A arte desaparecida da casa de João Rendeiro

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Fiquei alarmado com as recentes notícias sobre o hipotético desaparecimento de obras de arte da mansão de João Rendeiro. Pensei logo na minha amiga que está como fiel depositária de algumas peças de mobiliário de luxo que pertencem ao João. Se bem se lembram da nossa última conversa, tratam-se de cadeiras, cadeirões e sofás caríssimos, como diz a minha amiga.

E se ela também ficou a guardar algumas peças de arte? O primeiro impulso foi ir bater-lhe à porta e verificar se ela tem alguma coisa pendurada nas paredes que eu não conheça. Mas, depois, refreei a curiosidade. Teria de a denunciar à polícia e isso eu não quero fazer. De modo que o melhor é não saber. Voltei a sentar-me.

A PJ tem fama de ter bons “pisteiros”. Se for verdade, acabarão por ir bater à porta da minha vizinha. Terei de estar mais atento a quem para na rua. Para já, segundo vi nas notícias da RTP, há a suspeita de terem desaparecido 15 obras de arte, quadros creio eu.

Mas não há bem a certeza, as notícias são um pouco confusas e, por vezes, contraditórias.  Falam de um relatório que a PJ apresentou à juíza onde dá conta de 15 obras desaparecidas e a possibilidade de algumas das outras terem sido substituídas por falsificações. No rol do auto de apreensão elaborado há 10 anos, constam 124 obras de arte, entre quadros e esculturas.

Se isto se confirmar, a mulher do João, Maria de Jesus Rendeiro, está metida num sarilho. Qualquer dia fica com o passaporte apreendido. Bom, mas o que ela fez foi baralhar ainda mais as coisas. Diz que procurou melhor, vasculhou todos os 12 quartos e as diferentes salas e salões, foi ao sótão e desceu à cave, e mandou dizer à juíza que tinha encontrado metade das obras de arte desaparecidas. Mas metade de 15 é… 7 e meio… o que constitui já um problema. Será que há uma tela rasgada? Ou uma escultura partida? Assim, a PJ terá de voltar à Quinta Patiño para verificar o achamento de que fala Maria de Jesus. Os bons e dispendiosos advogados dos ricos sabem-na toda.

Apesar dos advogados do BPP terem solicitado à juíza Tânia Loureiro Gomes uma busca ao apartamento da Quinta Patiño comprado pelo motorista de João Rendeiro, o senhor Florêncio, e cedido para usufruto de Maria de Jesus, o pedido não foi aceite pela juíza, sabe-se lá porquê. Parece evidente a toda a gente que o motorista é um mero testa de ferro do patrão e que, ao ceder o usufruto à patroa está a permitir que ela possa fazer o que bem entender na casa, inclusive esconder preciosas obras de arte que pertencem ao Estado português.

Estou em pulgas com isto tudo, pá. Não vou bater na porta da minha amiga, mas vou-lhe telefonar. Preciso mesmo de saber se ela tem algum quadro de Julião Sarmento ou de Richard Prince na sala. Depois vos digo o que se passou, se não houver nenhuma confidência mais pesada…

Richard Prince, the Travelling Salesman’s

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