Fábricas de automóveis podem parar, na Europa

Se tem um automóvel, mesmo velhinho, poupe-o. Ainda vai valer bom dinheiro.

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O magnésio é um elemento químico muito especial. Não pela raridade, porque existe em todo o lado, mas pelas aplicações que tem, seja na indústria, na medicina, na alimentação, serve para quase tudo. É fundamental, por exemplo, como elemento de liga com o alumínio e, assim, torna-se imprescindível para a indústria de construção automóvel.

Para se obter magnésio é preciso refinar minerais ou, através de eletrólise, extraí-lo da água do mar. Existem vários métodos capazes de extrair magnésio para que possa, depois, ser aplicado industrialmente. Portanto, para se obter magnésio é preciso ter unidades industriais para tal. Como o magnésio serve para quase tudo, é preciso ter muitas unidades industriais. Onde é que estão essas unidades industriais? Estão na China.

A deslocalização das fábricas para a China

A China fornece 85% do magnésio que o mundo precisa. O mundo depende da China. Como foi que permitimos que isso viesse a acontecer, é uma pergunta a que só os dirigentes políticos e os capitalistas poderão responder. Os industriais desmontaram as fábricas na Europa e levaram-nas para a China, por causa do operariado de salários baixos e capacidade reivindicativa ainda mais baixa. Ficaram encadeados com a miragem de um mercado de muitos milhares de milhões de consumidores.

Hoje, a Europa não consegue fabricar um carro sem o magnésio produzido na China e sem os chips eletrónicos produzidos na China. Mas o problema imediato é o magnésio. Porque a China decidiu diminuir drasticamente a produção desse químico, o que provocou escassez e o consequente aumento do preço. De repente, o custo desta matéria prima aumentou 700%. Os industriais europeus e americanos estão a provar do seu próprio veneno. É a lei do mercado, como eles gostam de dizer. Os carros podem vir a ficar tão caros que deixarão de ser vendidos.

Auto Europa reduz produção

Em Palmela, a Auto Europa, responsável por si só por 10% do PIB nacional, anunciou estar a ponderar o fim do 4.º turno, despedir 900 trabalhadores, reduzir em 53 mil unidades a produção de carros durante o próximo ano. Panorama idêntico passa-se em todas as outras fábricas de automóveis na Europa, devido à escassez de matéria-prima e de componentes eletrónicos.

Se tem um automóvel, mesmo velhinho, poupe-o. Ainda vai valer bom dinheiro.

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