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A mística sedução da orla marítima

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            – Quando saíres daqui, qual é a primeira coisa que vais fazer?

            – Amigo, eu quero ir ver o mar! – respondeu prontamente o recluso.

E não admira – que nós próprios, os que temos o privilégio de viver diariamente perto dele, esboçamos largo sorriso no momento em que, regressados da viagem de alguns dias, o voltamos a contemplar.

Não foi acaso ser de Cascais ao Guincho a primeira pista ciclável aqui lançada e a sempre enigmática Boca do Inferno pode compendiar em si toda essa mística sedução da orla, que fascinou Fernando Pessoa e Aleister Crowley.

Há um génio ali, encantador. Já aos Romanos encantara, nesta íntima fusão do mar, das dunas e da serra. Sim, a orla vive da serra e a serra vive da orla, ao sentirmos, como Camões, que «ali a terra se acaba e o mar começa». Do outro lado, frente à Praia das Maçãs, se ergueu, afinal, em tempo desses romanos, templo ao Sol e à Lua, fascinados decerto pela suave dolência dos poentes.

aguarela de Alexandre Jorge

Alexandre Jorge, aqui nado e criado, alma de artista, não poderia, pois, deixar de passar para os seus desenhos e aguarelas tal beleza singular. Fá-lo na suavidade azul das suas aguarelas a cativar instantâneos; mostra-o na eloquente sobriedade dos seus desenhos.

Apetece contemplar ao vivo o mar irrequieto, a placidez da serra e a irrequietude da rala vegetação dunar; mas Alexandre Jorge acaba por nos prender também e, com ele, ali ficamos, quedos, como que acariciados pela brisa, quando não fustigados pelo vento forte, também ele portador de mensagem singular.

Instantes captados, eternizados instantes a saborear o pormenor das dunas, a Peninha lá no cimo, o rochedo agreste aqui, o Cabo da Roca ao fundo, este pinheiro quase nu, aquele solitário veleiro na linha do horizonte… É a paisagem a assumir função dominante, a impor-se ao nosso olhar, a reter-nos – porque, no frenesim quotidiano, assim carecemos de parar, a observar pormenores que o Artista viu e a nós passaram despercebidos.

Uma viagem cá, bem localizada sim; mas eficiente trampolim para uma outra viagem, lá, no inconsciente, ao necessário encontro connosco mesmos.

A inauguração é no dia 17; estará patente até 20 de Janeiro.

Horário do Forte de Oitavos: de terça a sexta, das 10 às 18 h; sábados e domingos, das 10 às 13 e das 14 às 18 h

desenho de Alexandre Jorge

Lítio, sim ou não?

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Independentemente das questões técnicas, a decisão terá sempre um critério político. E este Governo e este ministro do Ambiente, parecem rendidos à inevitabilidade de se autorizar a mineração do lítio. O ministro diz que “o lítio é essencial para a descarbonização” e que “o lítio é essencial para a digitalização”, dois desígnios maiores que a preservação do ambiente nos locais onde as minas vão escavar as montanhas e destruir paisagens e modos de vida.

A vida nas aldeias localizadas nas áreas onde se vão instalar as minas de lítio vai ser profundamente afetada. Estamos a falar de pequenos agricultores, pequenos criadores de gado, alguma produção de madeira, algum turismo local. Mas até essas pessoas não prescindem dos seus telemóveis e, se puderem, é possível que também elas queiram, um dia, comprar um automóvel elétrico. São os chamados danos colaterais. É o preço a pagar pelo chamado progresso.

Ainda assim, o ministro do Ambiente jura que não haverá nenhuma mina de lítio em áreas naturais protegidas, nomeadamente em territórios que façam parte da Rede Natura 2000.

Município da Guarda não quer minas de lítio

Em causa estão oito áreas do Norte e Centro do país: Arga (Viana do Castelo), Seixoso-Vieiros (Braga, Porto e Vila Real), Massueime (Guarda), Guarda – Mangualde (quatro zonas espalhadas por Guarda, Viseu, Castelo Branco e Coimbra) e Segura (Castelo Branco). O município da Guarda já emitiu um parecer desfavorável à exploração de lítio no concelho.

