Os 25 anos dos Cantares da Terra

Esteve de lotação esgotada o Auditório de S. Vicente, em Alcabideche, na noite de 11, para a sessão comemorativa dos 25 anos da Associação Cantares da Terra.

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Sem grandes espalhafatos, mas fazendo com rigor e alegria o seu percurso, o grupo Cantares da Terra, nado e criado em Cascais, com gentes de Cascais, está nas suas bodas de prata. O projecto – para se utilizar a palavra da moda – tinha por objectivo dar a conhecer as músicas doas quatro cantos do País, vestindo-as, porém, de novas e mais aliciantes roupagens, a que, desde sempre, Marta Garrido meteu ombros, com singular maestria e êxito pleno.

Apareciam duas, três vezes por ano; faziam um festival de música popular, endereçando convite a dois ou três grupos idênticos doutras zonas de Portugal; acediam aos convites que lhes foram fazendo quer em Portugal, nos Açores, na Madeira, Brasil, Luxemburgo, Espanha…

E eis-nos chegados às bodas de prata!

O serão começou com a actuação do grupo Acordar, que é uma ‘ramificação’ dos Cantares especialmente dedicada ao que chama ‘fado polifónico’, porque, a partir das melodias convencionais, se tecem arranjos vocais que nova roupagem emprestam aos fados tradicionais. Madalena Duarte (mezzo soprano) é, de um modo geral, a bonita voz que prevalece, mas – neste serão – foi mui bem acompanhada por Margarida Margato (contralto), Mafalda Duarte (soprano), Hugo Ferreira (no violino), Marta Garrido e Pedro Pechirra nos acordeões, João Chuva na percussão. De negro vestidos, a contrastar com a garridice dos xailes bem portugueses. Sempre um encanto, este Acordar!

Após o intervalo, a projecção de diapositivos deu conta do que fora, até aí, a vida da Associação: a primeira cassete, em 1995, com a canção Cascais Mar Oceano (com que, aliás, o serão iria terminar); em 2000, a cassete ‘Viagens’; em 2008, o CD ‘Regresso’; as colectividades que lhes foram dando guarida para os ensaios, até à actual, a Associação de Apoio Social Nossa Senhora das Neves de Manique de Baixo.

Seguiu-se a actuação do grupo todo, 14 elementos, de calças de ganga e camisas azuis, mais clarinhas as deles, bordadas as delas. O Zeca no baixo, o Alex no cavaquinho, o Américo e o Janeca na viola, João Paulo no bandolim, os acordeões já referidos. Nas vozes, Beatriz, Margarida e Lurdes, contraltos; Mafalda e Sónia, sopranos; Madalena, mezzo soprano.

Novidade bem agradável foi o acompanhamento, nalguns dos trechos, por parte do grupo Dançares de Cascais, uma iniciativa (se não erro) de Joaquim Carvalho, a partir do pessoal do Grupo Cénico da Associação dos Bombeiros de Cascais. E se a música era agradável de ouvir, a coreografia – ainda por cima, num espaço bem exíguo! – não deixou de encantar, para mais envergando os bailarinos, para cada moda, trajes diferentes, sábia e elegantemente desenhados por Joaquim Carvalho, como é seu timbre. Gostámos e aplaudimos! A música, as danças e o singular garridismo do guarda-roupa, pois então!

Não quis o grupo terminar sem chamar ao palco, para com eles actuarem, os antigos elementos que estavam presentes. Citam-se: Carlos Neves, José Nuno Gonçalves, André Cabrita, Vasco Torrete, Francisco Martins. Mataram saudades!

E os que temos acompanhado o bem agradável percurso dos Cantares da Terra ficámos reconfortados e aplaudimos vivamente o ramo de flores com que se presenteou Marta Garrido, que bem o merece. Na verdade, o que cativa neste grupo, para além da transbordante alegria que emanam (para eles cantar é sempre um divertimento partilhado!), são os oportunos e excepcionais arranjos originais que Marta sabe compor.

Já tive ocasião de convidar o grupo para actuar, com muito agrado, num congresso internacional em Cascais e faço votos de que a sua presença na comunidade seja cada vez mais… presente! O seu dinamismo e espírito de entrega merecem-no!

Estiveram presentes a senhora vereadora das colectividades, Joana Balsemão, o presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche, José Ribeiro, e sua mulher, Marta Ribeiro, que também representou a Sociedade Musical de Cascais.

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