos Direitos Humanos.”

Televisão: umas vezes sim, outras não

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Resolvi ligar a televisão e fazer algum zapping para ter ideias. É raro ver televisão. Corrijo: gravo o que me interessa e depois vejo. E mesmo o que gravo, vejo com tempo: um dos meus problemas de criança é que, se me sento diante de um televisor, dois minutos depois estou a dormir.

Mas a questão aqui é outra: faço zapping e todos os programas de todos os canais televisivos estão a dar o mesmo anúncio, com um senhor a aconselhar-nos a tomar um suplemento alimentar qualquer. Penso que foi azar. Desligo. Passado algum tempo repito a manobra: lá está um outro senhor, em simultâneo em todas as televisões, a aconselhar a comprar já nem sei o quê.

Mas o que é isto? À tarde repito tudo. Os programas todos contam histórias de desgraças que acabaram em bem, em mais ou menos, ou em mal. Todos choram, desde os visados aos apresentadores. E, nos intervalos, todos iguaizinhos, lá estão os senhores a aconselhar os suplementos alimentares. Até há alguém que lhe chama ’recadinho’.

A sério? Não. O pior está para vir: lá tem umas notícias. Mas se se perder as das 10 horas, não faz mal porque às 11, 12, e por aí fora, nada vai ser diferente, a menos que a lava do vulcão espalhe mais cinzas.

E pronto! É isto: desisti e vou continuar a ver programas gravados onde, pelo menos, posso acelerar na publicidade. E deixem-me rezingar à vontade!

O deputado Ventura e os bandidos

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O partido Chega, pela voz do seu mentor, admite retirar a confiança política ao militante que andou na via pública a disparar contra estrangeiros de nacionalidade sueca. Admite, mas não é certo que o venha a fazer. Tudo depende. Do quê, não se sabe. Talvez porque tendo ele disparado várias vezes contra um grupo de 2 adultos e sete crianças, não tenha acertado em nenhum. Tanta incompetência, não é? Uma vergonha.

Por outro lado, não deixa de ser notável que um autarca que mal tomou posse já tenha posto o nome da sua terra estampado nos jornais da Suécia. Há já quem diga que não existe outro “génio” igual no marketing em todo o concelho de Moura.

A advogada do senhor Vítor Ramalho já começou a esgrimir argumentos na contestação aos factos apurados pela Polícia Judiciária. Segundo Cristina Costa, o seu cliente, amigo e colega do Chega, “apenas está acusado de tentativa de homicídio qualificado” e não percebe de onde veio a ideia do “ódio racial”.

Uma das características mais notáveis deste partido político é a capacidade revelada em atrair os maiores grunhos de cada terra, os broncos mais irracionais. Foram vários os casos expostos à opinião pública durante a recente campanha eleitoral para as autarquias. Este que se passou, agora, em Moura, é apenas mais um, mas talvez o mais grave.

Por fim, o deputado Ventura não poderá vangloriar-se de nunca ter privado com promitentes bandidos. O senhor Vítor Ramalho vai ter muita dificuldade em escapar a uma condenação.

Comício de campanha do Chega em Moura, autárquicas 2021

Recordando os acontecimentos, Vítor Ramalho, eleito pelo Chega para a Junta de Freguesia da Póvoa de S. Miguel, em Moura, perseguiu pela via pública uma família de estrangeiros de nacionalidade sueca, contra os quais disparou pelo menos três tiros quando as 7 crianças e os progenitores estavam dentro da autocaravana onde viajam. Para perceber as motivações do tresloucado, leiam o artigo anterior.

Olhar para a pobreza e não olhar para os pobres

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O modo como os dados sobre a pobreza estão a ser tratados pelos media talvez mereça uma reflexão. Começa logo pela fotografia adotada para ilustrar a situação. Hoje, todos os órgãos de comunicação social não dispensam site e redes sociais e, assim, a imagem é tão fundamental como o texto, às vezes até mais.

Por exemplo, a TSF escolhe uma foto de uma mão com unhas sujas. A agência Lusa escolheu a imagem de um velhote. No site do Expresso, o Banco Alimentar Contra a Fome. No noticiário da RTP, ao lado da apresentadora bem vestida um pobre embrulhado numa manta encostado a uma parede. Ou seja, os media dizem-nos que pobre é um velho, sem abrigo, não toma banho e come na sopa do Sidónio (nome popular e antigo, atribuído às organizações que fornecem alimentação cozinhada aos pobres).

Nos diferentes textos dos vários media, a mensagem também é uniforme porque os dados não são trabalhados, apenas repetidos. Assim como a Lusa escreveu, assim se lê por todo o lado. E a Lusa muitas vezes apenas retransmite o que a fonte falou.

É assim que as incongruências não são despistadas. Por exemplo, dizem-nos que nunca houve tão poucos pobres, como hoje. São “apenas” 1 milhão e 600 mil pessoas a viver com menos de 540 € por mês. Ou seja, 18 € por dia. Mas, ao mesmo tempo, lemos que aumentou o número de alunos que têm apoios socioeconómicos. Outro exemplo, a pobreza aparece ligada à falta de escolaridade. A maioria dos pobres não têm mais do que o 9ºano de escolaridade, o que é estranho numa economia baseada em salários baixos e mão-de-obra não qualificada. Isto, enquanto nos dizem que o desemprego não aumentou. E ninguém fala do desemprego de longa duração que afeta maioritariamente, suponho, pessoas com mais de 55 anos e escolaridade acima da média. Quantos licenciados, mestres ou doutorados não têm emprego? para os mais jovens, o IEFP tem um bom número de formações e de planos, inclusivamente para projetos de criação do próprio emprego. Mas que respostas existem para desempregados com mais de 55 ou 60 anos de idade e com qualificações académicas de nível universitário? Se alguém souber as respostas, digam-me.

Ou seja, pobreza não tem um estereótipo. A pobreza tem múltiplas facetas, muitas delas escondidas ou dissimuladas. Não só pela vergonha, mas também pela resiliência. A estatística é uma mentira, em termos concretos. Para desmontar isso, o que as pessoas esperam dos jornalistas são histórias com gente viva. Dispensamos “chouriços” informativos.

Cavalos selvagens regressam ao Parque Natural Sintra-Cascais

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Seis garranos não domesticados foram soltos no parque Natural Sintra-Cascais. São cinco potros, todos com menos de 1 ano de idade, e uma fêmea adulta com 8 anos. Vieram do Gerês para repovoarem uma região onde já estão extintos há muito tempo.

O projeto é coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, cujos técnicos esperam que a presença destes animais ajude na gestão da floresta, na minimização do perigo de incêndios florestais e, também, contribua para alegrar a vista dos apreciadores da natureza que visitem o Parque Natural.

Para já os garranos precisam de tempo e sossego. Tempo para se adaptarem à nova “casa” e para se reproduzirem. Sossego para poderem cumprir a função de “sapadores”, limpando a floresta de pasto, arbustos e desperdícios vegetais de que se alimentam e que, assim, deixarão de ser combustível para incêndios.

Os cavalos estão, neste momento, em semiliberdade, numa área vedada de 50 hectares. Parece-nos pouco, na perspetiva de que dentro de pouco tempo possam ser alguns mais. O grupo tem um macho e cinco fêmeas, é natural que dentro de 1 ano as fêmeas tenham crias. Esperemos que se abram as cancelas para uma área bem maior do Parque Natural Sintra-Cascais.

Cavalinhos, bem-vindos a Sintra-Cascais. Falta fazer o mesmo com muitas outras espécies, extintas ou em vias de extinção em determinados locais, mas que ainda persistem noutros. Proteger e repovoar.