No site da Câmara Municipal, explica-se que o “chumbo” se deve ao projeto prever a prospeção em “dois terços do concelho e em 31 das 43 freguesias”. Ou seja, o município iria ser transformado num imenso buraco a céu aberto…

cidade da Guarda

Multinacionais prometem fábrica para tratamento do lítio

Mas estas reticências não impressionam as multinacionais. A Galp e a Northvolt anunciaram um investimento conjunto na ordem dos 700 milhões € e 1500 postos de trabalho numa fábrica de conversão de lítio a instalar em Portugal. Não se trata de fabrico de baterias, apenas da preparação do lítio para poder ser usado nas baterias. Mas sempre é uma mais-valia para o minério que se extrair em Portugal e que, assim, não será exportado em bruto.

Mais uma vez, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, veio concordar com aquilo a que chamou de “projeto inovador”.

Existem muitas dúvidas e muitos argumentos contra a exploração de lítio. Para muitas pessoas, descarbonizar não é apenas trocar os motores de combustão dos automóveis por motores elétricos, quando isso implica continuar a explorar recursos minerais, destruir habitats, arruinar reservas aquíferas.

Mas, enfim. Com a bênção do ministro do Ambiente, o projeto Galp/Northvolt, batizado Aurora, parece destinado a alicerçar-se algures em Portugal.  Ainda não se sabe onde, a ‘joint venture’ está atualmente a realizar estudos técnicos e económicos e a analisar várias localizações possíveis para a unidade em Portugal.

Está também “a explorar as opções adequadas de financiamento no âmbito da transição energética, de modo a reforçar o desenvolvimento do projeto”, segundo foi dito. Quererá isto dizer que é mais um projeto para ser financiado pela “bazuca”? Será o mesmo que dizer que são os contribuintes europeus a financiar o negócio destes privados.

Fábricas de automóveis podem parar, na Europa

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O magnésio é um elemento químico muito especial. Não pela raridade, porque existe em todo o lado, mas pelas aplicações que tem, seja na indústria, na medicina, na alimentação, serve para quase tudo. É fundamental, por exemplo, como elemento de liga com o alumínio e, assim, torna-se imprescindível para a indústria de construção automóvel.

Para se obter magnésio é preciso refinar minerais ou, através de eletrólise, extraí-lo da água do mar. Existem vários métodos capazes de extrair magnésio para que possa, depois, ser aplicado industrialmente. Portanto, para se obter magnésio é preciso ter unidades industriais para tal. Como o magnésio serve para quase tudo, é preciso ter muitas unidades industriais. Onde é que estão essas unidades industriais? Estão na China.

A deslocalização das fábricas para a China

A China fornece 85% do magnésio que o mundo precisa. O mundo depende da China. Como foi que permitimos que isso viesse a acontecer, é uma pergunta a que só os dirigentes políticos e os capitalistas poderão responder. Os industriais desmontaram as fábricas na Europa e levaram-nas para a China, por causa do operariado de salários baixos e capacidade reivindicativa ainda mais baixa. Ficaram encadeados com a miragem de um mercado de muitos milhares de milhões de consumidores.

Hoje, a Europa não consegue fabricar um carro sem o magnésio produzido na China e sem os chips eletrónicos produzidos na China. Mas o problema imediato é o magnésio. Porque a China decidiu diminuir drasticamente a produção desse químico, o que provocou escassez e o consequente aumento do preço. De repente, o custo desta matéria prima aumentou 700%. Os industriais europeus e americanos estão a provar do seu próprio veneno. É a lei do mercado, como eles gostam de dizer. Os carros podem vir a ficar tão caros que deixarão de ser vendidos.

Auto Europa reduz produção

Em Palmela, a Auto Europa, responsável por si só por 10% do PIB nacional, anunciou estar a ponderar o fim do 4.º turno, despedir 900 trabalhadores, reduzir em 53 mil unidades a produção de carros durante o próximo ano. Panorama idêntico passa-se em todas as outras fábricas de automóveis na Europa, devido à escassez de matéria-prima e de componentes eletrónicos.

Se tem um automóvel, mesmo velhinho, poupe-o. Ainda vai valer bom dinheiro.

Natal e Ano Novo, férias escolares prolongadas

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Para tentar minimizar os efeitos da nova vaga pandémica que está a assaltar todo o Mundo mas, principalmente, a maioria dos países europeus, o Governo decidiu restabelecer algumas medidas restritivas que afetam algumas atividades profissionais.

O recurso ao teletrabalho e o prolongamento das férias escolares do Natal e Ano Novo, são as medidas mais evidentes.

O calendário escolar foi reajustado. O despacho governamental foi ontem publicado em Diário da República.

recorte da 1º folha do despacho sobre reajustamento calendário escolar

Assim, o 1º período acaba como já estava previsto a 17 de dezembro, mas as aulas só serão retomadas a 10 de janeiro. As férias de Natal esticam mais uns dias e, para compensar, as férias de Carnaval vão resumir-se a um dia apenas — 1 de março —, sendo que o 2º período decorrerá até 8 de abril.

Já a interrupção entre o 2º e o 3º período vai ser reduzida para uma semana, entre 11 de abril e 18 de abril. O fim do ano escolar depende do nível de ensino e pela da realização ou não de exames:

1- 9.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade terminam a 7 de junho de 2022

2- 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade terminam a 15 de junho de 2022

3- Educação pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico terminam a 30 de junho de 2022

João Rendeiro & notável friso de figurões

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Detido numa prisão sul-africana, dificilmente João Rendeiro poderá atualizar o blog Arma Crítica, criado para poder ter uma via de comunicação sem mediadores com o Mundo. O que lá está são as mensagens que o antigo banqueiro quer passar, o que não é pouco.

Foi ali que ficámos a saber que se tinha ido embora sem intenções de regressar. “Desta feita não tenciono regressar. É uma opção difícil, tomada após profunda reflexão. Solicitei aos meus advogados que a comunicassem aos processos e quero por esta via tornar essa decisão pública”, por se sentir injustiçado, conforme escreveu.

O blog serve para tramar antigos parceiros em negócios, como será o caso de Luís Filipe Vieira (outro caído em desgraça). Numa análise que fez à OPA do Benfica, Rendeiro aventa que “o Benfica quer comprar lebre por gato”, que a OPA seria um artifício financeiro para controlar a SAD e safar o bolso de alguns sócios.

E é também por ali que podemos ter uma ideia dos inimigos que enfrenta. A crónica que dedicou a Francisco Pinto Balsemão é deliciosa e todos a devíamos saber de cor. Na primeira parte da composição, Rendeiro conta uma história do tempo da tropa de Balsemão.  

“Um grupo de milicianos (onde Francisco se incluía) tinha resolvido fazer um ‘levantamento de rancho’ como revolta às prepotências que o então todo-poderoso (e protofascista) General Kaúlza de Arriaga fazia aos seus indefesos subordinados. Passado pouco tempo o ‘levantamento de rancho’ estava resolvido e Francisco Balsemão transformado em ‘ajudante de campo’ de Kaúlza de Arriaga. Francisco tinha alavancado a luta dos seus camaradas em proveito próprio”, diz João Rendeiro sobre o carácter de Balsemão.

Não esquecer que Francisco Pinto Balsemão foi parceiro de João Rendeiro no BPP, nos corpos sociais do banco e nos negócios que o BPP ajudou a erguer como, por exemplo, as operações financeiras que em 1999 reforçaram o controlo de Balsemão na SIC. Numa época em que por lá andava, também, Joe Berardo. E Jacques Rodrigues. Um notável friso de figurões.

Os 25 anos dos Cantares da Terra

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Sem grandes espalhafatos, mas fazendo com rigor e alegria o seu percurso, o grupo Cantares da Terra, nado e criado em Cascais, com gentes de Cascais, está nas suas bodas de prata. O projecto – para se utilizar a palavra da moda – tinha por objectivo dar a conhecer as músicas doas quatro cantos do País, vestindo-as, porém, de novas e mais aliciantes roupagens, a que, desde sempre, Marta Garrido meteu ombros, com singular maestria e êxito pleno.

Apareciam duas, três vezes por ano; faziam um festival de música popular, endereçando convite a dois ou três grupos idênticos doutras zonas de Portugal; acediam aos convites que lhes foram fazendo quer em Portugal, nos Açores, na Madeira, Brasil, Luxemburgo, Espanha…

E eis-nos chegados às bodas de prata!

O serão começou com a actuação do grupo Acordar, que é uma ‘ramificação’ dos Cantares especialmente dedicada ao que chama ‘fado polifónico’, porque, a partir das melodias convencionais, se tecem arranjos vocais que nova roupagem emprestam aos fados tradicionais. Madalena Duarte (mezzo soprano) é, de um modo geral, a bonita voz que prevalece, mas – neste serão – foi mui bem acompanhada por Margarida Margato (contralto), Mafalda Duarte (soprano), Hugo Ferreira (no violino), Marta Garrido e Pedro Pechirra nos acordeões, João Chuva na percussão. De negro vestidos, a contrastar com a garridice dos xailes bem portugueses. Sempre um encanto, este Acordar!

Após o intervalo, a projecção de diapositivos deu conta do que fora, até aí, a vida da Associação: a primeira cassete, em 1995, com a canção Cascais Mar Oceano (com que, aliás, o serão iria terminar); em 2000, a cassete ‘Viagens’; em 2008, o CD ‘Regresso’; as colectividades que lhes foram dando guarida para os ensaios, até à actual, a Associação de Apoio Social Nossa Senhora das Neves de Manique de Baixo.

Seguiu-se a actuação do grupo todo, 14 elementos, de calças de ganga e camisas azuis, mais clarinhas as deles, bordadas as delas. O Zeca no baixo, o Alex no cavaquinho, o Américo e o Janeca na viola, João Paulo no bandolim, os acordeões já referidos. Nas vozes, Beatriz, Margarida e Lurdes, contraltos; Mafalda e Sónia, sopranos; Madalena, mezzo soprano.

Novidade bem agradável foi o acompanhamento, nalguns dos trechos, por parte do grupo Dançares de Cascais, uma iniciativa (se não erro) de Joaquim Carvalho, a partir do pessoal do Grupo Cénico da Associação dos Bombeiros de Cascais. E se a música era agradável de ouvir, a coreografia – ainda por cima, num espaço bem exíguo! – não deixou de encantar, para mais envergando os bailarinos, para cada moda, trajes diferentes, sábia e elegantemente desenhados por Joaquim Carvalho, como é seu timbre. Gostámos e aplaudimos! A música, as danças e o singular garridismo do guarda-roupa, pois então!

Não quis o grupo terminar sem chamar ao palco, para com eles actuarem, os antigos elementos que estavam presentes. Citam-se: Carlos Neves, José Nuno Gonçalves, André Cabrita, Vasco Torrete, Francisco Martins. Mataram saudades!

E os que temos acompanhado o bem agradável percurso dos Cantares da Terra ficámos reconfortados e aplaudimos vivamente o ramo de flores com que se presenteou Marta Garrido, que bem o merece. Na verdade, o que cativa neste grupo, para além da transbordante alegria que emanam (para eles cantar é sempre um divertimento partilhado!), são os oportunos e excepcionais arranjos originais que Marta sabe compor.

Já tive ocasião de convidar o grupo para actuar, com muito agrado, num congresso internacional em Cascais e faço votos de que a sua presença na comunidade seja cada vez mais… presente! O seu dinamismo e espírito de entrega merecem-no!

Estiveram presentes a senhora vereadora das colectividades, Joana Balsemão, o presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche, José Ribeiro, e sua mulher, Marta Ribeiro, que também representou a Sociedade Musical de Cascais.

A morte de modelo da Guiné-Bissau é um ‘mistério’

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A morte de top-model da Guiné-Bissau Layla Costa continuará por explicar, apesar de ser considerada resultado de um ataque cardíaco.

O mundo da moda é pouco transparente e está cheio de problemas, das drogas à prostituição. Layla morreu há um mês, a 11 de novembro. Com apenas 24 anos.

Layla era da agência de Fátima Lopes e estava a fazer sucesso em Milão. Apareceu morta em casa. E muitos gostariam de acreditar nas explicações que foram dadas.

Alguma imprensa internacional compara esta jovem a uma personagem de uma novela brasileira “ Verdades Secretas “, onde uma modelo negra de nome Laila vive à base de remédios para emagrecer de modo a brilhar nas passarelas.
É por certo uma mera coincidência.

Mas há uma verdade: algumas top-model portuguesas, à semelhança de muitas top-models do mundo inteiro, a dada altura desaparecem e nunca mais se ouve falar delas. Ou, neste caso, aparecem mortas.

Uma das fatalidades das top-model tem sido a prostituição. Recordemos as ‘manifes’ contra o facilitismo dos show-rooms de hotel.

Foto retirada de um dos vídeos de Louis Vuitton impossíveis de encontrar na net por alegadamente terem sido apagados. (2013.03.23)

Para piorar o cenário lembremos os vídeos promocionais da Louis Vuitton onde as modelos apareciam semi-nuas a vaguear pelas ruas de Paris, numa imagem facilmente associável a prostituição.

Para muitos, a morte de Layla Costa continuará um mistério que ficará ‘guardado a 7 chaves’.

Os idiotas imaginativos do Chega, racismo e xenofobia

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Uma queixa formalizada na CICDR acaba de chegar ao Ministério Público para que se proceda à devida investigação e acusação, se for caso disso.

A queixa atinge um dos candidatos do Chega nas recentes eleições autárquicas. Trata-se do militante do Chega que se candidatou à Câmara de São Brás de Alportel, no Algarve. O homem chama-se Braúlio Moreira e foi um dos “patuscos” que o Chega apresentou nessas eleições.

O vídeo que acabaram de ver é uma remontagem de vários outros vídeos que estão numa página do YouTube onde estão 7 trechos da gravação de uma sessão de esclarecimento onde terão participado outros candidatos à Câmara de S. Brás de Alportel, mas onde o candidato do Chega foi a “estrela” da noite.

De notar que, aparentemente, nenhuma das pessoas presentes, sejam outros candidatos, os moderadores ou mesmo do público, se insurge contra os disparates ditos por Bráulio Moreira, militante do Chega.

Foi preciso alguém ver estes vídeos para se indignar com as conexões entre “indiano” e “vingativo” e as alusões à morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio. Da indignação à queixa na Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial foi a distância de um clic.

Queixa apresentada em setembro, três meses depois a confirmação de que seguiu para o DIAP de Faro.

Bráulio poderá ser um idiota, mas terá de ser responsabilizado por aquilo que diz, assim como quem lhe concedeu a qualidade de candidato partidário.

Números baixaram, Isaltino safou-se

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O boletim epidemiológico regista hoje mais 3.879 casos de covid-19 e 13 mortes provocadas pela doença e um aumento nos internamentos em enfermaria, com mais 12 pessoas internadas nos hospitais.

A evolução da pandemia combate-se com a profilaxia do uso de máscaras e com vacinação. A máscara é um obstáculo à contaminação e a vacina evita, na maioria dos casos, a doença grave.

Hoje foi divulgado que cerca de 64 mil pessoas receberam uma dose de reforço da vacina contra a covid-19, o que eleva para quase dois milhões o total de pessoas já com o reforço vacinal, segundo os dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Isaltino safou-se

O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, teve alta hospitalar, depois de uma semana de internamento com covid-19.

Isaltino tem 71 anos e, portanto, seria daqueles que já teriam a dupla vacinação, ou mesmo a 3ª dose. Nada disso impediu que tivesse ficado doente mas, na verdade, passou apenas 3 dias nos cuidados intermédios antes de passar para a enfermaria.

A inqualificável arte de não informar

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Quando ontem liguei a televisão, havia a prisão de João Rendeiro em todos os canais. Repescaram-se reportagens, que já estávamos cansados de ver. Na verdade, sobre Rendeiro e a sua prisão, não haveria muito a contar: como foi apanhado, o hotel de luxo onde se encontrava e a viagem que fez, ponto final.

Houve conferências de imprensa, entrevistas ao director da Polícia Judiciária, palavras de todos os políticos… E, de todas as vezes que ligava a televisão, lá estavam o Rendeiro e a mulher a invadirem a minha sala.

Até se perdeu o sentido da dignidade, mesmo dos que estão condenados. Rendeiro aparece de pijama e, como se fosse uma informação importante, ainda dizem que o deixaram fazer a barba… Como se o facto de ter sido preso lhe retirasse o sentido de humanidade e pudesse ser mostrado de qualquer maneira.

Foi importante prendê-lo? Certamente que foi. Merecia tanto destaque? Tenho todas as dúvidas. Mas tenho a certeza de que, depois de ter sido massacrado de uma forma absolutamente inqualificável, o ex-ministro Eduardo Cabrita deve ter agradecido.

Durante muito tempo, o antigo ministro da Administração Interna foi sujeito a um verdadeiro assassinato político e pessoal por um acto que se cria ser da responsabilidade do seu motorista e que agora, tanto quanto li, afinal foi da vítima. Estou a defender Eduardo Cabrita? Não!!! Não o conheço de parte nenhuma! Mas cansei-me de o ver a toda a hora, sem que alguma informação fosse, de facto, notícia.

De repente, entra Rendeiro em destaque e Cabrita deixou de ser importante, bem como tudo o que havia de informação para dar sobre mil outras coisas.

Foi assim com o Covid, com o acidente de Sara Carreira e com tantas outras coisas que nos invadem a sala todos os dias. Esqueceu-se o que é a informação e privilegiou-se o espectáculo, como se as notícias passassem a ser telenovelas. Uma miséria!

À minha cabeça vem uma memória: Nobel da Paz de 2021 foi para os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov, que lutam pela liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia, em «condições cada vez mais difíceis».

Pronto! E é isto!

(actualizado às 19.50)